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Vale

05/05/2011

às 8:53 \ Sanatório Geral

Magro Junior

“Se possível ressalta o factóide que a oposição quer criar em relação a afirmação que o presidente Lula poderia retaliar a Vale. Minha preocupação é a imprensa amanhã distorcer o que ele disse”.

Edison Lobão Filho (filho de Magro Velho), senador da base alugada, setor PMDB, guichê do Maranhão, no bilhete que passou a Lindbergh Farias (PT-RJ) durante a audiência com o ministro Guido Mantega na Comissão de Assuntos Econômicos, atropelando o idioma e a verdade para sugerir ao colega que tratasse o caso Roger Agnelli, demitido da presidência da Vale por excesso de competência, segundo os princípios morais adotados pelo Conselho de Ética que parece o Conselho Deliberativo do PCC.

15/04/2011

às 20:06 \ Direto ao Ponto

A multidão de demitidos pela parceira do PAC é quase cinco vezes maior que a da Vale

Em dezembro de 2008, o presidente da Vale, Roger Agnelli, anunciou que as medidas adotadas para sobreviver à crise econômica internacional incluiriam a demissão de 1.300 funcionários. Uma empresa privada não precisa pedir licença ao governo para tomar decisões do gênero. Um executivo como Agnelli não tem tempo a perder com consultas a políticos tão autoritários quanto ineptos.  Mas no Brasil as coisas não funcionam assim. O maior dos governantes desde Tomé de Souza transformou o condutor da Vale em inimigo da pátria ─ e não sossegou até que Dilma Rousseff conseguisse demiti-lo por excesso de competência.

Nesta quinta-feira, o secretário-geral da Presidência, Gilberto Carvalho, confirmou que a Construtora Camargo Corrêa resolveu demitir 6.000 trabalhadores alojados nos canteiros de obras das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, em Rondônia. Como são dois colossos do Brasil Maravilha parido pelo PAC (PAC 1 ou PAC 2, jamais se saberá), decerto viriam duríssimas retaliações. Quantas cabeças rolariam na direção da Camargo Corrêa?, especulou-se por algumas horas. Nenhuma, apressou-se em comunicar Gilberto Carvalho.

“As demissões são naturais, até porque a Camargo Corrêa fez uma autocrítica e contratou mais gente que o adequado”, festejou o arauto da má notícia. Pela animação do secretário de Dilma, a multidão de desempregados talvez melhore a imagem do governo. Agnelli acabou perdendo o cargo por ter demitido 1.200 funcionários. Mas a Camargo Corrêa é uma boa companheira. Merece o endosso do governo. Por terem consumado um corte quase cinco vezes maior, os executivos da construtora não se limitaram a garantir o emprego. Também entraram na fila dos candidatos a ministro da Fazenda.

06/04/2011

às 11:22 \ Sanatório Geral

Recado ao compadre

“Agnelli estava lá havia dez anos. A saída dele não deve ser considerada um episódio anormal. Ele é um profissional da maior categoria, cumpriu bem o papel”.

Edison Lobão, vulgo Magro Velho, ministro de Minas e Energia, explicando a demissão de Roger Agnelli com uma tese que, aplicada ao compadre José Sarney, informa que Madre Superiora deveria estar aposentado há 40 anos.

06/04/2011

às 9:42 \ Sanatório Geral

Empresa em perigo

“Desejamos que a Vale esteja sempre numa linha de colaboração com o governo, para o interesse nacional. A produção de aço aqui é necessária ao povo brasileiro, à sociedade”.

Edison Lobão, vulgo Magro Velho, revelando que a Famiglia agora está de olho na Vale.

04/04/2011

às 23:13 \ Direto ao Ponto

A troca do presidente da Vale informa que o governo brasileiro acabou de inventar a demissão por excesso de competência

Ao se intrometer na vida da Vale, o governo federal produziu simultaneamente três assombros: inventou a demissão por excesso de competência, transformou Roger Agnelli no único executivo da história que perdeu  emprego por ter feito tudo certo e criou a primeira empresa privada do Brasil cuja diretoria é escolhida pelo Palácio do Planalto e decidiu nesta segunda-feira que o novo comandante será o ex-diretor Murilo Ferreira. Não é pouca coisa. E não é tudo.

