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Casamento

07/10/2011

às 14:29 \ Relacionamentos

Farsa

Tenho 27 anos e namoro um rapaz de 30, há seis anos. Nossos primeiros anos de namoro foram maravilhosos, ele é muito atencioso. Foi bem paciente comigo, pois eu era virgem e sempre tive medo e vergonha de tudo. Em compensação, ajudei no que pude: computador, estudos etc. Porém, nós temos religiões diferentes: ele é evangélico e eu espírita. Já nos separamos por causa disso. Depois, reatamos com a condição de que eu parasse de frequentar o centro espírita. Alguém tem de ceder, e eu aceitei a condição, embora minhas convicções não tenham mudado.

Passado um tempo, começamos a brigar. Ele disse que não se satisfazia comigo na cama. Nossa intimidade ocorria num quarto, com outras pessoas na casa, e eu nunca me senti à vontade. Apesar de irmos, às vezes, ao motel, isso também não era bom para mim, pois ele queria fazer tudo o que não havia feito durante o mês. Agora, todos os amigos estão casando e tendo filhos. Falei disso com ele, que não quer se casar. Disse que não consegue mais me falar ‘eu te amo’, sente algo muito especial, mas não sabe se é amor. Me pediu para ajudá-lo a dizer ‘eu te amo’ novamente, pois não quer me perder… O que posso fazer?

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Por Betty Milan

30/09/2011

às 21:24 \ Relacionamentos

Amor à primeira vista

No fim do ano passado, conheci um homem e tive uma emoção forte. Cada um buscava algo no olhar do outro, ele no meu e eu no dele. Começamos a nos falar e fomos criando um laço de amizade. Até que surgiu outro sentimento. Tentamos nos afastar em vão, nossos sentimentos brotavam com mais força. Então nós nos beijamos. Até hoje foi só um beijo, porém estamos muito envolvidos. Antes de sair de casa, ele contou tudo para a esposa. Ela me vê como uma vagabunda. De vez em quando, ele vai ver a filha e acaba brigando com ela. Agora, ela descobriu, no e-mail dele, umas fotos de nós dois juntos. E me escreveu dizendo que vou pagar caro, me xingou.

Já pensei em me afastar definitivamente da vida dele, mas é tão bom o que a gente sente um pelo outro. Se eu me afastar, ele não vai deixar de se separar da esposa e ela vai achar que a causa da separação sou eu. Por favor, me dê sua opinião.

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Por Betty Milan

29/08/2011

às 16:54 \ Casamento

Sem saída

Estou vivendo um momento conflituoso sem vislumbrar uma saída. Tenho 44 anos e uma filha adolescente de 14. Nosso relacionamento está péssimo. Ela é muito rebelde, meu marido a deixa fazer quase tudo, além de me destituir de autoridade. Diz, na frente dela, que eu sou uma doente. Toda vez que a situação aperta, quando ela mente, por exemplo, nós dois brigamos e ele diz que vai se separar de mim. Ele acha que eu “pego no pé” da menina e perco a credibilidade para agir nos momentos sérios. Por outro lado, sinto que ele não gosta de encarar situações problemáticas. Assim como o pai dele, que prefere não ver os problemas para não ser obrigado a enfrentá-los.

Estou sempre disposta a levar e buscar minha filha. Já o pai a deixa pegar carona e até chegar em casa às 5 da madrugada. Ela tem me desrespeitado muito, me agride verbalmente e até levantou a mão para mim. Estou arrasada, e o que mais me preocupa é que ela prefere mentir a enfrentar as situações desfavoráveis. Também tenho medo de bebida, droga, etc… Trabalho com adolescentes, e eles sempre me pedem orientação. Com minha filha é tudo diferente, e eu não consigo mudar meu comportamento. Na verdade, não sei o que fazer.

A rebeldia de sua filha desencadeia a briga entre você e seu marido. Mas, se a relação de vocês dois fosse boa, ele não a destituiria de autoridade e não diria que você é uma doente. Seu marido, como o pai dele, não quer saber de problemas e não vai mudar. Parece ser bem diferente de você, que trabalha com adolescentes e, portanto, se interessa pelas questões subjetivas. Vocês hoje estão juntos porque desejam ou por acharem que a família é indissolúvel?

A rebeldia de sua filha é proporcional à desautorização de que você é vítima. Também se deve, no entanto, ao que você diz: “Não consigo mudar meu comportamento”. Isso significa que você está agindo de forma repetitiva, como um robô, e não de modo inteligente.

Seu comportamento só será oportuno se você se puser à escuta de sua filha. Para tanto, você precisa se escutar e se debruçar sobre a estrutura de sua família. Isso poderá levá-la a pôr em questão seu casamento, porém também poderá sanar a situação.

