09/02/2012
às 22:44 \ PessoasO Museu das Calcinhas
Entre os grandes projetos que o Wando deixou de realizar estava a criação do Museu das Calcinhas. Hugo Barreto, meu amigo e idealizador de vários museus, como o da Língua Portuguesa, o do Futebol, e outros ainda em construção, como o Museu do Amanhã e o novo Museu da Imagem e do Som do Rio, nunca deve ter pensado nisso. Pois fica aqui a sugestão. Seria uma bela maneira de homenagear esse compositor original e muito peculiar.
Wando seria, à primeira vista, o mais improvável dos galãs, com seu aspecto comum e boca um tanto desproporcional ao tamanho do rosto. Tinha no entanto, além de um talento musical evidente, um charme especial com as mulheres que, por algum motivo não explicado pela ciência, sofriam de um irrefreável impulso de atirar-lhe as calcinhas durante os shows. Nem o Chico Buarque, com aqueles olhos azuis e todas as incensadas letras que “desvendam” a alma feminina conseguiu angariar tantas peças íntimas ao longo da carreira. É um feito para nenhum Mick Jagger botar defeito.
Tive pouco contato com o Wando, encontramo-nos de passagem em aeroportos algumas vezes, e ele foi sempre muito simpático e amigável. Como todo o brasileiro eu me peguei algumas vezes na vida cantando: “você é luz, é raio estrela e luar…”. E consegui, em alguns momentos de êxtase lírico, compreender a intensidade poética de um verso como “meu ioiô meu iaiá”. E só hoje, lendo as matérias sobre sua morte, fiquei sabendo que era de autoria do Wando aquele samba genial dos anos 70, “o importante é ser fevereiro, e ter carnaval, pra gente sambar…”.
Desde o começo da carreira nós dos Titãs curtimos, respeitamos e aprendemos muito com os compositores mais populares, os chamados compositores “bregas”, que apesar da desconfiança de um grande segmento da classe média culta (curta?), sempre mostraram muita inventividade e imaginação. Wando pode ter começado a carreira como um desses compositores, mas conseguiu nos anos 80 – não por acaso a década em que artistas de “classe média” imprimiram sua marca popular com o rock brasileiro – ultrapassar todas as barreiras e tornou-se um caso único de compositor brega cult. Um artista que as pessoas que não se achavam brega não tinham vergonha de curtir. Por essas e outras eu cavo aqui, numa homenagem ao Wando, a primeira fundação do Museu das Calcinhas.














