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Arquivo da categoria ‘Relacionamentos’

A boca

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010 | 12:32

boca-ilustra

Tenho 26 anos e estou namorando uma moça de 20. Ela cursa Psicologia e não gosta da abordagem psicanalítica. Há algum tempo está muito ansiosa para emagrecer. Embora seja bonita de rosto e de corpo, se acha gorda e feia, não se aceita. A irmã dela teve uma anorexia grave, que felizmente foi superada. Hoje, vive bem.

A minha namorada também tem um desvio de coluna perto da nuca e isso a incomoda. Ela é relaxada e não cuida bem da saúde. Faz uma dieta errada e não encontra motivação para mudar. Às vezes, a  falta de motivação é tamanha, que ela não sai de casa. Por outro lado, não quer se trocar perto de mim. Chega  a exigir, quando tomamos banho juntos que a luz fique apagada para eu não a ver. É capaz de destruir quase tudo que faz bem a ela e a deixa feliz. Quis convencê-la a procurarmos um profissional que nos ajude. Ela aceitou a ideia, mas um dia jogou, na minha cara, que eu só sabia dizer que ela precisa de tratamento.

A sua namorada precisa mesmo se tratar e você não pode abrir mão disso. Terá que encontrar as palavras convincentes. Do contrário, o namoro acabará ou será infeliz. No caso dela, se tratar significa, por um lado, descobrir por que não se aceita, e, por outro, aprender a se alimentar. Se ela não gosta da abordagem psicanalítica terá que  procurar uma outra que seja eficiente. Além disso, precisa consultar um nutricionista, que a ensina a comer, ter uma relação  saudável com a boca. A vida depende - e muito - disso.

A expressão “o peixe morre pela boca” é normalmente associada à palavra, mas bem pode ser associada à comida porque nós nos matamos comendo como na infância ao invés de comer o que nos faz bem. Ou bem ingerindo os mesmos alimentos de então ou a mesma quantidade, quando o corpo muda e as necessidades são outras.

Não é por acaso que procedemos assim. Quando crianças, nós também comemos para satisfazer os pais e o desejo de satisfazê-los pode perdurar inconscientemente ao longo da vida. Perdurar fazendo mal. Para viver bem é preciso romper com os velhos hábitos e se transformar. Quem come, além da conta, tem que examinar a relação dos seus familiares com a comida para estabelecer uma relação diferente, adequada às suas necessidades no presente.

Por Betty Milan

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Insensatez

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010 | 20:26

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Há três anos eu namoro um rapaz que já foi casado e tem uma filha. No começo do relacionamento, a ex-mulher dele fez de tudo para perturbar a nossa relação. Hoje, eu às vezes sinto ódio, uma raiva incontrolável da tal mulher. Mesmo sem nunca a encontrar.

Meu namorado e eu brigamos muito. Eu quero que ele tenha o ódio que eu tenho. Sou infeliz por não esquecer dela e transformo o namoro num verdadeiro inferno por causa de uma mulher que faz parte do passado dele e só. O pior é que eu já sabia, quando comecei a namorar, que ele havia sido casado. Como superar o problema?

“Diga que você odeia a sua ex-mulher como eu. Se você não disser, é porque você não me ama.” Parece telenovela, mas é o seu discurso. Você exige do namorado que ele se entregue ao ódio e prove que a ama sofrendo e sendo como você. Uma insensatez porque não traz benefício algum, ou melhor, só o benefício de uma satisfação narcísica.

O seu e-mail me lembrou o poema de Drummond: “Dois amantes se amam cruelmente/ e com se amarem tanto não se vêem/ um se beija no outro, refletido/ Dois amantes que são? Dois inimigos”. Além de cruel, a sua exigência é tão contrária ao seu namorado quanto a você mesma. Como se livrar  dela? Perguntando-se, por exemplo, que relação existe entre o triângulo formado por você, seu namorado e a ex-mulher e o outro triângulo em que você  viveu primeiro, formado por você, seu pai e sua mãe.

A resposta talvez permita entender por que você não deixa a ‘ex’ existir no passado e não ocupa sozinha a cena do presente. Ou seja, por que você precisa estar continuamente em companhia de uma outra mulher, imaginando que ela ameaça a sua vida? O que tem isso a ver com a sua mãe?

Você é vítima de um gozo masoquista e seria bom saber qual a origem do mesmo para se desapegar dele e entender que o amor não requer provas. Que as provas são para os atletas. Os amantes se amam e nada mais.

A sua paixão de hoje é a do ódio, que se alimenta da paixão da ignorância. Superar o problema é renunciar a estas duas paixões, e, para tanto, você precisa se voltar para a sua história.

