
Tenho 21 anos e sou gay. Nenhum problema quanto à minha condição sexual. Me aceito. Quando eu era criança, apesar de ausente e violento, meu pai brincava de manipular meu pênis. Minha mãe tem vários problemas de saúde e nunca se importou com a sexualidade do filho. Não sou assumido em casa.
Na infância, fantasiava que era uma garota. Na pré-adolescência, me via como um ser ‘híbrido’, cujo pênis não impediria os outros garotos de se aproximarem. Hoje, que posso manter relações sexuais livremente, não encontro o meu papel. Me sinto mal na condição de passivo, tenho dores e desconforto. Também não sou física e mentalmente ativo. Isso me deixa ansioso.
Manipular o pênis de uma criança é um ato abusivo, que deveria ser punido por lei. Quando a criança é o filho, trata-se de um ato incestuoso. Óbvio que o seu pai interferiu na sua sexualidade. Era ausente, mas com o prazer que proporcionava ‘brincando’ com o seu pênis, tornava-se presente. Você se apegou à brincadeira porque com ela deixava de ser órfão. E a palavra órfão aqui não é casual, pois a sua mãe também era ausente.
Você cresceu sendo a garota do próprio pai. Normal que, na condição de passivo, tenha dores e desconforto. Anormal seria se tivesse prazer. Por outro lado, você não se dá bem na posição de ativo e nem podia se dar. Ativo era o seu pai, um homem com quem você não tem como se identificar.
Quando você se separar da criança que você foi e do pai que teve, a sua vida sexual se tornará possível. Você ficará livre de um pênis que o atormenta e saberá do falo, a flor da qual jorra alegria.
Para se liberar, você precisa reconstruir sua história, vir a ser um outro para você mesmo. A reconstrução requer trabalho e o melhor recurso, no seu caso, é a análise porque levará a uma simbolização nova. Se eu fosse você, não hesitaria. Quanto antes você se dispuser a falar para ser ouvido e se ouvir verdadeiramente, melhor. A vida é uma só.


















