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turismo

08/10/2011

às 19:56 \ Sanatório Geral

Novilíngua companheira (376)

“O objetivo é ajudar o ministro Gastão Vieira na gestão do ministério e colocar a pasta nos eixos”.

Valdir Moysés Simão, novo secretário executivo do Ministério do Turismo, explicando que, na novilíngua companheira, “gestão” quer dizer roubalheira e “eixos” significa bolsos.

11/09/2011

às 19:58 \ Sanatório Geral

E$tratégia é i$$o

“É estratégica para o desenvolvimento do Estado”.

Pedro Novai$, mini$tro do Turi$mo, ao ju$tificar a emenda de R$ 10 milhõe$ que infiltrou no Orçamento de 2011, quando agia como deputado federal, para “apoio a projeto$ de infrae$trutura turí$tica” no Maranhão, e que de$tinou parte dos recurso$ à con$trução de uma ponte em Barra do Corda, que não e$tá na li$ta dos 50 município$ indutore$ de turi$mo do e$tado, en$inando o que é e$tratégia.

09/09/2011

às 21:46 \ Sanatório Geral

A inocência dos culpados

“Também houve denúncia no Turismo e isso não significa que o ministro esteja envolvido, porque, se estivesse, não estaria no cargo”.

Luciano Castro, deputado do PR de Roraima e vice-líder do governo na Câmara, explicando que, como continua no cargo, o ministro Pedro Novais é tão inocente quanto o ex-ministro Alfredo Nascimento, cujo único pecado foi não ter providenciado a tempo a filiação ao PMDB.

21/08/2011

às 15:14 \ Feira Livre

‘Turismo de mosca é no lixo’, de Nelson Motta

TEXTO PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEXTA-FEIRA

Nelson Motta

Se a Espanha encarasse o turismo com a mesma seriedade que o Brasil, não teria faturado 60 bilhões de dólares com visitantes em 2010. O orçamento mirrado e a irrelevância de uma pasta periférica, usada como moeda de troco político, e o desempenho pífio dos seus ministros e gestores, ajudam a explicar por que o Brasil só faturou 6 bilhões.

A lambança no Ministério do Turismo, a patética figura do ministro octogenário que paga contas de motel com dinheiro público, a infinidade de ONGs de fachada, de “turismólogos” e “cursos de capacitação” fantasmas são o resultado da importância que o governo dá ao turismo – uma indústria limpa e sustentável, que não tira nada do país, só traz divisas, gera empregos e divulga nossa cultura.

Com orçamento indigente, o ministério vive de emendas de deputados e senadores. No ano passado, 460 parlamentares destinaram 2,7 bilhões para o turismo, que fizeram a festa dos promotores de festas com dinheiro público. Com o clamor na imprensa e os cofres arrombados, o governo proibiu a mamata. A nova festa é o “curso de capacitação”: só mudam as moscas, o lixo continua o mesmo.

Ladroagens em ministérios são normais no Brasil, frutos podres do aparelhamento político e dos consórcios cleptopartidários. Anormal é o desperdício de um país com o nosso potencial turístico ter um ministério como o que estamos vendo nas páginas policiais.

Em Brasília se acredita que o turismo não exige qualificações técnicas, como engenharia ou urbanismo, basta ser da turma. Lembra o não saudoso Milton Zuanazzi, que foi presidir a Anac, com resultados desastrosos, porque tinha uma agência de viagens em Porto Alegre e era petista.

A Espanha tem uma estrutura turística eficiente, tem história, diversão e arte, mas é no verão que mais fatura, com as suas praias e ilhas ensolaradas. Neste quesito ganhamos de goleada. A oferta de lazer e de atrações artísticas no Rio de Janeiro e em São Paulo também não fica devendo nada a Madri e Barcelona. Somos 16 vezes maiores, mas fazemos só 10% do que eles ganham com turismo. A culpa deve ser da mídia golpista que difama o país lá fora.

