
Tenho 26 anos e estou namorando uma moça de 20. Ela cursa Psicologia e não gosta da abordagem psicanalítica. Há algum tempo está muito ansiosa para emagrecer. Embora seja bonita de rosto e de corpo, se acha gorda e feia, não se aceita. A irmã dela teve uma anorexia grave, que felizmente foi superada. Hoje, vive bem.
A minha namorada também tem um desvio de coluna perto da nuca e isso a incomoda. Ela é relaxada e não cuida bem da saúde. Faz uma dieta errada e não encontra motivação para mudar. Às vezes, a falta de motivação é tamanha, que ela não sai de casa. Por outro lado, não quer se trocar perto de mim. Chega a exigir, quando tomamos banho juntos que a luz fique apagada para eu não a ver. É capaz de destruir quase tudo que faz bem a ela e a deixa feliz. Quis convencê-la a procurarmos um profissional que nos ajude. Ela aceitou a ideia, mas um dia jogou, na minha cara, que eu só sabia dizer que ela precisa de tratamento.
A sua namorada precisa mesmo se tratar e você não pode abrir mão disso. Terá que encontrar as palavras convincentes. Do contrário, o namoro acabará ou será infeliz. No caso dela, se tratar significa, por um lado, descobrir por que não se aceita, e, por outro, aprender a se alimentar. Se ela não gosta da abordagem psicanalítica terá que procurar uma outra que seja eficiente. Além disso, precisa consultar um nutricionista, que a ensina a comer, ter uma relação saudável com a boca. A vida depende - e muito - disso.
A expressão “o peixe morre pela boca” é normalmente associada à palavra, mas bem pode ser associada à comida porque nós nos matamos comendo como na infância ao invés de comer o que nos faz bem. Ou bem ingerindo os mesmos alimentos de então ou a mesma quantidade, quando o corpo muda e as necessidades são outras.
Não é por acaso que procedemos assim. Quando crianças, nós também comemos para satisfazer os pais e o desejo de satisfazê-los pode perdurar inconscientemente ao longo da vida. Perdurar fazendo mal. Para viver bem é preciso romper com os velhos hábitos e se transformar. Quem come, além da conta, tem que examinar a relação dos seus familiares com a comida para estabelecer uma relação diferente, adequada às suas necessidades no presente.






















