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Arquivo de novembro de 2009

26/11/2009

às 21:38 \ Brasil

A culpa é minha

Getty
O apagão de Ipanema foi muito pior pra mim que o apagão da Dilma e do Lobão. Digo de Ipanema porque ainda não sei a quem creditá-lo, ao Eduardo Paes, ao Sérgio Cabral, ou à Dilma e ao Lobão mesmo. Ou boto a culpa toda no Lula logo de uma vez? Tenho medo de ser perseguido pelas patrulhas lulistas, vou me contentar por ora com Apagão de Ipanema, pois soa mais poético e impessoal. Lembra um primo pobre da Garota de Ipanema, Tom e Vinícius que me perdoem.

O apagão da Dilma durou, aqui em casa, pouco mais de três horas, se não me falha a memória (brasileiro não tem memória), e o apagão de Ipanema, dois dias, nas minhas contas. O apagão de Ipanema esteve mais próximo de um cenário End Of The World. Não seria tudo simples estratégia de propaganda do filme 2012? Acho que não, já que cinemas também ficaram sem luz. Talvez tenha sido uma vingança pessoal, dirigida a mim, de Dilma e Lobão por eu ter reclamado numa crônica do outro apagão. Tá bom, tá bom, megalomania tem limite. Menos, Tony, menos.

Uma vingança das lides governistas contra a zelite? Quer coisa mais zelite que Ipanema? Ou um projeto top secret de igualdade social, pra ninguém dizer que só o pessoal da perifa e da zona norte é que se ferra? Menos, Tony, bem menos. Nesse caso, melhor seria botar às escuras a rua Oscar Freire e o bairro de Vila Nova Conceição em São Paulo, por exemplo. Lá tem muito mais zelite que Ipanema, com certeza.

Ok, pensemos em outras possibilidades. O Serra, de novo? Sempre sabotando o governo, de uma forma ou de outra. Ou será o apagão de Ipanema um resquício tardio da herança maldita de FHC? Tudo é possível. Rola também um boato de que a Cemig, ao comprar a Light, teria colocado dedo do Aécio nesse apagão. Mas logo em Ipanema, onde o Aécio é visto volta e meia, feliz como pinto no lixo? Tá difícil encontrar o culpado. Os ventos uivantes e os rútilos relâmpagos por aqui não foram testemunhados, portanto não podemos culpar as mudanças climáticas, essa verdadeira Geni dos tempos modernos, culpada de tudo que não conseguimos explicar.

Não sei, de alguma forma tenho a sensação de que a culpa do apagão de Ipanema é minha, não sei por que. Ao ver meu amigo Tande passando pela minha rua cabisbaixo, muito provavelmente chateado pelos prejuízos sofridos por seu excelente restaurante Cria da Terra, quase pedi desculpas. O mesmo ocorreu com meu cunhado, pediatra, que perdeu várias vacinas no consultório pela falta de refrigeração. Desculpe, implorei ao jantar. É isso, estou convencido: o culpado pelo apagão de Ipanema sou eu.

É Proibido FumarFilme…

É Proibido Fumar, de Anna Muylaert, estreando nos
cinemas, depois de arrebatar quase todos os prêmios
disponíveis no Festival de Brasília. Meus amigos Glória
Pires e Paulo Miklos arrasam na interpretação do casal
protagonista. Cinema inteligente, criativo e humano.
Nota dez

Por Tony Bellotto

23/11/2009

às 10:19 \ Brasil

Bobão

marionete

Participei da campanha de Mário Covas para presidente, dando um depoimento para seu programa de TV no horário eleitoral. Confiava nele, adorava seu jeito – peculiar para um político – de homem comum, bem intencionado e sincero. Nunca me arrependi de ter participado da campanha do Covas. Não encontro mais políticos como ele por aí.

Participei também, com os Titãs, da campanha do Lula, no segundo turno da eleição que ele acabou perdendo para o Collor. Tocamos num show pró Lula em Salvador. Foi a única vez em que o vi pessoalmente. Também não me arrependo de ter participado desse show. A história confirmou que eu estava certo quando as maracutaias do Caçador de Marajás vieram a público algum tempo depois.

