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amor

30/09/2011

às 21:24 \ Relacionamentos

Amor à primeira vista

No fim do ano passado, conheci um homem e tive uma emoção forte. Cada um buscava algo no olhar do outro, ele no meu e eu no dele. Começamos a nos falar e fomos criando um laço de amizade. Até que surgiu outro sentimento. Tentamos nos afastar em vão, nossos sentimentos brotavam com mais força. Então nós nos beijamos. Até hoje foi só um beijo, porém estamos muito envolvidos. Antes de sair de casa, ele contou tudo para a esposa. Ela me vê como uma vagabunda. De vez em quando, ele vai ver a filha e acaba brigando com ela. Agora, ela descobriu, no e-mail dele, umas fotos de nós dois juntos. E me escreveu dizendo que vou pagar caro, me xingou.

Já pensei em me afastar definitivamente da vida dele, mas é tão bom o que a gente sente um pelo outro. Se eu me afastar, ele não vai deixar de se separar da esposa e ela vai achar que a causa da separação sou eu. Por favor, me dê sua opinião.

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Por Betty Milan

20/05/2011

às 8:49 \ Relacionamentos

Asceta

Sou médica. Em agosto do ano passado, conheci um rapaz, cinco anos mais velho e médico também. Começamos a sair e fomos ficando. Depois de três meses, ele me disse que não sabia se estava pronto para namorar. Na realidade, nós já estávamos namorando. Em janeiro, ele foi fazer um curso no exterior e me escreveu dizendo que queria ser só meu amigo. Não aceitei, e nós voltamos.

Até recentemente eu não entendia o porquê do ir e vir. Graças a uma amiga dele e a ele mesmo, fui entendendo. Ele pretende largar tudo e virar monge budista. Quer ir para outro país meditar. Não sabe se vai conseguir, pois é professor e adora ensinar. O fato é que só se interessa pelo templo budista, pela residência médica e por mim. A última dele é que pretende fazer vasectomia e inclusive já falou com o médico. Mas eu quero ter filhos e não posso fechar a porta da maternidade. Se ele fizer a vasectomia, acabou.

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Por Betty Milan

12/05/2010

às 16:51 \ Sexo

Só sexo

Tenho 25 anos. Minha vida sempre foi normal, cursei a universidade, consegui um bom trabalho e cresci intelectualmente. Tive bons namorados, mas de uns tempos pra cá as coisas estão mudando. Só me interesso por rapazes que nada têm a ver comigo. No começo, fantasio coisas boas. Depois, percebo que só querem sexo e os satisfaço. Sou uma fonte para eles. O problema é que eu busco o carinho nessas relações e não encontro. Saio, sou paquerada, mas não tenho vontade de ficar com ninguém. Volto para os antigos, com quem faço sexo sem compromisso e sem a necessidade de conquista. Isso já dura dois anos e eu não consigo mudar essa situação. Acho que só tenho sexo a oferecer e receber!!! Não consigo me abrir de nenhuma outra maneira para as pessoas. Me ajude.

A sua história me fez pensar na de Catherine Millet, cujo livro foi um grande sucesso. Nele, a autora conta que fez do sexo um refúgio para evitar olhares que a envergonhavam e diálogos para os quais não estava preparada. Diz que respondia a qualquer proposta e estava sempre disponível, “por todas as aberturas do corpo e em toda a extensão da consciência”. Cita no livro comentários de parceiros que eu reproduzo para clarificar a experiência dela:

- “Você nunca dizia não, não recusava nada.”

- “Você não era inerte, mas tampouco demonstrativa.”

- “Você fazia as coisas com naturalidade, nem reticente e nem obcecada.”

- “Na orgia, você era sempre a primeira a começar, estava sempre na proa…”

Como você, Catherine Millet  poderia dizer que só tem sexo a oferecer e receber, mas ela não usaria três exclamações no final da frase. Viveu a experiência dela com naturalidade por ter se reconhecido na cultura libertina francesa e ser uma heroína da libertinagem antes de ter se tornado uma heroína da literatura.