Bastou a notícia de que o governo resolvera ditar os rumos da Vale para que mais de 4 milhões de investidores começassem a perder dinheiro. Só em março, as aplicações sofreram uma queda de 6,81%. “As ações deveriam estar voando”, disse em entrevista ao jornal O Globo o especialista em investimentos Bruno Lembi. “Os preços do minério estão lá em cima e a Vale divulgou um balanço excepcional”.

Privatizada em maio de 1997, a Vale começou a colecionar cifras superlativas a partir de julho de 2001, quando Agnelli assumiu a presidência para transformá-la, em 10 anos, na segunda mineradora do planeta e na maior produtora mundial de minério de ferro. Em 1997, tinha 11 mil funcionários. Hoje são 174 mil. A extração de minério subiu de 114 milhões de toneladas para 297 milhões de toneladas, e o lucro saltou de R$ 390 milhões para R$ 30,7 bilhões. Os investimentos somaram R$ 19,4 bilhões em 2010. Deverão chegar a US$ 24 bilhões em 2011.

Quem aplicou R$ 1 mil em ações da Vale no dia da posse de Agnelli tinha R$ 16.829 na conta neste 23 de março, quando o afastamento foi oficializado. A valorização foi de 1.583%. Em paragens civilizadas, tal performance faria qualquer chefe de governo disputar Agnelli a socos e pontapés com a iniciativa privada: como não instalar num ministério da área econômica alguém tão singularmente eficaz? No Brasil, como ensinou Tom Jobim, sucesso é ofensa pessoal. E a independência é o oitavo pecado capital aos olhos de governantes autoritários como Lula.

Enciumado com o executivo brilhante, indignado com o homem de empresa que ignorava determinações do presidente da República, Lula ficou à espera do pretexto para o início da ofensiva. A chance chegou em dezembro de 2008, quando a Vale incluiu a demissão de 1.300 funcionários entre as medidas adotadas para abrandar os efeitos da crise econômica internacional. De lá para cá, a abertura de 35 mil novos empregos compensou amplamente o corte, mas Lula continuou a tratar a demonstração de autonomia como traição à pátria.

Com o apoio de Dilma Rousseff, resolveu que ninguém teria sido demitido se a Vale reduzisse a exportação de minério e ampliasse os investimentos em siderurgia. E apertou o cerco ao inimigo imaginário em abril de 2009, quando Demian Fiocca, ex-presidente do BNDES ligado ao ministro Guido Mantega, foi demitido da diretoria da Vale. Em fevereiro deste ano, incumbido por Dilma Rousseff de articular o ataque derradeiro, Mantega conseguiu o apoio da maioria dos controladores da empresa para a torpeza longamente planejada.

Caso o governo soubesse o que é meritocracia, Agnelli poderia ser o ministro da Fazenda e Mantega e Dilma só apareceriam regularmente no gabinete do presidente da Vale se ele fosse o homem do cafezinho e ela, a mulher da limpeza. Na Era da Mediocridade, Obina joga na Seleção e tira Pelé do time. A multidão de ministros e figurões do segundo escalão comprova que, há quase 100 dias, a presidente da República é uma ilha de despreparo cercada por todos os lados de  incompetentes, cretinos, vigaristas, ineptos e gatunos.

O Brasil decente sairia ganhando se todas essas nulidades fossem despejadas dos gabinetes que ocupam. Em vez disso, Dilma preferiu ultrapassar as fronteiras do Planalto para castigar a Vale com a demissão de um dos mais talentosos executivos do mundo. O País do Carnaval tem o governo que merece.

13/10/2010

às 18:22 \ Vídeos: Entrevista

PT confirma que Dilma Rousseff pretende estatizar a telefonia, a Vale e a Light

Leiam o texto publicado na Folha desta quarta-feira. Comento em seguida:

No calor da disputa eleitoral, circula na internet uma entrevista em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirma que o hoje candidato do PSDB à Presidência, José Serra, foi um dos que mais lutaram pela privatização da Vale do Rio Doce.

O vídeo reproduz trecho da entrevista de FHC ao portal da revista “Veja”. Nela, ele admite que “tinha resistência psicológica” à venda da Vale, ocorrida em 1997. A entrevista foi exibida em novembro de 2009.

“O Serra foi um dos que mais lutaram a favor da privatização da Vale. Digo isso porque muita gente diz assim: ‘O Serra é estati…’ Mas não. Ele entendeu isso. Da Light também. O Serra”.

