27/02/2012
às 9:37 \ CenasE o Oscar vai para…
Não sou tão velho quanto o Oscar, que completou ontem sua octagésima quarta edição, mas sou do tempo em que os apresentadores anunciavam o vencedor dizendo “and the winner is…”. Com o passar do tempo, assim como chamar alguém de preto ficou politicamente incorreto, hoje se diz afrodescendente, dizer que alguém é winner (vencedor) também ficou de mau tom, pois presume-se que onde há um vencedor, há um perdedor (no caso do Oscar, vários), e nos Estados Unidos nada pode ser mais degradante do que ser chamado de loser (perdedor).
É incrível o poder dessa festa cafoninha (que neste ano, ufa, aboliu os horrendos números musicais) e o fascínio e furor que ainda causa mundo afora. Aqui em casa assistimos à festa com quase a mesma devoção com que vemos um jogo de Copa do Mundo. Sem dúvida a edição de 2012 da festa máxima do cinemão americano refletiu tempos de crise econômica e austeridade. Refletiu também, ao meu ver, uma perceptível falta de imaginação dos acadêmicos ao premiar um filme, O Artista, que tem milhões de méritos, mas que é, em essência, um filme passadista que “brinca” com a ideia de fazer um filme mudo, idêntico a filmes que se faziam há mais de oitenta anos.
No meu tempo, era o que chamávamos de um filme “pós-moderno”, aquele conceito muito festejado, mas que revelava uma ideia um pouco assustadora: já que não se consegue criar nada de novo, requentemos o passado. Mas essa é só a minha opinião. E se o Oscar premiou ontem pela primeira vez um diretor francês, não foi ainda dessa vez que um brasileiro levou a estatueta. Carlinhos Brown e Sérgio Mendes não ganharam o Oscar, mas são winners pra looser nenhum botar defeito. Então tá, hoje é segunda-feira, o horário de verão já terminou, o carnaval já se extinguiu em cinzas e os vencedores e perdedores do Oscar já voltaram às suas rotinas. Não temos mais desculpas, o ano começa.
Tags: oscar














