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20/01/2012

às 16:41 \ Mundo

Ponto Ômega

Exposição de Maurizio Cattellan no Museu Guggenheim, em Nova York (Foto: Cindy Ord/Getty Images)

Situado temporariamente num ponto ômega qualquer – a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro -, onde permaneço por algumas horas numa improvável escala entre Nova York e Manaus ainda sob os efeitos do jet lag num intervalo efêmero entre uma rápida viagem de férias e o primeiro show do ano, penso em Maurizio Cattelan.

Cattelan é um artista plástico italiano, e me chama a atenção que tenha nascido em 1960, o mesmo ano em que nasci eu mesmo, o que nos coloca lado a lado nessa espécie de gaveta transcendental a que chamamos “geração”.

Vi uma exposição de Cattelan em Nova York, no Museu Guggenheim, e foi a coisa que mais me impressionou até agora nesse incipiente 2012. O Museu Guggenheim de Nova York, única obra na cidade do arquiteto Frank Lloyd Wright, ostenta um gigantesco vão aberto que faz o visitante sentir-se do lado de dentro de um imenso formigueiro oco. Foi ali, nesse espaço livre, que Cattelan literalmente pendurou o trabalho de mais de trinta anos, e com isso resolveu aposentar-se do fazer artístico, dando por encerrada a sua obra.

As obras/esculturas conceituais de Cattelan revelam um humor muito particular, e pode-se discernir na grande cascata de objetos que pende do céu desde um papa João Paulo II derrubado por um meteorito, até um angelical Hiltler flutuando no ar como um sinistro anjo da morte, passando por um Kennedy descalço dentro de um caixão.

Mas a obra, e o conjunto que ela forma ali, pendurada, de Cattelan vai muito além dos aspectos pitorescos e das figuras reconhecíveis. Percebe-se ali uma representação ao mesmo tempo bem humorada e amarga de nossa era.

Cattelan é da minha geração, e me identifico com ele em sua busca por uma arte pop, mas perturbadora e surpreendente.

Entre as inúmeras figuras que se avolumam na cascata de objetos, ícones e imagens que pendem no vão do Guggenheim, me chama a atenção em particular um sujeito sentado sobre um imenso cofre arrombado, olhando para o fundo do abismo. Pressente-se que ele vai se jogar dali no instante seguinte. E com essa dúvida, ele vai se jogar ou não?, Cattelan consegue arrancar do visitante um sorriso.

Por Tony Bellotto

16/01/2012

às 14:15 \ Mundo

Trilogia de Nova York

(Foto: Thinkstock)

Enquanto você me lê, agora, me preparo para ir com meus filhos ao Madison Square Garden assistir ao jogo do NY Knicks contra o Orlando Magic. Faz frio em Nova Iorque, e me lembro de I Love Paris, a canção em que Cole Porter diz que ama Paris no verão, no outono, no inverno e na primavera. Sinto a mesma coisa por Nova Iorque. E minha família, num ritual que se repete quase todo ano desde que minha mulher estava grávida de nosso primeiro filho, agora com quase dezessete anos, está aqui reunida novamente.

Acho que não somos tão unidos em nenhum outro lugar do planeta, em casa muito menos, com todos os problemas domésticos e cada um levando sua vida. Em Nova Iorque estamos sempre juntos, seja correndo para assistir a uma palestra de Paul Auster (e não conseguindo chegar a tempo), seja lembrando com saudades das Torres Gêmeas e das extintas Tower Records, a rede de lojas de discos em que dispendemos muitos dias de nossas vidas e torramos milhares de dólares, seja comendo o “melhor hambúrguer de Nova Iorque” (acredite, há dezenas de restaurantes, bares e barraquinhas que se orgulham de prepará-lo), seja procurando no museu errado (MOMA) uma exposição de desenhos de Richard Serra (que acontecia no Metropolitan), seja comendo a “melhor espiga de milho do mundo” no La Eskina (há controvérsias), seja chorando de nostalgia em frente ao antigo, lendário e mitológico CBGB, agora uma prosaica loja de roupas, ou simplesmente dando de cara com John Travolta no Central Park.

