Estudo derruba o mito de que as mulheres brasileiras ganham 30% menos que os homens

Por um motivo simples, sempre desconfiei da estatística da diferença salarial. Se as mulheres de fato ganhassem menos que os homens para realizar as mesmas tarefas, empresas que buscam o lucro só contratariam mulheres. Diante de dois candidatos com o mesmo potencial, o patrão, é claro, contrataria o mais barato. Mas o que ocorre é o contrário: os homens ainda são maioria dos empregados do Brasil.

Portanto ou os donos de empresas são tolos, e colocam o machismo acima do lucro, ou a estatística é furada.

Um novo estudo da Fundação de Economia e Estatística, do governo do Rio Grande do Sul, confirmou essa suspeita. Os economistas Guilherme Stein e Vanessa Sulzbach analisaram 100 mil salários e concluíram que as mulheres brasileiras ganham 20% menos que os homens – mas só 7% não podem ser explicados pela diferença de produtividade.

A pesquisa enfureceu feministas gaúchas, que escreveram artigos e textões no Facebook acusando os autores de machismo e pediram a demissão dos diretores da Fundação. Em resposta, dezenas de economistas assinaram um manifesto defendendo os pesquisadores. “Ficamos surpresos com uma reação tão forte a um estudo que já foi replicado tantas vezes”, me disse o economista Guilherme Stein.

A conclusão do estudo converge com os dados da economista Claudia Goldin, de Harvard, a grande especialista em diferença salarial. Para os Estados Unidos, Goldin encontrou uma porcentagem um pouco menor (5%) que não é explicada pela produtividade.

De acordo com os pesquisadores, principalmente dois fatores puxam o salário das mulheres para cima, mas outros três o empurram para baixo (veja a tabela abaixo). As mulheres têm em média mais anos de estudo e começam a trabalhar mais tarde. No entanto, interrompem a carreira com mais frequência, têm uma jornada um pouco menor que a dos homens e tendem a se concentrar em ocupações que remuneram menos.

Dos 20% de diferença salarial, 13% são explicados por essas razões. Ou seja: se homens e mulheres trabalhassem as mesmas horas e tivessem o mesmo perfil, ainda assim as mulheres ganhariam 7% menos. Como explicar essa diferença? Pode ser preconceito e discriminação por parte dos patrões, ou algum outro fator ainda não revelado. O que se pode dizer é que o machismo dos empregadores diminui o salário das mulheres em no máximo 7%.

A pesquisa não contraria bandeiras feministas, pelo contrário. “Os dados sugerem que a diferença salarial diminuiria se os homens dividissem os afazeres domésticos com as mulheres”, diz Stein.

 

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  1. Comentado por:

    Mônica

    Penso que o raciocínio do autor do texto continua equivocado. 5% de exoneração em qualquer folha de pagamento ainda é muito significativo para qualquer empresa.
    Achei interessante a nomenclatura “afazeres domésticos” utilizada no texto (não sei se também utilizada na pesquisa) a mulher trabalha quase 05 vezes o tempo do homem em casa depois da jornada noreal de trabalho, ou seja, na prática em média a mulher não trabalha menos horas na semana , mas só menos horas remuneradas. Parece que o que precisa ser equalizado melhor é essa divisão das horas de trabalho gratuito porque assim , pelo menos teoricamente , todos poderiam receber salários iguais.

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  2. Comentado por:

    orlando

    kkkkkk a mulher tem que ser muito retardada para acreditar que ganham menos que homem .
    tenho uma pizzaria em BH e perguntei minha contadora se eu poderia contratar só mulheres para ganhar menos,então ela me disse que isso seria impossivel pelo motivo de existir o sindicato ,leis trabalhista e um piso salariam que impedem isso.
    e ainda fiquei sabendo que nenhuma empresa pode pagar uma pessoa abaixo do piso salarial de cada profissão ou categoria .
    a multa é milionária .

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  3. Carlos Gomes

    Nas Forças Armadas os salários são iguais nos cargos seja homem ou mulher, mas tem mulheres que não aguentam uma rotina mais pesada….

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