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15/10/2009

às 21:19 \ Cenas

Espeto corrido

churrasco_2

Semanas atrás, numa turnê pelo Rio Grande do Sul, passei por Passo Fundo. Correndo numa praça circundada por grandes paineiras, ipês amarelos e uma outra árvore que meu desconhecimento de botânica e minha imaginação irresponsável reconheceram como uma cerejeira em flor, conheci dois gaúchos muito simpáticos e hospitaleiros – Marcelo e Roque – que me indicaram onde comer, na cidade, o verdadeiro churrasco gaúcho.

Os cortes suculentos de picanha, vazio (que aqui pra cima chamamos de fraldinha), maminha de alcatra, cupim, costela de miga e outras variações sobre o mesmo salivante tema me aguardavam nos espetos sanguinolentos da churrascaria do Chico. A tradição do espeto corrido (que aqui pra cima chamamos de rodízio), não é muito antiga. Remonta aos anos sessenta, portanto algo em torno de quarenta e poucos anos de idade.

Nesse curto espaço de tempo o rodízio virou um pilar gastronômico brasileiro dos mais sólidos, do mesmo naipe de uma feijoada, uma moqueca ou um feijão tropeiro, por exemplo. Fora do Brasil, as churrascarias rodízio são um sucesso, e podem ser encontradas em cidades tão díspares quanto Tóquio, Miami, Los Angeles ou Milão. No Brasil, qualquer cidade de médio porte tem a sua churrascaria gaúcha, quer em Tocantins, Amapá, Maranhão ou Mato Grosso.

A variedade de alimentos servidos nessas casas é assustadora, pois além das carnes, há os bufês no centro do salão, que proporcionam verdadeiras voltas ao mundo culinárias. Minha filha, que é vegetariana, adora almoçar na churrascaria rodízio que frequentamos aqui em Ipanema, tal a variedade disponível de saladas, legumes, comida japonesa, árabe etc.

Segundo o articulista, historiador e connaisseur gastronômico Dias Lopes, as casas de rodízio surgiram na região sul do Brasil na década de 60, ao lado de postos de gasolina, e serviam basicamente a caminhoneiros. As churrascarias Blumenauense, no Paraná, e a Matias, no Rio Grande do Sul, reivindicam a autoria do método. O que se sabe é que num dia de muito movimento, com a churrasqueira lotada, pedidos chegando sem parar das mesas e garçons atarantados sem dar conta do trabalho, um churrasqueiro suado teve a ideia genial de suspender o envio de espetos individuais para as mesas e ordenou que os garçons dividissem as carnes fraternalmente entre os fregueses. A Necessidade, mãe da Invenção, inspirou o ato meio oportunista meio altruísta do glorioso churrasqueiro desconhecido, e nos proporcionou essa grande criação gastronômica.

CD….

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Freak Out, Frank Zappa e Mothers of Invention. Quando se fala em invenção – qualquer que seja – sempre vale citar um dos mais geniais inventores pop do século XX, o guitarrista e compositor Frank Zappa, líder do Mothers of Invention. Dono de um talento só comparável à própria ironia, Zappa é sempre alguém para ser lembrado, ouvido e cultuado. E deliciosamente incompreendido…

Por Tony Bellotto
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10 Comentários

  1. Marcos F

    -

    01/11/2009 às 17:20

    Eu tenho o original do “Freak Out”. Comprei em 66 quando niguém tinha coragem. “It can’t happen here …” – e aí vinha um som de arfar sexual. Uma menina (nas melhores horas), pediu para tirar o disco porque não sabia se era pra gozar do disco ou da nossa união.
    Eu conheci o Zappa num baile de carnaval em 75 em Cannes, no Casino. Nada a ver com o artista. Um cara bem normalzão. Por isso, claro, era um grande artista.
    Nota: mas não sabia “pular”. Nem ensinando, ajudou. Os estrangeiros não sabem balançar com as pernas.

