
Fiz terapia durante três anos com uma terapeuta suíça, porém inflamada como um espanhol. A terapia me ajudou com minha ansiedade, meus rompantes de raiva, minha falta de empatia com o mundo. Fui obrigado, no entanto, a parar por causa da autoridade sem medida da terapeuta. Mudei inclusive de cidade, por conta do desencontro. Tentei terapia novamente, mas foi inócuo. A falta de limites da minha primeira psicóloga me deixou muito frustrado e com raiva. Não consigo nem quero voltar a um consultório. Você já escreveu sobre a possibilidade de a pessoa se aprimorar por conta própria. Você me ajudaria muito se escrevesse mais sobre isso.
Nem todo suíço é um lago tranquilo e nem todo espanhol é inflamado. O uso do estereótipo revela a falta de empatia com o mundo a que você se refere. Seja como for é melhor evitar o estereótipo. Quando fazemos uma generalização sobre uma ou outra nacionalidade, sobre uma ou outra raça, um ou outro sexo, nós nos cegamos para a realidade do próximo, que é sempre um caso único.
A falta de limites do terapeuta é uma aberração. Não se justifica em hipótese alguma. Você provavelmente só aceitou o “tratamento” por ter-se espelhado na sua psicóloga. Me permito dizer isso porque você tem rompantes de raiva, não se contém, passa dos limites. O terapeuta existe para fazer o paciente encontrar o seu caminho. Para tanto precisa ter autoridade, mas não pode em hipótese alguma ser autoritário. Uma coisa é fazer vigorar a autoridade da lei. A outra é se entregar ao autoritarismo.
Há, para os seus rompantes de raiva, uma explicação que está na sua história. Para encontrar a explicação é preciso fazer análise. Agora, você pode aprender a se controlar através da meditação budista ou do tai chi chuan, prática que ensina a respeitar os próprios limites e os do outro, além de ensinar a paciência.
O tai chi chuan é uma expressão da grande sabedoria chinesa, de que tanto os jovens quanto os mais idosos podem se beneficiar, pois ele propicia a longevidade sem os inconvenientes da velhice. Com esta prática você aprenderá a ficar em paz com você mesmo e talvez possa depois encontrar um verdadeiro analista.
Por Betty Milan
















Existe una patologia psiquica chamada distmia, nõ seria o caso ?
Eu também sou extremamente sujeita a rompantes de raiva. De tanto tentar controlar, agora eu caio no extremo oposto: a raiva vira uma tristeza tão grande que eu caio no choro.
Quanto à terapeuta autoritária, peguei uma assim pela proa quando tinha seis meses que minha mãe tinha morrido. Eu estava péssima, me sentindo solitária pra caramba, já não tinha mais meu pai e estava levando pedrada de todo lado (inclusive dos parentes do lado paterno).
Ao expor isso, a terapeuta me chamou de “mimada”.
Paguei a última sessão e fui embora. Eu me recuso a pagar pra ser xingada. Se ela não sabe ajudar (a resolver a questão do luto), então eu procuro outra.
Agora estou com uma terapeuta que é tão zen que parece até budista. E como ela tinha muita experiência com familiares de pacientes terminais, foi ela que me ajudou a superar o luto.
Betty Milan,
A ciência atual não permite dizer que um indivíduo obterá o controle da raiva e de transtornos do impulso da forma proposta. Temperamentos explosivos estão associados a disfunções cerebrais, especialmente de áreas que “amadurecem” mais devagar. O desenvolvimento da capacidade máxima do controle dos impulsos se dá após os 30 anos. O leitor Jorji dá um claro depoimento disto.
Existem remédios que podem amenizar este tipo de problema e a terapia pode ajudar em alguma coisa. Estas intervenções têm efeito limitado.
Por outro lado, minha desconfiança em relação à terapia vai de encontro com a enorme dificuldade de se atestar a qualidade dos terapeutas. Aconselho que se procure muitas opiniões diferentes antes de se embarcar num destes “tratamentos”. Os bons profissionais quase sempre cobrarão bem caro, mas nem o preço garante que o profissional seja realmente bom.
A coisa mais comum são pessoas frustradas com psicanalise. Já fiz, consegui tirar proveito, mas não recomendo pra ninguem.
