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Arquivo de 4 de março de 2010

04/03/2010

às 20:55 \ Arquivo

Desterro

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Agentes de segurança iranianos sequestraram o diretor de cinema Jafar Panahi na noite de segunda-feira e desde então o paradeiro do diretor é desconhecido. Ele estava acompanhado da mulher e de uma filha, que também foram levadas e permanecem desaparecidas. O sequestro de Panahi expõe a ferida do totalitarismo e a chaga da intolerância aos olhos públicos. Panahi é um diretor conhecido e premiado internacionalmente e aborda em seus filmes questões sociais da República Islâmica, principalmente a questão da mulher, o receptáculo final de toda a intolerância e preconceito do regime islâmico.

Não é de estranhar que, além do diretor, tenham levado junto sua mulher e sua filha. Mesmo quando acusam um homem de alguma coisa, dão um jeito da mulher também pagar o pato. Pahani, diretor de filmes consagrados como O Balão Branco, O Círculo e Fora do Jogo, já é perseguido há muito tempo pela política obtusa de Ahmadinejad. Seus filmes quase nunca tem permissão para serem exibidos no Irã, quando não são abertamente censurados. Isso não impediu que Pahani tenha vivido há pouco tempo uma situação paradoxal, e ridícula, bastante reveladora de nossa época: convidado a apresentar O Círculo nos Estados Unidos, teve o visto de entrada ao país negado, pois o fato de ser iraniano o associava – segundo o pensamento do governo Bush – aos atentados de 11 de setembro.

Pouco depois, convidado a voltar ao festival de Berlim, que já premiara Fora do Jogo, foi impedido de sair do Irã. Pahani, por seu espírito crítico e seu apreço à liberdade, é mais uma vítima dessa grande guerra da intolerância, que é também a guerra da ignorância, que condena homens e mulheres de espírito livre ao desterro, mesmo quando estão dentro de suas próprias casas.

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O Balão Branco, de Jafar Pahani. A aventura da menina Razieh em busca do peixinho dourado dos seus sonhos mostra o talento e a sensibilidade de Pahani, que junto com alguns outros diretores, faz do cinema iraniano uma voz de insubmissão e resistência à intolerância do regime islâmico.

Por Tony Bellotto


 

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