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28/02/2010

às 20:02 \ Cenas

Abbey Road

abbey-road-beatles

As primeiras notícias davam conta de que o lendário estúdio de Abbey Road, em Londres, seria vendido. O estúdio está imortalizado na capa do disco Abbey Road, dos Beatles, aquela em que os quatro meninos de Liverpool aparecem atravessando a dita rua da abadia em fila indiana. Depois da grande celeuma e comoção generalizada causadas pela notícia, o governo britânico anuncia que o estúdio será tombado como patrimônio histórico. Isso não adocica a constatação amarga que a notícia proporciona: o mercado do disco está não somente em crise, está em colapso, claudicante, agonizando a passos rápidos.

Antes que alguém consiga atravessar a abbey road de um lado ao outro, a indústria do disco não existirá mais. Ela está despencando, rodopiando em queda livre como aquele helicóptero que caiu outro dia em São Paulo. E como diria a mamãe, não adianta chorar. Os indícios estão berrando aos nossos ouvidos, como um ensandecido cantor de heavy-metal. É a crônica de uma morte anunciada, parafraseando García Márquez. Qualquer astrólogo de quinta categoria não tem como errar as previsões para o futuro próximo: o fim do disco e o aquecimento da temperatura na Terra. Batata. Até mesmo seu cachorrinho Rex será capaz de prever isso.

Li na revista VEJA de algumas semanas atrás uma entrevista muito interessante com o escritor inglês Nick Hornby. Nela Hornby divaga sobre o futuro da indústria não somente do disco, mas da indústria cultural como um todo. Ele diz, por exemplo, que daqui a dez anos talvez seja muito difícil fazer dinheiro com música, livros ou filmes. Essa situação poderá afetar a qualidade das obras e, no caso da música, a idade das pessoas que trabalharão no ramo.

É simples: a única maneira de ganhar dinheiro com música será fazendo shows. E como bem observa Hornby, “se você está na faixa dos 40 ou 50 anos e tem família e filhos para cuidar, a estrada não é necessariamente compatível com seu estilo de vida”. Sei do que ele está falando, acredite. Bem, não nos resta muito a não ser esperar para ver. Para os músicos sobrará sempre a glória de um discreto sorriso de vingança: e toda aquela ganância, prepotência e arrogância dos antigos executivos da indústria do disco, por onde andarão?
Livro…
… Já  que falei de Nick Hornby, taí uma boa dica, Alta Fidelidade – que também já rendeu um filme muito bom –, uma boa pedida de leitura para estes dias de apocalipse do disco.

Por Tony Bellotto
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16 Comentários

  1. vicente greco

    -

    22/03/2010 às 13:27

    As pesquisas da indústria cultural apontam que o único produto (mídia) que desce ladeira abaixo e a venda de Cds, todos as outras mídias (cinema, livro, jogo eletronico) estão indo bem.
    dois motivos:
    1 – a preço abusivo de um cd e as consequentes alternativas free (internet e pirata)
    2 – a total carência de verdadeiros músicos e verdadeiras tendências originais – faz tempo que não aparece uma só boa música seja nacional ou internacional, que mais vendeu cds o ano passado foi a lady gaga (cópia barata da medíocre madonna)
    Falta de inteligência = falência já

  2. samir haddad junior

    -

    15/03/2010 às 14:57

    Beatles são chatos para caramba,sou ,mais STONES ,JETRO TULL,YARDBIRDS,CREAM,FACES,LED,FLOYD,THE KINKS,E CLARO YES,UFA…

  3. José Rodrigues

    -

    09/03/2010 às 15:08

    “Outro dia achei lindo o Nando Reis (do alto de seus 30 anos de carreira) relatando na “TV TAM” q tocou num boteco fuleiro no interior do Ceará e que o hotel, q na verdade era uma pensão, tinha um banheiro coletivo. Pra um cara como ele achei aquilo lindo, admirável e respeitoso!”

    Pergunta: o cara tocou lá porque achou lindo ou porque precisa pagar o aluguel no fim do mês? Desculpe mas ninguém aguenta as baladinhas que o sr Nando Reis se dedicou a fazer depois de sua saída dos Titãs, ou suas novas versões. Muito chato, sem gosto, sem graça, sem novidade. Melhor o cara ir jogar dominó na praça. Na minha cidadezinha ele veio tocar com sua viola e não conseguiu encher metade de um teatro com acomodação para 100 pessoas. Vai terminar cantando na churrascaria (ou no banheiro).

  4. Nei Duclós

    -

    05/03/2010 às 10:59

    Digo, Garcia Marquez.

  5. Nei Duclós

    -

    05/03/2010 às 10:58

    Por que as notícias “davam conta de que” no lugar de “diziam” ou “revelavam”? Até quando o título de Garcia Mareuz servirá de lantejoula para artigos e reportagens? Isso já era repetitivo há 20 anos, imagine agora. Vi também que as metáforas estão caprichadas : “berrando aos nossos ouvidos, como um ensandecido cantor de heavy-metal ” ou “rodopiando em queda livre como aquele helicóptero que caiu outro dia em São Paulo”. Tem mais: o estúdio não aparece na capa do disco, é a rua que aparece. Ok, vou ler outro blog. Mas não resisti. Também é preciso avisar aos comentaristas que cds ou dvds piratas não são mais o problema, pois está tudo on line na rede. Custa a cair a ficha geral.

  6. Toninho Leite

    -

    03/03/2010 às 21:52

    Pois é Tony, vc cheio de pensamentos liberais e limando as comentários da gente aqui !

    Abaixo a hipocrisia!

    Ô Batista!?

    Afia 2 !!!

