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09/09/2011

às 15:01 \ Relacionamentos

Amanhã será tarde

Tenho 30 anos e sou solteira. Estudei por esforço próprio e trabalho há 14 anos com RH. Não escolhi essa profissão por querer, e sim por ter sido criada com o estritamente necessário para viver. Isso me magoa, pois meu pai sempre teve condições financeiras de dar mais do que o básico para mim e para minha mãe. Portanto não devo nada a ninguém. Descobri, há dois anos, que gosto de trabalhar com fotografia e estou estudando para mudar de profissão. Afetivamente, sou sozinha. Todo mundo que conheço tem algum tipo de laço afetivo. O máximo que tenho é um relacionamento não afetivo com uma pessoa que só quer sexo e já deixou claro que é só isso.

Não me sinto cobrada para namorar e casar, mas desejo construir uma família. As tradições (casamento civil-religioso e tudo o mais) não me seduzem. O que eu quero é um companheiro. Se só conseguir ser fotógrafa daqui a trinta anos, tudo bem. Para construir família, o momento é agora. Amanhã será tarde demais.

Ter recebido só o básico a ensinou a se virar sozinha. Isso é um trunfo que você tem nas mãos. Por outro lado, você é corajosa. Tem a audácia de mudar de situação e dá a si mesma as condições de que precisa para tanto. Quando quer uma coisa, vai em frente. Também goza de independência em relação às convenções sociais.

Quer um companheiro e poderá tê-lo desde que entenda por que se fechou para o amor, que desabrocha e cresce com as palavras, implica sexo ou não. Você então entenderá por que escolheu um parceiro com o qual só existe e só pode existir sexo. Em outras palavras, que lhe dá o básico, como o pai dava.

Para se livrar do apego ao pai, o melhor é fazer uma análise e rememorar os fatos até reinventar a sua história, encontrar um homem que lhe dê o amor de que você precisa para realizar o sonho de construir uma família diferente da sua. Ou seja, uma família em que a generosidade exista e a palavra amor possa ressoar entre os cônjuges e entre os pais e os filhos.

A construção de uma família implica um conhecimento de si mesma que você pode adquirir se se dispuser a se confrontar com a sua verdade subjetiva. Para tanto, o melhor seria recorrer à escuta de um analista.

Por Betty Milan

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16 Comentários

  1. Milla V

    -

    24/10/2011 às 15:30

    EnteEntendo perfeitamente sua situação. É importante que você comece a observar suas atitudes no sentido de agir como uma mulher que está pronta para um relacionamento/compromisso sério com alguém. Na sua idade geralmente as mulheres já estão casadas o que ocasiona uma certa “pressão”. Cuidado com esse relacionamento não afetivo, pois ele não te dá o que você quer e pode fazer com que você se acomode e permaneça nele por muito tempo. Agora o momento é de selecionar os homens com os quais existe a possibilidade de que um relacionamento duradouro dê certo, e se portar de acordo com o seu objetivo. Sua postura deve demonstrar disponibilidade, mas com seriedade, maturidade e foco. No mais, fique tranqüila, pois as coisas acontecem naturalmente! E lembre-se, você é extremamente capaz de ter um homem maravilhoso ao seu lado!

  2. Jennifer

    -

    11/10/2011 às 16:17

    Olá, somos responsáveis pela nossa própria felicidade, pelas nossas próprias escolhas, é lógico que nosso passado conta, mas somos nós que fazemos o final, podemos ficar nos lamentando pelo que não tivemos e pelo que faltou ou ir a luta. Quanto ao lado afetivo vc pode aceitar esta situação ou não só depende de vc…..todos podem sim ser felizes num relacionamento afetivo, quando há sinceridade, amor, relacionamento, dialogo, se vc quer algo mais va a luta como vc fez com sua subsistencia, se valorize , não se entregue a alguém que quer vc apenas para usa-la como uma mulher objeto, valorize-se, saia com alguém que gosta de sua compania, que gosta de vc pelo que vc é, pois para fazer apenas sexo , isso podemos fazer até com uma boneca inflável , va a luta e vc conseguirá conhecer alguém interessante. Não desista.

  3. marcio

    -

    11/10/2011 às 15:14

    Ai gostei do conselho do Flauer. Compra um cãozinho. Ele vai te amar incondicionalmente e não vai quer ficar fazendo sexo com vc.