Outro dia um companheiro de aula de Pilates no Rio declarou, ao saber que eu vinha para Nova Iorque: “Eu não conheço os Estados Unidos”. Ao que respondi: “Nova Iorque não é Estados Unidos. É Nova Iorque”.

Aqui, por exemplo, escrevi Impasses de um Ateu, minha crônica mais lida e comentada neste blog, meu, por assim dizer, maior hit na carreira de blogueiro. O que me inspirou a escrever a crônica, me lembro agora nesse frio danado, foi quando, numa tarde de verão, tomando cerveja mexicana numa mesa de bar na calçada tentando me refrescar do verão manaura de Manhattan, vi passar um ônibus com os dizeres Você não precisa acreditar em Deus para ser uma pessoa ética.

Num país tão religioso, até há pouco governado por um louco fundamentalista, é de espantar que uma frase como essa passeie livremente pelas ruas. É porque Nova Iorque não é Estados Unidos. É Nova Iorque.

Por Tony Bellotto

27/05/2010

às 19:30 \ Mundo

Brincando nos campos do senhor

Muitos acusam o cientista Craig Venter de estar brincando de Deus. A brincadeira, no caso, foi criar vida do nada. A façanha, até então atribuída única e exclusivamente ao Velho Senhor de Barbas (o Outro, já que barbas, Venter também as tem), tem causado rebuliço. Bem, qual o problema de alguém brincar de Deus? Não é o que fazemos sempre quando matamos formigas ou baratas? Deuses menos brilhantes, claro, mas ainda assim arvorados da capacidade de devolver ao nada formas vivas criadas ao custo de tanto esforço e esmero (de Deus, dos deuses ou da evolução biológica, escolha a alternativa que melhor lhe convenha). Quem aqui nunca matou uma barata? Se criar a vida é atributo exclusivo Dele, não seria também Dele o atributo de dar cabo dela? Tudo certo, podemos conviver em paz com esse complexo de Deus que costuma nos acometer. E também com os dês maiúsculos e minúsculos que a lei das propriedades nominais nos obriga a usar, assim como com os cacófatos que a pressa e a desatenção dos cronistas nos forçam a ler. Não fosse nossa curiosidade infantil e infinita vontade de inventar moda, talvez ainda estivéssemos a correr de leopardos pelas savanas. Nus e descalços, com toda certeza. A capacidade de criar é de tal forma inerente aos humanos, que até prova em contrário (com o sincero respeito, até hoje não se conseguiu provar a existência Dele) Deus é uma criação do homem, e não vice-versa. O que nos leva a pensar se não seria Deus aquele que brinca de homem. No que também não vejo o menor problema. Brincadeiras inocentes são muitas vezes o motor de grandes invenções. Por exemplo, só pra ficar na minha seara, Elvis e seus companheiros de banda tocando irresponsavelmente um blues num andamento de country music, o que gerou o rock’n roll, esse estilo musical atribuído por muitos ao demônio. Ou Benjamin Franklin durante uma tempestade empinando perigosamente uma pipa que, ao ser atingida por um raio, possibilitou a invenção do para-raios, esse grande salvador de vidas, televisões e outros aparelhos domésticos. Gostamos tanto de criar e inventar, que mesmo dormindo costumamos brincar de Deus, o que confirma a lenda de que Isaac Newton teria percebido a lei da gravitação universal ao ser alvejado na cabeça por uma maçã que se desprendera da macieira sob a qual tirava um cochilo. E para provar que a capacidade de brincar e fazer trocadilhos – ainda que infames – é das mais nobres que possuimos, alguém já reparou como o nome de Craig (in) Venter é adequado a um inVentor?

Não dá pra falar de brincadeira como fonte de criação séria sem lembrar do Bussunda. O livro Bussunda: A vida do casseta, de Guilherme Fiúza, é pra ser lido já.