Por Betty Milan

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O cão da namorada

terça-feira, 26 de janeiro de 2010 | 7:20

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Tenho uma namorada que é demasiadamente apegada ao seu animal de estimação, um cão. Não sou pela criação de animais de estimação e o apego dela está causando sérios problemas em nosso relacionamento. Parece loucura mas possivelmente terminaremos o nosso namoro por causa de um cão.

A Psicanálise nasceu na língua alemã e renasceu na língua francesa com a obra de Jacques Lacan, uma obra consagrada ao retorno a Freud. Neste retorno, ele introduziu o conceito de parlêtre, que diz respeito ao ser humano e significa o ser da fala. O conceito foi traduzido em português por falesser, graças a MDMagno, psicanalista e tradutor de mais de um seminário do mestre francês. Trata-se de um achado, de um neologismo particularmente feliz por causa da referência a falo e a falecer.

Os seres humanos é que são os falesseres mas, segundo Lacan, o cão também pode ser considerado um deles. Se não fala, escuta o dono, e, se for bem educado, atende. Sempre que possível, fica com ele na sala, no sofá diante da televisão, na cama… Olha para o dono com ternura, e, como não fala, nunca o contradiz. O que ele mais quer é ficar junto e, para isso, não impõe condições. O amor do cão é incondicional, como o da mãe pelo recém-nascido.

Agora, esta relação é diferente da que se estabelece entre dois seres adultos que expresssam o seu desejo, podem entrar em desacordo, porém também podem coincidir e alcançar uma felicidade única, a felicidade propiciada pelo amor dos falantes, cantada desde sempre em prosa e verso.

Se o seu namoro pode acabar por causa de um cão é porque vocês estão se confundindo. O porquê disso eu não sei. Só sei que é possível descobrir o motivo analisando os fatos.

Isso posto, seria bom se perguntar por que você é tão contrário aos animais de estimação, que foram e são tão amados. Sobretudo pelos artistas e escritores. Para Chateaubriand, o gato era um animal filosófico em quem ele se espelhava. A propósito de Micetto, o gato dado ao escritor pelo papa, Chateaubriand escreveu, na  volta do Vaticano para a França, que procurava fazê-lo esquecer a Capela Sistina e o sol da cúpula de Michelângelo sob a qual ele passeava esquecido da Terra.

Por Betty Milan

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Incompletude

terça-feira, 19 de janeiro de 2010 | 5:23

Obra de Roy Lichtenstein

Acompanho sua coluna semanal em VEJA.com e me sinto à vontade para me abrir com você. Tenho 23 anos e o meu marido 30. Somos casados há pouco mais de sete meses. Ele procura me agradar em tudo que pode. Mas a nossa vida sexual tem sido péssima.

Com tão pouco tempo de casamento deveríamos estar em lua-de-mel e tal. Mas não é o que acontece. Ele tem bom caráter, é doce, compreensivo e prestativo. Mas com todas essas qualidades, eu me sinto frustrada, pois ele não me completa. Não sei se o problema está comigo ou com ele e não sei onde procurar ajuda.

Há meses não temos intimidade alguma. Por falta de libido. Ou talvez desinteresse meu por saber que não sentirei nada. Não sou cobrada pelo meu marido que, até nisso, é compreensivo. O que você me recomenda?

O que significa “ele não me completa?”. Suponho que você se refira ao sentimento de completude decorrente da relação sexual. Você não me dá muitos elementos para responder, e, só pelo uso do termo “cobrada”, eu me aventuro a fazê-lo. Se você utiliza esta palavra é porque, para você, transar com o seu marido é um dever. Isso obviamente complica tudo.

Se a transa é um dever e não um prazer, acaba se tornando impossível. Sexo só é bom se não houver obrigatoriedade. Você precisa descobrir por que está na sua situação. Em vez de deixar rolar para ver como fica, tem que abrir o jogo, falar para transformar o presente. Isso de contar com a eterna compreensão do marido só te prejudica.

Agora, com quem falar? Se não for possível falar já com ele, procure um psicanalista para descobrir como fazê-lo. Nada é pior do que o conformismo, que pode levar o casamento de vocês à  falência. Desgasta-se, e, de repente, acabou. O silêncio pode ser de ouro e pode ser nocivo.

Para sair da situação atual você precisa deixar de fazer de conta que vai tudo bem, aceitar a realidade e estabelecer um outro tipo de relação com a palavra. Porque é dela que a felicidade mais depende. Da capacidade que nós temos de usá-la em nosso benefício. Daí, aliás, a importância da educação sentimental, que pode ser feita na família, na escola e através da literatura. Não é por acaso que um dos romances de Flaubert se chama Educação Sentimental.

