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Tutu Quadros

17/03/2010

às 22:06 \ Baú de Presidentes

O neto de Jânio Quadros quis saber por que o avô o chamava de “senhor” e foi chamado de imbecil

O economista Jânio John Quadros Mulcahy, nascido em Houston há 26 anos, fruto do casamento de Tutu com o marido americano, está na redação da revista Época contando histórias protagonizadas pelo avô materno. Fala  português com fortíssimo sotaque texano e se refere ao avô num tom de voz que funde reverência e humor. É o tom perfeito para evocar um homem de temperamento extraordinariamente pendular como Jânio da Silva Quadros.

Jânio John informa que vai candidatar-se a deputado estadual. Conta que, em busca do legado eleitoral do mitológico líder popular que renunciou à presidência da República depois de sete meses no poder, adotou um nome de guerra bem mais sedutor que o original americano:  Jânio Quadros Neto. Pergunto como foi o convívio com o avô durante a infância. Ele começa a responder com mais uma história.

Tinha 8 anos no dia em que interrompeu com uma interrogação inesperada a conversa sobre tediosas aventuras do cotidiano ─ desempenho escolar, pratos preferidos e outros temas que sempre aparecem quando sobra tempo e falta assunto. Se ele chamava Jânio de “você”, quis saber, por que o avô insistia em chamá-lo de “senhor”?

─  Porque o protocolo proíbe intimidades entre um ex-presidente e meninos imbecis ─ cortou Jânio. ─ Imbecis e insolentes como o senhor.

O apreço por normas protocolares não impedia que bebesse perto do neto quando tinha sede ─ e Jânio Quadros vivia com sede.

─ Mas só vi meu avô sair carregado uma vez, no Carnaval de 1985 ─ ressalva Jânio John. ─ Ele só ficava mais falante. E repetia sempre a mesma frase: “Sou igualzinho a Winston Churchill: o mais que eu bebo, mais brilhante fico”.

Sorrindo, o neto lamenta não ter testemunhado um episódio que alguém lhe contou na adolescência e foi confirmado pelo próprio protagonista. O ex-presidente estava na casa de um deputado, ele bebendo vinho do Porto e o anfitrião bebendo uísque, quando soube que alguns repórteres tinham chegado. Escondeu o cálice e pediu um copo de leite.  Um dos jornalistas achou aquilo muito estranho e perguntou se era mesmo leite.  O narrador imita o avô para repetir a resposta:

─ O que os senhores queriam que eu estivesse bebendo? Vinho do Porto? Uísque? A uma hora dessas?

Eram 11 horas da manhã.

 

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