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Veja

30/01/2012

às 18:20 \ Direto ao Ponto

As provas da conspiração forjada para sepultar o caso Celso Daniel

Entre o fim de janeiro e meados de março de 2002, investigadores da Polícia Federal encarregados de esclarecer o assassinato de Celso Daniel, prefeito de Santo André, gravaram muitas horas de conversas telefônicas entre cinco protagonistas da história muito mal contada: Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”,  suposto mandante do crime, Ivone Santana, viúva da vítima, Klinger Luiz de Oliveira, secretário de Serviços Municipais de Santo André, Gilberto Carvalho, secretário de Governo, e Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado-geral do PT. Todos sabiam da existência da fábrica de dinheiro sujo instalada na prefeitura para financiar campanhas do partido.

As 42 fitas resultantes da escuta foram encaminhadas ao juiz João Carlos da Rocha Mattos. Em março de 2003, pouco depois da posse do presidente Lula, Rocha Mattos alegou que as gravações haviam sido feitas sem autorização judicial e ordenou que fossem destruídas. Em outubro de 2005, condenado à prisão por venda de sentenças, o juiz revelou a VEJA (confira a reportagem na seção Vale Reprise) que os diálogos mais comprometedores envolviam Gilberto Carvalho, secretário-particular de Lula entre janeiro de 2003 e dezembro de 2010 e hoje secretário-geral da Presidência da República. “Ele comandava todas as conversas, dava orientações de como as pessoas deviam proceder. E mostrava preocupação com as buscas da polícia no apartamento de Celso Daniel”.

Em abril de 2011, depois de ter cumprido pena por venda de sentenças, Rocha Mattos reiterou a acusação em escala ampliada. “A apuração do caso do Celso começou no governo FHC”, afirmou. “A pedido do PT, a PF entrou no caso. Mas, quando o Lula assumiu, a PF virou, obviamente. Daí, ela, a PF, adulterou as fitas, eu não sei quem fez isso lá. A PF apagou as fitas, tem trechos com conversas não transcritas. O que eles fizeram foi abafar o caso, porque era muito desgastante, mais que o mensalão. O que aconteceu foi que o dinheiro das companhias de ônibus, arrecadados para o PT, não estava chegando integralmente a Celso Daniel. Quando ele descobriu isso, a situação dele ficou muito difícil. Agentes da PF manipularam as fitas de Celso Daniel. A PF fez um filtro nas fitas para tirar o que talvez fosse mais grave envolvendo Gilberto Carvalho”.

Escaparam da queima de arquivo algumas cópias que registram diálogos desidratados dos trechos com altíssimo teor explosivo. Ainda assim, o que se ouve escancara a conspiração forjada pelos grampeados para bloquear o avanço das investigações e enterrar o caso na vala dos crimes comuns. Somadas, as vozes revelam a alma do bando de comparsas que, em vez de indignar-se com a execução brutal de Celso Daniel, só pensa em livrar da cadeia o companheiro Sombra e, simultaneamente, livrar-se do abraço de afogado do suspeito decidido a afundar atirando. Vale a pena conferir seis áudios resgatados pela coluna. Os diálogos gritam que os donos das vozes se juntaram para impedir o esclarecimento de um crime gravíssimo.

Áudio 1
Luiz Eduardo Greenhalgh diz a Gilberto Carvalho que é preciso evitar que João Francisco, um dos irmãos de Celso Daniel, “destile ressentimentos” no depoimento que se aproxima. “Pelo amor de Deus, isso é fundamental!”, inquieta-se Carvalho.



Áudio 2
Um interlocutor não identificado elogia Ivone Santana pela entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo e incentiva a viúva a repetir a performance no programa de Hebe Camargo. Alegre, a viúva informa que vai fazer o reconhecimento das roupas da vítima. Do outro lado da linha, a voz pergunta como “o cara” estava vestido. O cara é o marido de Ivone morto dias antes.



Áudio 3: À beira de um ataque de nervos, Sombra cobra de Klinger um imediata operação de socorro. Sobressaltado com o noticiário jornalístico, exige que Gilberto Carvalho trate imediatamente de “armar alguma coisa”.



