Blogs e Colunistas

Arquivo de setembro de 2009

29/09/2009

às 13:46 \ Cenas

Aranjuez

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Quando eu era criança meus pais viviam viajando. Ora acompanhados dos filhos – eu e minha irmã -, ora apenas os dois juntos e muitas vezes sozinhos, cada um na sua. Não foi à toa que começaram o namoro num trem, ainda universitários. Por conta do trabalho (professores de História, minha mãe também arquivista, e ambos pesquisadores) passavam longos períodos fora de casa. Nos acostumamos todos a esse modo de vida um tanto inconstante, porém interessante, como são todas as experiências de vida, cada uma a sua maneira.

Não sei quanto desse hábito familiar se repete em minha própria opção profissional, autêntico saltimbanco eletrônico que me tornei. Lembro-me de uma tarde em que viajávamos num ônibus pela Espanha eu, minha irmã e minha mãe, ainda na década de 60. No meio de uma paisagem arenosa e desolada envolvida por céu azul, o Concerto de Aranjuez começou a tocar no rádio dentro do ônibus. Minha mãe irrompeu num choro, emocionada pela beleza da música, pela melancolia da paisagem e pela poesia estranha da vida.

Eu, menino, não consegui entender aquele choro. “O que foi, mãe?”, perguntei. “Aconteceu alguma coisa?” Para mim, naquela época, só se chorava por dor ou algum desconforto físico muito intenso. “Nada, filho”, ela respondeu. “É a música, o céu, a Espanha…”. Aceitei a explicação, embora não a tenha compreendido então. Minha mãe mantém até hoje essa “coceira nos pés” e consegue a façanha de, aos 74 anos, passar metade do tempo em São Paulo, metade em Lisboa, onde trabalha.

Como vivo no Rio, nos vemos pouco. Outro dia, eu estava em São Paulo para a estreia do novo show dos Titãs, Sacos Plásticos. Os dias que antecedem uma estreia são cheios de compromissos, ensaios, divulgação em rádio, tv e jornais, reuniões com cenógrafos, técnicos, iluminadores etc. Mesmo sabendo que minha mãe viajaria no sábado – dia da estreia- para Portugal (de onde só voltará em janeiro do ano que vem), não consegui vê-la até sexta feira à noite.

Antes de dormir, pensei em convidá-la para o café da manhã e aplacar minha culpa de filho desnaturado. Como já era tarde, deixei para ligar no próprio sábado bem cedo. Não foi preciso, no sábado de manhã acordei com um telefonema de minha mãe avisando que já estava a caminho do aeroporto. O voo que a levaria a Portugal era diurno! Nos despedimos por telefone mesmo. Alguns minutos depois, desci ao saguão do hotel com meu filho Antônio para tomar café. Quando saio do elevador, numa dessas coincidências significativas e reveladoras, o Concerto de Aranjuez invade o saguão – e a minha alma – de lembranças, nostalgia e emoções contraditórias. Comecei a chorar. E o Antônio: “O que foi, pai? Aconteceu alguma coisa?”.

 

CDs…

O Concerto de Aranjuez, de Joaquín Rodrigo. Belíssimo concerto, um dos mais inspirados trabalhos de música clássica para violão, composto em 1939 pelo grande instrumentista e compositor espanhol, pode ser encontrado em diversas versões. A de Miles Davis, em que o violão é substituído pelo trumpete, é muito interessante.

Por Tony Bellotto

24/09/2009

às 20:23 \ Cenas

Champanhe, por favor!


O governador do Mato Grosso do Sul, André Pucinelli, num encontro com produtores de cana, disse que o ministro do meio-ambiente é veado e fuma maconha. E que se o encontrasse na meia-maratona a se realizar em Campo Grande, o governador correria atrás do ministro e o estupraria em praça pública. Aos saber das declarações de Pucinelli, Minc – com aguda presença de espírito – redarguiu: “Eu que sou veado e ele é que quer me estuprar?”.

Hum…

No mesmo dia em que o nobre governador proferia suas inacreditáveis baboseiras, reveladoras – além de truculência e intolerância – do mais torpe preconceito, nosso querido Romário, o gênio do futebol, anunciava sua entrada no campo lamacento e esburacado da política. Ao assinar sua filiação ao PSB, declarou-se muito feliz por “fazer parte do PSDB, um partido sério”.