  4. Julyana

    -

    24/09/2011 às 12:09

    Quem nunca precisará de nenhum terapeuta também não precisa ler blogs que falam de TERAPIA, sendo este blog dirigido por uma médica psiquiatra. É crueldade do ser humano colocar todos no mesmo barco e querer que vivamos, pensemos e sejamos da mesma forma. NÃO SOMOS IGUAIS. Somos todos DIFERENTES e por sermos DIFERENTES, vivemos situações DIFERENTES. Há pessoas que viverão “felizes para sempre” em seus relacionamentos ressalvadas as DIFERENÇAS entre o casal. Outras terão prazer sendo solteiras vivendo consigo mesmas, outras sendo freis e freiras enclausuradas, outros serão felizes vivendo o amor-livre, vivendo a liberdade sexual, vivendo um casamento aberto ou uma relação homossexual e afins. Tem gente que irá se casar com o(a) primeiro (a) namorado(a) e será feliz. Tem gente que encontrará sua felicidade após, um, dois ou até mais casamentos. Tem gente que tem pavor a casamentos e quer “só curtir a vida”. Tem gente que não quer criar vínculo afetivo, tem gente que quer, como é o caso da consulente e de muitas outras mulheres e HOMENS!!!, que existem por aí. Pelo-amor-Deus! Não coloquemos todos no mesmo barco. O que uma pessoa olha e vê não é o mesmo que outra pessoa olha e vê. Tem gente que vai sim ser feliz sem fazer nenhum esforço. Mas infelizmente ou FELIZMENTE, tem gente que precisa de terapeutas para encontrar seu caminho.

  5. Alexandra Souza

    -

    23/09/2011 às 10:55

    Tem que ter uma paciência do cão para aguentar esse lenga-lenga de gente que diz que não consegue ter um relacionamento completo. As oportunidades estão ai, entretanto por conta dessa nossa sociedade superficial, baseada em coisas fúteis, pessoas e mais pessoas tendem a ficar sozinhas por apenas olhar para o “seu” modelo de par perfeito. A maioria das mulheres que conheço são assim e por incrível que pareça o tal “par perfeito” só querem sexo com elas. desde pequena aprendi a olhar além do fogo na porta da caverna por isso sou feliz e nunca precisarei de nenhum terapeuta.

  6. Helbert

    -

    18/09/2011 às 15:47

    Associações livres: a gente gasta tanto tempo e energia no trabalho, que não sobra tempo ou energia para investir na vida pessoal. Procurar namorado e tentar até achar um bom é muito penoso, mas o processo não é mais desgastante que trocar de carreira. Dois projetos de longo prazo. A não ser que a “sorte” ajude.
    PS: ninguém troca de carreira sem esforço. Você pode até arranjar um namorado sem esforço, mas um trabalho imenso será necessário para construir e manter uma família.

  7. Nina

    -

    17/09/2011 às 14:44

    Vá em frente, siga todos os conselhos da dra. Milan que voce vai encontrar seu caminho, achei a tua carta tão triste, tomara mesmo que voce descubra que o básico é muito pouco, e encontre o parceiro que voce sonha!

  8. Nelson

    -

    15/09/2011 às 21:56

    Consulente, que bom que o seu pai só te deu o básico, isso fez com que voce fosse a luta e conquitasse o que conquistou hoje com os seus próprios esforços, isso faz com que voce dê mais valor a vida e saiba que com força de vontade se pode conseguir tudo, tem muita gente por aí que o pai dá tudo e são um joão ninguém, não luta por nada espera tudo na mão, quando um pai dá tudo para um filho ele na verdade esta estragando esse filho, voce as vezes me parece uma pessoa muito inteligente em seus comentários mas as vezes me parece muito inocente, se voce quer mesmo constituir uma família, como pode aceitar ficar com um homem apenas por sexo? é estranho voce dizer que todo homem que conhece tem algum laço afetivo, onde é que voce frequenta que só tem homens compromissado? procure frequentar lugares diferentes, esta cheio de homens solteiros, boa pinta dando sopa por aí, é meio duvidoso para mim ver voce relatar que quer construir uma família mais ao mesmo tempo aceita ficar com uma pessoa que já te falou na lata que só quer sexo, com apenas 30 anos voce ainda tem muito pela frente, vai com calma voce pode sim vir a ter uma família maravilhosa mas tem que ver onde é que voce esta errando, alguma coisa esta errada e voce deve saber o que é. Boa sorte.

  9. Marco Antonio

    -

    15/09/2011 às 15:30

    Na realidade, existe nos dias de hoje um grande individualismo, os valores foram invertidos, os bens materiais estão em primeiro plano. Uma pessoa, pelo fato de não possuir um bom salário e um automóvel de luxo não será julgada como bem sucedida, será discriminada. Não existe hoje esforço para se conviver com o próximo . As mulheres, cada vez mais, na sua maioria, selecionam os homens por sua condição financeira, os homens na sua maioria, compram as mulheres que vendem o próprio sexo disfarçadamente ou declaradamente, os desprovidos de boa condição, não querem arriscar num relacionamento, ficando carentes, talvez para não serem traidos, inferiorizados e discriminados. Haverá então assim, muitos homens e mulheres solteiros, desvalorização da família, emfim. A questão está nos princípios morais da sociedade moderna. Não julgamos os outros pela qualidade de trabalho e relacionamento com a humanidade. Todos nós, de certa forma, somos inclinados a esses julgamentos, pois fazemos parte dessa sociedade. Uma sociedade emocionalmente doente, relegando ao segundo plano, o amor, o respeito a vida e a liberdade.

