Valentina de Botas: O que o Príapo da república pixuleca teme é a nossa liberdade

VALENTINA DE BOTAS “Se for necessário, se vocês entenderem que a manutenção do projeto corre risco, estarei com 72 anos e tesão de 30 para ser presidente da República”. Como Hilda Hilst, quero brincar de ver beleza nas coisas, numa resistência ao vício do jeca em enfear tudo com esse priapismo vigarista.

VALENTINA DE BOTAS

“Se for necessário, se vocês entenderem que a manutenção do projeto corre risco, estarei com 72 anos e tesão de 30 para ser presidente da República”. Como Hilda Hilst, quero brincar de ver beleza nas coisas, numa resistência ao vício do jeca em enfear tudo com esse priapismo vigarista.

“Vocês” se refere à escumalha militante no aniversário flácido do PT; o caudilho não se importa com o tesão da nação, se ela está no clima ou não. E ela não está. Ou está sim, mas não com o fauno grotesco. O “não” que ela tem lhe dito, traduzido em pesquisas e que temos de reafirmar no dia 13 de março, soa como charminho golpista para o macho mais incivilizado da história da política brasileira. Claro, ele só satisfaz as deformações da libido autoritária no primitivismo, pois dar no couro como democrata que é bom, esqueça.

Julga o estado de direito democrático uma preliminar dispensável, de tal modo que a tentativa de bolinar a Polícia Federal via Ministério da Justiça, as espertezas para não encarar o procurador Cassio Conserino e as ameaças transmitidas por eunucos morais de convulsionar o país se a Justiça cumprir o dever evidenciam não só a impossibilidade de atestar uma honestidade fictícia, mas sobretudo a percepção do jeca como alguém cuja conduta não há parâmetro ou ser terrenos ou divinos dignos de avaliar.

É mais do que estar acima da lei, nessa condição se pretendem Cunha, Calheiros, o casal marqueteiro – ao Priapo da república pixuleca sequer ocorreu que um dia seria necessário invocar o status que acredita inerente. Não sei que parte do “não” ele ainda não entendeu, mas a nação pode deixar ainda mais claras a consoante e as duas vogais no dia 13.

Não é só pelo fim de um governo cuja remoção é indispensável para o Brasil se reconstruir, ter a si como assunto e projeto, é também pela defesa das investigações, da Política Federal, do Ministério Público, contra o qual Lula tenta um estupro bolivariano enquanto mente que “lutamos” para tê-lo forte, “e não fazendo o jogo da Veja”. Ora, o jogo da revista é o do país que presta, como no fundo sabem ressentidos que apregoam, nas redes sociais, uma súbita sedução da revista pelo PT e convencem gente chegada a uma conspiração de boteco virtual.

Pesquisas mostram que Eduardo Cunha na presidência da Câmara desanima muitos brasileiros a irem para as ruas defender o impeachment, numa lógica desossada determinando que, por não se remover um patife menor, preserva-se o maior; além do tal não-adianta-nada. Por favor, não há mais território para esses medos e, conforme ensinou Marilyn Ferguson, do outro lado do medo está a liberdade. O que o jeca teme é nossa liberdade, é descobrirmo-nos livres – apesar de Cunha e do que mais for – para brincar de ver a beleza em mandar para a cadeia um garanhão tosco de alma senil porque para ele (parafraseando Roberto Freire), com ou sem tesão, não há solução. Um beijo

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  1. Comentado por:

    freed

    A Andrade Gutierrez vai delatar que pagou proprina para a Pfizer, quem foi levar a grana foi o Bumlai.

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  2. Comentado por:

    bereta

    Em suma, Lula brochou. Mas o que me impressiona NÃO é a personalidade, caráter ou falta dele, que Lula não consegue esconder. Impressiona-me saber que ainda tem defensores. Não aqueles a peso de ouro, mas defensores nas ruas, nas esquinas, nos botecos e até mesmo nos meios intelectuais (ou tidos como tais). Burrice e ignorância são males quase incuráveis.

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  3. Comentado por:

    Mari

    Simplesmente, ADOREI O TEXTO. O Lula é um nojo, um tosco mal educado e indigno de abrir a boca, pois só sai lixo e lama podre. Que asco sinto desse crapula.

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  4. Comentado por:

    maria

    Aos trinta anos somos “balsaquianos”, aos setenta e dois, somos “anosos ” que quando chegamos, os que estão sentados, nos cedem os lugares das cadeiras para nos sentarmos para nos dar entender, que precisamos, de descanso. A aposentadoria é compulsória ,irrestrita, quer queira ou não, em todas as etapas. Na política poderá ser também. Muito pior se, o passado politico for complicado. De pouco ou nada, valera a vangloria. Todos nos temos nossos tempos e nossas etapas. O egoísmo tem levado muitos, a fantasia do: eu quero, eu posso, eu sou eu, por isso, não desisto! Nunca pensam em: Se a subida foi grande, a descida será muito mais!

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  5. Comentado por:

    Paulo

    Prezada Valentina, Nietzche e Ferguson de lado, este seu texto merece ser degustado, e não simplesmente lido. Nele, as palavras, habilmente manejadas e escolhidas tendo como pano de fundo a sedução, vão rodopiando numa dança que envolve e conquista o leitor. Obrigado por esse presente e pelo show dado com a língua mater.

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  6. Comentado por:

    Tadeu Gomes

    Cunha, Renan e iguais são todos coadjuvantes nessa ópera bufa estrelada e dirigida pelo crápula maior – Luiz Inácio – que asco!

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  7. Comentado por:

    ICJ

    Parabéns, Valentina
    !

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  8. Comentado por:

    Rocco

    Tenham certo que esse projeto de poder não vingará pois se analisar o semblante de cada um dessa quadrilha, verá que estão amedrontados, exauridos, envelhecidos e mal dormidos… Procuram mostrar segurança e boa índole, mas o efeito é contrário…
    Esses caras já num conseguem botar a cabeça no travesseiro a noite e ter uma boa noite de sono, a não ser na base de calmantes; agora me digam o que um alcoólatra adoentado de 70 anos tem pretensão de se entronar no poder por mais quatro anos, e ainda daqui a dois anos ?? Ele acha que tem toda essa expectativa de vida ??? Ledo engano… Logo logo estará correndo do capeta no inferno, se revezando c Chaves e outros latinos barbudos mumificados…

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  9. Comentado por:

    Branca

    Eduardo Cunha fez o que a população queria. O PSDB o abandonou de repente. E ele é quem fica com a pecha de ser o entrave para o Impeachment? Muito jogo de palavras.

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  10. Comentado por:

    memory

    Um texto maravilhoso para amainar a espera até que chegue o dia em que o homem morto que caminha seja obrigado a trocar o papo pela papuda. Dizem que o poder é o maior dos afrodisíacos, mas, como o fauno em questão é falso da cabeça aos cascos, as empreiteiras vão ter de pagar baldes de pílulas azuis para ele manter o entusiasmo pelo projeto de poder.

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