Ataques em Paris: já estão culpando a vítima

 

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O ataque contra os jornalistas franceses do Charlie Hebdo mal acabou e já tem intelectual culpando as próprias vítimas pelo episódio.

Como sempre acontece nesses casos, a opinião vem neste formato: “Não estou defendendo o estuprador, mas a mulher não deveria sair por aí com uma saia tão curta. Não estou defendendo o assaltante, mas isso que dá ostentar um Rolex”.

“Esse jornal deveria compreender que isso não se faz, é atrair problema”, disse, ao vivo na Globonews, a professora Arlene Clemesha, da USP. “É claro que não estou defendendo os ataques, mas não se deve fazer humor com o outro.” A professora ainda chamou a revista de sensacionalista. O Charlie Hebdo não é sensacionalista – é uma revista satírica parecida com O Pasquim, que a professora deve adorar.

Pouco antes, o professor Williams Gonçalves, da UERJ, foi mais constrangedor. Culpou os próprios jornalistas pelos ataques, disse que as charges foram um ato de irresponsabilidade e perguntou qual é a graça de se fazer charges com Maomé. “Quem faz uma provocação dessa não poderia esperar coisa muito diferente”, diz ele.

Ora, é claro que o humor sobre religiões tem sua graça. O Porta dos Fundos zomba de religiosos quase toda semana – entre eles, os muçulmanos. O musical The Book of Mormons tem duas horas de pura ridicularização da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Maomé foi um entre tantos religiosos que o Charlie Hebdo satiriza.

Mas o importante é que os jornalistas franceses não cometeram nenhum crime. A charge sobre Maomé é inofensiva – não se pode acusar a revista de discriminação. A liberdade de expressão não só é garantida pela lei local – também é um dos grandes valores da cultura francesa.

 

Comentários
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  1. Comentado por:

    Fábio

    Os muçulmanos que se explodam, se matem ou o que queiram, mas bem longe do Ocidente. Eles são intolerantes e acham que o resto da humanidade deve morrer.

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  2. Comentado por:

    Denis Souza

    Muita hipocrisia em Paris estão confundindo liberdade com “liberdade de fazer chacota com a religião alheia”.Vi algumas charges e desenhos imundos e nojentos desse jornal . Uma verdadeira inversão de valores humanos e desrespeitos ao próximo . Esse jornal não tem ética alguma pra falar de direito humano algum. É repugnante!

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  3. Comentado por:

    Wagner Jorge

    O Charlie Hebdo era um jornal de sátira religiosa. O Paquistão fazia sátira política.
    Neste episódio todos são vítimas.

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  4. Comentado por:

    Paulo

    Meu Deus! Eu estou pasmo com essa repentina ira contra os professores universitários. Vocês poderiam colocar aí no comentário de vocês onde e qual área de formação

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  5. Comentado por:

    Paulo

    Meu Deus! Eu estou pasmo com essa repentina ira contra os professores públicos universitários. Vocês poderiam colocar aí no comentário de vocês onde e qual área de formação de cada um, para falar tanta sandice. Aposto que muitos estudaram em universidades públicas,mas acredito que muitos nem colocaram os pés em uma.

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  6. Comentado por:

    Magda

    Na realidade, entendo que, embora não se justifique tanta violência, a França (e eu tenho sangue francês) tem culpa sim. Começou proibindo o uso dos véu por meninas islâmicas nas escolas. Por favor, qual a diferença entre usar ou não o véu? Para nós, nenhuma, para eles (os muçulmanos) tudo! Por que esta provocação sem sentido? Depois as charges. Parece-me que respeito não foi a palavra-chave. Se tivessem respeitados os muçulmanos nada disso teria acontecido. As vítimas são eles: da falta de respeito de pessoas que desconhecem e querem julgar. Cada um na sua! Liberdade de imprensa é uma coisa, agressão ao considerado sagrado é outra bem diferente. A França pediu com as duas mãos!Senao sabe morder, não lata! Simples assim!

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