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Uberlândia

23/10/2010

às 22:46 \ Sanatório Geral

Nem JK escapou

“Tenho grande orgulho de ser mineira. Aqui tomei conhecimento da cidadania. Quem nasce em Minas tem o valor da liberdade dentro do coração. Aqui aprendi a lutar contras adversidades, aprendi a lutar contra a ditadura e aprendi que a gente poderia querer um Brasil diferente daquele desigual, que não crescia, não dava educação, não dava saúde, não dava emprego e não combatia as drogas”.

Dilma Rousseff, capturada pela Thuya durante a discurseira em Uberlândia e entregue aos enfermeiros com o seguinte recado: Pelo visto, ela resolveu ainda na infância acabar a tiros com o analfabetismo, a falta de emprego, as filas para consulta médica no NPS, as drogas e o excesso de dinheiro nos bancos. Nem JK escapou da mineiridade de Dilma.

23/10/2010

às 17:55 \ Sanatório Geral

Presidente que mente (2)

“Tem muita gente que morre e não consegue fazer uma ultrassonografia”.

Lula, ainda na discurseira em Uberlândia, três anos depois de informar ao Brasil que “o sistema de atendimento à saúde está perto da perfeição”.

21/07/2010

às 9:38 \ Sanatório Geral

Neologismo em dilmês

“Não é, apuu, as questões que eu acho que o povo brasileiro merece escultá, ouvi e discuti e tê seus candidatos apresentando pra ele”

Dilma Rousseff, capturada pelo Celso Arnaldo em Uberlândia, quando acusava José Serra e seu vice de terem baixado o nível da campanha, e remetida ao Sanatório com a seguinte observação: Para elevá-lo, ela criou o neologismo “escultar”, que é auscultar a honestidade do candidato sem precisar de estetoscópio ou telescópio.

24/06/2010

às 0:02 \ Direto ao Ponto

O Brasil já foi mais exigente

No meio da entrevista à rádio Bandeirantes de Campinas, entre um palavrório indecifrável e outro sem pé nem cabeça, Dilma Rousseff surpreendeu os ouvintes com dois espantos numa frase só: “O terceiro aeroporto ser em Viracopos é absolutamente adequado, porque Viracopos tem área, Viracopos é perto de Campinas, dista apenas 100 km no máximo de Campinas”.

Primeiro espanto: como Viracopos fica a 14 quilômetros do centro de Campinas, a distância de 100 quilômetros só seria alcançada se o aeroporto inteiro ─ incluídos os portões de embarque, as pistas, o saguão, o estacionamento, o bar, a banca de jornais, os funcionários das empresas aéreas e os passageiros ─ fosse transferido para capital paulista, a 94 quilômetros dali. Quem faz o PAC é capaz até de embarcar um aeroporto num caminhão de mudanças, mas o entrevistador achou melhor conferir. Só então Dilma descobriu onde estava. Quem já confundiu Governador Valadares com Juiz de Fora pode confundir São Paulo com Campinas.

Desfeita a confusão geográfica, segue à espera de elucidação o segundo espanto: se transformar Viracopos no colosso do transporte aéreo, conforme prometeu, Dilma terá presenteado São Paulo com um quarto aeroporto. Embora ninguém saiba onde fica, o terceiro aeroporto foi concluído em 2009, conforme o cronograma divulgado em 20 de julho de 2007, quando a chefe da Casa Civil resolveu mostrar do que é capaz uma gerente de país.

“Determinamos a construção de um novo aeroporto e os estudos ficarão prontos em 90 dias”, pisou fundo já na largada da entrevista coletiva, caprichando no plural majestático. “Estamos determinando que a vocação de Congonhas seja de voos diretos, ponto a ponto”. Depois de conceder-se um prazo de 60 dias para dar um jeito em Congonhas, a superexecutiva a serviço da pátria deixou claro que pensara em tudo. “Tivemos de tomar precauções sobre a área de segurança ao redor do aeroporto”, exemplificou.

Onde seria construído o mais confortável e mais seguro aeroporto do planeta?, excitaram-se os jornalistas. “Não sabemos onde será e, se soubéssemos, não diríamos”, ensinou a ministra. “Jamais iríamos dizer isso para não sermos fontes de especulação imobiliária”. Os jornalistas compreenderam que a ideia de modernizar Viracopos fora sepultada pelo governo. Só ressuscitou nesta quarta-feira porque Dilma Rousseff sempre tira da bolsa um canteiro de obras que logo será plantado no lugar em que está.

Além do aeroporto, Campinas ganhou de novo o trem-bala que, dias antes, apitou numa curva de Uberlândia e anda fincando uma estação ferroviária a cada escala eleitoral. No Brasil real, o governo não concluiu uma única obra física relevante. No Brasil que Lula inventou, inaugura um deslumbramento por dia. Ou dois: enquanto Dilma inaugurava o quarto aeroporto de São Paulo, o presidente visitou um terreno baldio no Pará para inaugurar “o início da terraplanagem para a construção de uma usina siderúrgica”.

Nesse país do faz-de-conta a vida é uma beleza. Aqui, segundo o IBGE, 35% dos brasileiros não conseguem alimentar-se suficientemente. Lá todos têm direito a três refeições por dia, os ex-miseráveis vivem como ricos e os que já tinham fortuna agora levam vida de rei. Aqui as multidões carentes de transporte se penduram em trens de subúrbio. Lá há trem-bala para todos. Aqui há pedintes nas esquinas. Lá a pobreza é uma lembrança tão longínqua que os pobres já nem se lembram dos tempos em que faltava dinheiro para viajar de avião. Lá há aeroportos de sobra, só São Paulo já tem três. E Dilma Rousseff, parceira de Lula na edificação desse universo fantasioso, acaba de embarcar no quarto.

