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Triângulo infeliz

terça-feira, 4 de agosto de 2009 | 14:17

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Tenho 38 anos, sou casada há 13 e mãe de um filho de 12. Meu marido e eu estamos fazendo terapia de casal. A terapeuta percebeu todos os nossos problemas. Disse que precisa primeiro tratar da gente e depois do menino, que também está sofrendo.

Meu marido não entende nada do que eu falo. Então, fui falando cada vez menos. Temos problemas de comunicação e o sexo é péssimo. Eu fujo, fico o mais distante possível para não dar “ideias”. Não era assim antes do casamento. Mas, depois que o meu filho nasceu e meu marido se mostrou imaturo em várias circunstâncias,  eu fui me desinteressando do sexo com ele. Não entende que as preliminares começam com a gentileza cotidiana e o companheirismo. Tenho que explicar tudo que diz respeito ao sentimento.

Quando ele quer sexo, se aproxima como uma criança manhosa, procurando colo. Com olhos pidões e um biquinho. Me pergunto se ele quer mulher ou mãe e fico sem vontade nenhuma. Gosto de sexo quente e para não trair, fui me anulando como mulher. Tem horas que eu queria ter 65 anos, para  não pensar mais no assunto.

Aos 38 anos você queria ter 65 para não pensar em sexo. Como se as mulheres de 65 não pensassem em sexo. Ninon de Lenclos, dama francesa do século XVII, que reunia no seu salão a sociedade libertina da época, recusou o último amante aos 80. Mas o desejo que você expressa mostra o quanto o seu marido pidão e a ideia de traí-lo provocam repugnância em você. Como ele não entende nada do que você diz e você foi falando cada vez menos, a hipótese de uma separação pode ser aventada e a terapia de casal deve servir para considerar isso.

Se a meta desta terapia for salvar o casamento a qualquer preço é porque ela tem um pacto com a repressão. Nada é mais contrário à felicidade. Ninguém é obrigado a ficar onde está. Você e o seu marido podem mudar de posição. Ou redescobrindo a possibilidade de ficar junto, o que depende de uma escuta nova, ou se separando, caso essa escuta não ocorra.

Um casal  que não se comunica e não tem uma boa vida sexual, ou seja, que não se entende, acaba traumatizando os filhos. Melhor ter pais separados do que continuamente traumatizados. Ninguém precisa continuar casado porque se casou um dia. A cabeça das pessoas muda. E não há razão para não aceitar a mudança.

Por Betty Milan

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