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Collor

23/11/2009

às 10:19 \ Brasil

Bobão

marionete

Participei da campanha de Mário Covas para presidente, dando um depoimento para seu programa de TV no horário eleitoral. Confiava nele, adorava seu jeito – peculiar para um político – de homem comum, bem intencionado e sincero. Nunca me arrependi de ter participado da campanha do Covas. Não encontro mais políticos como ele por aí.

Participei também, com os Titãs, da campanha do Lula, no segundo turno da eleição que ele acabou perdendo para o Collor. Tocamos num show pró Lula em Salvador. Foi a única vez em que o vi pessoalmente. Também não me arrependo de ter participado desse show. A história confirmou que eu estava certo quando as maracutaias do Caçador de Marajás vieram a público algum tempo depois.

Mas não sei como reagiria se, naquele palco em Salvador, uma mãe de santo do Gantois me dissesse, “se liga, mané, daqui a alguns anos o Lula e o Collor estarão abraçados, pisando o mesmo palanque, com interesses políticos comuns”. Eu teria dito: “Pirou, baiana? Me dá um pouco dessa cachaça que você bebeu, tô muito careta…”. Hoje me sinto meio bobo de ver o Collor e o Lula lado a lado, amigões da vida toda. Tudo bem, o próprio Lula já se explicou, parafraseando o grande Raul : “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante…”. E tem o Sarney, o Jader, o Jefferson… haja, metamorfose, presidente. Dá-lhe, Kafka! Pena que nosso presidente, confessadamente, não é chegado a uma leitura.

Tocamos também, os Titãs, num comício na campanha do FHC para a prefeitura de São Paulo, na eleição que ele acabou perdendo para o Jânio. Uma das causas de sua derrota, dizem, foi ter se declarado ateu. Não foi sem espanto que anos depois, já na presidência, vi o FHC se unir ao ACM em nome da governabilidade. Imagino que FHC, a essa altura, não se declarasse mais ateu.

Com o tempo fui percebendo que o jogo político é muito complexo. E que eu sou mesmo um trouxa. Não consigo entender o que passa na cabeça desses caras. Sou muito bobo pra isso. Me falta malícia. Mas aprendi que muitas vezes o que eles dizem é exatamente o contrário do que querem dizer. Por exemplo, esse encontro do Ciro e do Aécio. Os governistas vivem dizendo que o Aécio seria um candidato mais forte, portanto mais difícil de ser derrotado. Então eles resolveram confessar isso assim, de mão beijada? Acreditam mesmo que o Aécio é o candidato mais forte e resolveram fortalecê-lo, dando uma mãozinha para o PSDB se decidir logo? Jura? E o Ciro? Disse que se o Aécio for o candidato do PSDB, ele desiste de sua própria candidatura. É mesmo? A única motivação dele é se opor ao Serra? Eu não aprendo, não tem jeito. Na última campanha para prefeitura do Rio, dei um depoimento a favor do Gabeira no programa eleitoral, e não me arrependo. De bobo, passei a bobão. Estou evoluindo.

 
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O Seminarista, de Rubem Fonseca. Romance novo do Rubem Fonseca, um escritor que sabe que as palavras são importantes demais para serem tratadas como bala de padaria.

Por Tony Bellotto

13/08/2009

às 22:32 \ Cenas

Darth Vader

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Reza a lenda que ao criar o personagem Darth Vader, da série Stars Wars, o cineasta americano George Lucas utilizou uma corruptela de dark father – pai obscuro em português – para batizar sua genial criação. Darth Vader, como todos sabem, simboliza o anjo caído, o brilhante guerreiro jedi Anakin Skywalker que se deixa seduzir pelo mal para se tornar um lorde das trevas. Outro dia, assistindo pela TV a uma sessão de vitupérios (alô, alô, Aurélio!) no senado federal, peguei no sono. Sonhei com um senado repleto de Darths Vaders. Quando acordei do cochilo, sumiram os Darths Vaders, mas continuavam os vitupérios.

Fernando Collor, os olhos rútilos (alô, alô, Houaiss!) de ira, ameaçava Pedro Simon com palavras agressivas como marimbondos de fogo. Collor é aquele tipo de senador que chama revistas semanais de hebdomadários. Lembrei do pai delle, o também senador Arnon de Melo, que num longínquo dezembro de 1963, matou um companheiro a tiros em plena sessão do senado federal. A ironia terrível, o alvo de Arnon não era o inocente senador José Kairala, do Acre – que cumpria seu último dia de mandato -, mas Silvestre Péricles, seu inimigo político histórico. Morreu Kairala, sobreviveu Péricles. A péssima mira do senador alagoano calou para sempre uma Excelência que nada tinha a ver com a contenda.

Na época, ninguém foi cassado, perdeu o mandato, sofreu punição ou foi condenado. Com essas lembranças, adormeci novamente e tive um sonho – aliás, um pesadelo – muito real: Fernando Collor e Pedro Simon batem boca no senado. A poucos metros do duelo verbal, José Sarney a tudo assiste impassível. Fernando Collor, transfigurado pelo ódio, saca uma arma e dispara contra o senador Pedro Simon. Mas herdeiro da mira deficiente do pai, atinge mortalmente José Sarney. Acordo lívido e trêmulo (argh!), empapado de suor, porém aliviado por tudo não passar de um pesadelo. Ufa! Ainda bem que os senadores atuais não trocam mais tiros em plenário. Os tempos mudaram. Mudaram mesmo? Algo me diz que, se uma barbaridade dessas acontecesse hoje em dia, ninguém seria cassado, perderia o mandato, sofreria punição ou seria condenado. Afinal, nenhum deles nunca tem culpa de nada.

DVD…

…a série Star Wars completa, com os seis filmes que a compõe.
A obra-prima de George Lucas pode ser apreciada em ordem cronológica,
já que a feitura dos filmes obedeceu a uma ordem diferente (primeiro as
partes 4, 5 e 6, depois 1, 2 e 3).

Por Tony Bellotto


 

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