Por Betty Milan

12/08/2011

às 18:08 \ Relacionamentos

Indecisão

Estou sem saber o que fazer, eu que sempre consegui tomar decisões. Tenho 47 anos, sou separada há dez e moro com meus filhos, uma moça de 29 e um rapaz de 26, além da minha mãe. Há quatro anos “namoro” um homem de 43, também separado. De uns tempos para cá, tenho pensado em casar (morar junto), mas meus filhos não concordam com a ideia de o namorado vir morar conosco, pois a casa em que vivemos também é do pai deles. O namorado diz que posso morar com ele quando quiser, mas eu não gostaria de deixar meus filhos e minha mãe. Acho que as mães não devem deixar seus filhos. São eles que se casam e vão embora. Quanto à minha mãe, ela é dependente de nossa convivência e eu teria de levá-la comigo.

Não quero sair da minha casa, mas estou cansada de ficar me dividindo. Nunca me sinto relaxada, estou sempre com uma mochila nas costas, indo ou voltando para uma das duas casas. Sem falar na sensação de estar sempre ausente para uma das partes. Quando estou com ele, fico pensando que minha mãe e meu filho estão sozinhos. Quando estou com os filhos, é ele que reclama minha presença. Não consigo tomar uma atitude.

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Por Betty Milan

17/06/2011

às 17:57 \ Casamento

Help me

Tenho 38 anos. Aos 18 engravidei e dei à luz uma menina que hoje é uma moça linda de 19 anos. Eu me separei do primeiro marido e me casei de novo. Tentei ter mais um filho, mas só consegui espontaneamente no ano passado, depois de fazer de tudo, inclusive fertilização in vitro. Dei à luz uma segunda menina, que hoje tem 1 ano e 3 meses. No meu casamento, que está um fiasco, nós passamos por traição, separação, reconciliação, problemas de dinheiro e saúde da bebê, que teve problemas respiratórios. Estou amamentando e perdi o interesse pelo meu marido, que é lindo, porém não me deseja como eu gostaria de ser desejada.

Me sinto culpada por ter de trabalhar fora e deixar a bebê no berçário; por não administrar bem a casa; por não cuidar do meu casamento como deveria! Queria ser uma guerreira, com dia de 50 horas e disposição para tudo! Estou sem dormir uma noite inteira há algum tempo. Às vezes, tenho vontade de me separar. Daí penso no trabalho que dá ter uma relação nova e prefiro ficar onde estou! Ser mãe, depois de tantos anos, é um recomeço muito louco! Ao mesmo tempo em que amo este momento, eu me culpo por querer ser livre, dormir e acordar na hora que desejar, pegar o carro e sair sem destino ou mesmo sumir um dia inteiro sem ser importunada! Help me!

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Por Betty Milan

06/05/2011

às 19:32 \ Casamento, Infância

Sem meta


Leio semanalmente sua coluna, procurando uma história que me faça entender meus problemas. Tenho medo das pessoas, não tenho amigos e não sinto saudade da minha mãe, que mora em outro estado e eu evito. Há pouco tempo faço terapia. Me faz bem, embora o processo seja lento e exija tempo. Às vezes, eu me sinto como era aos 5 anos: frágil, insegura, incapaz de arrumar um emprego melhor. Estou ansiosa, confusa, frustrada…

Curso o terceiro ano de psicologia. Sou a pessoa mais inadequada no curso e em tudo o que faço. Não realizo coisa alguma. Aliás, eu não sonho com nada. Simplesmente vivo por viver, sem meta. Eu me sinto presa a uma vida que não escolhi. Quando penso na infância com meus pais, a palavra que me ocorre é inferno. Eles brigavam o tempo todo e até se agrediam. Há pouco, descobri, através da minha irmã, que, no oitavo mês de gravidez, minha mãe levou um tombo provocado por meu pai. Isso me angustiou muito. Gostaria de começar uma vida do meu jeito, fazendo as minhas escolhas, porém não sei como. Aos 25 anos, eu me sinto impotente.

Você se apresenta dizendo que não tem e não realiza nada. Não tem amigos, não tem saudade, não tem coisa alguma… O que você espera do consultor que recebe essa apresentação? Que ele proceda como seu pai, durante a gravidez de sua mãe, fazendo pouco de você?

Você provoca a rejeição. Como se o fato de ter sido rejeitada no ventre da sua mãe devesse se repetir em sua vida. Para viver do seu jeito e fazer escolhas nas quais você se reconheça, terá de nascer de novo. Não mais de um pai e de uma mãe, e sim de suas palavras, do que você disser em sua análise, da porta que vai abrir rememorando o passado para que não mais se repita.

Hoje, você dá murro em ponta de faca. Mas pode mudar, enveredando seriamente, através da análise, por um caminho desconhecido e que você só vai descobrir caminhando. Claro que teria sido melhor nascer de um pai e de uma mãe que vivessem em paz e desejassem a criança que foi concebida, porém a origem a gente não escolhe. Não há como. O que podemos é inventar nossa trajetória. Sua meta pode ser essa. Aos 25 anos, você tem a vida pela frente, muito tempo para se definir e ser feliz.