Pinçado de um bloco de 7 minutos, o vídeo exclui argumentos em favor da venda.

FHC diz que a Vale era “uma espécie de grande repartição pública”, não pagava impostos nem investia.

A assessoria do candidato afirmou, em nota, que ele “vai proteger e fortalecer” as empresas estatais. Quanto à entrevista de FHC, diz que “ele tem direito a opiniões e avaliações sobre quaisquer assuntos da vida nacional”.

Imaginando que prejudica a candidatura de José Serra, o PT editou um bloco da entrevista com Fernando Henrique  Cardoso para transformar o candidato da oposição em defensor da privatização. Previsivelmente, foram amputados os trechos em que FHC justifica com argumentos irrefutáveis as mudanças implantadas em 1998. Veja o bloco na íntegra:

Os coordenadores da campanha de Dilma ainda não descobriram que as trucagens de 2006 estão cobertas de poeira. O eleitorado já sabe que o partido do mensalão faz questão de controlar as estatais para privatizá-las sem licitação em disputas restritas a amigos. Os Correios, por exemplo, são hoje explorados pelo bando de Erenice Guerra.

Atarantado com a mudança dos ventos eleitorais, o PT não acerta uma. Acaba de dar outro tiro na testa. Serra deve mostrar o vídeo integralmente, explicar que a privatização salvou a Light e a Vale da morte por inanição e acusar Dilma Rousseff de planejar em segredo a estatização das companhias telefônicas.

13/11/2009

às 20:01 \ O País quer Saber

Entrevista com Fernando Henrique Cardoso (bloco 1)

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Na primeira viagem ao exterior como ex-presidente, Fernando Henrique embarcou para Paris e se hospedou, com Ruth, na casa de um amigo. Ali, foi surpreendido por um telefonema de Lula, que estava a caminho de Davos, na Suiça. Depois da introdução amistosa, o novo presidente informou ao antecessor que Antonio Palocci, ministro da Fazenda, gostaria de dizer-lhe algo. “Só queria agradecer pelo bom trabalho”, ouviu Fernando Henrique.

A frase se referia ao comportamento de FHC no período que separou o triunfo eleitoral e a posse de Lula. O governo não só abriu as portas a todas as informações disponíveis como condicionou à aprovação do sucessor a tomada de decisões que produzissem efeitos a longo prazo. Mas, como a política econômica não sofreu mudanças relevantes, é possível que Palocci estivesse pensando num universo mais abrangente ao dizer a frase revelada só agora, quase sete anos depois.

Esta e outras revelações temperam o longo e denso depoimento a VEJA.com que começa a ser divulgado hoje. Nestas cinco partes, que compõem o primeiro dos três blocos da entrevista,  Fernando Henrique reconstitui pedagogicamente fatos históricos deformados pela má memória, pela má vontade ou pela má fé. A inflação, por exemplo, não foi derrotada por Lula em 2003, mas por FHC em 1994, quando o então ministro da Fazenda de Itamar Franco comandou a implantação do Plano Real, que o PT primeiro rechaçou e, depois, prometeu revogar.

O ex-presidente conta que, ao longo de oito anos, todos os projetos enviados ao Congresso pelo governo foram rejeitados pelo PT. Comenta o processo de privatização, analisa o papel das agências reguladoras, pulveriza acusações e invencionices, fala com franqueza dos erros que cometeu, diz o que pensa sobre a Petrobras ou a Vale, trata sempre com desembaraço e serenidade os numerosos temas propostos.

Tudo somado, o primeiro bloco do depoimento informa que o Brasil de 2009 não existiria se não tivesse existido um governo que modernizou extraordinariamente o país ─ apesar da resistência feroz do PT.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

21/09/2009

às 15:33 \ Sanatório Geral

Aluna esforçada (3)

“Os empresários têm tanta obrigação de ser brasileiros e nacionalistas como eu. (…) Quando a Vale contrata navios de 400 mil toneladas na China, é de se perguntar: e o esforço imenso que estou fazendo para recuperar a indústria naval brasileira?”

Lula, na entrevista publicada pelo jornal Valor na edição de 17 de setembro, soltando a frase que Dilma Rousseff não conseguiu decorar direito até o dia de entrevista à Folha.


 

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