17/02/2012
às 11:55 \ CenasDa arte de cortar as próprias unhas
Cortar as próprias unhas é um ato prosaico, principalmente para os homens, que não têm em geral – à exceção dos cada vez mais numerosos metrossexuais – a mesma preocupação das mulheres com a aparência das extremidades dos dedos dos pés e das mãos, comuns a todos os vertebrados terrestres (os que não têm mãos e pés as apresentam nas patas, mas esses eu não sei como as aparam). Já que sou guitarrista, só percebo que minhas unhas das mãos cresceram além da conta quando elas começam a atrapalhar minha atividade profissional, brigando com as cordas,  querendo tomar o lugar da palheta e arriscando seus próprios solos.
Minhas unhas não têm a menor musicalidade, garanto. Em geral dou conta de cortar as unhas dos dedos da mão sobre a cama de um hotel, munido dos óculos – já houve tempo em que prescindia deles para a tarefa – e alguma concentração. As unhas da mão esquerda são mais facilmente cortadas, já que com a mão direita opero melhor o complexo aparelho a que chamo carinhosamente de Trim Maia, não sei por quê (às vezes eu o chamo de T.T.Trim, também não sei por quê).
Na hora de cortar as unhas da mão direita sofro um pouco, pois apesar de ser capaz de fazer solos incrÃveis na guitarra apertando as cordas com os dedos da mão esquerda, mal consigo concatená-los na complexa operação de aparar as unhas da outra mão. E há sempre uma dificuldade extra ao aparar a unha do indicador direito, pois depois de mais de trinta anos esbarrando nas cordas da guitarra, ele apresenta uma espécie de cavidade anômala que dói muito ao ser aparada.
As unhas dos pés são um capÃtulo à parte, e aà a maior dificuldade é o alongamento dos braços, que dificultam a operacão podal. E há sempre a complexidade de aparar as unhas do quinto pododáctilo (sim, esse é o inacreditável nome oficial do mindinho do pé, aquele dedinho simpático como um bebê), pois a unha do danadinho parece cada vez menor, como se estivesse desaparecendo (serei um mutante?). Outros pododáctilos também me dão trabalho, pois algumas unhas insistem, quando crescem, em cavar seu caminho de volta para dentro da própria pele. Bom mesmo é quando minha mulher descobre que minhas unhas estão compridas e se oferece para cortá-las. E tem gente que ainda reclama do casamento…
Tags: unhas








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3 Comentários
TaÃs
-07/03/2012 às 18:25
Gostei muito da postagem “Da arte de cortar as próprias unhas”, um texto leve, com um toque de humor e de fácil leitura; me identifiquei com o tema, pois como a maioria das pessoas destras, tenho dificuldades de cortar minhas unhas da mãe esquerda. Me diverti muito lendo. Parabéns!
Paulo
-22/02/2012 às 1:56
Aqui em casa o apelido do aparelho é “cortunha”.
Michelle
-19/02/2012 às 21:37
Tony, não se preucupe até eu que sou mulher sinto um pouco de dificuldade em cortar as cunhas dos pés , mas sem maiores extresses! Um grande abraço!