Hum…

Enquanto isso, em Rio Branco, no Acre, o deputado cassado Hildebrando Pascoal – acusado de assassinato numa célebre sessão de tortura em que a vítima, o Baiano, foi esquartejada e que ganhou fama nos jornais brasileiros como “o crime da moto serra” – afirmava que o culpado do crime não é ele, mas um policial já falecido. “Eu queria o Baiano vivo, não morto”, declarou Hildebrando. “Mas não seria desonra nenhuma ter matado ele, já que ele matou meu irmão”.

Hum…

Entre tantas revelações interessantes – e de elevado nível moral – ficamos sabendo de um grampo telefônico da PF em que o empresário Fernando Sarney, filho desse mesmo que você está pensando, aquele do bigode, declara num telefonema ao filho: “Boto quem eu quiser no Senado!”.

Hum…

Outro dia, numa crônica antológica, Arnaldo Jabor, desiludido pelo panorama geral e estado das coisas no Brasil e no mundo, perguntava-se, inspirado por uma velha canção de Cole Porter (rondam minha cabeça questões conflitantes/ devo pedir cianureto ou champanhe?): “Devo pedir ao garçom uma pílula de cianureto ou uma flûte de champanhe rosé?”

Champanhe, Jabor. Entre cianureto e champanhe, champanhe sempre. Que nos reste pelo menos o prazer de rir de toda essa desgraça. Garçom! Duas, por favor.

CDs…

… de vários grandes intérpretes que cantaram – e imortalizaram – canções de Cole Porter. Canções como Get Out Of Town, Night And Day, I Get A Kick Out Of You, I Love Paris e I’ve Got You Under My Skin, por exemplo, podem ser apreciadas nas vozes de Ella Fitzgerald, Frank Sinatra e Billie Holliday, só para citar três dos maiores cantores americanos do século XX.

Por Tony Bellotto

21/09/2009

às 9:52 \ Viagem

Correndo

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Eu poderia dizer que é uma forma rápida de fazer turismo. Ou uma maneira eficaz de manter a saúde. Um tipo novo de meditação em movimento. Um passatempo em manhãs ociosas enquanto o resto da galera ainda não acordou. Ou tudo isso junto. Talvez apenas uma maneira de lutar contra a ansiedade. Costumo correr pelas cidades que visito.

Às vezes a trabalho, às vezes de férias, corro logo que acordo. Outro dia, por exemplo, estava em Belo Horizonte e corri por uma avenida à beira de um canal. Não vi nada de mais, nada que atestasse a mineirice do local. Eu não estava correndo em torno da lagoa da Pampulha – aliás, um lugar bem mais bonito do que a avenida em que eu corria -, mas o bom de minhas corridas é isso mesmo: não há um roteiro pré-determinado. Não é um turista correndo. Muito menos um morador da cidade. Atleta, nem pensar. Não, não sou um jogger.

Gosto de me sentir como um fantasma invisível conduzido pelo vento. Nem sempre é possível ficar invisível. “É o marido da Malu Mader!”, exclamou uma senhora em Santa Maria. “O cara dos Titãs”, constatou o vendedor de cocos em Maceió. “Aquele cantor…”, disse alguém em Londrina. “Tens religião, che?”, indagou-me um simpático jogger numa pista entre ipês amarelos e paineiras em flor no coração de Passo Fundo. Uma vez, em Itaperuna, um grupo enorme de fãs não deu a mínima para mim quando atravessei o saguão do hotel suado, de calção e tênis. Confesso que fiquei decepcionado: elas estavam ali à espera do Leonardo, hospedado no mesmo hotel.

Vou aprendendo sobre o local em que me encontro. Vejo as lojas, os táxis parados no ponto, as tampinhas de refrigerantes largadas na sarjeta. Um mendigo dormindo aqui, uma babá empurrando um carrinho de criança ali. Assim vou despertando, me preparando para o resto do dia.

Já vi centenas de andorinhas pousadas nos fios elétricos de Macapá – como numa versão tropical de Os Pássaros, de Hitchcock -, hortênsias azuis psicodélicas nos arredores de Caxias, estradas recém-abertas por tratores em Palmas. Vi ciganos numa aldeia de pedra em Portugal, saltei sobre um caranguejo dançarino numa calçada em Salvador. Percebi que meu brinco congelava no Central Park e espiei um casal de adolescentes se beijando em Floripa. Cruzei um punk rocker Bósnio à beira do Sena, um travesti goiano às margens do Tamisa. No Mercado de Ver-O-Peso, em Belém, tive a impressão de que uma cobra morta se movia. Como Raul Seixas (ou Elvis Presley, autor verdadeiro da frase), às vezes eu tenho a impressão de que nasci há dez mil anos atrás.

