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tribuno

04/12/2010

às 11:28 \ Vídeos: Entrevista

Depoimento do ministro Paulo Brossard (fim)

“O presidente Lula transformou-se em um marqueteiro de si mesmo”, diz Paulo Brossard, ex-ministro do STF e da Justiça, ao fazer um balanço resumido dos oito anos da Era Lula. Para o jurista gaúcho, o presidente da República — ao aparecer praticamente todos os dias na TV para tratar de todos os assuntos – tornou-se tão poderoso que acabou ficando perigoso. Ao discorrer sobre as incertezas que envolvem os horizontes brasileiros, Brossard se ampara numa citação de Machado de Assis: “O imprevisto é uma espécie de deus avulso, ao qual se deve reservar algumas ações que podem ter voto decisivo na assembleia dos acontecimentos”.

Parte 5


Na última parte deste Veja Entrevista especial, Paulo Brossard recorda momentos vividos no Congresso. Tribuno famoso e temido, ele reproduz, palavra por palavra, o epílogo do primeiro discurso no Senado: “Fui eleito por oito anos”, começa, prolongando as pausas – uma de suas marcas registradas. “No entanto, o meu mandato de oito anos pode durar oito meses. Ou oito semanas. Ou oito dias. Ou oito horas. Agora, enquanto eu estiver aqui, não hei de pedir a ninguém licença para dizer o que entenda é do meu dever fazer”. Parece inverossímil, mas existiram na história recente do Brasil parlamentares que prezavam muito mais a própria honra que o mandato.

Parte 6


04/02/2010

às 0:12 \ Direto ao Ponto

O sumiço dos grandes tribunos e a farsa da bichinha palanqueira

“A bichinha está palanqueira”, decidiu o presidente Lula, caprichando na pose de professor de eleição, depois de outro discurso indigente de Dilma Rousseff. O padrinho sabe que a afilhada é um desastre. O que não sabe é que ele próprio é um palanqueiro bisonho. Bom animador de auditório, quase sempre em sintonia com o público presente, Lula está para um mestre da oratória como estão os senadores brasileiros para um estadista inglês.

O improviso de comício é o monólogo teatral em sua variação mais intensa, misteriosa e bela. Quem hipnotiza plateias com o monólogo de Hamlet talvez não consiga chegar ao fim do discurso na praça. Quem comove multidões com o monólogo no palanque brilhará em qualquer palco.

O grande ator interpreta cena por cena uma peça teatral que alguém criou. Segue o roteiro que memorizou e a plateia não pode modificar. O grande tribuno vai criando palavra por palavra a peça retórica admirável na forma e sólida no conteúdo. Segue um esboço de roteiro cujo desenvolvimento terá de improvisar e redesenhar com frequência, para ajustá-lo às reações da multidão.

O domínio do palanque , que pode ser montado na boleia de um caminhão ou num estúdio de TV, é uma forma superior de inteligência política. Os que são dela providos se expressam com o mesmo magnetismo na boleia de um caminhão ou num estúdio de TV, que transformam em palanque eletrônico. Carlos Lacerda e Jânio Quadros, por exemplo, já esbanjavam competência na tela no minuto seguinte ao da chegada da televisão ao país.

Faz tempo que o Brasil virou um deserto de tribunos. Não é de hoje que se transformou num viveiro de oradores de botequim. Mas a Era da Mediocridade foi longe demais: pela primeira vez, um presidente da República escolhe para sucedê-lo no cargo alguém incapaz de expressar-se de modo inteligível.

Nas transcrições literais dos falatórios de Dilma Rousseff, não se encontra uma única frase sem incorreções, um único parágrafo sem derrapagens, um único raciocínio consistente, uma só ideia que denuncie um cérebro em atividade. Cada declaração é um espanto. Cada discurso é um naufrágio.

Para Lula, a bichinha já está palanqueira e vai longe. Esse não sabe o que diz. São ainda piores os que que enxergam Dilma como ela é e fazem de conta que estão vendo o que não há. Esses não dizem o que sabem. Esses fizeram a opção preferencial pelo cinismo.


 

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