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Júlio Prestes

04/08/2010

às 12:56 \ Uncategorized

A internet da República Velha

Nem propaganda no rádio, nem horário gratuito na TV, nem sequer pesquisas de opinião. Durante a República Velha (1889-1930), bastava a um candidato ser indicado pelo Partido Republicano para considerar-se eleito. A fraude generalizada, o sistema educacional indigente e a dominação dos coronéis se conjugavam no jogo de cartas marcadas. As manifestações da oposição eram frequentemente dissolvidas a bala. Os comícios eram muito mais uma demonstração de força que um instrumento para conquistar eleitores. Os anúncios e reportagens nos jornais, administrados pelos partidos, destinavam-se a popularizar um perfil positivo do escolhido.

É dessa época a primeira imagem em movimento de uma campanha eleitoral. Em15 de outubro de 1921, uma multidão – de chapéu – observa a passagem de Arthur Bernardes pela capital federal.

“Ao que tudo indica, esta gravação não teve qualquer efeito publicitário levando-se em conta que não era simples sua exibição, pois a TV ainda não existia”, escreve a publicitária Débora Tavares no livro Marketing Político – do Comício à Internet.

Num tempo em que a comunicação por telefone era extremamente precária, as informações viajavam a bordo dos telegramas. O telégrafo exercia o papel que hoje cabe à internet e era usado para a divulgação da notícia, a troca de ideia entre os correligionários (espécie de coordenadores de campanha) e o envio de mensagens cifradas de um chefe político para outro. O deslocamento dos políticos em campanha era feito por trem.

De acordo com o professor Moisés Stefano Barel, na primeira eleição direta do Brasil Republicano, em 1894, Prudente de Morais buscou votos com o “envio de cartas personalizadas aos eleitores, um intenso corpo-a-corpo e a publicação de mensagens na imprensa”. Ainda não havia sido instalada a política do café com leite, que dispensou os candidatos desse tipo de esforço.

Trinta e cinco anos depois, na campanha de 1929, Julio Prestes estreia no rádio com Seu Julinho Vem, o primeiro jingle político da história do Brasil.

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“O rádio chegou ao país em 1923”, informa Carlos Manhanelli, presidente da Associação Brasileira dos Consultores Políticos. “Em 1929, embora ainda tivesse um alcance incipiente pela escassez de aparelhos, começou a ser usado de forma racional numa campanha eleitoral”. Manhanelli lembra que antes da campanha de Julio Prestes existiam apenas canções satíricas ou de protesto. “O jingle político é feito para exaltar um candidato e persuadir o eleitorado”.

Pouco mais tarde, Julio Prestes lançou Comendo Bola, composto por Jaime Reondo, e Eu Ouço Falar, de Francisco Alves:

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Com a vitória do político paulista, que precipitou o início da Revolução de 1930, um jingle bem humorado procura mobilizar os brasileiros para a batalha.

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A chegada de Getúlio Vargas ao poder sepultou a República Velha. E deu início a uma outra etapa da propaganda política brasileira.

Branca Nunes

 

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