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obama

05/05/2011

às 20:34 \ Cenas

A guerra dos símbolos


Mal enviei a crônica sobre o casamento real e me deparo com a morte de Bin Laden. Assim fica difícil! Na era em que vivemos, a da “notícia espetáculo”, em que qualquer evento é transformado num mega show global – um terremoto, um tsunami, um casamento real, um homicida/suicida matando crianças na escola, um bebê abandonado no lixo, uma final de futebol, uma borboleta azul que atravessou o estreito de Behring, uma criança que nasce com duas cabeças, qualquer coisa – , tudo é efêmero e fugaz,e a tragédia da manhã já virou piada à noite.  Mas observo que nossa era, além de promover os grandes espetáculos-catástrofe, também criou a Guerra dos Símbolos. Ou do que se trata afinal essa estranha luta entre as potências do ocidente e o terrorismo islâmico?

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Por Tony Bellotto

21/03/2011

às 16:24 \ Cenas

Múltipla escolha

Segunda-feira chuvosa no Rio de Janeiro. Celebro a chegada do outono (minha estação preferida) pedalando na ciclovia da Lagoa. A chuva aperta e me abrigo sob uma enorme amendoeira, dividindo espaço com um carrinho de coco. Lincoln, o vendedor de cocos, é meu conhecido há anos. O movimento é nulo e estranho que Lincoln esteja ali, trabalhando. Afinal não há quase ninguém na Lagoa, à exceção dos malucos de sempre, eu por exemplo.

A temperatura amena e a chuva fina e fria não estimulam o consumo de água de coco (penso que um vinho tinto cairá bem logo mais, no almoço). Percebo que Lincoln está distante, um tanto melancólico, plúmbeo, concentrado nas páginas de uma velha edição de O Alquimista, de Paulo Coelho. Mal percebe minha chegada. Pergunto se está tudo bem e Lincoln, sem tirar os olhos do livro, confessa que está apaixonado por Michele Obama e tem tidos sonhos eróticos recorrentes com a primeira dama norte- americana desde a chegada do casal Obama à América do Sul, no sábado.

“Tenho sonhado acordado…”, confessa, o olhar distante mirando as nuvens baixas que encobrem o Cristo Redentor.  “Estou apaixonado pela Michele Obama, brother”, ele repete, com uma expressão suplicante e desesperada, típica dos amantes e dos poetas loucos. “Bem”, eu digo, tentando consolá-lo, “e quem não está?”. Silêncio.

Uma garça solitária se abriga da chuva sob um arbusto à beira da Lagoa. Tento mudar de assunto: “A Dilma também estava gata, esperando o Obama subir a rampa”. Lincoln sequer me escuta, enfurnado novamente nas palavras auto-ajudantes de Paulo Coelho. “E o Lula, hein?”, prossigo, numa tentativa desesperada de arrancar meu amigo do abismo melancólico da paixão não correspondida, “não apareceu para o rega bofe no Itamarati…”. Lincoln me ignora.

Proponho um teste de múltipla escolha numa tentativa final de salvá-lo das garras maleficas da paixão erótica:

Você acha que o Lula não foi ao almoço em homenagem ao Obama por quê?

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Obviamente, Lincoln não respondeu ao meu desafio. Alguém se habilita?

Por Tony Bellotto

09/11/2009

às 17:47 \ Arquivo

South American Way

Getty
Semanas atrás milhares de ativistas em defesa dos direitos dos homossexuais fizeram uma passeata em Washington, capital dos Estados Unidos. Cobravam a promessa de campanha de Barack Obama de levar adiante projetos e leis de proteção aos direitos civis dos gays. No dia anterior Obama anunciara que vai acabar com as restrições que impedem homossexuais de servirem no exército norte-americano. Os ativistas pleiteiam agora mais direitos nas parcerias e casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Enquanto isso, no Brasil, uma parada gay foi proibida na cidade de Caxias, no estado do Rio. A prefeitura alegou que o evento provocaria cenas obscenas. Nem a presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, foi suficiente para a liberação da parada em Caxias. Não me consta que as paradas gay que se realizam anualmente em São Paulo e no Rio promovam cenas diferentes das exibidas em qualquer desfile de carnaval, televisionados e curtidos por tradicionais famílias brasileiras do Oiapoque ao Chuí. Será que por trás dessa alegação da prefeitura de Caxias não se insinua um preconceito? O de entender como obscenidade a simples manifestação do orgulho homossexual? Será?

Enquanto isso, por aqui, diferente do que acontece nos Estados Unidos, as lutas pelos direitos dos homossexuais caminham a passos de tartaruga manca, entravadas pelo abominável e intransponível trio MHP: Moralismo, Hipocrisia e Preconceito, sempre com a ajuda inestimável das religiões e seus zelosos e vigilantes pastores. Êta parada dura. O próprio ministro Minc foi vítima, há semanas, da incontinência homofóbica de um governador que assegurou que “estupraria” o ministro em praça pública – depois de chamá-lo de veado e maconheiro – caso ele desse as caras pelo Mato Grosso do Sul. Alô, alô, Freud! Num país decente tal afirmação seria suficiente para que o governador fosse zunido do cargo. Mas vivemos no Brasil, né? Tudo certo, baby. Estamos nos guardando pra quando o carnaval chegar.

bruno-filmeFilme…


Bruno, que diverte e reitera que toda a grande comédia é iconoclasta e devastadora. Não sobrará preconceito sobre preconceito!

Por Tony Bellotto

13/07/2009

às 20:09 \ Cenas

Viva a bunda brasileira!

A imagem de Obama e Sarkozy virando os pescoços em busca de um melhor ângulo para apreciar a “coisa mais linda, mais cheia de graça” ganhou noticiários mundo afora. Finalmente uma imagem feliz depois de semanas seguidas de bigodes torcidos, cenhos franzidos, velórios, protestos e mortes no Irã, na China etc. É claro que as imagens do contorcionismo dos dois líderes mundiais esticando os olhos pela bela bunda brasileira vêm sempre acompanhadas de tiradas irônicas e certo moralismo disfarçado. Esse tipo de coisa vive a assombrar políticos.

Bill Clinton, por exemplo, que fez um governo exemplar nos Estados Unidos, quase foi deposto do cargo por – nas horas de folga – brincar inocentemente com um charuto e uma estagiária na sala oval da Casa Branca. Políticos sempre são taxados de alguma má fama, quer a mereçam ou não. Os casados, quando não ganham a fama de ladrões ou beberrões, são mulherengos. Na melhor das hipóteses são chamados de egocêntricos, hipocondríacos ou destemperados. Os solteiros, se não derem provas conclusivas de amor ao sexo oposto – correndo o risco da fama de playboys inconsequentes e despreparados -, obtêm a pecha de “esquisitões”, ou de gays, vide as insinuações sórdidas na última campanha à prefeitura de São Paulo, por exemplo.

De qualquer forma, melhor que aturar aiatolás e seus discursos xenófobos, presidentes sul-americanos e seus discursos constrangedores, senadores brasileiros e suas desculpas esfarrapadas, é ver Obama e Sarkozy quebrando o protocolo e virando as cabeças pela bunda brasileira. Viva a bunda brasileira!

 

DVD…

Milk, Sean Penn numa interpretação espetacular do político e militante gay norte-americano que revolucionou a política de seu país, combatendo a hipocrisia. Devia ser um dever de casa para os nossos políticos.

Por Tony Bellotto


 

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