16/07/2009
às 21:46 \ CenasPropaganda é a alma do negócio
O artigo 4 do livro de regras da FIFA recomenda que jogadores de futebol não usem camisas com mensagens religiosas e slogans políticos em jogos oficiais, sob ameaça de punição. Fica assim alertado aquele jogador de um obscuro time do interior paulista que aponta o dedo para o chão a cada gol marcado, em agradecimento a Satanás, a quem atribui as glórias satânicas conquistadas com seus dribles e chutes. Se mensagem religiosa e mensagem anti-religiosa se equivalem, ficam também devidamente avisados do risco que correm jogadores ateus que vestem camisetas com dizeres como “Eu não amo Jesus” e “Deus não existe” a cada título comemorado.
O centroavante índio de um time do Mato Grosso – não me lembro o nome dele agora – também está proibido de levantar a camisa e deixar à mostra a frase “Tupã é meu guia” estampada no peito. O mesmo vale para o conhecido e chatíssimo lateral esquerdo que insiste em ler aos jornalistas – ao término de cada jogo – trechos do célebre discurso de Bertrand Russel, “Por que não sou cristão”.
Parece bobagem? Não é. A FIFA acaba de entregar à CBF um documento em que adverte os jogadores brasileiros a não exibirem camisas com mensagens religiosas. A FIFA está certíssima. Reage à recente manifestação de fervor religioso do jogador Lúcio que, ao comemorar o título da Copa das Confederações na África do Sul, exibiu uma camiseta com a frase “I love Jesus”. Kaká trazia um “I belong to Jesus” na camisa. “Aquelas imagens chocaram”, declarou um jornalista sueco. “Pareceu fundamentalismo religioso. Não se mistura futebol com religião. A seleção brasileira corre o risco de perder a admiração”.
Concordo. Religião (e não-religião), crença (e descrença) são assuntos íntimos e opções pessoais. Me desagradou a imagem daquelas camisas fazendo propaganda religiosa num evento esportivo. Um alto executivo de uma grande empresa de material esportivo, presente à final, resmungou: “Queria saber quanto Jesus pagou…”
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