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Posts com a tag ‘amante’

Bibelô

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 | 2:18

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Tenho 19 anos e há três eu namoro com um homem de 50. Uma pessoa boa, de quem a minha família gosta muito. Ele tem uma situação financeira excelente. Antigamente, eu morava com  minha mãe. Hoje, ele fez uma casa em cima da casa dela. Moro sozinha e tenho as minhas coisas. Só que eu quase não o vejo porque ele é casado. Respeita muito a família, a esposa (que também tem 50 anos) e a filha.

O nosso relacionamento é legal, ele jamais vai abrir mão de mim, é muito ciumento. Só que eu quero me casar e ter filhos. Me trata bem, me dá tudo o que eu quero, como se fosse um pai, e eu o amo muito. Agora, ele nem pode ser meu companheiro para o resto da vida e nem pode me dar um filho. Será que um dia ele vai mudar e ficar comigo? Tenho medo do futuro. O que fazer?

Não é propriamente o futuro que está em questão porque você é uma menina. Tem 19 anos. Você está descontente com o presente e nem poderia deixar de estar. O seu “namorado” alugou a sua vida para ele, alugou a sua juventude, os dezesseis, os dezessete e os dezoito anos. Como os coronéis do Nordeste, montou casa para a amante, de quem ele em troca exige fidelidade. Ainda que só a veja quando bem entende. Tem uma vida dupla, e, como todo macho que é macho, não dá satisfação. Inclusive porque confia no poder do dinheiro.

Sua família, que não deve ter muitos recursos, não se opôs. Ficou até contente com a melhora do seu nível de vida. Você já tem inclusive casa própria. Não pede nada porque o “namorado” dá tudo, não custa um centavo aos familiares.

Ele te trata como um pai, porém não pode ser confundido com um pai, que não exige a transa em troca do que dá. O “namorado” te compra e não discute o preço. O mais provável é ele não largar a esposa para ficar com você, que é o bibelô dele. Vai continuar nesta situação? Quanto antes você romper, melhor. Com ou sem o apoio da sua família.

Aos 19 anos, você tem a vida pela frente para descobrir o amor que move o sol e as estrelas e não tem preço. Por ele, vale tudo. Porque a felicidade que este amor traz é incomparável. Suspende o tempo e oferece a eternidade. Faz ver o arco-iris e ouvir a lira de Orfeu, cujos sons eram tão melodiosos que os rios paravam de correr e as árvores de farfalhar.

Por Betty Milan

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Três x dois

terça-feira, 22 de setembro de 2009 | 19:10

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Somos casados há 27 anos. Sempre tive vontade de fazer sexo com duas mulheres. Minha mulher nunca aceitou, pois sempre foi muito romântica. Dizia que não teria prazer se me visse com outra. Nosso relacionamento entrou numa fase de acomodação. Quando eu ficava deprimido, não tinha ereção. Falava que seria mais feliz se ela tivesse amante. Pois ela arrumou uma amante. Uma menina linda, bem mais jovem. Deseja viver esta relação intensamente, sem a minha presença, porque a menina é lésbica e não aceita homem. Me dei conta do quanto amo minha mulher. Não quero perdê-la, estou sofrendo. Ela diz que não vai me abandonar, mas vai viver o novo amor até o fim. Estou perdido. Sinto ciúmes, estou inseguro. O que faço?

Para você, o três é o número que dá prazer. Você quer transar com duas mulheres. Já a sua mulher é romântica, gosta do número dois. Quer exclusividade na relação sexual. Mas o fato é que, por vias tortas, ela satisfez o seu desejo, tornando-se indissociável da menina linda com quem vive um novo amor. Você conhece o provérbio segundo o qual “quem diz o que quer ouve o que não quer?” Pois é, você não esperava ser surpreendido.

Agora, você tem de esperar para ver como fica e se perguntar por que você se expôs ao que está acontecendo. Quem tem uma conduta libertina no casamento corre o risco de perder o parceiro e quem não tem condições de se arriscar precisa se refrear. A equação é simples. O mais difícil é decifrar a sua história para não se tornar vítima dela.

Quanto ao ciúme, como diz a renomada libertina Catherine Millet no livro Dia de Sofrimento, ele nasce das dúvidas que temos em relação ao outro e se nutre das fabulações através das quais preenchemos as lacunas da vida. Ou seja, quem tem ciúme sofre por causa da imaginação e continua ligado ao outro pelo sofrimento. Você está às voltas com o seu masoquismo e também a razão disso você terá de entender para sair da posição difícil em que está. Tanto uma análise quanto a leitura dos romances libertinos clássicos poderão iluminá-lo.

Por Betty Milan

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O bonzinho

terça-feira, 7 de julho de 2009 | 15:13

Getty

Percebo que sempre me relaciono com o mesmo tipo de mulher. Embora eu não seja um cara rico, atraio mulheres que eu poderia chamar de interesseiras ou aproveitadoras. Sinto que isso acontece porque sou o tipo do cara “bonzinho”, que dá atenção, faz gentilezas. Corro atrás, ligo, mas sem excessos. Como posso mudar este perfil? Hoje em dia, não é aconselhável ser assim. Devo ser um cara meio insensível, que não dá bola, espera as mulheres correrem atrás?

Interesseira significa movida pelo interesse e não pelo amor, que implica  gratuidade. Lacan diz mesmo que, no amor, a gente dá aquilo que não tem. Em que posição você fica para atrair mulheres interesseiras? Esta é a primeira pergunta que precisa ser feita. E a resposta está no seu e-mail. Você se apresenta como  um cara que  dá o que tem e não como quem entrega o que falta. Oferece bondade, atenção, gentileza, que são os atributos de quem ama, mas não são a expressão do amor paixão. O amante entra em cena com o “sem você eu não existo”, mostrando a carência.

Possível que você não suporte se mostrar assim. Digo isso porque você imagina resolver o problema apresentando-se como “quem não dá bola”, espera “as mulheres  correrem atrás”. A solução imaginada por você revela o desejo de ser cortejado. Nada de errado nisso, mas para que o seu desejo possa se realizar é preciso encontrar a parceira que queira estar na posição do trovador. Pode não ser fácil.

Sendo homem, você deseja  a posição da dama, a que ficava no pedestal. Isso certamente tem  a ver com a sua infância, a relação entre os seus pais, e a da sua mãe com você.  Seria bom rememorar para saber mais sobre o seu desejo e se tornar mais flexível. A vantagem do conhecimento de si é a maleabilidade, sem a qual a vida não pode ser boa.

Quem se enrijece numa posição, quem não tem ginga, sofre. A gente precisa aprender a dançar com a música  e este aprendizado não tem fim porque a vida surpreende. Requer a nossa transfiguração, a mudança de perfil. Neste sentido, ela é como o teatro e nós como os atores que encarnam diferentes personagens.

Por Betty Milan

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