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guitarra

25/08/2009

às 11:05 \ Pessoas

Les Paul

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Lester William Polfus tinha um problema com o próprio nome. Ninguém conseguia pronunciar direito esse “Polfus” que sempre pareceu ao jovem irrequieto um nome pomposo demais para alguém que amava música popular e já aos 13 anos tocava violão profissionalmente em bandas country pelo interior dos Estados Unidos.

Ao lançar o primeiro disco, em 1936, Lester tentou o pseudônimo de Rhubarb Red, mas acabou percebendo que Rhubarb era um nome ainda mais esquisito que Polfus. Acabou optando por Les Paul, uma abreviação de Lester (Les) e o famigerado Polfus (Paul). Les Paul, além de fácil de pronunciar, tinha carisma e uma certa sofisticação. Parecia um nome francês. Resolvido o problema do nome, Les começou a se incomodar com a inaudibilidade dos violões e guitarras rudimentares da época.

Em plena década de 1940, pianos, saxofones e trumpetes tinham muito mais som que os velhos violões de madeira e suas obsoletas caixas de ressonância. Havia algumas tentativas de eletrificar os violões, adaptando captadores elétricos aos seus corpos arredondados, mas os violões pareciam dizer: “Parem com isso, nós nascemos na Arábia, nos transmutamos em alaúdes na Europa da idade média, não fomos desenhados para fazer barulho!”. Les Paul, com sua fantástica audição de músico-inventor genial, conseguiu ouvir as reclamações silenciosas de seu violão. E então, munido de uma peça de madeira sólida, incrustou nela captadores metálicos e inventou a guitarra elétrica como a conhecemos.

Santo Les! Obrigado! Depois disso, ele começou a ficar famoso nas bandas em que tocava (claro, conseguiram ouvi-lo finalmente) e não parou mais de construir guitarras. Um belo dia confeccionou uma guitarra sólida com um desenho que lembrava um pouco a forma de um violino. Les gostava de uma certa sofisticação em suas criações. O resto é história. O modelo Les Paul, fabricado pela Gibson, virou um ícone dos guitarristas de rock dos anos 60, 70, 80, 90, 2000 e por aí afora. Les Paul morreu na semana passada, sorridente como sempre, aos 94 anos de idade. Como sei que ele morreu sorrindo? Minha Les Paul me contou. Tenho duas, uma delas assinada pelo Jimmi Page, do Led Zeppelin, mas isso é assunto para uma outra crônica.

CD…
….qualquer um do grande mestre Les Paul, que além de grande inventor (inventou também as gravações em canais de som separados) foi ainda um músico e guitarrista excepcional. Se alguém quiser escutar do que é capaz o som de uma Les Paul, tente qualquer disco do Led Zeppelin, do The Who ou do Guns and Roses para entender do que estou falando.

Por Tony Bellotto

11/08/2009

às 14:58 \ Viagem

Chambers Street

“Isso tudo que vou contar aconteceu antes do 11 de setembro”, diz Antino, o vendedor grego de hot dogs. “Nova York era uma outra cidade, o mundo era um outro mundo…”

Estou na esquina das ruas Greenwich com Chambers, em Tribeca, bairro de Manhattan em que vivi com minha mulher por alguns meses em  1994. As palavras de Antino me fazem viajar na memória. Em 1994, onde quer que estivéssemos, eu e Malu víamos as torres gêmeas como gigantes monolitos a nos observar. O apartamento em que morávamos era muito próximo do World Trade Center e às vezes nos sentíamos como um casal egípcio que vivesse próximo da pirâmide de Gizé.

Estar à sombra das torres gêmeas nos confortava, como se nos abrigássemos sob duas enormes asas celestiais. A sensação de estar em Nova York era incrível. Parecia que tudo acontecia ali. Filmes, shows, lojas de discos e livrarias. Algumas vezes, só por diversão, subíamos ao alto de uma das torres para tomar um café. Por que não? Estávamos a dois quarteirões de casa! Ali em cima, saboreávamos a emoção de estar não no centro, mas no topo do mundo.

Tudo parecia tão pequeno e irreal ali de cima. Nossos dias transcorriam tranquilos como o outono: caminhada de manhã pela margem do rio Hudson (Malu estava grávida de nosso primeiro filho, João), almoço em casa, aulas de cinema (Malu) e guitarra de blues (eu) à tarde, na New School. No fim da tarde nos encontrávamos para um café em algum ponto escondido do Village. Uma passada pela loja de discos Towers podia levar horas. Depois um jantar em casa, preparado por mim (sopas incríveis e saborosas, perguntem à Malu). À noite, um filme no Angelika, o cinema descolado na fronteira do Village com o Soho.

“Não é incrível o que me aconteceu?”, pergunta Antino, meu amigo grego vendedor de hot dogs em Manhattan. “É sim”, respondo, sem lembrar do que me contara Antino. Era uma história relacionada a um adultério que terminou num crime passional. Aliás, acho que era a história dele mesmo. Mas eu estava concentrado nas minhas lembranças e não posso dizer mais nada sobre a história de Antino.

 

Livro…

Paris é Uma Festa, de Ernest Hemingway. “Se você teve a sorte
de viver em Paris quando jovem”, diz Hemingway, “então a levará consigo
por toda parte, pois Paris é uma festa móvel”. Troque Paris por Nova York,
Londres ou qualquer outra cidade cosmopolita, e o sentido da frase continuará
o mesmo. O livro traz textos em que o escritor norte americano lembra de
seus dias de juventude (e aprendizado do ofício da escrita) passados em
Paris. O título em inglês, bem mais significativo, é A Moveable Feast.
Quem lê em inglês, não pode deixar de adquirir a nova edição do livro, editada
pelo neto de Hemingway, Seán. Traz textos inéditos que não foram incluídos
na versão original e um prefácio de Patrick, filho de Hemingway.

Por Tony Bellotto


 

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