Blogs e Colunistas

Arquivo de fevereiro de 2012

24/02/2012

às 15:30 \ Relacionamentos

Despedida

Nem tudo se pode. Por exemplo continuar até o fim dos tempos o Consultório Sentimental. Já são quase cinco anos e a vida depende da renovação. Mas agora só importa o encontro que tivemos e os tantos e-mails respondidos e comentados. As colunas mais expressivas foram publicadas em livro, Quem ama escuta, e podem ser consultadas por quem desejar.

Agradeço, nesta despedida, a confiança dos leitores e o cuidado dos editores na  publicação das colunas. Quero ainda deixar consignado que sempre escrevi com total liberdade.  Tendo em vista a censura exercida pelo mercado sobre os autores,  isso não é pouco.

Saio da VEJA.com, porém continuo  no meu site (www.bettymilan.com.br <http://www.bettymilan.com.br> ) e nos meus livros. Convido quem quiser me encontrar pessoalmente a ir  no dia 27 de fevereiro, às 19:00, na Livraria Cultura( Conjunto Nacional) ou no dia 26 de março às 19:30 na Livraria da Vila (Shopping Higienopolis) para assistir a peça A Vida é um Teatro, escrita e dirigida por mim (obrigatório confirmar a presença pelo e-mail grupoteatrovozes@gmail.com).

 

 

Por Betty Milan

17/02/2012

às 14:39 \ Relacionamentos

Um sonho

Sempre tive o sonho de ser mãe e realizei esse sonho há um ano. Quando estava grávida, minha cunhada, que já tinha dois filhos, engravidou de novo, apesar de ter problemas de saúde. Não se dedicou ao primeiro filho nem ao segundo. Acho que engravidou uma terceira vez para impedir que minha filha ficasse no centro das atenções. Conseguiu, pois, quando a menina nasceu, ninguém ia me visitar, estavam todos preparando o quarto do futuro bebê dela. Minha sogra, que é muito amável, dizia-se preocupada com a saúde da cunhada e eu sentia que era uma forma de me rejeitar. 

Não tive um bom relacionamento com minha mãe e com minha irmã. Minha psicóloga diz que estou disputando a atenção da minha sogra como disputava a da minha mãe. Concordo. Mas por que será que eu caí nessa armadilha?

Sempre quis me dar bem com a cunhada e a irmã. Sempre fiz tudo para sermos amigas e elas não quiseram.

Antes de mais nada, observo que você usou sete vezes a palavra minha: minha cunhada, minha filha, minha sogra, minha mãe, minha irmã e minha mãe de novo. A que se deve esse uso repetido de um pronome que designa o pertencimento? Ninguém pertence a ninguém. A cunhada obviamente não; a filha, por incrível que pareça, também não, e, assim que ela chegar à adolescência, você descobrirá isso; a sogra é sobretudo a mãe da cunhada, a quem ela não pertence; a mãe talvez seja mais sua do que as outras todas, pois, como se diz, mãe é mãe, o destino dela está ligado ao do filho; quanto à irmã, ela lhe escapa pois tem um desejo próprio e este não coincide necessariamente com o seu.

Você está numa posição impossível, a de quem quer a posse do outro.

Enquanto não sair dessa posição, vai bater em ponta de faca e ficar infeliz. Precisa descobrir por que o amor para você está associado à posse.

Só assim você se salva. Examine com a terapeuta a relação que você tinha, na infância, com sua mãe e seu pai. O recurso à palavra é eficaz.

Por Betty Milan

10/02/2012

às 14:25 \ Sexo

Ciúme crônico

Sou ciumenta com os namorados e meu namorado também é. Mas, ao contrário de mim, ele aprendeu a se controlar. 

Sonho com ele transando com outra na minha frente e fico louca de desejo. Se tentasse colocar o sonho em prática, nossa relação acabaria pois eu não suportaria o ciúme. Impossível. Me ajude a entender a razão do meu sonho. Assim, eu talvez possa me libertar de um ciúme que me incomoda demais.

Por que você fica louca de desejo quando o namorado transa no sonho com outra? O que tem isso a ver com a relação que você teve com seu pai, que era o homem da sua mãe? Impossível ouvir sua história e não pensar no complexo de Édipo, que diz respeito ao desejo sexual da criança por um dos pais, o do sexo oposto ou do mesmo sexo. Seja como for, o complexo de Édipo, que é fundamental na estruturação da personalidade, inscreve a criança num triângulo.

Se você tivesse me dado mais elementos sobre sua história, eu poderia ir mais longe, porém você não deu. Vai ter de procurar um analista e se debruçar sobre seu passado até descobrir a razão de sua fantasia e deixar de estar à mercê de seu inconsciente.

Isso posto, seu namoro pode acabar se o sonho ao qual você se refere materializar-se. Sei de um homem casado que pedia para a esposa dizer que o traía quando os dois transavam. Para satisfazê-lo, embora contrariada, ela o atendia. De repente, encontrou um outro e passou a trair o marido realmente. Não contou, porém ele descobriu, ficou morrendo de ciúme e o casamento acabou.

Uma coisa é o que acontece no plano do imaginário. Bem outra é o que acontece na realidade. Quem confunde os dois planos pode se sair mal.

Ainda bem que você está atenta.

Por Betty Milan

03/02/2012

às 21:57 \ Relacionamentos

Inconsolável

(Imagem: Getty Image)

Fui casada durante vinte anos, mas meu marido recebeu o diagnóstico de bipolar e decidiu sair de casa. Julgava que meu casamento e meu marido eram perfeitos, mas, com a separação, tudo mudou. Ele se afastou das filhas, complicou nossa vida financeira e, agora, está com uma namorada.

 Há três anos que estou separada, porém não consigo me interessar por ninguém. O que aconteceu me incomoda muito! Apesar do sofrimento dos últimos anos de casada, lembro mais das coisas boas, do marido e do pai presente.

Queria não me importar com o fato de ele estar namorando. Preferia me dizer que ele está doente. Sinto, no entanto, que está feliz e faz a companheira feliz, como um dia me fez.

Como podia você julgar que seu casamento era perfeito quando o diagnóstico de bipolaridade levou seu marido a sair de casa? Ele devia estar muito mal no casamento e você é que não percebia o mal-estar dele, embora se refira ao “sofrimento dos últimos anos”. Seu marido inclusive pode ter se afastado por você ser insensível a ele.

Enquanto você idealizar o passado e negar a realidade, não vai conseguir se separar do ex nem se ligar a outro. Isso, evidentemente, nem é bom para você nem é bom para ele, que parece ter encontrado um equilíbrio e estar feliz.

Quando a separação acontece, é preciso aceitá-la e se perguntar por que aconteceu. Nunca é por acaso. E a vida muda continuamente. O ensinamento básico do budismo é a impermanência. Segundo os budistas, para cada existência, a verdade básica é que tudo muda. Deixamos de sofrer e alcançamos o nirvana quando aceitamos isso. Quem aceita a verdade da impermanência tem prazer inclusive no sofrimento, é capaz de encontrar uma existência perfeita através de sua existência imperfeita.

Por Betty Milan

 

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