DVD…
…. Marathon Man, com Dustin Hoffman, Roy Scheider e Lawrence Olivier, um thriller clássico dos anos 70, dirigido por John Schlesinger. O filme, além de manter o suspense o tempo todo, prova que vale a pena manter a forma correndo.

Por Tony Bellotto

17/09/2009

às 20:02 \ Cenas

Ar condicionado

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O frio eterno é a nova praga da modernidade. Não importa que estejamos vivendo um aquecimento global e que a ameaça de extinção da vida humana na Terra pelo esquentamento dos oceanos nos aterrorize e desespere. Nem assim, desesperados, seremos capazes de desligar os aparelhos de ar-condicionado. Venho reparando no fenômeno ao longo da vida. Quando criança viajava muito de carro com minha família. Meus pais, professores de História, acreditavam no poder educativo das viagens, e qual Jacks Kerouacs ou Jacks Londons, vivíamos na estrada.

Viajamos milhares de quilômetros pelo Brasil de janela aberta, sentindo o vento na cara. Que saudades eu sinto daquele vento. Hoje em dia não consigo entrar num carro sem que me sinta passeando pela Sibéria. Ou Groenlândia. Não importa que faça um clima ameno, ou até que esteja frio lá fora, os táxis do Rio de Janeiro estão sempre congelados por dentro, como se geladeiras de repente ganhassem pneus e começassem a se locomover pelas ruas.

O mesmo vale para os aviões. Ainda que o voo se destine ao Nordeste, e passageiros desavisados embarquem de bermudas e camisetas sem manga, a viagem valerá como uma experiência antártica, quiçá boreal. Turistas congelados chegarão às praias em estado de gelo sólido. Com a agravante de que hoje em dia as empresas aéreas não oferecem mais cobertores nem travesseiros nos voos domésticos.

Cinemas no Rio de Janeiro também requerem capotes e casacos para a neve. Nunca vá ao cinema no Rio sem estar agasalhado. Mesmo que lá fora o concreto esteja rachando e o asfalto derretendo por obra do calor, dentro das salas escuras dos cinemas você se sentirá sempre como um boi congelado no frigorífico. E os restaurantes? Convide sua mulher, ou namorada, para jantar fora, e peça que ela use aquele cachecol e as luvas sexy de lã de que você tanto gosta. Atualmente mesmo o mais fresco dos robalos parecerá congelado nos restaurantes. Que frio! Deve ser por medo do Procom. Isso sem contar os inúmeros problemas domésticos que o ar condicionado acarreta.

Como a humanidade se divide entre os que gostam e os que não gostam de ar-condicionado, e como quase sempre nos casamos com alguém do time contrário, há inúmeros casais que se separam porque um quer dormir no Alasca e o outro no Saara. Na minha infância (haja nostalgia…) gostava de sentir calor em certas noites de verão e abrir as janelas para que alguma brisa noturna invadisse meu quarto. Brisa noturna? O que é isso? Alguma espécie de doença contagiosa? Uma banda gay? O nome de um perfume?

As gerações mais novas desconhecem a brisa noturna. Vivem no planeta gelo, com o ar-condicionado, a TV e o computador ligados. Tenho impressão de que se algum dia o quarto dos meus filhos for tomado pelo silêncio e invadido pela brisa noturna, eles sairão de lá gritando por socorro, certos de que o fim do mundo – de que tanto ouvem falar por conta do aquecimento global – acaba de chegar.

Livro…

… em homenagem a todos os viajantes do mundo – principalmente aqueles
que ainda sabem o que é uma brisa noturna – recomendo a leitura de
Paratii Entre Dois Pólos,
de Amyr Klink. Amyr, além de aventureiro
curioso e destemido, é um excelente escritor.

Por Tony Bellotto

14/09/2009

às 10:38 \ Cenas

Vitória da derrota

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A vida de um rock star no Brasil não é biscoito. Nem a de um amante de bons shows. Num sábado desses saí do Rio de Janeiro num voo que partiu às 7 horas e 45 minutos do Santos Dumont com destino a Congonhas. Até aí tudo bem. O que me intriga é por que eu tive de ir até São Paulo se meu destino era Ilhéus, na Bahia? Me pareceu um retrocesso. Chegamos em São Paulo, eu e Charles Gavin – os Titãs ‘cariocas’ por adoção – e nos juntamos aos Titãs paulistas. Pegamos um voo para Ilhéus. Ali nos esperava um ônibus que nos conduziria até Vitória da Conquista, nosso destino final, onde nos apresentaríamos no tradicional e badalado Festival de Inverno.

