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Arquivo da categoria Casamento

20/01/2012

às 17:08 \ Casamento

Iludida

Este é o terceiro e-mail que envio — como se a minha vida dependesse da sua resposta.

Sou casada, há sete anos, com um marido ótimo e estou realizando um antigo sonho de cursar universidade. Um momento maravilhoso. Mas meu marido quer ter filhos. Já tenho um do primeiro casamento, e, como fui mãe muito jovem, sofri demais. Além disso, há casos de transtorno bipolar na família dele, e eu não quero correr o risco de ter uma criança com essa doença.

Ontem, meu marido me disse que quer ir para longe a fim de encontrar outra mulher que aceite ser mãe. Foi como se tivesse me dado um tiro. Será que ele quer tanto um filho, a ponto de deixar tudo o que temos de bom? Ou será que ele quer uma esposa submissa, como a mãe e as irmãs dele? Ou será ainda que eu me iludo, pensando que está tudo bem entre nós?

Como pode você considerar que está tudo bem quando ele quer ter filhos e você não? Quando ele diz que vai sumir para encontrar outra que aceite ser mãe? Você está se iludindo, claro.

Entendo que você queira se dedicar ao curso universitário e ainda que não deseje ser mãe novamente, mas também posso imaginar o desespero do seu marido diante disso. O fato é que nem você pode ter um filho que não deseja nem ele pode abrir mão do desejo de ser pai.

Você precisa levar a sério o desejo da paternidade e perguntar-se se é possível continuar casada. Duas pessoas que têm desejos contraditórios não podem ficar bem juntas. O casamento, nesse caso, só se perpetua a duras penas e não se justifica.

Quanto ao transtorno bipolar, não é argumento para não conceber, pois não há como saber se o gene vai ou não se transmitir. Você, aliás, não precisa de argumento algum. Toda mulher tem o direito de não querer engravidar.

Por Betty Milan

29/12/2011

às 19:27 \ Casamento, Relacionamentos

Um filho inesperado

Sou bancário, tenho 27 anos. Vivo, em união estável, com uma pessoa há quase quatro anos. Agora, minha esposa está esperando nosso primeiro filho, mas não consigo aceitar esse fato com naturalidade. Ser pai não estava nos meus planos, e nós ainda tínhamos muitos sonhos para realizar juntos antes de ter filhos. Quando vejo outros homens felizes por estarem esperando um primeiro filho, eu me sinto um verdadeiro ET. Não digo aos amigos que vou ser pai. Vou arcar com as responsabilidades materiais, mas ainda não consegui amar essa criança. Será que sou normal? Preciso entender o que se passa comigo. Por favor, responda.

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Por Betty Milan

05/09/2011

às 12:37 \ Casamento

Adultério feliz

Tenho 40 anos, sou casada há vinte e tenho uma adolescente linda. Mas mesmo assim vivo, há três anos, uma história extraconjugal. Uma história de amor linda com um ex-amigo também casado e com filhos. Tudo começou como uma brincadeira, um beijo roubado em uma festa por ele. E nós nem tínhamos bebido. A situação foi tomando um rumo tal que perdemos o controle. Passamos a nos encontrar esporadicamente porque ele mora em outra cidade. Mas nossos encontros são maravilhosos, intensos e cheios de carinho. Nós nos falamos todos os dias, é uma relação incrível.

Sei que estamos errados. Não somos corretos com nossos cônjuges. No entanto, tentamos nos afastar durante três meses e não deu certo. Sinceramente, tenho medo de me separar dele e o casamento acabar (o meu e o dele), pois é essa história de amor às avessas que nos mantém.

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Por Betty Milan

29/08/2011

às 16:54 \ Casamento

Sem saída

Estou vivendo um momento conflituoso sem vislumbrar uma saída. Tenho 44 anos e uma filha adolescente de 14. Nosso relacionamento está péssimo. Ela é muito rebelde, meu marido a deixa fazer quase tudo, além de me destituir de autoridade. Diz, na frente dela, que eu sou uma doente. Toda vez que a situação aperta, quando ela mente, por exemplo, nós dois brigamos e ele diz que vai se separar de mim. Ele acha que eu “pego no pé” da menina e perco a credibilidade para agir nos momentos sérios. Por outro lado, sinto que ele não gosta de encarar situações problemáticas. Assim como o pai dele, que prefere não ver os problemas para não ser obrigado a enfrentá-los.

Estou sempre disposta a levar e buscar minha filha. Já o pai a deixa pegar carona e até chegar em casa às 5 da madrugada. Ela tem me desrespeitado muito, me agride verbalmente e até levantou a mão para mim. Estou arrasada, e o que mais me preocupa é que ela prefere mentir a enfrentar as situações desfavoráveis. Também tenho medo de bebida, droga, etc… Trabalho com adolescentes, e eles sempre me pedem orientação. Com minha filha é tudo diferente, e eu não consigo mudar meu comportamento. Na verdade, não sei o que fazer.

A rebeldia de sua filha desencadeia a briga entre você e seu marido. Mas, se a relação de vocês dois fosse boa, ele não a destituiria de autoridade e não diria que você é uma doente. Seu marido, como o pai dele, não quer saber de problemas e não vai mudar. Parece ser bem diferente de você, que trabalha com adolescentes e, portanto, se interessa pelas questões subjetivas. Vocês hoje estão juntos porque desejam ou por acharem que a família é indissolúvel?

A rebeldia de sua filha é proporcional à desautorização de que você é vítima. Também se deve, no entanto, ao que você diz: “Não consigo mudar meu comportamento”. Isso significa que você está agindo de forma repetitiva, como um robô, e não de modo inteligente.

