08/03/2010
às 6:23 \ ArquivoQ.I.
Fiquei sabendo, aqui em VEJA.com, que uma pesquisa divulgada pela revista Social Psychology Quarterly mostra que homens que traem suas parceiras tendem a ter o Q.I. mais baixo, enquanto ser fiel a mulheres e namoradas é sinal de que eles são mais inteligentes e “evoluídos”. Tudo bem, cada um que faça sua própria avaliação, não estou aqui para dividir os homens entre aqueles que tendem a ter Q.I. baixo e aqueles que são “evoluídos”. Acho, aliás, tudo isso uma besteirada sem tamanho, se você quer saber. Trair – êta verbinho pesado – ou não trair é uma questão individual, que cada um – ou cada casal, ou trio, ou quarteto – resolve entre si.
Alguém tem notícia de palhaçada maior do que aquele pedido de “desculpas” públicas protagonizado pelo Tiger Woods? O que foi aquilo? Fiquei com pena do cara. E não foi por cumplicidade machista, juro. Considero-me evoluído. Nem por ser fã de golfe, que entendo como maçante e um pouco esnobe. É que achei aquele espetáculo do Tiger Woods na tv o fim da picada. De um moralismo ridículo. A quem um homem deve desculpas por ter traído – perdão pela insistência, palavrinha pesada, essa – a mulher? À própria mulher, e ninguém mais. O tipo da coisa que se resolve (ou não se resolve) em casa. A famosa roupa-suja. Tudo bem, alguém pode argumentar que o pedido de desculpas foi movido muito mais por interesse financeiro – leia-se contratos publicitários que Tiger está perdendo por conta de suas “puladas de cerca” – do que por arrependimento e compaixão conjugal. Pior ainda. O que se espera de Tiger Woods? Que jogue golfe e vença torneios. O que faz de Tiger Woods um ídolo? Sua excelência na técnica do esporte. Por que se exigiria que ele fosse, além de um fenômeno do golfe, um exemplo de comportamento conjugal?
Já imaginou se adotássemos o mesmo modelo de moralismo norte-americano? O que seria de nossos craques de futebol, por exemplo? De nossos artistas? Ok, não vou generalizar, alguns de nossos craques e alguns de nossos artistas. Talvez até mesmo alguns de nós, não? Ainda bem que, nesse ponto, damos de mil nos irmãos do norte. Lembro do escândalo Mônica Lewisnky, durante o governo Clinton. Bill Clinton quase foi obrigado a renunciar à presidência da república por ter brincado com uma estagiária e um charuto na sala oval da Casa Branca. O homem fazia um governo exemplar e não teve o direito sequer de dar uma “escorregada” conjugal. Na época, num artigo brilhante, ninguém menos que Gabriel García Márquez saiu em defesa de Clinton. Logo o García Márquez, fã incondicional de Fidel Castro. Não sou nenhum Gabo, mas registro aqui minha solidariedade ao Tiger Woods. Mesmo que ele tenha o QI baixo.
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