Áudio 4: Klinger diz a Sombra que Gilberto Carvalho está preocupado com o teor do iminente depoimento do companheiro acusado de ter ordenado a morte do prefeito. Sugere um encontro entre os três para combinar o que será dito. No fim da conversa, os parceiros comemoram a prisão de um suspeito.



Áudio 5: Gilberto Carvalho cumprimenta Ivone Santana pela boa performance em entrevistas e depoimentos. Carvalho acha que as declarações mudarão o rumo das investigações.



Áudio 6: A secretária de Klinger transmite a Gilberto Carvalho rumores segundo os quais a direção nacional do PT pretende manter distância do caso “para não respingar nada”. Carvalho nega e encerra o diálogo com uma observação ambígua: é nessas horas que se percebe quem são os verdadeiros amigos.



Em vez de exigir o esclarecimento da morte do amigo, Gilberto Carvalho resolveu matar as investigações no nascedouro. Por que agiu assim? Ele poderá responder também a essa pergunta na entrevista ao site de VEJA.

16/12/2011

às 21:15 \ Direto ao Ponto

Mercadante confessa que Dilma mentiu às vítimas da tragédia na Região Serrana

Em 13 de janeiro deste ano, depois de sobrevoar a Região Serrana do Rio, a presidente Dilma Rousseff convocou a imprensa para avisar que não permitiria a reedição de uma tragédia daquelas dimensões. Primeiro, admitiu que se tratava de um problema federal. Em seguida, prometeu acabar com deslizamentos nos morros com obras de contenção de encostas, prometeu um mundaréu de medidas preventivas, prometeu instalar redes de saneamento básico, prometeu remover os ameaçados por desastres naturais, prometeu casas para os flagelados e prometeu voltar mais tarde para inaugurar o colosso de promessas.

Nesta quinta-feira, o ministro Aloízio Mercadante apareceu no Senado para mandar um recado aos brasileiros em geral e, em particular, aos milhões de moradores de áreas de risco. “Morrerão pessoas neste verão. E nos próximos”, confessou. Rebatizou a temporada de chuvas fortes de “extremos climáticos”, culpou a natureza e comunicou que o governo não fez nada do que prometeu. A discurseira de Dilma foi outro embuste. As vítimas da tragédia anunciada estão entregues à própria sorte.

O Brasil tem sido poupado de furacões, tsunamis e terremotos, registrei no comentário de um minuto para o site de VEJA. Mas é sistematicamente assolado pela incompetência das dilmas e dos mercadantes. Não se sabe qual dos fenômenos é mais devastador. O vídeo editado pela repórter Fernanda Nascimento, que alterna trechos da discurseira da presidente e do palavrório do ministro, deixa claro que as dilmas e os mercadantes são igualmente traiçoeiros. É mais que um documento político. É a prova de um crime.


14/12/2011

às 19:02 \ Direto ao Ponto

Um recado e um pedido

Amigos, como informei no recado anterior, o site de VEJA e, por consequência, esta coluna ficaram fechados oito horas (entre 21h de ontem e 05h de hoje) para serviços de manutenção. Os comentários enviados nesse período de tempo não chegaram. Peço encarecidamente a vocês que mandem os textos de novo. Mais uma vez, grato pela compreensão e pela força. Abração. (AN)

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13/12/2011

às 17:44 \ Direto ao Ponto

A resenha do livro de Fernando Henrique

Na edição de VEJA que está nas bancas, comentei o livro A Soma e o Resto, obra mais recente do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Confira na seção Baú de Presidentes.

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07/12/2011

às 19:22 \ Direto ao Ponto

Outro embuste resumido em um minuto

O que Dilma Rousseff chama de reforma ministerial está com cara de serviço de manutenção. Confira no site de VEJA.

