20/10/2011
às 15:07 \ CenasBesouros
Há alguns dias, por ocasião de um show dos Titãs em Junqueirópolis, no interior do estado de São Paulo, fiquei hospedado num hotel na cidade de Dracena. Ao entrar no quarto do hotel, num fim de tarde típico de verão – embora vigorasse ainda a primavera -, com uma brisa quente que entrava pela janela aberta às nuvens carregadas no horizonte e andorinhas voando em formação, me deparei com centenas de besouros. Meu quarto de hotel em Dracena estava literalmente ocupado por hordas de pequenos escaravelhos marrons que subiam e desciam pelas paredes e deslizavam pelo chão. Ao me deitar para assistir à televisão e descansar antes de sair para o show, percebi besouros andando pelo travesseiro. Ao contrário de alguns outros insetos, de aspecto repugnante, os besouros, ou escaravelhos, são bichinhos misteriosos e carregados de uma simbologia quase inquietante.
Os besouros, é sabido, eram animais sagrados no antigo Egito, e simbolizavam, na forma do deus Khepra (escaravelho em egípcio), o mito da ressurreição. Como não sou religioso, e não creio na ressurreição em sua interpretação “religiosa”, a que apregoa o renascimento literal dos mortos, entendi a presença daqueles besouros como um símbolo da ressurreição em seu significado alegórico, o de “voltar à vida”. A morte abriu suas asas sobre minha família nas últimas semanas, e sob sua sombra vislumbrei os besouros, que me ensinaram que morrer é tão natural quanto nascer e que, entre esses dois momentos – nascimento e morte -, o breve suspiro da vida é o grande e mais fascinante mistério que podemos experimentar.





DVD…



