
Somos casados há 27 anos. Sempre tive vontade de fazer sexo com duas mulheres. Minha mulher nunca aceitou, pois sempre foi muito romântica. Dizia que não teria prazer se me visse com outra. Nosso relacionamento entrou numa fase de acomodação. Quando eu ficava deprimido, não tinha ereção. Falava que seria mais feliz se ela tivesse amante. Pois ela arrumou uma amante. Uma menina linda, bem mais jovem. Deseja viver esta relação intensamente, sem a minha presença, porque a menina é lésbica e não aceita homem. Me dei conta do quanto amo minha mulher. Não quero perdê-la, estou sofrendo. Ela diz que não vai me abandonar, mas vai viver o novo amor até o fim. Estou perdido. Sinto ciúmes, estou inseguro. O que faço?
Para você, o três é o número que dá prazer. Você quer transar com duas mulheres. Já a sua mulher é romântica, gosta do número dois. Quer exclusividade na relação sexual. Mas o fato é que, por vias tortas, ela satisfez o seu desejo, tornando-se indissociável da menina linda com quem vive um novo amor. Você conhece o provérbio segundo o qual “quem diz o que quer ouve o que não quer?” Pois é, você não esperava ser surpreendido.
Agora, você tem de esperar para ver como fica e se perguntar por que você se expôs ao que está acontecendo. Quem tem uma conduta libertina no casamento corre o risco de perder o parceiro e quem não tem condições de se arriscar precisa se refrear. A equação é simples. O mais difícil é decifrar a sua história para não se tornar vítima dela.
Quanto ao ciúme, como diz a renomada libertina Catherine Millet no livro Dia de Sofrimento, ele nasce das dúvidas que temos em relação ao outro e se nutre das fabulações através das quais preenchemos as lacunas da vida. Ou seja, quem tem ciúme sofre por causa da imaginação e continua ligado ao outro pelo sofrimento. Você está às voltas com o seu masoquismo e também a razão disso você terá de entender para sair da posição difícil em que está. Tanto uma análise quanto a leitura dos romances libertinos clássicos poderão iluminá-lo.
















