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assassino

29/10/2009

às 23:08 \ Cenas

Bizarro

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O sobrenome do PM é emblemático: Bizarro. O capitão Denis Leonard Nogueira Bizarro e seu companheiro cabo Marcos de Oliveira Salles, PMs cariocas, não só deixaram de socorrer o corpo agonizante largado na calçada, como ainda levaram dos assaltantes assassinos (a quem graciosamente concederam a liberdade) o butim do latrocínio: um par de tênis e uma jaqueta.

É quanto custou a vida de Evandro Silva, coordenador de projetos sociais do grupo AfroReggae, responsável por ações sociais que utilizam a arte e a cultura como forma de inclusão social e recuperação de jovens cooptados pelo tráfico de drogas e crime organizado. Uma bizarrice e tanto. Trágica, corriqueira, revoltante e inaceitável.

Dias de fogo e de sangue estes que vivemos no Rio olímpico fraturado. A polícia carioca exibe para o resto do Brasil e do mundo as suas duas exuberantes e horrorosas faces: uma, a de homens honrados e corajosos que sobem o morro trocando tiros com bandidos, lutando para pacificar comunidades tomadas pelo crime e pela irracionalidade, muitas vezes pagando com a própria vida (e a vida de civis inocentes) o preço de uma luta inglória e devastadora.

Outra, a de homens sem caráter, zumbis guiados pela imensa e acomodada bússola corrupta verde amarela que a todos norteia, PMs que ao verem o corpo de Evandro Silva caído no chão, se esvaindo em sangue, não fizeram nada. Sequer socorreram-no. Mas correram afoitos até os assassinos e os liberaram em troca da jaqueta e do par de tênis de Evandro. A cidade partida também tem uma polícia partida. E enquanto não resolver essa dicotomia fundamental, essa contradição primária, esse paradoxo essencial, não contará com uma Polícia digna do nome (na acepção do Houaiss: conjunto de leis e disposições que asseguram a ordem, a moralidade e a segurança em uma sociedade).

Entre erros e acertos, mais acertos que erros, não há como negar que o secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, é um homem sério e disposto a descascar com competência esse totêmico e gigantesco abacaxi podre que é a segurança pública do Rio. Depois de sucessivos governos ambíguos e ineficientes, o momento é de reconstrução. Que a luz da razão ilumine o caminho desse homem corajoso nessa hercúlea missão abacaxi. Que os exemplos e inspirações – de Elliot Ness a Sigmund Freud, de Mahatma Gandhi a Rudolph Giuliani – o conduzam a unir e pacificar antes de tudo a própria polícia.

 

DVD…

Favela Rising, produção brasileira e americana, dirigido por Matt Mochary e Fred Zimbalist, o filme conta a história do grupo cultural Afroreggae.

Por Tony Bellotto


 

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