O Brasil já foi mais exigente, menos subalterno, mais sensato, menos crédulo.  É compreensível que o País do Carnaval passe alguns anos enxergando um gênio da raça num monumento ao primitivismo. Mais difícil é entender o que leva tanta gente a topar o salto no escuro com Dilma Rousseff. O que parece uma opção por uma candidatura é só a sujeição voluntária da vítima ao autor da vigarice.

22/06/2010

às 20:22 \ Sanatório Geral

Trem multinacional

“O trem vai criar nessa região uma grande oportunidade para aumentar a construção civil, para aumentar as cidades da região. Sobretudo para permitir que as pessoas tenham um fluxo maior e possam transitar pelo Brasil”.

Dilma Rousseff, ao explicar que o trem-bala ligando Campinas-São Paulo-Rio que inaugurou em 2007 vai ser inaugurado de novo para festejar a chegada dos trilhos a Uberlândia, Aparecida do Norte, São José dos Campos, Paris e, se o companheiro Zelaya voltar à presidência, Tegucigalpa.

18/03/2010

às 20:09 \ Direto ao Ponto

O implacável Celso Arnaldo viaja com Dilma por Minas Gerais

O jornalista Celso Arnaldo acompanhou o início da prometida viagem sentimental da Mãe do PAC por Minas Gerais. Vejam os melhores momentos, criteriosamente analisados pelo grande caçador de cretinices:

A Agência Estado selecionou ontem algumas pílulas de sabedoria de Dilma Rousseff durante a inauguração de uma estrada em Minas Gerais ─ a duplicação do trecho entre Monte Alegre e Uberlândia da BR-365, concluída há oito meses. Começam pelo esclarecimento definitivo de uma questão que atormenta mineiros e gaúchos, cada qual tentando empurrar a batata quente para o outro: afinal, o que é Dilma? Ela esclarece:

“Muita gente diz que a ministra diz que é mineira, mas não é. A gente não é de um estado ou de outro por conta da vida política, mas da infância, da adolescência, da juventude. Eu saí de Minas aos 23 anos. Nenhum político da oposição pode tirar Minas de minha experiência. Saí de Minas, mas Minas não saiu de mim”.

Pega no meio desse “diz que diz que”, a ministra tentou dizer, em outras palavras, que nosso estado natal é aquele onde a gente nasce, não onde a gente é eleito, ela que nunca foi eleita para nada. Satisfeita, a imprensa mineira então quis saber a opinião da ministra a respeito da pesquisa Ibope, que a aproxima ainda mais de Serra. Em Minas, como os mineiros:

“Vou repetir o que repito a horas: a pesquisa é retrato do momento. Nós tamu em março, a eleição é em outubro, e ninguém sobe de salto alto”.

Percebam que a Agência Estado, que tem uma revisão bastante atenta, escreveu “a horas”. Arrisco uma explicação: o redator presume que Dilma cometa erros de grafia até falando. De qualquer forma, intriga-me o fato de que ela precisou repetir durante horas algo que todo mundo está cansado de saber: pesquisa é retrato do momento. Ficou rouca à toa.

A informação de que “tamu em março” também não é inédita, bem como que a eleição é em outubro. De novo mesmo, só esse negócio de subir de salto. Não, pensando bem, Dilma já tinha dito algo parecido há uns dois meses ─ mas, pelo que lembro, ela falou “subir no salto alto”, querendo ilustrar uma imagem de pretensão ou arrogância, que seria contra seus princípios.

“De salto” é novidade, sim ─ se bem que uma amiga minha contraria a afirmação de Dilma de que ninguém sobe de salto alto: ela só usa salto de 9 centímetros, mora no quarto andar e prefere subir de escada, para fazer exercício. Sempre chegou ao apartamento, sem problemas.

Mas vamos adiante ─ agora é Dilma falando sobre esse novo Brasil, de oportunidades iguais para todos, em todos os campos, da fila do SUS à fila do caixa da Daslu:

“Não podemos deixar que se reproduza desigualdade na raiz da desigualdade”.

Parece que Dilma disse isso já preparando a visita seguinte ao Laboratório de Genética que vai dar um jeito nessa raiz de desigualdade que teima em dar desigualdade.

Mas há uma estrada para inaugurar. Palanque armado em frente ao canteiro de obras. A voz de Dilma, sempre alterada, ecoa pelas Alterosas:

“Nós estamos não mais só conquistando território, nós estamos melhorando o território, assegurando que o território hoje tem uma logística adequada”.

É Dilma tentando deixar bem claro, pela tripla ênfase, que o Brasil tem dimensões territoriais.

E depois de a secretária municipal de Monte Alegre de Minas lembrar que a primeira pista da estrada fora inaugurada por Juscelino em 1958, Dilma fez questão de dar um pitaco, com um sucinto mas precioso e inédito perfil de seu conterrâneo, que muda tudo o que sabemos de JK até hoje:

“Grande presidente desenvolvimentista, responsável, visão ampla de País”.

Carlos Heitor Cony, um dos biógrafos de JK, já solicitou à equipe de Dilma que libere a frase para a chamada da nova edição.

O trecho da rodovia ora inaugurado é conhecido como “Trevão” ─ e por certo terá esse apelido carinhoso ainda mais consagrado depois dos discursos de Dilma, a rainha da treva.


 

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