Mas não sei como reagiria se, naquele palco em Salvador, uma mãe de santo do Gantois me dissesse, “se liga, mané, daqui a alguns anos o Lula e o Collor estarão abraçados, pisando o mesmo palanque, com interesses políticos comuns”. Eu teria dito: “Pirou, baiana? Me dá um pouco dessa cachaça que você bebeu, tô muito careta…”. Hoje me sinto meio bobo de ver o Collor e o Lula lado a lado, amigões da vida toda. Tudo bem, o próprio Lula já se explicou, parafraseando o grande Raul : “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante…”. E tem o Sarney, o Jader, o Jefferson… haja, metamorfose, presidente. Dá-lhe, Kafka! Pena que nosso presidente, confessadamente, não é chegado a uma leitura.

Tocamos também, os Titãs, num comício na campanha do FHC para a prefeitura de São Paulo, na eleição que ele acabou perdendo para o Jânio. Uma das causas de sua derrota, dizem, foi ter se declarado ateu. Não foi sem espanto que anos depois, já na presidência, vi o FHC se unir ao ACM em nome da governabilidade. Imagino que FHC, a essa altura, não se declarasse mais ateu.

Com o tempo fui percebendo que o jogo político é muito complexo. E que eu sou mesmo um trouxa. Não consigo entender o que passa na cabeça desses caras. Sou muito bobo pra isso. Me falta malícia. Mas aprendi que muitas vezes o que eles dizem é exatamente o contrário do que querem dizer. Por exemplo, esse encontro do Ciro e do Aécio. Os governistas vivem dizendo que o Aécio seria um candidato mais forte, portanto mais difícil de ser derrotado. Então eles resolveram confessar isso assim, de mão beijada? Acreditam mesmo que o Aécio é o candidato mais forte e resolveram fortalecê-lo, dando uma mãozinha para o PSDB se decidir logo? Jura? E o Ciro? Disse que se o Aécio for o candidato do PSDB, ele desiste de sua própria candidatura. É mesmo? A única motivação dele é se opor ao Serra? Eu não aprendo, não tem jeito. Na última campanha para prefeitura do Rio, dei um depoimento a favor do Gabeira no programa eleitoral, e não me arrependo. De bobo, passei a bobão. Estou evoluindo.

 
livroLivro…

O Seminarista, de Rubem Fonseca. Romance novo do Rubem Fonseca, um escritor que sabe que as palavras são importantes demais para serem tratadas como bala de padaria.

Por Tony Bellotto

19/11/2009

às 23:19 \ Brasil

Verdade nua

Modigliani (Reprodução)

Em seu livro A Arte de Escrever, o filósofo alemão Schopenhauer afirma que A verdade fica mais bonita nua, e a impressão que ela causa é mais profunda quanto mais simples for sua expressão. O grande Schop se refere aqui à clareza de expressão na escrita, mas podemos adaptar o conceito a outras áreas. Uma verdade se evidenciou nesse episódio da expulsão da estudante Geisy Arruda pela faculdade Uni(tali)ban: o preconceito que existe não só contra as mulheres, mas contra a nudez em si. Não sei se um rapagão que chegasse seminu às aulas teria sofrido os mesmos insultos que sofreu Geisy – é claro que as mulheres são sempre muito mais destratadas -, mas é provável que o varão seminu também causasse algum alvoroço.

Não estou aqui defendendo a tese de que alunos devam comparecer às aulas pelados, mas é inegável que esse acontecimento serviu para, desculpe o trocadilho, desnudar alguns preconceitos latentes entre nós. Quanto mais reacionária e opressiva uma sociedade, mais ela combate a nudez. O que a nudez esconde de tão perigoso? Não nascemos todos nus, afinal de contas?

Até mesmo Adão e Eva, antes de cometerem a besteira de comer aquela maçã apetitosa, andavam nus pelo paraíso, balangando inocentemente suas genitálias ao sabor do vento. Quando Colombo, e depois Cabral, chegaram à nossa América, os verdadeiros donos da terra, os índios, andavam nus sem o menor problema.