Acho que você usa as exclamações por dois motivos. Primeiro, porque nós não temos a cultura da libertinagem e a sua experiência te escandaliza. Segundo, porque a relação só de sexo não é o que você quer. Mas, se é como objeto sexual que você se apresenta e estabelece a relação, esta obviamente só pode se limitar a sexo.

Para sair da situação em que você se encontra, precisa descobrir por que só pode se apresentar como objeto do gozo alheio e não como quem deseja ser amada. Nessa posição, você precisaria oferecer a sua falta e teria que abrir mão do narcisismo.

Por Betty Milan

04/05/2010

às 19:31 \ Casamento, Relacionamentos, Sexo

Como foi e como é

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Tenho 28 anos, sou casada, sem filhos. O que me traz aqui é uma dúvida cruel. Conheço meu marido há quase cinco anos e estou casada há dois. No início do namoro, éramos insaciáveis na cama. Não podíamos ficar a sós que já estávamos transando. Casamos e, depois disso, tudo mudou. É uma vez por semana, ou pior, a cada 15 dias. Já passamos até um mês sem nada. Eu o amo e sei que ele me ama, mas não sei o que está acontecendo. Às vezes tenho vontade de procurá-lo, porém fico meio sem graça. O problema é que a abstinência me faz lembrar de parceiros antigos e eu inclusive me pergunto onde posso achá-los para remoçar. Sei que meu marido não merece ser traído, ele é muito bom. Sei que ele não tem outra porque já investiguei. O que eu faço?

O que me chamou a atenção no seu e-mail foi o “procurá-lo”. Usualmente se emprega o verbo procurar para o ato de tomar a iniciativa sexual e ninguém estranha. O verbo, porém, ao dizer bem que um procura e o outro é procurado, indica duas posições subjetivas diferentes. Quem procura está numa posição menos cômoda e narcisisticamente menos satisfatória do que o indivíduo procurado. Tradicionalmente, esta segunda posição é a da mulher, que deve pairar indiferente no pedestal do qual ela só desce por amor. Será que você é presa a uma tradição que obriga a mulher a esperar? Que tira a sua iniciativa desvalorizando o desejo dela? Uma tradição que, num certo sentido, condena à traição porque só deixa a opção da fantasia.

O melhor seria você procurar o marido para falar de vocês dois, de como era, de como é e de como você gostaria que fosse. Se você o ama, sabe como se dirigir a ele porque o amor torna particularmente inteligente. Considere, no entanto, a possibilidade da sua insatisfação não ser só sexual. Tem a ver também com o amor, que não pode ser confundido com o sexo, mas se manifesta suntuosamente através dele, celebrando o corpo do amado e propiciando a este maneiras novas de se expressar e de existir.

São tantas as maneiras que elas foram repertoriadas pelos indianos no Kamasutra, um livro clássico porque o kama é, no hinduísmo, um dos três grandes móveis da ação humana. O seu equivalente entre nós ocidentais é Eros – o Deus do amor na Grécia e a pulsão sexual na Psicanálise.

Por Betty Milan

11/03/2010

às 2:58 \ Liberdade, Relacionamentos

Descrente

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Tornei-me uma pessoa que não acredita no amor. Talvez  por nunca ter encontrado alguém que me amasse de verdade. Aprendi a me amar e amar os animais mas, em relação aos homens, esse sentimento não brota mais. Já me apaixonei várias vezes e só sofri com isso.

Meu namorado me faz acreditar que não vale mesmo a pena perder tempo sofrendo por ninguém. Que não se deve esperar nada. Só que eu não consigo me separar dele. Traio e fico feliz com a traição. Não corto a relação, não me liberto.

Desejo ser livre, conhecer homens apenas para me divertir, sem compromisso, sem me apegar… Só que tenho medo de ficar sozinha.Como faço para realizar o desejo de ser livre?