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02/12/2011

às 21:18 \ Direto ao Ponto

A derrota da ética

Nesta sexta-feira, Dilma Rousseff e Carlos Lupi protagonizaram mais uma vez o comentário de um minuto para o site de VEJA. Foram 122 palavras:

“A Comissão de Ética Pública da Presidência da República considerou insatisfatórias as explicações oferecidas por Carlos Lupi para os escândalos em que se meteu. E pediu a Dilma Rousseff que demita o ministro do Trabalho. Em vez de acatar a sugestão, muito sensata, Dilma pediu mais explicações ─ não a Lupi, mas à Comissão de Ética. É como se um juiz, depois de saber que o júri condenou o réu, pedisse que os jurados se reunissem novamente para explicar melhor a condenação. Essa teimosia de Dilma Rousseff em fingir que não sabe nada sobre Carlos Lupi só reforça a sensação de que Lupi sabe muito sobre seus parceiros de governo, começando pela presidente da República.

Essa história vai exigir muito mais que um minuto.”

Por dever de justiça, acrescento que, entre um pontapé na lei, uma bofetada na ética e um joelhaço na verdade, Carlos Lupi acabou consumando o enterro em cova rasa da fantasia diligentemente costurada pelo jornalismo estatizado. Hoje, só os cretinos fundamentais e os cínicos sem remédio ousam falar em “faxina ética”. O monte de lixo no Ministério do Trabalho continua no mesmo lugar há mais de um mês. Quem tentou removê-lo foi repelido a vassouradas por Dilma Rousseff.

30/11/2011

às 19:50 \ Direto ao Ponto

Um minuto com o colunista

Incluído na nova programação do site de VEJA, Um minuto com Augusto Nunes será apresentado às quartas e sextas-feiras. O comentário de estreia constata que, para prolongar a permanência no ministério de dois corruptos juramentados, Dilma Rousseff pode acabar inventando o mais demorado e absurdo aviso prévio da história do Brasil. Confira, diga o que achou e, até sexta-feira, sugira um tema que mereça pelo menos um minuto de atenção.

29/11/2011

às 13:46 \ Feira Livre

Um país de mentira

PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA

Ricardo Noblat

Quanto mais mentem à vontade e sem constrangimento os cínicos que nos governam ou representam, pior é a qualidade de suas mentiras.

De fato, a perda de qualidade tem tudo a ver com o grau de nossa indignação diante do que Dilma chama de malfeitos.

Se nos indignamos pouco ou quase nada para que sofisticar as mentiras e torná-las verossímeis?

A mais recente e reles mentira oferecida ao nosso exame foi publicada na última edição da VEJA. O mecânico Irmar Silva Batista, filiado ao PT há 20 anos, tentou criar o Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Reparação de Veículos e Acessórios no Estado de São Paulo.

Em 2008, ele bateu à porta do Ministério do Trabalho para tratar do assunto com o então secretário de Relações do Trabalho, o ex-deputado Luiz Antonio de Medeiros.

O ministro já era Carlos Lupi, presidente do PDT. Medeiros encaminhou Irmar a Eudes Carneiro, assessor de Lupi.

Eudes trancou-se com Irmar em uma sala. Primeiro, pediu-lhe que desligasse o telefone celular. Em seguida cobrou R$ 1 milhão para liberar o registro do sindicato.

Irmar denunciou o caso a parlamentares do PT – entre eles, o senador Eduardo Suplicy.

Sem sucesso. Então escreveu uma carta a Lula. Sem resposta.

Um mês depois da posse de Dilma, Irmar enviou-lhe uma carta por e-mail contando em detalhes tudo o que se passara. Mandou cópia para Gilberto Carvalho, secretário-geral da presidência.

No dia 9 de março último, o Palácio do Planalto confirmou o recebimento da carta.

Na semana passada, a assessoria de imprensa da presidência informou que nenhuma providência a respeito pode ser tomada porque o trecho da carta que narrava a patifaria acabara cortado da mensagem.

Não é espantoso? Sumiu da carta justamente o trecho onde Irmar denunciava o grupo que agia no Ministério do Trabalho pedindo dinheiro para liberar registro sindical.

Mas sumiu como? Não se sabe. Assim como ainda não se sabe se a carta para Gilberto apresentou a mesma falha.

Vai ver o trecho mais explosivo dela chegou truncado aos seus destinatários. Vai ver quem digitou o e-mail pulou o trecho. Custava a quem o recebeu alertar seu autor que ficara faltando um trecho? Assim a carta poderia ter sido reenviada.

