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Arquivo de 12 de fevereiro de 2010

12/02/2010

às 11:29 \ Pessoas

Boa viagem, vizinho!

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O prédio onde moro aqui em Ipanema tem algumas peculiaridades. Aparentemente um edifício comum, desses que se erguem não muito altos (cinco andares) pelas alamedas ensolaradas do bairro, revela-se único a um olhar mais atento. Abriga uma memória triste e outra feliz de nossa história. Situado na rua Nascimento Silva, rua imortalizada por Vinícius e Toquinho em sua Carta ao Tom (não, não moro no número 107, ali morou o Tom, não o Tony), foi a última morada do general Castelo Branco, o primeiro presidente da ditadura militar, que daqui zarpou numa viagem da qual não regressaria. Um voo nos céus do Ceará onde nascera conduziu-o à morte. Há até hoje especulações de que o acidente aéreo que o vitimou teria sido proposital. É o que dizem também do acidente automobilístico que matou Juscelino Kubitschek na via Dutra (outro presidente). Pelo jeito, presidentes e ex-presidentes não têm o direito de morrer em acidentes. Acabam, de uma maneira ou de outra, dando nomes a rodovias e aeroportos. Mesmo que se discorde – e eu discordo! – das posições políticas do general Castelo Branco, não há como negar que ele faz parte da história do Brasil. Uma parte trágica dessa história, com certeza.

Então meu prédio abriga uma parte triste da história do nosso país. Mas abriga igualmente uma parte feliz dessa mesma história. E agora eu falo de um vizinho – por muito tempo também o síndico – de que me orgulho muito. Orlando Peçanha, um dos titãs do futebol brasileiro, zagueiro titular – ao lado de Bellini – da seleção que conquistou nossa primeira Copa do Mundo em 1958 na Suécia. Ontem acordei com a triste notícia de que o Orlando morreu. É estranho perder um vizinho. Porque vizinho não é amigo – embora sejam, em alguns casos. Às vezes se tornam inimigos também, e dos mais ferrenhos.

Não era o meu caso com o Orlando. Nem amigos, nem inimigos, vizinhos simplesmente. Tínhamos uma convivência esporádica e pacífica, composta de bons dias e boas noites, mas sempre com olhares simpáticos e sorrisos mútuos. Não sei se ele curtia rock and roll, mas eu sempre o olhava com admiração. Além da participação nas Copas de 58 e 66 (a copa de 62 ele não jogou por estar atuando no futebol argentino, defendendo a zaga do Boca Juniors), Orlando foi várias vezes campeão pelo Vasco, Boca Juniors e Santos, o glorioso alvinegro praiano, que vem a ser o meu time de coração (hoje em dia ele divide a vaga com o Flamengo, que me conquistou pelos corações dos meus filhos e o da minha mulher). Quando Castelo Branco morreu, eu ainda não morava aqui. Se morasse, não sei se teria desejado a ele uma boa viagem naquele julho cinzento de 1967. Também não consegui me despedir do Orlando Peçanha. A ele eu teria desejado sorte. Fica então registrado aqui, vizinho campeão, meu desejo de uma boa viagem.

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…Futebol e Rio de Janeiro inspiram a música de Benjor, o imortal Jorge Ben para os íntimos. A recém lançada caixa de CDs SALVE, JORGE! que reúne seus sucessos e algumas raridades é absolutamente imperdível. Boa pedida para o Carnaval (e para a Páscoa, Dia dos Namorados, das Mães, dos Pais, da Criança etc).

Por Tony Bellotto


 

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