  2. Elvio

    -

    20/10/2009 às 14:31

    Tony,

    Boa Tarde,

    Sobre esse nababesco post, deixo uma sugestão: nas suas andanças, se passar por Sorocaba/SP,
    vá conhecer a churrascaria OK. Inclusive sua filha vai se esbaldar.
    É mutcho bom.

    Cordialmente
    Elvio

  3. Fabiana Aviles

    -

    19/10/2009 às 16:20

    Prezado Tony, muito boa sua explanação sobre a história do Espeto Corrido. Trabalho no Serviço de Informação da Carne – SIC, entidade sem fins lucrativos que tem por objetivo informar os consumidores sobre as características, qualidades e os benefícios da carne bovina. A história do Espeto Corrido é esta mesmo e aproveito o espaço para deixar registrado um pouco mais de história, a história do consumo da carne bovina:

    A carne é o alimento que tem acompanhado a evolução do homem desde a época em que ele habitava as escuras cavernas. Nos primeiros tempos, a alimentação humana era essencialmente vegetariana, baseada principalmente no consumo de frutos e de algumas folhas. Mas, uma vez experimentada, a carne incorporou-se definitivamente aos hábitos alimentares da espécie humana. Depois da descoberta desse sabor, qualquer animal que andasse por cima da terra, cruzasse os ares ou deslizasse sob as águas dos rios era prenúncio de um farto banquete.

    Para isso, esse ancestral do Homo sapiens saía à caça munido de paus e pedras ou de uma arma que, naquela época, era o que havia de mais avançado em termos de tecnologia: a lança de pau com ponta de pedra afiada. Essas batalhas diárias pela sobrevivência, travadas com as feras, garantiram a perpetuação da espécie e contribuíram para a sua evolução até os nossos dias.

    Os primeiros nacos de carne saboreados pelo homem foram “in natura”, ou seja, crus e cheirando a sangue. O único referencial que os candidatos a “gourmet” daqueles tempos possuíam era a prática observada entre os outros animais carnívoros, que, além de serem os seus primeiros “professores gastronômicos”, também engrossavam o cardápio dos humanos. A tradição culinária de comer carne crua é mantida ainda hoje pelos esquimós, que assim degustam a carne de foca, e por algumas comunidades árabes, que ingerem crua a carne de cordeiro.

    Assim se alimentou a humanidade por muito tempo até que foi descoberto o fogo, elemento natural que mudou radicalmente a vida de todos os que passaram a dominá-lo e a usufruir de sua força transformadora. Inicialmente, ele só servia para aquecer durante o inverno e para afugentar as feras que queriam fazer do homem o seu prato predileto.

    Mas, num belo dia, por acaso, como ocorreram quase todas as grandes descobertas da humanidade, alguém resolveu chamuscar as carnes que tinha acabado de caçar. O resultado não podia ter sido melhor, pois, além da considerável melhora no sabor, foi possível perceber que, nos dias seguintes, o assado continuava bom para o consumo, não se deteriorando tão rapidamente como a carne crua. Esse assado é o ancestral do churrasco, que pode ser considerado o mais antigo dos pratos da culinária mundial.

    Outro fator que contribuiu para incrementar essa mudança nos hábitos alimentares dos nossos antepassados foi a domesticação de rebanhos bovinos, suínos, caprinos e ovinos, o que garantiu o abastecimento seguro de carne. Assim, o homem deixou de ficar na dependência da sorte em suas caçadas.

    Espero ter contribuído um pouquinho neste espaço. Nosso site é: http://www.sic.org.br
    Abraços e sucesso

