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ciúmes

11/07/2011

às 15:06 \ Infância

Abuso

Sou filha única e tenho um pai muito ciumento. Desde pequena ele me fez acreditar que homem não presta. Todo dia, depois da escola, ele me perguntava se algum menino tinha vindo falar comigo e achava graça quando eu respondia que bateria no menino. Comecei a namorar e beijei com 21 anos. Quando meu namorado foi pedir permissão para o namoro, meu pai foi educado com ele, porém ficou uma semana sem falar comigo. Eu me senti como se o estivesse traindo. Estou com 25 anos agora. Noivei, e as coisas pioraram. Não posso sair sozinha com o noivo. Com meus irmãos, meu pai não é assim, e a diferença de tratamento me revolta: “Solto meus bodes, mas prendo minha cabrita”.

Nunca vou a festas porque sou evangélica e quero casar virgem. Ou seja, não dou motivo algum para desconfiança. Às vezes, tenho vontade de morar sozinha e eu só não faço isso para não desapontar meu pai. Por outro lado, não quero casar só para sair de casa. Não pode ser assim. Estou sofrendo por causa do apego a meu pai. Gostaria que ele me levasse ao altar, mas não consigo visualizar a cena. Minha mãe, que deveria me ajudar, só atrapalha, dizendo que, se acontecer alguma coisa comigo, ele vai tirar satisfação com ela. Por causa disso tudo, eu me pergunto se vale a pena casar e só fico adiando a data.

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Por Betty Milan

25/06/2010

às 16:22 \ Relacionamentos

Laços de família

Tenho 35 anos e minha esposa, 32. Somos casados há onze anos. Temos uma filha de 4 e um filho de 2. Demoramos para ter filhos, e, até o nascimento de nossa primeira filha, o casamento era ótimo. Desde então, minha esposa tem ciúme do meu relacionamento com a menina. Por um nadinha ela a agride. Isso ficou mais claro com o nascimento do menino. A diferença no tratamento das crianças é nítida. Acabo sendo obrigado a tratar a menina melhor, para que ela não fique com a idéia de que todos são maus etc. Daí, a mãe acha que eu privilegio a menina e aumenta a pressão sobre ela. Criou-se um ciclo vicioso que eu não consigo romper.

Para piorar a situação, minha esposa foi nomeada por uma repartição pública, onde trabalham outras mulheres com sérios problemas de relacionamento. E ela agora acha que todos os homens não prestam, eu a traio e a nossa filha de 4 anos sabe disso e acoberta a verdade. Não sei se ela está sendo influenciada pelas colegas. Sugeri que procurasse um terapeuta, e uma delas disse que eu fiz isso a fim de que o profissional a prepare para aceitar a traição. A situação está se tornando insuportável.

O ciúme é uma danação porque não há como contestá-lo com argumentos: ele nasce e se alimenta de si mesmo e é a causa de grandes tragédias. Só é possível lidar com ele descobrindo os seus motivos, ou seja, através da análise. Mas, tendo em vista sua relação com sua esposa, ela não fará uma análise sugerida por você. Não tem condições de escutar o que você diz.

Agora, como você está sendo acusado de fazer o que não faz e a sua filha está sendo perseguida pela mãe, você tem de sair dessa situação. Como? Só vejo duas possibilidades. Encontrar um aliado que possa convencer sua esposa a procurar um analista ou separar-se dela sem desproteger sua filha, que é vítima de uma conduta perversa da mãe. A acusação de que a menina acoberta a traição mostra quão comprometido o juízo de realidade da mãe.

O fato é que você, como pai responsável, precisa dar um basta ao que está ocorrendo e procurar um consultor para agir de maneira certa. Seu futuro e o de seus filhos dependem do modo como a mudança para outra situação vai ser feita.

Por Betty Milan

22/09/2009

às 19:10 \ Casamento

Três x dois

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Somos casados há 27 anos. Sempre tive vontade de fazer sexo com duas mulheres. Minha mulher nunca aceitou, pois sempre foi muito romântica. Dizia que não teria prazer se me visse com outra. Nosso relacionamento entrou numa fase de acomodação. Quando eu ficava deprimido, não tinha ereção. Falava que seria mais feliz se ela tivesse amante. Pois ela arrumou uma amante. Uma menina linda, bem mais jovem. Deseja viver esta relação intensamente, sem a minha presença, porque a menina é lésbica e não aceita homem. Me dei conta do quanto amo minha mulher. Não quero perdê-la, estou sofrendo. Ela diz que não vai me abandonar, mas vai viver o novo amor até o fim. Estou perdido. Sinto ciúmes, estou inseguro. O que faço?