Teve uma época em que meu filho do meio, tinha dificuldades de relacionamento com crianças da sua idade, tentei leva-lo a uma psicologa infantil, pra tentar ajuda-lo, mas logo percebi que a psicologa precisava mais de ajuda do que meu filho. Não passava de uma neurotica e estava apenas tentando subjulgar meu filho pra se auto-afirmar. Interrompi o tratamento imediatamente e passei eu mesmo a “tratar” suas dificuldade. Hoje ele é um rapaz que não só superou totalmente as suas limitações, como se tornou muito popular em seus circulos sociais.
Acho que se a pessoa tem a disposição para ir ao psicologo ou psicoanalista, ela reconhece que tem problemas e precisa se aprimorar. O psicologo não vai conseguir fazer por ela o que ela mesma tem que fazer. Que é superar suas próprias dificuldades, encontrar um caminho que é só dela. Se a pessoa não reconhece o problema, ninguem vai conseguir ajuda-la.
Prezada Betty,
Maravilhosa sua explicação. Comecei a ler o depoimento do leitor e já fiquei incomodada com a comparação estereotipada que ele fez entre o suíco e o espanhol. Acho que vc acertou na mosca na sua resposta. Em apenas uma linha, o depoente já mostrou pelo menos uma parte de onde vem esses acessos de raiva. Como vc mesma escreveu: “O uso do estereótipo revela a falta de empatia com o mundo a que você se refere. Seja como for é melhor evitar o estereótipo. Quando fazemos uma generalização sobre uma ou outra nacionalidade, sobre uma ou outra raça, um ou outro sexo, nós nos cegamos para a realidade do próximo, que é sempre um caso único.” Muito bom, adorei. Só com essa sua resposta, o depoente já pode começar a melhorar 50% seus acessos de raiva, tendo respeito pelas individualidades, tolerância e empatia.
Quase todas as questões ligadas ao nosso comportamento tem componente genetico, o temperamento de certa forma herdamos de nossos familiares, meu pai sempre foi uma pessoa nervosa, e como sou muito parecido com ele, tambem sempre tive meus momentos raivosos, mas de acordo que fui envelhecendo, sem precisar de nenhuma tecnica especifica, comecei a ter auto controle sobre a minha raiva, não digo que hoje seja uma pessoa calma, mas hoje consigo me controlar, e a maneira que eu consegui foi entender aquela famosa frase: conhece te a ti mesmo.
Tive uma experiência traumática com uma terapeuta terrivelmente autoritária que me deixou muito pior do que eu estava. Após três meses de abusos verbais, contei a uma amiga psicanalista o que estava acontecendo e ela me aconselhou a parar imediatamente, o que acabou sendo uma libertação. O que descobri com isso é que uma terapia ruim pode ser tão ou mais arriscada do que a falta de terapia. Mas como saber isso antes?
Admito que não conheço o Tai Chi Chuan, mas a meditação eu recomendo enfaticamente. Faço análise há muitos anos, e ela tem me ajudado muito. Mas não me deu a paz que eu queria, o tão sonhado “aproveitar o presente momento”. Engraçado, a análise te ajuda a ver os porques de você não ser feliz, mas não te dá a felicidade. Felicidade, liberdade, paz, essas coisas eu encontrei foi na meditação. Então, meu caro, vai fundo que vale a pena.
Adorei a resposta!
Tudo a ver com esse comportamento, aprender o autocontrole é um grande beneficio da meditação, do Tai Chi Chuan, além de outros tantos, vida nova, voce vai descobrir de quanta coisa é capaz, aproveite a excelente indicação.
A raiva só vem quando surge um obstaculo inesperado ao nosso interesse no momento, não é isso?
Você quer fazer algo e não consegue por uma surpresa que surge. Aí vem a raiva. Raiva pelas pessoas nao se comportarem do jeito que queriamos ou as coisas nao acontecerem como queriamos.
Sei lá. Para mim parece que a solução em resumo é aprender e a se treinar a aceitar as coisas como são. Tentar ententer por que o outro está agindo daquele jeito e dar razão a ele. Normalmente os raivosos acham que as pessoas agem do jeito que agem apenas para irrita-las. Nunca acham que as pessoas agiram porque aquilo era o melhor para elas. O treino seria após um ataque de furia, parar e refletir se as razoes da outra pessoa eram legitimam. Procurar ter compaixão e compreensao. Da proxima vez que um episodio semelhante se repetir, talvez o ataque de furia deverá ser menos intenso.