No Brasil, somos famosos por nossas mulheres seminuas nas praias, nos desfiles de carnaval, nas tribos e nas ruas das cidades calorentas. Qual o problema, afinal? O que membros sexuais têm de tão ameaçador?

É provável que, a essa altura, Geisy já tenha recebido um convite da Playboy para posar nua. E Fernanda Young, na mesma Playboy, fez de sua nudez um ato político de confrontação a nossas caretices. Na Universidade de Brasília alunos se despiram em solidariedade a Geisy.

Quer saber? Resolvi tirar a roupa também. Escrevo essa crônica pelado, em solidariedade a Geisy. Tô pelado, oba! Viva a nudez! Se alguém quiser me acompanhar, enquanto lê a crônica, sinta-se à vontade.

1492DVD…

…1492, A Descoberta Do Paraíso, filme de Ridley Scott,
com Gerard Depardieu no papel de Colombo, narra a
descoberta da América. Uma aula de História, numa
interpretação sensacional de Depardieu

Por Tony Bellotto

16/11/2009

às 17:31 \ Arquivo

Apagão

getty
O ministro – com seu jeitão de figurante de filme do Zé do Caixão – tentava explicar a razão do apagão inesperado. Algumas palavras eram balbuciadas com aquela certeza sobre o nada que só os políticos têm: “Eventos climáticos”, “chuvas torrenciais”, “ventos fortíssimos”. Com a cara de quem acabou de cair da cama (ou de que foi arrancado dela), como um zumbi empedernido do planalto, o ministro só conseguiu reafirmar a convicção daquele que profere: “Só sei que nada sei”.

É provável que em alguns mal iluminados redutos petistas plantonistas imaginassem em nebuloso delírio José Serra manchado de graxa, segurando uma chave inglesa na mão, sorrindo um meio sorriso transilvânico ao escapar sorrateiramente de Itaipu depois de sabotar alguma engrenagem. Qualquer coisa ruim que acontece no governo é sempre culpa do Serra, já repararam?

Por outro lado, pode-se imaginar também uma reunião secreta à meia-luz, em plena madrugada, com oposicionistas brindando com champanha quente – as geladeiras estavam desligadas – o tropeço do governo. “Não lhes perdoaremos o blecaute!”, bradaria babando borbulhas um velho cacique do DEM, a tintura negra do cabelo a escorrer lentamente pela testa suarenta. Enquanto isso, nalguma esquina sinistra de qualquer cidade brasileira, um grupo de bandidos doidões de crack organizava – à luz de cachimbos – um arrastão halloween, aproveitando aquela máxima que diz que à noite todos os gatos são pardos.

Aqui em casa eu tentava dissipar a depressão de meus filhos – como quaisquer adolescentes que se prezem, meus filhos são dependentes de tv, computador, jogos eletrônicos e ar-condicionado – com histórias pra boi dormir de minha longínqua infância, quando viajava com a família para um rancho à beira do rio Paranapanema em que não havia luz nenhuma à noite, e só o coaxar dos sapos, cricrilar dos grilos e piscar de vagalumes proporcionavam algum lazer. Acabei jogando uma partida surrealista de xadrez com meu filho Antônio, numa peleja em que bispos eram confundidos com peões e torres com cavalos no negror do tabuleiro onde todas as peças e casas eram pretas. Se no futuro teremos de conviver com surpresas assim, proporcionadas por essa entidade nebulosa a que chamamos genericamente de “mudanças climáticas”, a noite do blecaute serviu como um belo ensaio.

adeus lenin

 

DVD

Adeus, Lênin, em comemoração aos vinte anos da queda do Muro de Berlim,
uma bem humorada reflexão sobre o momento histórico em que o Muro veio
abaixo, tempos em que a paranóia do momento era a guerra
nuclear e não as mudanças climáticas.