Vitória da Conquista, uma das maiores e mais prósperas cidades da Bahia, terra de gado, pecuária, cultura e turismo, antiga morada de gloriosos aimorés e pataxós, hoje habitada por baianos dinâmicos e modernos, muitos deles admiradores dos Titãs. Estávamos ansiosos por encontrar velhos e novos fãs numa cidade onde não tocávamos há muito tempo. A vitória da derrota começou a se manifestar no momento do pouso no aeroporto de Ilhéus, que leva o belo nome de Jorge Amado: as péssimas condições de tempo – chuva e vento forte -não permitiram que o piloto pousasse.

Foram duas tentativas (e duas arremetidas), e mais uma terceira tentativa no aeroporto de Comandatuba. Resultado: mais uma arremetida. Comandatuba também estava inviável. Rumamos para Salvador, onde o tempo estava bom. Os axés, os santos e as baianas nos forneceram um reconfortante acarajé no aeroporto, mas infelizmente não foi possível fretar um avião para levar-nos – mais a equipe técnica e equipamento de palco – até Vitória da Conquista. A opção foi encarar os quinhentos e doze quilômetros de carro.

Àquela altura, umas três horas da tarde, ainda havia tempo hábil para que chegássemos ao nosso destino. Depois de rodados mais de cem quilômetros, próximos à Feira de Santana, caímos num engarrafamento monstruoso na BR 116. Parecia que estávamos na Marginal Tietê, em São Paulo, em plena sexta-feira às seis e meia da tarde. Ah, mundo globalizado. Em algum ponto da estrada abriu-se uma cratera, e qual uma maldição nos impediu de fazer o show, pois não conseguimos avançar mais que dez quilômetros em três horas.

Simplesmente não conseguimos chegar à Vitória da Conquista. Nós e o público, separados por mais de quinhentos quilômetros, fomos dormir com um gosto amargo na boca. E com a certeza de que às vezes os ossos do ofício são duros de roer.

Guia Quatro Rodas, o inseparável companheiro dos Titãs pelas estradas e cidades brasileiras. Imprescindível para quem quer se aventurar pelo Impávido Colosso.

Por Tony Bellotto

10/09/2009

às 21:18 \ Cenas

Zoso

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Jimmy Page é o guitarrista do lendário Led Zeppelin, talvez a maior e mais poderosa banda de rock de todos os tempos. O termo heavy metal – pinçado de um texto de William Burroughs – foi usado por Page para definir o som que a banda fazia. Logo se transformou num gênero musical que até hoje descabela, encanta e transforma jovens de todas as idades e nacionalidades. Mas lá por meados dos anos 60 do século passado heavy metal era uma tremenda novidade. O inventor dessa alquimia – unir o blues clássico ao rock mais pesado e psicodélico – foi James Patrick Page, um garoto prodígio da guitarra que desde os 14 anos de idade já tocava profissionalmente em bandas inglesas de shuflle.

Antes de inventar o Led Zeppellin ele fez parte de outra superbanda inglesa dos anos 60, os Yardbirds, da qual também participaram, em épocas diferentes, Jeff Beck e Eric Clapton. Não bastasse tudo isso, do currículo de Page consta ainda o mérito de ter sido um dos maiores músicos de estúdio de sua geração. Participou de inúmeras gravações de músicos ingleses, como The Who e Rolling Stones, por exemplo. Enfim, um gênio.

Ok, vinte anos depois da criação do Led Zeppellin (e oito após o seu fim), em 1988, eu estava com os Titãs em Londres, ensaiando para uma apresentação que faríamos no Festival de Montreux, na Suíça. O festival, tradicionalmente de jazz, estrearia naquele ano uma noite de rock. Tivemos a honra de ser uma das bandas convidadas para fazer barulho na tal noite. Decidimos com a gravadora que gravaríamos a apresentação e lançaríamos um disco com o material gravado (que veio a ser Go Back, um de nossos discos mais vendidos e bem sucedidos).