11/08/2011

às 13:38 \ Sanatório Geral

Deputado abusado

“Houve abuso de poder do Judiciário e do Ministério Público”.

Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara, sobre a prisão dos quadrilheiros do Ministério do Turismo, abusando da paciência do eleitorado e insultando a inteligência de quem tem mais de cinco neurônios.

28/06/2011

às 20:14 \ Direto ao Ponto

O assombro que Sarney indicou para completar a obra de Marta Suplicy

A ministra do Turismo tinha algo a dizer aos flagelados dos aeroportos em colapso? “Relaxa e goza”, aconselhou Marta Suplicy em 2007. A frase foi o mais vistoso legado da agora senadora. E é o que tem feito Pedro Novais, escolhido por José Sarney e nomeado por Dilma Rousseff para provar que, no Brasil, o que está péssimo sempre pode piorar. Aos 80 anos, o maranhense que mora no Rio parece bem de saúde: em dezembro, por exemplo, comemorou a conquista do emprego novo com uma festança num motel em São Luís. E mostrou que continua esperto ao pagar a conta com dinheiro do Congresso.

O balanço do semestre no Ministério atesta que Novais não perdeu a animação. Nos primeiros 165 dias no cargo, concedeu 132 audiências a parlamentares ─ mais de uma conversa sem pressa por dia útil. Mas não quer saber de trabalho: entre 3 de janeiro e a terceira semana de junho, assinou uma portaria e dois convênios. Três documentos. Um a cada dois meses. A portaria regulamentou a classificação dos hotéis brasileiros, baseando-se em padrões reconhecidos internacionalmente. Os convênios favoreceram a governadora Roseana Sarney com R$ 22,6 milhões, oficialmente destinados à infraestrutura turística do Maranhão. É ali que o padrinho vive e o afilhado cultiva canteiros de votos.

No discurso de posse, o ministro prometeu acabar com a farra dos eventos turísticos promovidos por prefeitos festeiros demais. Deu a promessa por cumprida três meses depois e tratou de recuperar o tempo perdido. Até o fim de junho, já tinha irrigado com mais de R$9 milhões os cofres de 65 municípios. Como ainda não foi computada a gastança com as quadrilhas de São João, a conta vai ficar muito maior. Mas não provocará ampliações notáveis no buraco do déficit público. Atingido pela tesourada que levou 84% do orçamento de 2011, restaram ao Ministério do Turismo R$ 3,1 bilhões. Como tudo pode esperar, Novais só desperdiçou, por enquanto, 2,1% dos recursos disponíveis.

Se continuar no posto, a excentricidade apadrinhada por Sarney e acolhida por Dilma certamente fará o Brasil perder mais algumas posições no ranking mundial dos destinos mais procurados por viajantes estrangeiros. Em abril, caiu do 45° lugar para o 52° entre os 139 países avaliados pelo Fórum Econômico Mundial. Também por isso, a presidente resolveu prolongar o castigo imposto ao campeão da inépcia: ele é um dos três ministros que nunca foram convidados para uma conversa a dois com a chefe.

Amigos e assessores juram que Novais não se sente discriminado. Dá-se por satisfeito com a participação nas reuniões de um certo Grupo Gestor da Copa. Uma das justificativas recitadas com mais entusiasmo pelos beneficiários da Copa da Roubalheira é o efeito mágico do evento sobre os ganhos com o turismo. Talvez acreditem que tal fenômeno ocorre mesmo com um Pedro Novais no Ministério. Talvez pressintam que Dilma Rousseff anda preparando o terreno para a volta de Marta Suplicy.

É possível que Sarney avalize alegremente a substituição do protegido. Mesmo que a receita da Famiglia seja prejudicada, vale a pena perder um ministério se, em troca disso, perder a companhia da vice-presidente da Mesa. Ficar longe da senadora sempre à beira de um chilique é coisa que não tem preço. O resto do país que relaxe e goze.