Por Tony Bellotto

30/04/2010

às 17:51 \ Mundo, Pessoas

Águas de abril

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Num mês em que as águas se mostram particularmente ariscas e agressivas, acompanhei minha mulher (ou namorada, já que nunca nos casamos e estamos completando vinte anos de namoro) a uma reunião dos Mensageiros da Água. Aliás, minha namorada, a Malu Mader, é ela própria uma mensageira da água. Você não sabe o que perde por não namorar um mensageiro da água. Marcos Palmeira também é um mensageiro da água, assim como Raí, Gilberto Gil, Milton Nascimento, Paulo Jobim e outros, anônimos principalmente. Isso só para ficar nos mensageiros brasileiros. Há muitos deles espalhados pelo mundo: Dalai-lama, Philippe Starck, agnès b, Manu Chão e Jane Birkin são alguns dos mais célebres mensageiros da insípida, incolor e inodora substância da qual dependemos para viver. Mensageiros da Água é uma campanha, ou mais, um movimento, ou ainda uma grande onda, provocada pela fundação Danielle Mitterrand e que tem a própria como principal timoneira. O objetivo do movimento é simples e cristalino como água límpida: garantir que o acesso à água – bem comum da humanidade – seja um direito universal. Parece óbvio, mas não é. Com a escassez da água potável, urge que ela não se transforme numa mercadoria, e acabe descambando na vala comum dos itens de consumo pelos quais temos de pagar. Ou seja, mais um daqueles inúmeros tópicos que determinam a velha máxima: ricos se dão bem e pobres se estrepam. Dados da fundação mostram que, a cada dia, 34 mil pessoas morrem por falta de água potável e que mais de um bilhão de pessoas não têm acesso a esse bem de forma adequada. Danielle Mitterrand é uma mulher admirável. Viúva do presidente socialista François Mitterrand, que governou a França por 14 anos, tem um histórico de ativismo e engajamento político em favor dos oprimidos e explorados em todo o mundo. Na reunião dos Mensageiros da Água aqui no Rio, Danielle explicou os objetivos e motivações do movimento. Pouco mais de trinta pessoas – artistas, ambientalistas, professores, cientistas, curiosos, estudantes, ativistas, cidadãos enfim – se reuniam em torno da elegante e vigorosa senhora, assimilando a doce cadência de suas palavras francesas. Para temperar a melodia das mots justes de Danielle, iguarias, champanhe e vinho tinto eram compartilhados pelos convivas, apóstolos numa ceia. Em várias vezes Danielle citou seu marido, François Mitterrand. Numa delas, disse que o estadista francês sempre repetia uma frase do escritor americano William Faulkner, que afirmava que nossos sonhos devem ser grandes o bastante para que não os percamos de vista. Não sei se foi o vinho, mas no dia seguinte acordei morrendo de sede. Maiores informações sobre os Mensageiros da Água no site: www.france-libertes.fr.

faulkner-luz-agosto-cenas-80Livro: Luz em Agosto, de William Faulkner, que além de excepcional romancista, Nobel de literatura de 1949, foi um emérito mensageiro da água que passarinho não bebe.

Por Tony Bellotto

25/02/2010

às 21:01 \ Mundo

2012

embriao-humano

Preparem as pedras e as lanças! Afiem as espadas! Aqueles que concordarem comigo podem atirar pétalas vermelhas e amarelas. Falaremos de – tchan-tchan-tchan-tchan! -: Espanha! Calma, infelizmente não dissertarei sobre castanholas, paellas, touradas ou Penélope Cruz. Sei que decepcionarei muita gente, mas vamos debater assuntos menos glamurosos. Religião e…aborto. Desculpe. É o que dá ler o jornal todo dia.

Está lá, li hoje de manhã na Folha de São Paulo: o Senado da Espanha aprovou em definitivo lei que libera o aborto até a 14ª semana de gestação e permite a adolescentes entre 16 e 18 anos interromper a gravidez mesmo sem o consentimento dos pais. Façamos uma reflexão. A Espanha é um estado moderno, democrático, cuja maioria absoluta da população é católica, certo? Os senadores espanhóis, ao que me consta, não são monstros eleitos para aprovar leis que permitam matanças generalizadas (com exceção dos touros, talvez), correto?

Calma, continue comigo, depois você poderá argumentar. O que a Espanha acaba de fazer – como muitos outros países já fizeram – foi reconhecer o direito das mulheres à assistência médica e psicológica em casos de gravidez interrompida. É diferente de dizer: aprovamos o aborto porque somos sádicos, desalmados, insanos, cruéis e antirreligiosos. É muito diferente, não?