  7. Juliana Amado

    -

    03/03/2010 às 10:26

    Ah, Tony…. eu não seria tão pessimista assim. Acho que pra tudo na vida há solução, menos pra morte (mas a morte é ausência de vida, não é mesmo?).

  8. Marcos Bazzana Delgado

    -

    02/03/2010 às 17:26

    Na minha humilde visão, os músicos são músicos porque possuem algo mais que os “não músicos”. O mesmo talento que os levam a cantar ou a compor despertarão neles o necessário discernimento para não sucumbir a estes percalços, e os farão dar a volta por cima nesta trilha musical que existe desde antes do homem surgir na Terra. O mundo artístico não será extinto, talvez, o que pode ocorrer, será uma “seleção natural” daquilo que é bom e veio para ficar, e do que é passageiro.

  9. Tony (Toninho) Leite 2010

    -

    02/03/2010 às 15:03

    Pois é, será q sua tese pode ser exemplificada pela saída do Charles ?

    Ouvimos dizer que além de TV, ele vai se dedicar outras atividades relacionadas com música, como

    trilhas, produção, garimpagem…

    Eessa crise tb pode tb ajudar alguns artistas do maestrean a sairem da mesmice e se reiventarem.

    O myspace já provou que a indústria fonográfica já foi pro beleléu há anos. As grandes turnês tb

    acabaram. Restou shows em casas noturnas, clubes, bares, botecos.

    Outro dia achei lindo o Nando Reis (do alto de seus 30 anos de carreira) relatando na “TV TAM” q

    tocou num boteco fuleiro no interior do Ceará e que o hotel, q na verdade era uma pensão, tinha um

    banheiro coletivo. Pra um cara como ele achei aquilo lindo, admirável e respeitoso!

    Arnaldo Antunes subiu o morro em BH e foi até a rádio Favela FM dar entrevista sobre o seu novo

    CD/DVD. Foi recebido pelos favelados com aplausos!

    Os Titãs vieram em BH ano passado e recusaram o convite de um amigo de ir numa rádio e TV

    comunitária para promoverem o show e o disco novo.

    Não iriam pagar nada por isso!

  10. Mario Sergio

    -

    02/03/2010 às 12:59

    No meu ponto de vista, acredito que tudo vai melhorar. Sim, as corporações terão que se adequar e muitas deixarão de existir, o que é muito bom., e isso vai dar aos artistas mais voz e poder sobre os seus frutos, os discos dos poucos que existirao terao qualidades porque se nao tiverem ninguem comprará. Sim, sera mais dificil conseguir um disco da sua banda favorita, mas quando conseguir um tera a certeza que tera qualidade japonesa no treco, apesar que os japoneses tbm estao caindo no mainstream (caso toyota).

    nao quero ser pessimista, mas o futuro da musica e da arte so vai aumentar a sua qualidade porque todos voltarao para o underground onde tudo comeca e e no underground que nascem as tendencias. nao e?

    tem muita coisa boa rolando por ai, tem muito cd/lp de artista que sou louco para ter, mas que apesar de estarem acessiveis via internet, sao praticamentes aliens nas prateleiras… acho isso muito bonito… porque a independencia é alem de tudo, uma oportunidade de renovacao.

    http://mariosergio.tumblr.com/

  11. Jaime

    -

    02/03/2010 às 12:41

    Caro Tony,

    Os shows são o termometro da empatia entre publico e artista.Se não fosse a decadência do disco talves os Stones nunca tivessem pisado no Brasil.Citando Milton Nascimento “o artista tem que ir aonde o povo está…´´

  12. alvaro

    -

    01/03/2010 às 20:12

    embora eu tenha nostalgia da era do disco de vinil,com sua capas maravilhosas,grandes bandas grandes albuns(a era de ouro do rock) a de se reconhecer que hoje,com a internet e o ipod,a musica esta muito mais disponivel do que era nos anos 70/80.
    eu profetizo sim (infelizmente)o fim dos albuns,os artistas váo so produzir singles isolados e voltados para publico de show,tal como era a musica pop dos anos 50

  13. jorji

    -

    01/03/2010 às 16:10

    Andrea, justificar a compra de CD pirata por causa do preço do original, isso significa que todo pobre pode roubar?

  14. Andréa

    -

    01/03/2010 às 10:02

    CDs são muito caros. A renda média do trabalhador brasileiro não o permite dar-se ao luxo de só comprar CDs autênticos. E como gosta da música, compra o CD que está ao seu alcance: o ‘pirata’.
    Eu não compro CD ou DVDs ‘piratas’, mas compro muito menos do que gostaria, em razão do valor.
    Se a indústria gravadora tivesse os pés plantados no chão e fizesse algo que as pessoas pudessem comprar/pagar, nem as gravadoras estariam chegando ao fim, e nem os músicos precisariam ‘morrer’ de trabalhar, fazendo inúmeros shows pra ganhar a vida.
    Mas esse ramo anda na contra-mão da realidade…

  15. Bruno Coelho Leuenroth

    -

    01/03/2010 às 9:45

    Tony, como nos mostra a Veja da semana passada, há uma certa dose de mentira nas previsões catastróficas para o aquecimento global, quem sabe a indústria da música não descobre meios para sobreviver também? O modelo da iTunes store é uma boa alternativa? Abraço, parabéns pelos sempre ótimos textos e pela eterna música!!!

  16. Lenicio Carneiro

    -

    01/03/2010 às 8:41

    Caro Tony,

    O curioso das previsões é que a temperatura da terra vem diminuindo nos últimos anos. Então talvez a indústria do disco tenha salvação.

    Lenicio


 

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