Seu comportamento só será oportuno se você se puser à escuta de sua filha. Para tanto, você precisa se escutar e se debruçar sobre a estrutura de sua família. Isso poderá levá-la a pôr em questão seu casamento, porém também poderá sanar a situação.

Por Betty Milan

17/06/2011

às 17:57 \ Casamento

Help me

Tenho 38 anos. Aos 18 engravidei e dei à luz uma menina que hoje é uma moça linda de 19 anos. Eu me separei do primeiro marido e me casei de novo. Tentei ter mais um filho, mas só consegui espontaneamente no ano passado, depois de fazer de tudo, inclusive fertilização in vitro. Dei à luz uma segunda menina, que hoje tem 1 ano e 3 meses. No meu casamento, que está um fiasco, nós passamos por traição, separação, reconciliação, problemas de dinheiro e saúde da bebê, que teve problemas respiratórios. Estou amamentando e perdi o interesse pelo meu marido, que é lindo, porém não me deseja como eu gostaria de ser desejada.

Me sinto culpada por ter de trabalhar fora e deixar a bebê no berçário; por não administrar bem a casa; por não cuidar do meu casamento como deveria! Queria ser uma guerreira, com dia de 50 horas e disposição para tudo! Estou sem dormir uma noite inteira há algum tempo. Às vezes, tenho vontade de me separar. Daí penso no trabalho que dá ter uma relação nova e prefiro ficar onde estou! Ser mãe, depois de tantos anos, é um recomeço muito louco! Ao mesmo tempo em que amo este momento, eu me culpo por querer ser livre, dormir e acordar na hora que desejar, pegar o carro e sair sem destino ou mesmo sumir um dia inteiro sem ser importunada! Help me!

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Por Betty Milan

06/06/2011

às 17:38 \ Casamento, Relacionamentos

Impaciente

Tenho 47 anos e fui casada durante quinze anos com outra mulher. Acabo de me separar. Foi meu primeiro relacionamento sério, embora minha sexualidade fosse clara desde a infância.Para assumir minha homossexualidade, fiz onze anos de terapia. E empenhei em vencer o sentimento de rejeição e a mania de me anular para agradar o outro. No entanto, foi por causa dessa mania que meu casamento acabou. Cedi tanto que já não sabia quem eu era e o que desejava. Resolvi ficar só e experimentar tudo o que quisesse. Mas, passados três meses, estou atormentada, confusa e deprimida. Não consigo trabalhar. Desenvolvi a estranha compulsão de estar com pessoas conhecidas ou novas — ao vivo ou na internet —, conversando sobre questões emocionais. Como me reequilibrar para ter uma vida normal?
Por Betty Milan

27/05/2011

às 8:07 \ Casamento

Amargura


Eu e minha mulher somos casados há onze anos e temos dois filhos maravilhosos, de 8 e 6 anos. Mas nossa relação se deteriorou, e minha mulher pensa muito em se separar. Passamos momentos difíceis depois do nascimento do nosso segundo filho, e eu lhe disse coisas horríveis que ela não esqueceu. Afirma que perdeu o amor por mim e é difícil viver junto.  Entendi que as palavras têm consequências, porém sofro porque a amo. Gostaria de ficar com ela e continuar a viver em família. Como recuperar o amor? Como fazer com que ela se reapaixone por mim? Será possível? Desculpas eu já pedi, mas isso não basta. O que fazer?

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Por Betty Milan

06/05/2011

às 19:32 \ Casamento, Infância

Sem meta


Leio semanalmente sua coluna, procurando uma história que me faça entender meus problemas. Tenho medo das pessoas, não tenho amigos e não sinto saudade da minha mãe, que mora em outro estado e eu evito. Há pouco tempo faço terapia. Me faz bem, embora o processo seja lento e exija tempo. Às vezes, eu me sinto como era aos 5 anos: frágil, insegura, incapaz de arrumar um emprego melhor. Estou ansiosa, confusa, frustrada…

Curso o terceiro ano de psicologia. Sou a pessoa mais inadequada no curso e em tudo o que faço. Não realizo coisa alguma. Aliás, eu não sonho com nada. Simplesmente vivo por viver, sem meta. Eu me sinto presa a uma vida que não escolhi. Quando penso na infância com meus pais, a palavra que me ocorre é inferno. Eles brigavam o tempo todo e até se agrediam. Há pouco, descobri, através da minha irmã, que, no oitavo mês de gravidez, minha mãe levou um tombo provocado por meu pai. Isso me angustiou muito. Gostaria de começar uma vida do meu jeito, fazendo as minhas escolhas, porém não sei como. Aos 25 anos, eu me sinto impotente.

Você se apresenta dizendo que não tem e não realiza nada. Não tem amigos, não tem saudade, não tem coisa alguma… O que você espera do consultor que recebe essa apresentação? Que ele proceda como seu pai, durante a gravidez de sua mãe, fazendo pouco de você?

Você provoca a rejeição. Como se o fato de ter sido rejeitada no ventre da sua mãe devesse se repetir em sua vida. Para viver do seu jeito e fazer escolhas nas quais você se reconheça, terá de nascer de novo. Não mais de um pai e de uma mãe, e sim de suas palavras, do que você disser em sua análise, da porta que vai abrir rememorando o passado para que não mais se repita.

Hoje, você dá murro em ponta de faca. Mas pode mudar, enveredando seriamente, através da análise, por um caminho desconhecido e que você só vai descobrir caminhando. Claro que teria sido melhor nascer de um pai e de uma mãe que vivessem em paz e desejassem a criança que foi concebida, porém a origem a gente não escolhe. Não há como. O que podemos é inventar nossa trajetória. Sua meta pode ser essa. Aos 25 anos, você tem a vida pela frente, muito tempo para se definir e ser feliz.

Por Betty Milan

 

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