Sei que sempre que abordo o assunto sou alvejado por críticas e chuvas de impropérios, mas eu não estou sozinho. Tenho comigo, pelo menos, a maioria do senado espanhol. Não acompanho a política espanhola em profundidade, e sei que o país vive no momento reflexos negativos da crise financeira mundial. Mas não é difícil deduzir que a imagem dos senadores espanhóis é bem melhor que a dos nossos senadores brazucas, confere? (precisamos relembrar de todos os escândalos? Teremos tempo para tanto?). Então vamos dar um crédito aos senadores espanhóis e acreditar que um país civilizado e decente (e religioso) pode sim aprovar o aborto. Ainda vamos chegar lá, boto fé.

Ok, falei da Espanha e do aborto. Onde entra a religião nessa crônica? É que toda vez que falo de estado laico sempre me aparece um engraçadinho – um, não, dezenas – vociferando contra minhas convicções o mais pueril e estúpido dos argumentos: “Quer dizer, Tony, que se levarmos em conta as suas propostas, teremos de implodir o Cristo Redentor?”.

Ai, ai. Preciso responder a uma bobagem dessas? A França (outro país razoavelmente confiável, não?) proibiu imagens religiosas em suas escolas públicas e nem por isso determinou a implosão da igreja de Notre-Dame. Aliás, quem costuma implodir – e explodir – imagens religiosas, que eu saiba, são justamente fanáticos religiosos. E sempre o fazem em nome de alguma religião, invariavelmente a sua própria. Como os talibãs, por exemplo, que mandaram pelos ares imagens antiquíssimas de Budas de imenso valor artístico, histórico, cultural e religioso. Mas isso não vem ao caso. É que li no jornal – além da notícia da aprovação do aborto na Espanha – uma outra notícia interessante: a de que a Arquidiocese do Rio quer processar a produtora de cinema Columbia por usar sem autorização a imagem do Cristo Redentor despencando do Corcovado no filme 2012. Não é piada, juro. A Arquidiocese do Rio não tem nada melhor pra fazer? Dá o que pensar.

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Filme…

Educação, com roteiro de Nick Hornby,
mostra os conflitos de uma moça inglesa na década de
1960, em busca de liberdade e realização pessoal.

Por Tony Bellotto

25/01/2010

às 1:55 \ Mundo

Notícia de um encontro

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Depois de quinze anos longe da Colômbia, Sebastián Marroquín retorna ao seu país. O coração bate descompassado enquanto Sebastián caminha; emoções variadas nublam-lhe o espírito. Lembra-se da vez em que o pai, foragido, apareceu de surpresa na sua primeira comunhão. Como podia o pai que lhe sorria afetuoso dentro da igreja ser ao mesmo tempo o criminoso mais procurado do mundo?

Caminhando, Sebastián lembra-se rapidamente de quando o pai o ensinou a montar num elefante de verdade. Não é qualquer pai que pode manter um zoológico particular em casa. O pai de Sebastián podia. Outras imagens vêm à mente de Sebastián enquanto caminha para o encontro, num turbilhão. A viagem à Disney, os passeios de bicicleta, as situações corriqueiras de pai e filho.

Um pai tão comum quanto incomum. Um pai carinhoso e um criminoso cruel convivendo no mesmo corpo roliço e rosto bonachão. Sebastián chega ao encontro e se depara com os filhos do político Luis Carlos Galán. Galán, candidato à presidência da Colômbia nos anos oitenta, foi morto a mando do mais poderoso traficante internacional de cocaína da época, Pablo Escobar.

Pablo, o pai de Sebastián – que na verdade chama-se Juan Pablo Escobar –, chegou a comandar, sozinho, um cartel que controlava 80% do mercado mundial de cocaína. Tornou-se um dos homens mais ricos, poderosos e cruéis do planeta. Foi morto em 2 de dezembro de 1993, numa troca de tiros com o Search Bloc, grupo da polícia colombiana especialmente montado para capturá-lo.