08/04/2011

às 10:37 \ Sanatório Geral

A serviço da nação

“Temos essa agenda marcada há muito tempo. Se eu estiver lá, vou ao jogo. Tem algum crime nisso? Poderia ser uma peça de teatro. A interpretação é equivocada, não dialoga com a realidade. Pediria que não fossem maliciosos. Turismo faço às minhas expensas”.

Marco Maia, presidente da Câmara, sobre a viagem oficial a Madri da comitiva formada pelo deputado federal Romário, pelo deputado Eduardo Gomes, por dois assessores e por seu filho, indignado com a suspeita de que a turma vai baixar na Espanha não para defender os superiores interesses da pátria, mas para ver de perto o clássico entre o Real e o Barcelona.

14/12/2010

às 7:22 \ Sanatório Geral

Turista de jaleco

“Se eu pudesse, colocaria 100% para o turismo, mas a saúde também é importante”.

Charles Lucena, deputado da base alugada, setor PTB, guichê de Pernambuco, diplomado em medicina, explicando por que resolveu torrar R$ 8,6 milhões – dos R$ 12, 5 milhões a que tem direito – em emendas para a realização de festas e outros “eventos culturais”.

26/09/2010

às 2:48 \ Direto ao Ponto

Celso Arnaldo: o palavrório do Discurso sobre o Nada a uma semana da eleição

CELSO ARNALDO ARAÚJO

Emergindo dos subterrâneos da Casa Covil e atirada à arena política pelo dedazo mutilado do presidente Lula, Dilma Rousseff, em suas primeiras aparições públicas, deu margem à suspeita de que acabara de ser despertada de um coma profundo, que lhe gerou afasia, ou de estar retornando de temporada de 20 anos num fiorde islandês, cercada de renas e completamente isolada de humanos.

Pela sistemática agressão às regras mais rudimentares da sintaxe humana, pelo nítido desespero com que tentava encontrar palavras e coerência para explicar seus projetos; pelo constrangedor desconhecimento de todo e qualquer assunto da esfera de governo e até de temas pessoais, como a condição feminina e sua própria doença; pelos raciocínios primitivos, fragmentados, incompletos, convexos, esdrúxulos; pela incapacidade de reproduzir corretamente até surrados ditos populares; pela agônica falta de traquejo com câmaras de TV, microfones, palanques, púlpitos, palcos, estúdios. Por tudo isso a candidatura Dilma soava como uma afronta fadada ao ridículo e à poeira da história.

À medida que subia nas pesquisas, ia vencendo todas as suas patológicas dificuldades de articulação e concatenação. Nesse período, fez um intensivão de problemas brasileiros e decorou a essência fundamental dos projetos de seu governo. Como prova dessa metamorfose, selecionei três manifestações de Dilma esta semana, na reta final da campanha. Percebam a diferença.

SAÚDE – Era uma palavra que para Dilma só fazia sentido quando espirrava perto de um áulico. Para ela, SUS soava como um mineirinho dizendo “susto”. Agora Dilma dá consulta, faz diagnóstico, opera de cabo a rabo. Quinta-feira, após reunião com dirigentes de entidades privadas na área da saúde, descobriu o nó górdio do setor e anunciou seus planos para curar o Brasil, começando pelo laudo clínico:

“Essa parceria com o setor privado ela vai te permitir uma das questões é justamente não só através de um sistema público, de uma rede pública, mas também dessa possibilidade de uma parceria com o setor privado visando o atendimento de especialidades”

Viram como o diagnóstico é redondo, cirúrgico? Essa parceria com o setor privado vai permitir a possibilidade de uma parceria com o setor privado. Dilma sabe exatamente o que fazer para dar ao povão um atendimento de Sírio-Libanês.

VIDA – Dilma também era meio fraquinha quando discorria sobre bioética, aborto, esses temas tão complexos. Agora, sua defesa da vida é uma verdadeira curetagem nos que duvidaram de sua formação humanista e de sua própria humanidade.