Por Betty Milan

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Bibelô

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010 | 2:18

renoir-bibelo

Tenho 19 anos e há três eu namoro com um homem de 50. Uma pessoa boa, de quem a minha família gosta muito. Ele tem uma situação financeira excelente. Antigamente, eu morava com  minha mãe. Hoje, ele fez uma casa em cima da casa dela. Moro sozinha e tenho as minhas coisas. Só que eu quase não o vejo porque ele é casado. Respeita muito a família, a esposa (que também tem 50 anos) e a filha.

O nosso relacionamento é legal, ele jamais vai abrir mão de mim, é muito ciumento. Só que eu quero me casar e ter filhos. Me trata bem, me dá tudo o que eu quero, como se fosse um pai, e eu o amo muito. Agora, ele nem pode ser meu companheiro para o resto da vida e nem pode me dar um filho. Será que um dia ele vai mudar e ficar comigo? Tenho medo do futuro. O que fazer?

Não é propriamente o futuro que está em questão porque você é uma menina. Tem 19 anos. Você está descontente com o presente e nem poderia deixar de estar. O seu “namorado” alugou a sua vida para ele, alugou a sua juventude, os dezesseis, os dezessete e os dezoito anos. Como os coronéis do Nordeste, montou casa para a amante, de quem ele em troca exige fidelidade. Ainda que só a veja quando bem entende. Tem uma vida dupla, e, como todo macho que é macho, não dá satisfação. Inclusive porque confia no poder do dinheiro.

Sua família, que não deve ter muitos recursos, não se opôs. Ficou até contente com a melhora do seu nível de vida. Você já tem inclusive casa própria. Não pede nada porque o “namorado” dá tudo, não custa um centavo aos familiares.

Ele te trata como um pai, porém não pode ser confundido com um pai, que não exige a transa em troca do que dá. O “namorado” te compra e não discute o preço. O mais provável é ele não largar a esposa para ficar com você, que é o bibelô dele. Vai continuar nesta situação? Quanto antes você romper, melhor. Com ou sem o apoio da sua família.

Aos 19 anos, você tem a vida pela frente para descobrir o amor que move o sol e as estrelas e não tem preço. Por ele, vale tudo. Porque a felicidade que este amor traz é incomparável. Suspende o tempo e oferece a eternidade. Faz ver o arco-iris e ouvir a lira de Orfeu, cujos sons eram tão melodiosos que os rios paravam de correr e as árvores de farfalhar.

Por Betty Milan

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Ambivalência

terça-feira, 1 de dezembro de 2009 | 20:21

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Tenho 23 anos e namoro um rapaz maravilhoso, da minha idade. Às vezes temos algumas brigas, mas de forma geral confio nele e o amo muito.  No entanto, comecei a me relacionar por e-mail com um outro 20 anos mais velho e casado. Este segundo é um cara genial, que me ajudou muito e é superquerido. Trocamos e-mails muito interessantes. Quando nos encontramos, rolou uma atração física muito forte. Só que não transamos porque não tenho intenção de trair meu namorado e não teria coragem de ficar com um homem casado.

Algumas amigas me dizem que estou na fase de aproveitar, ter experiências, correr riscos, e, principalmente, respeitar meus sentimentos. Não sei o que fazer. Nunca traí ninguém, mas neste momento estou nutrindo fortes sentimentos por duas pessoas. Devo  correr o risco de ter um amante?

Como eu poderia responder à sua questão? Dizem que Deus dá o frio conforme o cobertor. E do seu cobertor ou do risco que você pode correr, só  quem sabe é você. O namoro aberto existe, mas não é o caso do seu.  Se falar do outro para o namorado, ele provavelmente não suportará e irá embora.  Se não falar e viver clandestinamente a nova relação, vai ter de arcar com a traição e a deslealdade. A situação não é fácil. Suas amigas não respeitam os seus sentimentos ambivalentes quando a incitam a ir em frente. Também não levam em conta que a prudência pode evitar o erro e a infelicidade. Sempre que a gente não sabe o que fazer, é melhor não fazer nada. Só faz sentido ir em frente quando não é possível  se conter porque a atração física é irresistível e a contenção causa um sofrimento muito grande. 

Seja como for, você precisa descobrir o motivo pelo qual está neste triângulo sentimental. Ao ler que de “de forma geral” você ama o namorado, fiquei com a pulga atrás da orelha. Quem ama verdadeiramente não faz esse tipo de consideração, tem certeza do amor. De forma geral é uma expressão que se explica numa relação conjugal, porém é estranha quando se trata de namoro,  pois os namorados têm total liberdade de ficar juntos ou de se separar.

Será que você está vivendo o namoro como se fosse casamento e precisa de um amante por estar insatisfeita? O e-mail que você me escreveu obriga você a se questionar sobre a relação atual para saber se quer continuar nela.