Por Betty Milan

01/04/2011

às 14:08 \ Liberdade

Preconceito


Sou obrigada a namorar e casar? Tenho mais de 30 anos e não namoro há tempo. Certas pessoas me tratam como se eu fosse uma extraterrestre, uma criminosa…  Acho que também fazem isso por me acharem bonita. Considero essa atitude muito preconceituosa. Como se dissessem: “Mulher precisa de homem” ou “Só namora quem é bonita e quem é bonita sempre namora”. Acabo me sentindo criminosa mesmo.

Não tenho facilidade para namorar. Talvez porque não ature qualquer pretendente. Sou cobrada também pela família, e essa cobrança é muito ruim pois minha mãe se sacrificou para manter o casamento. Foi um casamento sofrido, que fez mal a todos, inclusive a mim. Talvez, por causa desse passado, eu não queira me casar. Mas eu evito o casamento e encontro o preconceito.

Claro que você não é obrigada a namorar e casar. Sua pergunta na abertura do e-mail mostra quão contrariada você fica pelo imperativo do casamento. Ninguém deve ser cobrado por nada que diz respeito à sua vida íntima. O que importa é estar bem consigo mesmo, é o indivíduo chegar ao fim da vida se dizendo que gosta de si. Gosta do que disse e fez.

A cobrança é uma forma de violência, e você tem razão de se opor a ela. Todas as gerações sofreram por causa do imaginário de seus ancestrais e tiveram que lutar contra ele. No fim do século XIX, Oscar Wilde foi condenado a dois anos de prisão, com trabalhos forçados, por “cometer atos imorais”. Foi encarcerado, e, além de perder a reputação, perdeu a saúde.
A luta dos homossexuais para impor o direito à sua forma de viver começou há mais de um século e não acabou porque as pessoas não suportam a diferença. Querem simplesmente eliminar o outro que não as espelha. Puro narcisismo.

O preconceito sempre existiu e vai continuar a existir. Só que os celibatários convictos, os homossexuais, os transexuais e os travestis estão ganhando espaço. Isso significa que a fantasia e a singularidade estão se impondo mais. As pessoas hoje inclusive já podem decidir qual o seu sexo biológico, pois o sexo pode ser redesignado — e isso, em certos casos, é imperativo. Um bom exemplo é Transamérica, que recebeu dois Oscar.

Por Betty Milan

18/03/2011

às 11:48 \ Relacionamentos

Atoleiro


Leio sua coluna para enfrentar meus problemas. Resolvi escrever porque estou muito agoniada, sem um namorado, sem amigos. Tenho 33 anos. Dizem que pareço ter menos e sou bonita. Meu emprego é bom, mas sinto um imenso vazio. Sempre sonhei em me casar e ser mãe, porém sinto que a possibilidade de realizar o sonho está cada vez mais distante: a idade avançando e nenhum pretendente interessante.

Daqui a pouco, não poderei mais ter filhos por razões biológicas. Já tive alguns relacionamentos sérios e cheguei a pensar em casamento, porém sempre houve algo estragando tudo: uma traição, um abandono, um desencanto mútuo. Sinto que não sei escolher o homem certo ou que não sei manter o relacionamento. Sinto que todos seguiram sua vida, menos eu. Minhas amigas se casaram, tiveram filhos ou se mudaram.

Além de não conseguir namorar, não consigo mais fazer amigos. Sei que isso é, em parte, voluntário. Já me vangloriei de estar sozinha, de não ter ninguém para atrapalhar meu sossego. Só que agora me cansei disso.  Às vezes me olho no espelho e sinto que estou perdendo tempo. Daqui a pouco a juventude se foi. O que eu faço? Tenho relações com qualquer homem para engravidar? Vou a um banco de sêmen? Ou continuo nesse espera agoniada e pouco promissora?

Nem todo mundo nasce para se casar, embora haja quem imagine o contrário. O fato de sempre ter existido na sua vida amorosa “algo estragando tudo” tem de ser levado em conta. Você talvez não tenha vocação para o casamento, que é uma aposta particularmente difícil.

O que me chamou atenção no seu e-mail foi o número de vezes que você utilizou a palavra sinto. Será que você tem medo de ser afirmativa? Talvez seja isso. O fato é que você sente mais do que você pensa sobre os próprios sentimentos. Fica exposta ao que der e vier. Fala como se traição, abandono e desencanto caíssem do céu.

Por outro lado, não vê saída para você fora do que antigamente se convencionou ser o destino da mulher: o casamento e a maternidade. Assim, pensa numa relação com um homem qualquer para engravidar ou pensa no banco de sêmen. Não sou de dar conselho, mas me permito dizer que, na situação atual, é melhor não engravidar. A criança vai ser a depositária de todas as suas expectativas e você vai se frustrar.

Você está atolada e não quer mais ficar. Então procure descobrir por que você só vê saída na via convencional. O que tem isso a ver com as suas origens, com o que os seus antepassados faziam e diziam?

Por Betty Milan

 

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