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Arquivo de 11 de novembro de 2009

11/11/2009

às 18:26 \ Relacionamentos

Rompante de raiva

Getty
Fiz terapia durante três anos com uma terapeuta suíça, porém inflamada como um espanhol. A terapia me ajudou com minha ansiedade, meus rompantes de raiva, minha falta de empatia com o mundo. Fui obrigado, no entanto, a parar por causa da autoridade sem medida da terapeuta. Mudei inclusive de cidade, por conta do desencontro. Tentei terapia novamente, mas foi inócuo. A falta de limites da minha primeira psicóloga me deixou muito frustrado e com raiva. Não consigo nem quero voltar a um consultório. Você já escreveu sobre a possibilidade de a pessoa se aprimorar por conta própria. Você me ajudaria muito se escrevesse mais sobre isso.

Nem todo suíço é um lago tranquilo e nem todo espanhol é inflamado. O uso do estereótipo revela a falta de empatia com o mundo a que você se refere. Seja como for é melhor evitar o estereótipo. Quando fazemos uma generalização sobre uma ou outra nacionalidade, sobre uma ou outra raça, um ou outro sexo, nós nos cegamos para a realidade do próximo, que é sempre um caso único.

A falta de limites do terapeuta é uma aberração. Não se justifica em hipótese alguma. Você provavelmente só aceitou o “tratamento” por ter-se espelhado na sua psicóloga. Me permito dizer isso porque você tem rompantes de raiva, não se contém, passa dos limites. O terapeuta existe para fazer o paciente encontrar o seu caminho. Para tanto precisa ter autoridade, mas não pode em hipótese alguma ser autoritário. Uma coisa é fazer vigorar a autoridade da lei. A outra é se entregar ao autoritarismo.

Há, para os seus rompantes de raiva, uma explicação que está na sua história. Para encontrar a explicação é preciso fazer análise. Agora, você pode aprender a se controlar através da meditação budista ou do tai chi chuan, prática que ensina a respeitar os próprios limites e os do outro, além de ensinar a paciência.

O tai chi chuan é uma expressão da grande sabedoria chinesa, de que tanto os jovens quanto os mais idosos podem se beneficiar, pois ele propicia a longevidade sem os inconvenientes da velhice. Com esta prática você aprenderá a ficar em paz com você mesmo e talvez possa depois encontrar um verdadeiro analista.

Por Betty Milan


 

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