Para você, o três é o número que dá prazer. Você quer transar com duas mulheres. Já a sua mulher é romântica, gosta do número dois. Quer exclusividade na relação sexual. Mas o fato é que, por vias tortas, ela satisfez o seu desejo, tornando-se indissociável da menina linda com quem vive um novo amor. Você conhece o provérbio segundo o qual “quem diz o que quer ouve o que não quer?” Pois é, você não esperava ser surpreendido.

Agora, você tem de esperar para ver como fica e se perguntar por que você se expôs ao que está acontecendo. Quem tem uma conduta libertina no casamento corre o risco de perder o parceiro e quem não tem condições de se arriscar precisa se refrear. A equação é simples. O mais difícil é decifrar a sua história para não se tornar vítima dela.

Quanto ao ciúme, como diz a renomada libertina Catherine Millet no livro Dia de Sofrimento, ele nasce das dúvidas que temos em relação ao outro e se nutre das fabulações através das quais preenchemos as lacunas da vida. Ou seja, quem tem ciúme sofre por causa da imaginação e continua ligado ao outro pelo sofrimento. Você está às voltas com o seu masoquismo e também a razão disso você terá de entender para sair da posição difícil em que está. Tanto uma análise quanto a leitura dos romances libertinos clássicos poderão iluminá-lo.

Por Betty Milan

11/08/2009

às 12:50 \ Relacionamentos

Fora

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Há cerca de um ano levei um fora de alguém que eu amava muito. Foi o meu primeiro amor. O rompimento não desestruturou apenas minha vida afetiva, mas a minha vida como um todo. Quase surtei. Aliás, surtei: abusei de drogas (lícitas e ilícitas), larguei trabalho, pós-graduação, casa e praticamente fugi da cidade por um tempo. Hoje estou de volta, só que ainda me sinto péssima. Tenho evitado sair, não tenho vontade de conhecer pessoas, de fazer nada. Virei uma ilha.

Não sei o que me martiriza mais: a perda, o sentimento de culpa (porque nos últimos meses de namoro eu estava insuportavelmente ciumenta) ou saber que fui enganada (mais tarde vim a saber que havia uma outra pessoa e isso era público). Eu nem desconfiava da existência dessa ‘outra’ que foi alçada à condição de titular absoluta. Será que é um desses fatores ou são todos eles reunidos?

Uma ilha de sofrimento. Porque perdeu e porque sabe que se deixou enganar. O namorado se foi e você ficou com o ódio dele, de si mesma e da outra. Ódio demais para uma pessoa só.

Para se livrar do primeiro ódio, o que você sente pelo ex, é preciso se debruçar sobre a relação. Nela você encontrará as razões pelas quais ele foi embora. Para se livrar do segundo ódio, o de si mesma, você tem de levar em conta que nós frequentemente não enxergamos o que está a um palmo do nariz. Porque a realidade contraria a fantasia que todos nós tendemos a privilegiar. Não há portanto razão para se culpar e se autoflagelar. Do terceiro ódio, o da “titular absoluta”, você se livra quando conseguir se curar da paixão pela Outra, existente na nossa cultura. Paixão que deu origem a uma das grandes peças de Nelson Rodrigues, A Falecida.

A paixão pela Outra implica no culto da vingança, que tem origem no Brasil colônia. Naquela época, o concubinato era quase uma regra entre os escravos. Para as filhas de família rica, as alternativas eram a vida monástica ou o casamento. No matrimônio, a mulher aceitava o homem a ela destinado e também as relações adúlteras dele. A Outra estava implícita no contrato do casamento e não o ameaçava. Mas sempre que o marido se ausentava, a esposa se vingava da escrava suspeita, ordenando ao capataz que marcasse o seu rosto a fogo ou a chicoteasse até morrer. A senhora via na Outra, A Mulher, um mito arcaico que a modernidade perpetua e é o  suporte do ódio entre as mulheres.  E consequentemente, do machismo.

Por Betty Milan


 

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