Bons tempos aqueles onde um dossiê da Casa Civil sobre despesas sigilosas do governo Fernando Henrique foi batizado por Dilma de banco de dados. Fazia até algum sentido – embora fosse mentira.

E o mensalão que Lula se empenhou para que fosse confundido com Caixa 2?

Mensalão é crime. Caixa 2 também é. Mas Caixa 2 soa como um crime leve, quase inocente.

O que alimentou o mensalão foi dinheiro desviado de órgãos públicos. Se preferir, “recursos não contabilizados”, como observou com deslavada hipocrisia o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

Montagem de falso papelório político para uso contra adversários é coisa de bandido nos lugares onde as palavras correspondem ao seu verdadeiro significado.

Aqui foi coisa de “aloprado” – um sujeito que age por conta própria para ajudar a se reeleger quem repele ajuda desse tipo.

Sobreviveu ao governo anterior e atravessará o atual uma das mais perigosas mentiras jamais produzidas. Atende pelo nome de “controle social da mídia”.

Seria mais adequado referir-se a ela como “censura”. Diz-se que o controle se fará sem interferir no conteúdo. Quem acredita?

A mãe de todas as mentiras é também a mais perversa. Ela atribui a bandalheira à governabilidade.

Como para governar é preciso contar com maioria de votos no Congresso ou nas Assembléias, os partidos abiscoitam cargos e fazem com eles o que bem entendem. De preferência, roubam.

A bandalheira não decorre da necessidade de contar com o apoio de partidos. Decorre da falta de princípios e de coragem do governante para valer-se da força do mandato obtido mediante o voto popular.

Afinal, para que servem os milhões de votos que elegem um presidente ou governador?

26/11/2011

às 9:11 \ Direto ao Ponto

No mais cruel dos dias, VEJA revela outra sujeira que a presidente não quis enxergar no sexto andor da procissão dos pecadores

Comovida com as juras de amor do companheiro delinquente, Dilma Rousseff resolveu mostrar que quem manda no Brasil é a presidente da República. Depois de suspender até janeiro a procissão dos ministros despejados por ladroagem, permitiu que o andor reservado a Carlos Lupi ficasse estacionado na frente do Palácio do Planalto. Péssima ideia, soube nesta manhã a estrategista aprendiz. Talvez comece a desconfiar que, para quem tem culpa no cartório, é sábado o mais cruel dos dias.

A reportagem publicada por VEJA comprova que o andor do ministro do Trabalho também abriga assessores especializados em extorquir sindicatos. Além de prorrogar a insônia do rufião de cabaré, a aparição da ala dos cobradores de propina vai manter acesas, neste fim de semana, as luzes de algumas salas do Planalto. São ocupadas por gente que soube há mais de oito meses o que se passava na Casa da Moeda do PDT. Dilma Rousseff, por exemplo, foi a destinatária de uma carta que descreveu o funcionamento do esquema bandido. Não agiu antes porque não quis. Não age agora porque não quer e não pode.

As declarações de amor vão recomeçar. A elas se juntará o choro do ministro das Cidades, Mário Negromonte. O sétimo andor está chegando à praça. O sexto continua por lá. A paisagem ficou ainda mais repulsiva. O lixo terá de ser removido antes de janeiro. Caso continue a acumular-se, pode derramar-se ainda em 2011 pelo gabinete que abriga a faxineira que odeia vassouras.

22/11/2011

às 20:02 \ Feira Livre

Trapaça do tempo

PUBLICADO NA REVISTA VEJA DA SEMANA PASSADA

Roberto Pompeu de Toledo

“O problema da moçada da USP é a saudade de um período que eles não conheceram. Nasceram com atraso. Daí a obsessão por fantasiar um entorno de repressão e obscurantismo contra o qual “resistir”?

A nostalgia da ditadura dilacera a moçada da USP especializada em ocupar prédios da Cidade Universitária. “Abaixo a ditadura na USP”, dizia um dos cartazes expostos no prédio da reitoria durante o período em que ele esteve ocupado. Com a palavra “ditadura”, atirou-se sem economia no reitor, na Polícia Militar, no governo paulista. Depois que a PM, na madrugada da última terça-feira, acabou com a ocupação, os estudantes divulgaram um manifesto em que denunciavam a ação policial como “repressão sem precedentes”, realizada “na calada da noite” e “num clima de terror que lembrou os tempos mais sombrios da ditadura militar”.