Por Tony Bellotto

12/11/2009

às 22:09 \ Cenas

Cosmococa

200158993-001

Eu estava na festa de aniversário do meu primo Rogério e iniciei a discussão, relatando minha indignação com o fato de meus filhos – 14 e 12 anos – terem sido barrados na entrada do cinema por duas vezes, ainda que acompanhados por mim. A primeira no filme Bruno, a segunda nos Bastardos Inglórios.  “Mas menores acompanhados dos pais não podem entrar?”, protestei frente a um atônito bilheteiro. “A ditadura já acabou! Eu é que sei o que meus filhos podem ver ou não! Nenhum estado vai me dizer o que meus filhos devem ou não devem assistir! Nenhuma pátria me pariu!”, insisti, a baba do ódio escorrendo viscosa queixo abaixo. “Já me proibiram no passado de assistir ao Último Tango em Paris! Ao Je Vous Salues Marie! Que porra de democracia é essa? A censura é um câncer!”.

“Senhor Tony”, contemporizou o bilheteiro gente boa, “desculpe, não podemos fazer nada. Um juiz baixou uma liminar. Menores de 18 anos não podem assistir a esses filmes. C’est la vie…”, concluiu, demonstrando uma erudição e uma ironia que haviam me passado despercebidas até então.

Pois é, eu reclamava indignado sobre essa situação na festa, e alguns comensais discordaram, alegando que existem muitos pais burros e despreparados e que deve sim haver uma censura que “proteja” os menores. “Protegê-los de quê?”, objetei. “Se podem ver o Sarney na TV! Lutas sangrentas de ultimate fighting! Helicópteros explodindo em tiroteio na Vila Isabel!”. Se jovens já podem votar aos 16 anos por que não podem assistir a um filme como o do Tarantino, que faz uma reflexão divertida e inteligente sobre a violência, a intolerância e o racismo?

Bem, não chegamos a consenso algum, como é de praxe em discussões do gênero. Mas lá pelas tantas, o cineasta Neville de Almeida, que também estava na festa, se aproximou de mim e disse: “Até o pai burro, Tony, sabe mais do que é melhor para o próprio filho do que o estado, que é sempre acéfalo e corrupto”. Grande Neville. Iniciamos uma conversa ali, falamos sobre Helio Oiticica, o genial, visionário, ousado, abusado e libertário artista plástico carioca morto em 1980.

Lembrei de uma performance do Hélio que presenciei num estacionamento na rua Augusta em São Paulo ainda no final da década de 70. Neville também estava lá. Ele me contou do projeto que criou com o Helio, o Cosmococa, e do livro que está por lançar sobre a experiência. No dia seguinte, quando liguei o computador, li sobre o incêndio que destruiu grande parte da obra do Hélio Oiticica. Pais burros e inteligentes, menores protegidos e desprotegidos, artistas, operários, marginais, juízes, todos nós brasileiros tivemos bons pedaços de nosso patrimônio cultural, identidade e inteligência reduzidos a cinzas nesse incêndio.

Filme…
… Contra todas as censuras e a favor da inteligência, Bastardos Inglórios, Tarantino em grande forma!

Por Tony Bellotto

09/11/2009

às 17:47 \ Arquivo

South American Way

Getty
Semanas atrás milhares de ativistas em defesa dos direitos dos homossexuais fizeram uma passeata em Washington, capital dos Estados Unidos. Cobravam a promessa de campanha de Barack Obama de levar adiante projetos e leis de proteção aos direitos civis dos gays. No dia anterior Obama anunciara que vai acabar com as restrições que impedem homossexuais de servirem no exército norte-americano. Os ativistas pleiteiam agora mais direitos nas parcerias e casamentos entre pessoas do mesmo sexo.

Enquanto isso, no Brasil, uma parada gay foi proibida na cidade de Caxias, no estado do Rio. A prefeitura alegou que o evento provocaria cenas obscenas. Nem a presença do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, foi suficiente para a liberação da parada em Caxias. Não me consta que as paradas gay que se realizam anualmente em São Paulo e no Rio promovam cenas diferentes das exibidas em qualquer desfile de carnaval, televisionados e curtidos por tradicionais famílias brasileiras do Oiapoque ao Chuí. Será que por trás dessa alegação da prefeitura de Caxias não se insinua um preconceito? O de entender como obscenidade a simples manifestação do orgulho homossexual? Será?