  10. Consulente

    -

    15/09/2011 às 12:25

    Obrigada a todos pelos comentários. Sou leitora assídua e fã dessa coluna. Partilhar nossas experiências e ouvir (nesse caso ler) uma segunda opinião é muito bom. Saber como as outras pessoas lidam com problemas idênticos aos nossos é muito positivo.
    Para “AMORA”: fiquei 14 anos em RH por uma questão somente financeira, só não saí antes porque não sabia qual profissão eu realmente gostava. Quando temos um emprego fixo, com carteira assinada, 13º, e tudo mais a gente se acomoda e deixa a satisfação pessoal de lado. Só quando percebi que não era essa profissão que me realiza pessoalmente, decidi mudar. Mas para isso ainda permanecerei um tempo em RH pois é com esse salário que pago os cursos, livros e equipamentos de fotografia. Para “OLIVEIRA”: realmente, a falta de auto-estima me fez achar que o parceiro era a última bolacha do pacote.

  11. Marcia Lima

    -

    15/09/2011 às 9:53

    Maravilhosa sua analise,não devemos contentarmos com o básico podemos ir mais além descobrir novas formas de viver ir a luta.Resposta clara e simples.
    parabéns.

  12. Ana

    -

    14/09/2011 às 23:58

    Pense primeiro pq se relaciona com quem nao quer ser seu companheiro
    muitas vezes é melhor estar sozinha do que estar mal acompanhada.
    Se vc tem paciencia para colher os frutos de uma nova profissao pq nao ter a paciencia para esperar o amor ?

  13. CD, Ana

    -

    14/09/2011 às 18:52

    É intrigante a questão da consulente estar envolvida com alguém que lhe dá apenas o básico, assim como o seu pai, como explicou a Betty Millan. Olhando de fora a situação dela parece bem fácil de ser resolvida: basta se livrar do namorado descompromissado e conhecer melhor o próximo antes de se envolver. Já a vida profissional, ou assume um risco ao deixar o RH pela fotografia ou vai aos poucos, sem correr riscos. Trocar o certo pelo incerto tem um preço.

  14. Jose Flauer

    -

    13/09/2011 às 15:24

    Se quer tanto ter um companheiro agora pq. depois será tarde demais recomendo comprar um cachorro, comece a família por ai. O cachorro vai ficar feliz em te ver todos os dias e sempre irá te amar, agora um homem, sei não…

  15. Amora.

    -

    11/09/2011 às 20:47

    Enquanto você ficar lamuriando pelo que não teve não haverá espaço pra o que quer ter. Sabe, quando a gente fica se fazendo de vítima o universo tende a boicotar os nossos desejos porque estamos concentrando naquilo que não foi, naquilo que não temos. Aí a gente só recebe migalhas. Seu pai, assim como o meu só me deu o básico MESMO podendo ter dado mais. As pessoas são limitadas mesmo. Elas só dão aquilo que conseguem dar, seja em $ ou afetividade. Não lamente aquilo que deixou de dar porque existem pessoas que não são generosas e abertas. O azar foi dele, não seu. Ele te deu um nome e pôs comida no seu prato. Agora é com vc. Você é super jovem, pode escolher a carreira que quiser. Se ficou 14 anos trabalhando com RH foi porque quis também, pois seu pai não seria poderoso o suficiente pra te deixar nessa “prisão” por tanto tempo. Pare de culpar os outros e tome as redeas da sua vida.

  16. Oliveira

    -

    09/09/2011 às 20:51

    Em relação a mudar de profissão sugiro só fazê-lo após se firmar na fotografia (artes).
    Quanto a afetividade, penso que uma relação baseada apenas em sexo é muito pouco. Chega a ser um desrespeito dele e falta de autoestima de sua parte em aceitar isso. Uma relação verdadeira deve ser baseada no Amor, em compartilhar a Vida.
    Ame a si, assim poderá Amar o próximo e procurar (querer) o melhor (com certeza, a autoestima é fundamental para viver).

    PS: Pessoalmente, tive a impressão que você é uma pessoa que Ama a Vida, que quer e tem tudo para ser Feliz… E merece!
    Torço para que seja!

    Abs.

 

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