“Clima de terror” é sempre bom invocar, e, se a ação se deu antes de o sol raiar, é de rigor aplicar-lhe essa clássica das clássicas expressões da literatura policial que é a “calada da noite”, mas… Pobre meninada – não adiantou caprichar na retórica. A operação da polícia, realizada no quadro legal de uma reintegração de posse, não produziu um mísero ferido. E, depois de algumas poucas horas na delegacia, os ocupantes, livres e soltos, já estavam prontos para outra. Ainda não foi desta vez que a ditadura de seus sonhos, uma ditadura de verdade, impiedosa, sanguinária – sobretudo sanguinária, o sangue é fundamental -, fechou-se contra eles, oferecendo-lhes a chance da resistência heroica que tanta falta lhes faz na vida.

Para quem está chegando agora a este filme, ele começou com a detenção pela PM de três alunos que fumavam maconha no câmpus. Houve resistência dos colegas, reprimida pela polícia. Em protesto, foram ocupados, primeiro, o prédio da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e, em seguida, o da reitoria. Ora, a USP ocupa uma imensa área, com recantos ermos e mal iluminados. Ali já ocorreram assaltos e estupros. Em maio, foi morto num assalto o estudante de ciências atuariais Felipe Ramos de Paiva, fato que motivou o convênio pelo qual a PM assumiu o policiamento na área. O velho barbudo escreveu que a história, na primeira vez, se repete como tragédia, e, na segunda, como farsa. A resistência estudantil contra a ditadura deu-se no quadro da tragédia. A resistência contra a presença da PM no câmpus dá-se no da farsa. A causa é a mesma dos antigos donos do Complexo do Alemão – manter um determinado território fora do alcance das leis e instituições brasileiras, e portanto propício à prática do crime.

Outro surrado bordão do velho barbudo é que a religião é o ópio do povo. A fantasia da ditadura é o ópio da moçada encrenqueira da USP. Democracia é uma coisa mortalmente monótona. Bom era o tempo em que o porrete da ditadura atiçava a adrenalina. Desta vez o pretexto foi a maconha, mas, se não fosse, algum outro seria encontrado. Entra ano, sai ano, o mesmo programinha de protesto, ocupação de prédio e denúncia da “ditadura” sacode a USP. Os protagonistas são sempre uma minoria. Dos mais de 80 000 alunos da universidade, desta vez não mais de 2 000 se envolveram no episódio. Mas é uma minoria estridente. Conta com a boa e velha “imprensa burguesa” para dar ressonância a suas estripulias. O problema central dessa moçada é a saudade de um período que eles não conheceram. Nasceram com atraso. São vítimas de uma trapaça do tempo. Daí a obsessão por fantasiar um entorno de repressão e obscurantismo contra o qual “resistir”.

O desejo de viver em outro tempo nos conduz a Woody Allen. Em seu último filme, Meia-Noite em Paris, o personagem central é um escritor fascinado pela mítica Paris dos anos 20, a cidade em que conviviam Picasso, Gertrude Stein, Hemingway, Scott Fitzgerald, Salvador Dalí, Erik Satie, Cole Porter. Uma mágica que ocorre sempre à meia-noite o transporta realmente a esse tempo. Outra mágica, maior ainda, o transporta, dessa vez acompanhado de uma amiga, a uma Paris ainda anterior, a dos impressionistas Renoir, Degas, Monet, Manet. A amiga é tão fascinada por esse tempo que nele decide ficar. O companheiro a adverte: “Cuidado! Esse pessoal vive num tempo em que nem se conhecia a anestesia”.

Ei, moçada da USP, acorda! A ditadura também operava sem anestesia.

Enquanto isso, em Rondônia… A Universidade Federal local encontra-se em greve desde setembro. Professores e alunos protestam contra a falta de recursos e irregularidades na administração apontadas em investigações da Controladoria-Geral da União. A causa é mais compreensível, mas Rondônia é tão longe…


 

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