Por Betty Milan

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Mea-culpa não

quarta-feira, 25 de novembro de 2009 | 17:36

Getty
Tenho 28 anos, sou mãe e amo meu filho. Não tenho dúvida alguma em relação a isso. Porém, em alguns momentos, eu perco o controle e agrido o menino que só tem 1 ano e meio. Já fiz isso várias vezes. Não é algo recorrente, mas, sob forte stress, quando ele se recusa a dormir e eu estou exausta, acabo dando um beliscão ou apertando seu bracinho… Logo após a catarse, me sinto péssima. Me acho uma mãe horrível apesar de todo amor e carinho que sinto por ele. Minha mãe também perdia o controle e batia na gente… Será que sou a reprodução pura e simples dela? Quanto estou traumatizando meu filho?

Hoje, depois do súbito ataque, disse a ele: “me perdoa filho por eu sucumbir tão facilmente à raiva”. Às vezes, penso que nunca vou me libertar deste monstro que faz parte de mim. Mas como ser humano, dotado de razão e cultura judaico-cristã, que alimenta a culpa sinto vontade de desaparecer. Morrer não seria o suficiente. Será que posso ser maior do que a raiva que carrego?

Não sei por que você usa a palavra catarse, que designa o efeito salutar provocado pela lembrança de um fato traumatizante até então reprimido. A palavra é originária do grego e designava para Aristóteles o efeito moral e purificador da tragédia, cujas situações dramáticas de extrema intensidade provocam sentimentos de terror e piedade, proporcionando alívio aos espectadores. O ato de bater no seu filho não tem nada de catártico, pelo contrário, deixa você péssima.

Claro que você só faz isso porque a sua mãe perdia o controle e batia nos filhos, o comportamento foi autorizado por ela. Agora, você não é a reprodução pura e simples da sua mãe. Tem a liberdade de encontrar um caminho diferente e se tornar capaz de se conter. Tem e deve, para que o seu filho não bata no seu neto. Ou seja, para mudar o padrão de comportamento da família. Isso nunca é fácil, implica um verdadeiro empenho.

Possível que você reincida neste padrão para depois fazer o mea-culpa e confirmar o pertencimento à cultura judaico-cristã. Você tem um trabalho importante a fazer consigo mesma, por você e pelo seu filho. E, na minha opinião, este trabalho não deve ser adiado. O adiamento acabará custando muito caro. Quanto antes você parar de sucumbir à raiva e de pedir perdão, melhor.

Por Betty Milan

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O perfeito

terça-feira, 17 de novembro de 2009 | 6:23

Getty
Durante toda a vida me esforcei para ser o melhor filho, o irmão mais querido, o namorado perfeito, o funcionário exemplar, o chefe compreensivo, o amigo de todas as horas… Conquistei a admiração de todos que me cercam. Graças ao seu consultório sentimental, percebi que muito do que fiz foi para satisfazer o desejo do outro e ser adorado, me sentir assim superior. Por conta disso, modéstia, resignação, conformismo, contenção e aparência de humildade são características minhas. Mas, como não poderia deixar de ser, muitas vezes o desejo do outro se mostra incompatível com o meu.

Me casei por conta de uma gravidez inesperada e estou no casamento há oito anos. No início, me esforcei para agradar minha esposa e fiz dela uma mulher feliz. Há algum tempo, no entanto, já não consigo satisfazê-la em nenhum plano. Gostaria muito de me separar, pois somos pessoas que não têm os mesmos objetivos. Só que tenho pavor da reprovação dela, dos meus três filhos e dos amigos.

Caí na armadilha da traição e a história quase foi revelada. Na ocasião, vivi os piores dias da minha existência. Cheguei até a pensar em suicídio. Preciso aprender a decepcionar os outros para viver.

Você sabe o que se passa com você e o que você quer. No entanto, não consegue sair da  posição de objeto do “desejo do outro” em que se encontra. O seu e-mail mostra que a capacidade de analisar a própria situação não basta para mudá-la. Noutras palavras, ele expõe claramente o limite da reflexão. Por isso, para a psicanálise o “Penso, logo existo” de Descartes deve ser substituído por um “Digo, logo existo”. A gente só enxerga o que a consciência não alcança falando e sendo ouvido. Quem fala pode se surpreender com o que diz. Se devidamente escutado, se valerá do que disse e mudará a sua vida.

Para superar o pavor, o melhor é procurar um analista. O pavor é datado do passado e a rememoração permitirá encontrar a explicação que irá libertá-lo. Você tem de fazer um trabalho com você mesmo para conseguir dizer não e conquistar a liberdade desejada. Ademais, é possível se divorciar sem romper. Para tanto, sua esposa, seus filhos e seus amigos deverão ser convencidos da necessidade da separação e isso acontecerá se você estiver convicto e se valer da capacidade de persuasão que tem.

Por Betty Milan

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