Juan Pablo Escobar, um arquiteto de 32 anos, vive hoje na Argentina com uma nova identidade – Sebastián Marroquín -, sob a guarda do governo da Colômbia, como testemunha protegida. Agora, de volta ao país natal para o encontro, Juan Pablo encara os filhos de Galán. E diz: “Estou aqui para pedir perdão e olhar nos olhos de cada um de vocês”.

Rodrigo Lara, filho de um outro político também assassinado a mando de Escobar – o ministro da Justiça Rodrigo Lara -, afirmara dias antes, ao encontrar-se com Juan Pablo num parque em Buenos Aires: “Não podemos continuar alimentando esse círculo de ódio, ou nunca vamos sair”. Estas cenas e diálogos estão registradas no documentário Pecados De Mi Padre, do argentino Nicolas Entel, responsável pelo encontro conciliador entre o filho de Escobar e os filhos de Lara e Galán. A Colômbia, aos poucos, vai juntando os cacos e se recompondo.

Livro…

noticia-de-um-sequestro1Notícia de Um Sequestro, em que o colombiano Gabriel Garcia Márquez analisa, com seu talento de jornalista e romancista, a situação política da Colômbia nos anos 90. Ficção e realidade se misturam na narração do drama dos sequestrados pela narco-guerrilha colombiana.

Por Tony Bellotto

11/01/2010

às 6:49 \ Mundo

Promessas para 2010

Promessas de ano novo

Não passar o ano inteiro repetindo: “Nossa, como esse ano tá passando rápido!”.

Não exclamar a cada chuva, temporal, frio, calor ou vento repentino: “O tempo tá maluco!”.

Não usar a expressão “no meu tempo” para justificar a incapacidade de adaptação ao presente. Por exemplo: “No meu tempo era muito mais fácil ler os encartes dos elepês” (desculpe se você não sabe o que é elepê. Era o CD do “meu tempo”).

Não responder a perguntas com frases e palavras mecânicas, que se pronuncia sem saber por quê: “Sem dúvida”. “Exatamente”. “Justamente”. “Sem dúvida”. “Perfeitamente”. “Se deus quiser”. “Sem dúvida”.

Não usar a toda hora palavras oriundas da língua inglesa, contribuindo com a entrada das mesmas a fórceps no dicionário: deletar, lincar, overizar, estartar.

Perder uns dois quilinhos.

Não rir de portugueses por eles chamarem mouse de rato, já que mouse é rato.

Chamar mouse de camundongo.

Não enxertar palavras em inglês em frases prosaicas, como se isso fosse a coisa mais natural do mundo: “Essa lua tá me dando um insight…”. “Tô com overdose do Lula…”. “As crianças estão no playground, por que não passamos ao living room?”.

Xingar de filho de uma cadela tradutores que, em legendas de filmes, traduzem son of a bitch por filho de uma cadela.

Decorar as datas de aniversário do pai e da mãe.

Mandar de volta à escola o pessoal do gerúndio: “Estaremos voltando às aulas de português, onde estaremos aprendendo que estaremos podendo falar bem melhor. Vocês não estarão perdendo por estarem esperando”.

Evitar certezas.

Não confiar em quem afirma que as têm.

Não achar plausível que, num calor de 40 graus, senhores em busca de um reforço no orçamento se esvaiam em suor sob roupas ridículas de Papai Noel, imersos em neve de algodão, num país tropical no auge do verão.

Não comemorar o Halloween.

Parar de rir quando a TV mostrar políticos fanfarrões enfiando dinheiro público na meia.

Começar a chorar quando a TV mostrar políticos fanfarrões enfiando dinheiro público na meia.

Não assistir ao Big Brother.

Nem ao horário político.

Desconfiar de promessas feitas no primeiro dia do ano.

Junky, de William BurroughsLivro…

Junky, de William Burroughs. O escritor americano, um dos três pilares do movimento Beat (os outros dois pilares chamam-se Jack Kerouac e Allen Ginsberg), prova que sob o olhar de um bom escritor até o dia-a-dia de um viciado em heroína pode se transformar num divertido e vibrante passatempo.

Por Tony Bellotto

 

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