  4. BEDA SONG

    -

    19/10/2009 às 11:11

    Caros, fiquem atentos! Comer churrasco não está errado. O errado é comer carne. Empresa como JBS-FRIBOI, que se tornou recentemente uma das maiores empresas de processamentos de carnes no mundo, assassina mais de 94 mil cabeças de gado, 64 mil cabeças de porcos, 30 mil aves, PASMEM: POR DIA! Isso é invejável até pra HITLER e os JAPONESES no século XX. Portanto meus queridos consumidores carnívoros, não é só Mc Donald’s que faz lanches de plásticos, são, na verdade, todos os estabelecimentos que utilizam carnes em seus cardápios que estão errados. Não, digo, eu estou equivocado. São todas as pessoas que “adoram” carnes que contribuem para esta matança desordenada de animais inocentes. Talvez eu sugerisse que comessem seus animais domésticos para saborear o sofrimento que vocês teriam. Além disso, o ser humano, na sua concepção homo sapien, nunca foi originado para consumir ou dilacerar carnes como os animais carnívoros. Diga-se de passagem vale conferir a arcada dentária de ambos. Bem, os animais têm na sua maioria dentes caninos, já o ser humano, tem a maioria de molares. Investidores insanos na Bolsa de Valores: párem de investir na JBSS3 e CRUZ3. Vocês contribuem para o mundo ser menos sustentável e subdesenvolvido. Continuam ganhando dinheiro com o sofrimento e dependência de pobres consumidores inacautos.

  5. Nina B.

    -

    18/10/2009 às 18:32

    Meu sogro diz que a melhor comida de estrada você encontra aonde a maior quantidade de caminhoneiros almoça, faz sentido a história das origens do espeto corrido. Muito boa a cena dos garçons e churrasqueiro dividindo os espetos, adorei!

  6. Lulu

    -

    18/10/2009 às 7:27

    O Rocky acima tem razão. E não há apenas um em Tokyo. Nesta que ele indica, a Barbacoa, comí em 86, qdo a presença de imigrantes brasileiros por lá ainda era escarsa. Já em Milão, há churrascarias tbém, inclusive nas províncias mais distantes, mas infelizmente as carnes – as verdadeiras protagonistas – não são brasileiras. São prevalentemente carnes alemãs e indianas. É uma pena, porque as carnes brasileira e argentina são realmente mais saborosas. Há sabores de ervas naturais de pasto. E o gado respira bons ares de grandes extensões de terras :)

  7. Joao Amaral

    -

    18/10/2009 às 3:02

    Nao sou gourmet, mas comida, para mim tem que ser quente (se nao for gazpacho,salad e coisas do genero) e o rodizio de espetos proporciona isso. Claro, tem o incoviniente de recusar ao garcon mais do que aceitar. O melhor e’ ao lado da churrasqueira, cortado sobre a tabua os comensais senvindo-se dela e a carne voltando pra grelha. Ah! No restaurante, as melhores mesas sao as mais proximas da churrasqueira porque pega-se o espeto no inicio. E tens razao, tche, o espeto corrido correu o mundo.

  8. Rocky

    -

    16/10/2009 às 14:24

    Tony, moro em Londres e aqui tem varias churrascarias com rodizio. A maior delas e’ a Rodizo Rico, cujo dono deve estar milionario pois nas 3 mega casas que ele possui o movimento e’ intenso. Na casa localizada em Islington e na O2 Center (antigo Domo do Milenio e novo lugar de shows em Londres) o publico e’ predominantemente de nao-brasileiros. Fui comuns amigos brasileiros uma noite destas e levei um susto ao ver uma mesa de diretores ingleses da minha companhia sentados num canto, e mandando picanha. Ah, outra coisa – Toky tem sim churrascaria rodizio ao contrario do que disse o leitor acima. O link do restaurante no japao e’ http://r.gnavi.co.jp/a068832/

  9. Anouk

    -

    16/10/2009 às 11:22

    Oi Bellotto,

    A história do rodízio transformou a refeicao num verdadeiro inferno. Gosto de tranqüilidade nas minhas refeicoes. Nada de garcoes invadindo o meu espaco a todo momento, exceto para servir o vinho.

    Por outro lado, como poderia saborear cortes suculentos de carne com nomes tao impróprios.

    Sua filha é esperta. Como vegetariana, além de ir direto à fonte, nao é perturbada durante a refeicao.

  10. jorji

    -

    16/10/2009 às 10:59

    Feijão tropeiro, moqueca e feijoada são muito pesados, não sou muito chegado, porém a carne na brasa, gosto mais que lagosta, morei em Tókio um bom tempo, lá não tem restaurante de espeto corrido.


 

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