Para tanto, marcamos ensaios em Londres na semana que antecedia à apresentação. Numa tarde, ao chegar ao estúdio para o ensaio, soubemos que Jimmy Page estava numa sala ao lado, tocando. Aquela notícia gerou excitação, lágrimas e calafrios. Para um roqueiro, encontrar Jimmi Page equivale a um padre encontrar o Papa (para mim equivaleu a encontrar Jesus Cristo em pessoa). Decidimos bater na porta do estúdio em que estava Page, para pedir um autógrafo. Mas não se pede um autógrafo a Jimmy Page com uma folha de papel na mão. Heresia!

A superfície escolhida para tão nobre causa foi uma de minhas guitarras, uma autêntica Les Paul da Gibson (modelo de guitarra imortalizado por Page). No momento em que pedimos o autógrafo, ele fez menção de pegar uma caneta. Não, eu disse, e ofereci-lhe uma chave de fenda. Mas vai arranhar a guitarra, ele argumentou. No problem, redargui. No problem. E assim foi. Hoje em dia evito levar a guitarra para a estrada, por temer que algo lhe aconteça. Mas quando estou meio borocoxô em casa, dedilho a velha Les Paul assinada pelo mestre e consigo acreditar por alguns instantes que o rock ainda pode salvar o mundo.

 

Livro…

… eu deveria sugerir um CD do Led Zeppellin, e garanto que ninguém se
decepcionaria com a sugestão, mas vou sugerir um livro de William Burroughs,
o junky mor, autor do termo heavy metal, presente no livro Soft Machine
(que também virou nome de banda). O Almoço Nu é um bom exemplo
da prosa sofisticada e muito particular deste velho e adorável maluco.

Por Tony Bellotto

03/09/2009

às 21:04 \ Pessoas

A obra

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Vamos combinar. De hoje em diante não mais nos irritaremos com nossos políticos. Nos divertiremos com eles, riremos deles, gargalharemos. Nenhum humorista conseguirá superar Vossas Excelências na capacidade de nos fazer rir. Esqueçam Jô Soares, Chico Anísio, Tom Cavalcante, A Praça É Nossa, Caceta e Planeta, Marcelo Adnet, CQC, Bruno Mazzeo etc. Esqueçam do palhaço Arrelia, do Zorra Total, do Golias e da Família Trapo. Lúcio Mauro, Paulo Silvino, pobres deles! O Primo Rico e o Primo Pobre, Ofélia, Mazzaropi, Manoel da Nóbrega ai, ai.

Ninguém será capaz de arrancar gargalhadas tão histéricas quanto as que brotarão do âmago de nossas gargantas e estômagos irritados. Riremos a valer, rolaremos pelo chão, ensurdeceremos os políticos com nossas gargalhadas incontroláveis. Nos divertiremos até perder o fôlego com suas pantomimas, farsas, embustes, gestos teatrais e comédias. Sofreremos de câimbras na barriga, faremos xixi na calça. Não controlaremos a histeria ensurdecedora de nossa alegria estúpida. Escarneceremos de suas desculpas, subterfúgios, meias palavras, tergiversações, balbucios, inverdades, desculpas, vaivens, golpes baixos e votos envergonhados.

Zombaremos de seus ataques de ira, cinismo, hipocrisia, empáfia, arrogância e arrependimento falso. Nos refestelaremos com suas arguições, canastrices e maneiras empoladas de falar. Engasgaremos, ficaremos com soluço de tanto rir. Tombaremos em êxtase divertido com seus cortes de cabelo, barrigas, bigodes, perucas, pirâmides, castelos, tinturas, figurinos, pragmatismos, demagogias, amantes, secretárias, esposas, filhos, netos e namorados das netas.

Suas palavras e promessas terão o efeito de cócegas em nossas axilas. Balança Mas Não Cai, Pânico, stand up comedies e reality shows no máximo nos arrancarão sorrisos amarelos. Nada de sorrir com a ironia fina de um Veríssimo, de um Millôr. Estaremos chorando de rir com nossos políticos exuberantes e seus usos e abusos do vernáculo, do dinheiro público, das benesses e de nossa santa paciência. De suas roubalheiras, falcatruas, populismos, atos secretos, favorecimentos e dedos em riste riremos. Riremos, riremos. Até explodir. E esperaremos que chafurdem em sua Obra (aqui como produto do verbo “obrar” na acepção por eles usada) até que deles só reste uma lembrança triste e obscena.

DVD…

Doutor Fantástico, essa comédia genial e apocalíptica do grande
Stanley Kubrick. Quase tão divertida quanto uma sessão do senado.

Por Tony Bellotto


 

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