Ter se apaixonado não quer dizer ter amado. O mais provável é que você não tenha amado ninguém de verdade. Inclusive você própria. Se você se amasse verdadeiramente, não ficaria com um homem de quem não espera nada e que você tem prazer em trair, ou seja, com quem mantém uma relação sadomasoquista. Você faz dele um corno – mas, por outro lado, fica com um homem que você desvaloriza, se torna vítima da vingança. É a história do feitiço que se volta contra o feiticeiro.

Você não se liberta porque não pode abrir mão do gozo sadomasoquista que a relação atual propicia. Em outras palavras, se deixa escravizar por este gozo, do qual precisa se libertar se quiser passar para outra,  se quiser trocar de pele.

Agora, para que outra você quer passar? Parece que a sua proposta é a do libertino, que faz pouco do amor e sobretudo não quer se apegar. Contudo, na prática, a proposta frequentemente não se realiza. O libertino acaba se envolvendo. Um bom exemplo disso é o romance de Laclos, Ligações Perigosas. Você pode ler ou assistir ao filme – de tão bom, o texto teve mais de uma adaptação para o cinema.

O libertino se envolve porque o amor é a nossa vocação primeira, a vocação dos mortais. Faz a eternidade soar e assim suspende a morte. Nada nos satisfaz mais. Daí talvez o poema de Drummond:

Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?
Amar e esquecer, amar e malamar, amar, desamar, amar
Sempre, e até de olhos vidrados, amar?

Por Betty Milan

28/07/2009

às 11:46 \ Casamento, Relacionamentos

Jogo

baralho

Sou casada há 9 anos com um homem que é um jogador compulsivo. O vício dele é dinheiro. Gasta o dele, o meu e de quem mais puder. Há pouco mais de um ano, ele começou a frequentar o Jogadores Anônimos.

É um marido presente e ótimo pai. Só que, por ser autônomo, passa meses sem ganhar nada. Me irrito e digo que não aguento continuar na posição de mãe, sustentar a casa e ainda comprar as coisas que ele precisa. Não consigo comprar um apartamento. Todos, na minha família, são contra minha conduta. Só que o meu marido está se tratando e eu acredito que ele possa se recuperar. Também temos uma criança pequena que idolatra o pai.

Às vezes, acho que não o amo mais, porém não consigo me ver sem ele. É insano achar que este homem me dá segurança quando ele de fato não dá? Casei por amor, e, desde que o conheci o sustento por ele ser doente. Imaginava, no começo, que as circunstâncias o obrigavam a fazer dívidas e empréstimos. Como posso me ajudar?
 
Sua situação é dramática e comovente. Casou-se por amor e desde então sustenta o marido por causa do vício. Acha que não o ama mais, porém não concebe sua vida sem ele. Mais que isso, acredita que ele consiga se recuperar. O que é possível, claro.

No entanto, eu me pergunto se frequentar os Jogadores Anônimos basta. Quem não resiste a uma compulsão precisa entender o motivo. Será que nos Jogadores Anônimos ele pode chegar ao porquê dessa situação? Uma análise deve permitir isso e pode ser associada ao tratamento atual.

Você diz que todos na sua família estão contra. Ouço-os dizendo: “Como é possível que você sustente esse homem há tantos anos? Por causa dele, você não tem casa própria, ele não oferece segurança nenhuma. Por que você não se separa dele?”

Trata-se de um discurso que não a ajuda em nada, pois você não se concebe sem o seu marido. O que você precisa saber para se ajudar é por que suportou e suporta essa situação. E, em segundo lugar, precisa descobrir  que tipo de segurança imaginária ele oferece e da qual você não pode prescindir. Nem só de pão vive o homem.

 Sugiro que você abra mão do apartamento e invista tudo que tem em análise – para ele e para você. Ambos precisam de ajuda, porque ele é viciado em jogo e você é viciada nele.

Por Betty Milan


 

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