Disse ela no debate da CNBB, quinta-feira à noite:

“Eu também tenho uma posição clara em defesa da vida, acho que a vida é um valor que nós, seres humanos, temos de respeitá, temos de honrá, e sobretudo temos de percebê a dimen, a dimensão trancedente (sic) dela”

Grande Dilma. Como ser humano que é, aprofundou-se tanto na defesa da vida que pretende criar uma nova dimensão humana, melhor que o sistema 3D e muito além da imaginação – a trancedência, que é intocável, porque inexistente.

TURISMO – Nesse campo, Dilma era meramente acidental. Só viajava quando a mandavam à Europa, com tudo pago, para dizer que o meio ambiente era uma ameaça ao mundo desenvolvido. Agora, conhece de cor todos os pacotes da CVC. Depois de um encontro com dirigentes do Conselho Nacional de Turismo, quarta-feira, deu sua receita para fazer do Brasil um polo de atração mundial:

“É um setô que tem uma característica que é especial para o Brasil. É, é, é, diferenciado, é diferenciado o que o Brasil pode obter nesse momento inclusive do desenvolvimento que nós estamos. Porque hoje o Brasil ele passou a ter um outro status no mundo. Ao passá a tê um outro status no mundo, o turismo vai sê um dos mecanismos pelos quais nós podemos inclusive, enquanto país, capitalizá este fato”.

Capitalizá esse fato talvez signifique atrair mais turistas para o arraiá de Lula na Granja do Torto, na Capital. O estrangeiro, enquanto turista, saberá entender o recado de Dilma.

SAUDAÇÕES – Ficou para trás o tempo de saudações esdrúxulas, que prenunciavam o desastre, antes de falsas entrevistas (“Oi, internautas”) e falsos comícios (“Eu queria saudá os jovens homens e as jovens mulheres”, como numa “palestra” para a juventude petista no Paraná). Muito mais traquejada, o microfone e o palco agora são extensões de seu corpo, como se vê no início deste comício em Curitiba, no meio da semana:

“Boa noite, minhas queridas companheiras mulheres. E aqui tem muita mulher nesse comício de hoje. E boa noite meus companheiros, meus queridos companheiros homens. Homens que amam as mulheres”.

Como se vê, Dilma ainda insiste em fazer gênero nas saudações – não acredita que “companheiros e companheiras” já incluam homens e mulheres. Mas, muito mais traquejada, agora tem até cacoete de animadora de auditório, como se percebe no “homens que amam as mulheres”.

Vê-se, porém, que Dilma ainda não está nota 10: alguns identificaram nessa gracinha meio sem jeito uma pontinha de discriminação.

Pensando bem, ninguém é perfeito – mas, até as eleições, Dilma estará nos cascos.

15/01/2010

às 19:59 \ Vídeos: Entrevista

Seth Kugel, jornalista americano

Colaborador do jornal The New York Times e correspondente da agência de notícias Global Post, Seth Kugel mora no Brasil há pouco mais de um ano. Na primeira visita ao país, em 2003, entrou pela fronteira da Colômbia com o Amazonas e ficou encantando com a simpatia e curiosidade do povo. Jornalista especializado em turismo, Kugel tem mais intimidade com o Brasil que muitos brasileiros e se interessa sobretudo por lugares pouco explorados, como a Serra do Cipó e outras paragens do interior de Minas Gerais. Na chegada, o que mais o chocou foi a desigualdade social escancarada pelas favelas cariocas. Hoje, o que lhe chama a atenção são a corrupção e a impunidade. Para o jornalista, Lula tem feito um bom trabalho com a mídia estrangeira, que o retrata como homem perfeito. “Um presidente que termina o mandato com 80% de aprovação com certeza trabalhou para manter essa taxa e não para mexer nas coisas difíceis”, observa Kugel. “Com reformas grandes, você não faz muitos amigos”.

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