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Sarney

30/06/2011

às 21:18 \ Cenas

Ruminações inconsequentes, parte I

Às vésperas de completar 51 anos (uma boa ideia?), sentindo a brisa polar no rosto, pedalo minha bike pela ensolarada Ipanema desviando das folhas secas espalhadas pelo chão. Sem paciência de escrever, ou mesmo de pensar, lembro de um velho verso de Caetano Veloso: o sol nas bancas de revista me enche de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia?

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Por Tony Bellotto

24/09/2009

às 20:23 \ Cenas

Champanhe, por favor!


O governador do Mato Grosso do Sul, André Pucinelli, num encontro com produtores de cana, disse que o ministro do meio-ambiente é veado e fuma maconha. E que se o encontrasse na meia-maratona a se realizar em Campo Grande, o governador correria atrás do ministro e o estupraria em praça pública. Aos saber das declarações de Pucinelli, Minc – com aguda presença de espírito – redarguiu: “Eu que sou veado e ele é que quer me estuprar?”.

Hum…

No mesmo dia em que o nobre governador proferia suas inacreditáveis baboseiras, reveladoras – além de truculência e intolerância – do mais torpe preconceito, nosso querido Romário, o gênio do futebol, anunciava sua entrada no campo lamacento e esburacado da política. Ao assinar sua filiação ao PSB, declarou-se muito feliz por “fazer parte do PSDB, um partido sério”.

Hum…

Enquanto isso, em Rio Branco, no Acre, o deputado cassado Hildebrando Pascoal – acusado de assassinato numa célebre sessão de tortura em que a vítima, o Baiano, foi esquartejada e que ganhou fama nos jornais brasileiros como “o crime da moto serra” – afirmava que o culpado do crime não é ele, mas um policial já falecido. “Eu queria o Baiano vivo, não morto”, declarou Hildebrando. “Mas não seria desonra nenhuma ter matado ele, já que ele matou meu irmão”.

Hum…

Entre tantas revelações interessantes – e de elevado nível moral – ficamos sabendo de um grampo telefônico da PF em que o empresário Fernando Sarney, filho desse mesmo que você está pensando, aquele do bigode, declara num telefonema ao filho: “Boto quem eu quiser no Senado!”.

Hum…

Outro dia, numa crônica antológica, Arnaldo Jabor, desiludido pelo panorama geral e estado das coisas no Brasil e no mundo, perguntava-se, inspirado por uma velha canção de Cole Porter (rondam minha cabeça questões conflitantes/ devo pedir cianureto ou champanhe?): “Devo pedir ao garçom uma pílula de cianureto ou uma flûte de champanhe rosé?”

Champanhe, Jabor. Entre cianureto e champanhe, champanhe sempre. Que nos reste pelo menos o prazer de rir de toda essa desgraça. Garçom! Duas, por favor.

CDs…

… de vários grandes intérpretes que cantaram – e imortalizaram – canções de Cole Porter. Canções como Get Out Of Town, Night And Day, I Get A Kick Out Of You, I Love Paris e I’ve Got You Under My Skin, por exemplo, podem ser apreciadas nas vozes de Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e Billie Holliday, só para citar três dos maiores cantores americanos do século XX.

Por Tony Bellotto

13/08/2009

às 22:32 \ Cenas

Darth Vader

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Reza a lenda que ao criar o personagem Darth Vader, da série Stars Wars, o cineasta americano George Lucas utilizou uma corruptela de dark father – pai obscuro em português – para batizar sua genial criação. Darth Vader, como todos sabem, simboliza o anjo caído, o brilhante guerreiro jedi Anakin Skywalker que se deixa seduzir pelo mal para se tornar um lorde das trevas. Outro dia, assistindo pela TV a uma sessão de vitupérios (alô, alô, Aurélio!) no senado federal, peguei no sono. Sonhei com um senado repleto de Darths Vaders. Quando acordei do cochilo, sumiram os Darths Vaders, mas continuavam os vitupérios.

Fernando Collor, os olhos rútilos (alô, alô, Houaiss!) de ira, ameaçava Pedro Simon com palavras agressivas como marimbondos de fogo. Collor é aquele tipo de senador que chama revistas semanais de hebdomadários. Lembrei do pai delle, o também senador Arnon de Melo, que num longínquo dezembro de 1963, matou um companheiro a tiros em plena sessão do senado federal. A ironia terrível, o alvo de Arnon não era o inocente senador José Kairala, do Acre – que cumpria seu último dia de mandato -, mas Silvestre Péricles, seu inimigo político histórico. Morreu Kairala, sobreviveu Péricles. A péssima mira do senador alagoano calou para sempre uma Excelência que nada tinha a ver com a contenda.

Na época, ninguém foi cassado, perdeu o mandato, sofreu punição ou foi condenado. Com essas lembranças, adormeci novamente e tive um sonho – aliás, um pesadelo – muito real: Fernando Collor e Pedro Simon batem boca no senado. A poucos metros do duelo verbal, José Sarney a tudo assiste impassível. Fernando Collor, transfigurado pelo ódio, saca uma arma e dispara contra o senador Pedro Simon. Mas herdeiro da mira deficiente do pai, atinge mortalmente José Sarney. Acordo lívido e trêmulo (argh!), empapado de suor, porém aliviado por tudo não passar de um pesadelo. Ufa! Ainda bem que os senadores atuais não trocam mais tiros em plenário. Os tempos mudaram. Mudaram mesmo? Algo me diz que, se uma barbaridade dessas acontecesse hoje em dia, ninguém seria cassado, perderia o mandato, sofreria punição ou seria condenado. Afinal, nenhum deles nunca tem culpa de nada.

DVD…

…a série Star Wars completa, com os seis filmes que a compõe.
A obra-prima de George Lucas pode ser apreciada em ordem cronológica,
já que a feitura dos filmes obedeceu a uma ordem diferente (primeiro as
partes 4, 5 e 6, depois 1, 2 e 3).

Por Tony Bellotto


 

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