Enquanto isso, por aqui, diferente do que acontece nos Estados Unidos, as lutas pelos direitos dos homossexuais caminham a passos de tartaruga manca, entravadas pelo abominável e intransponível trio MHP: Moralismo, Hipocrisia e Preconceito, sempre com a ajuda inestimável das religiões e seus zelosos e vigilantes pastores. Êta parada dura. O próprio ministro Minc foi vítima, há semanas, da incontinência homofóbica de um governador que assegurou que “estupraria” o ministro em praça pública – depois de chamá-lo de veado e maconheiro – caso ele desse as caras pelo Mato Grosso do Sul. Alô, alô, Freud! Num país decente tal afirmação seria suficiente para que o governador fosse zunido do cargo. Mas vivemos no Brasil, né? Tudo certo, baby. Estamos nos guardando pra quando o carnaval chegar.

bruno-filmeFilme…


Bruno, que diverte e reitera que toda a grande comédia é iconoclasta e devastadora. Não sobrará preconceito sobre preconceito!

Por Tony Bellotto

05/11/2009

às 22:38 \ Cenas

Derrubar gigantes

marcha-evangelica

Acordei num sobressalto, olhei a primeira página do jornal e vi o senador Marcelo Crivella e os bispos evangélicos Sonia e Estevam Hernandes acenando do alto de um trio elétrico para uma multidão GLS na parada gay. É isso mesmo? Meus óculos! Estou vendo coisas? Estava. Os óculos corrigiram meu desvario óptico matinal: tratava-se de uma parada evangélica, com o sugestivo nome de “marchando para derrubar gigantes”.

Os gigantes – na verdade, as gigantes - a que se referem os religiosos, segundo o jornal, são as diabólicas irmãs siamesas Discriminação e Incompreensão, essas baleias do inferno dignas de toda a extinção. Esqueceram da irmã mais velha, a Intolerância, igualmente execrável. Caramba! E eu que fui dormir achando que os religiosos é que eram os preconceituosos. Apesar da força poética do nome, poderiam ter facilitado nossa vida denominando a passeata de “marchando para derrubar a discriminação e a incompreensão”. Afinal, vindo de um grupo religioso, qualquer ambiguidade pode ser mal compreendida (e até incompreendida). Imaginem um grupo de talebans marchando para derrubar gigantes.

Imediatamente pensaríamos em prédios de Wall Street desabando sobre nossas cabeças. Há quem diga que a marcha evangélica, no entanto, não passou de um ato de desagravo ao casal de bispos Hernandes, condenados pela justiça americana, mas prefiro crer em possibilidades mais magnânimas e libertárias. Sou, afinal de contas, um daqueles sonhadores de que falava John Lennon, o antigo compositor britânico. E não estou sozinho.

O bom disso é que, ao se comprometerem contra o preconceito religioso, os religiosos automaticamente se comprometem contra qualquer preconceito. Como bem sabe qualquer criança minimamente informada, não importa a que modalidades estejam aplicadas, discriminação e incompreensão (e intolerância) são sempre inaceitáveis. De agora em diante estaremos atentos às posturas evangélicas quanto a questões espinhosas como união homossexual, homofobia, pesquisas científicas com células tronco embrionárias, respeito à laicidade do estado etc.

Em contrapartida, respeitaremos igualmente espíritas, católicos, umbandistas, judaístas, testemunhas de Jeová, adventistas, evangélicos, islâmicos, batistas, muçulmanos, budistas, cristãos, crentes, descrentes, pagãos, agnósticos e ateus (perdoem-me os grupos não citados, não é discriminação e incompreensão, é esquecimento e ignorância mesmo). Qualquer hora me abalo pra cima de um trio elétrico desses com o Saramago. Me aguardem.

DVD…
….Crash, filme que investiga o preconceito e a intolerância nos dias de hoje, com uma visão ao mesmo tempo crítica e humanista.

Por Tony Bellotto


 

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