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Tegucigalpa

30/05/2011

às 15:25 \ Direto ao Ponto

A tarde de janeiro em que Zelaya caiu fora da Pensão do Lula sem pagar a conta

Não percam, na seção Vale Reprise, a segunda e última parte do delirante desfecho da passagem de Manuel Zelaya pela embaixada do Brasil em Tegucigalpa, transformada em Pensão do Lula pelo companheiro hondurenho.

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29/05/2011

às 13:07 \ Direto ao Ponto

A volta de Zelaya evoca a delirante manhã em que Lula acordou invocado

A volta a Honduras do ex-presidente Manuel Zelaya exige a reprise do post com o título A manhã de janeiro em que Lula acordou invocado, publicado em 12 de dezembro de 2009. O texto, que provocou mais uma intensa mobilização do timaço de comentaristas, descreve mediunicamente o que Lula faria em 28 de janeiro de 2010, depois de confrontado com o noticiário sobre a posse do presidente Porfírio Lobo.

Os eventos relatados no texto reproduzido na seção Vale Reprise só não se consumaram porque Lula soube na tarde de 27 de janeiro que Zelaya deixara a embaixada pela manhã. Mas foi cumprida a profecia resumida na última frase. Marco Aurélio Garcia, claro, representou o governo Dilma Rousseff no comitê de recepção ao golpista trapalhão que durante cinco meses dirigiu a Pensão do Lula, instalada na embaixada em Tegucigalpa. TopTopTop merecia ser proibido de voltar ao país até resolver a pendência. Milhões de brasileiros rezariam para que não conseguisse.

20/12/2009

às 13:46 \ Direto ao Ponto

A tarde de janeiro em que Zelaya resolveu cair fora da pensão

Faltavam três minutos para as três da tarde de 27 de janeiro de 2010 quando o calor de Tegucigalpa interrompeu a sesta do homem estendido na cama do quarto principal. Manuel Zelaya acordou com o pijama de seda ensopado de suor, afastou o chapéu sobre o rosto com a mão esquerda e, praguejando contra o inverno hondurenho, estendeu a direita para acordar a mulher que não estava lá. Abriu os olhos, arregalou-os enquanto conferia o relógio da parede e estranhou a ausência de Xiomara, que nos tempos do palácio não encerrava a sesta antes das quatro.

Ela parecera aflita ao longo da manhã, integralmente consumida ao lado do rádio para que não se perdesse nenhum detalhe da cerimônia de posse do traidor Porfirio Lobo no cargo usurpado pelo golpista Roberto Micheletti. Tampouco o chamara de Mel durante o almoço, como de hábito. Mas Zelaya até cantarolou uma música nativa enquanto calçava as botas negras e combinava a calça bege com a mais alva das oito guayaberas, sem suspeitar de que o sumiço da primeira-dama era só o prelúdio de uma sucessão de espantos.

Nenhum dos dois voluntários vigiava a porta, intrigou-se ao sair do quarto. E nenhum de seus dois ministros estava na sala, surpreendeu-se. E não havia nenhum soldado vigiando a rua, desconcertou-se ao chegar perto da janela para a contemplação ritual da tropa que sitiava o casarão desde a gloriosa noite de setembro em que se infiltrou na velha embaixada do Brasil à frente de 300 bravos prontos para matar ou morrer.

Zelaya berrou o nome da mulher, ouviu o grito do silêncio, foi assaltado pela angústia, marchou sobre os aposentos dos dois jornalistas brasileiros, encontrou-o deserto pela primeira vez em cinco meses e enfim compreendeu que algo de muito grave havia ocorrido.  ”Qué pasa?”, murmurou já ensaiando o famoso olhar dos momentos de cólera. Começava a planejar vinganças tremendas quando veio do quarto dos fundos a informação em espanhol com sotaque cearense: “Se fueron, señor presidente”.

Era Francisco Catunda, o encarregado de negócios da antiga embaixada brasileira. “La señora?”, sussurrou com olhar de pedinte. A mudez do diplomata respondeu que sim.  ”Los periodistas?”, balbuciou já sem esperança. “Se fueron todos”, assim começou Catunda a relatar os sucessos da tarde, desencadeados quando faltavam dez minutos para as duas e encerrados meia hora depois.

A primeira-dama saiu do quarto, informou ao entrar na sala que o marido já ressonava,  convocou os sete hóspedes restantes para uma assembleia deliberativa da pensão, esperou que se acomodassem e tirou o celular da bolsa. Pediu a quem atendera que chamasse o chefe do cerimonial do palácio, cumprimentou-o pela bonita cerimônia de posse e comunicou que, se houvesse um convite de sobra, compareceria com muito prazer ao baile da posse de Porfírio Lobo.

Em seguida, ordenou a Catunda que chamasse o capitão que chefiava a guarda militar formada por 20 recrutas, diante do qual renunciou oficialmente ao cargo de primeira-dama democraticamente eleita e reconheceu o novo governo. Aplaudida pelos presentes, a ex-primeira-dama ordenou-lhes que fossem para casa, determinação atendida pelos ministros, pelos jornalistas, pelos voluntários e pelos soldados do Exército, inclusive o capitão comandante. Só ficou o encarregado de negócios, escalado para a narrativa que acabara de fazer.

Então Manuel Zelaya entendeu que chegara o momento de cair fora do casarão. Ligou para a casa dos pais, a mãe reconheceu a voz de Manolo, ele pediu-lhe para passar a noite no quarto da infância e ouviu que sim, desde que não achasse que também aquilo era uma pensão e ficasse por cinco meses. Sem ninguém para preparar o jantar, comeu um pedaço de pizza da véspera, foi dormir outra vez e, à meia-noite em ponto, convocou Catunda para o último despacho como presidente constitucional.

Declarou encerrado o mandato, reconheceu o novo governo, entregou as chaves do casarão e, antes de buscar a mala, encarregou o encarregado de negócios de ficar no posto até a manhã seguinte. Às 11 horas, deveria telefonar para o companheiro Lula e narrar-lhe os acontecimentos históricos. O soldado do Itamaraty estava com o celular na mão quando o cara ligou.

Era para dizer-lhe que Zelaya se fora sem pagar a despesa. Isso Catunda fez. Mas não fez o que o amigo hondurenho ordenou que fizesse se Lula viesse com lamúrias, como veio. Nesse caso,  Catunda deveria sugerir-lhe que mandasse a conta para o companheiro Hugo Chávez.

Ou, então, que se queixasse ao bispo de Tegucigalpa.

21/10/2009

às 20:00 \ Sanatório Geral

Falta quórum

“Deixei a minha vida no destino do povo hondurenho. Não tenho uma vida pessoal, própria. Tomarei as minhas decisões no tempo necessário, mas a luta continua”.

Manuel Zelaya, presidente sem país a presidir, hospedado há um mês na Pensão do Lula, pronto para liderar a revolução popular que vai conduzi-lo de volta ao poder, e que só está ligeiramente atrasada por falta de quórum.

16/10/2009

às 19:47 \ Sanatório Geral

Chanceler de bolso (5)

“Hoje há um diálogo que não existia. Um mês atrás esse diálogo estava parado. Então o Brasil, até pela sua atitude de ter oferecido essa proteção ao presidente Zelaya, contribuiu para que essa solução viesse. Agora, a solução virá dos hondurenhos, com a ajuda da comunidade internacional, e é assim que tem que ser, e estamos otimistas”.

Celso Amorim, Homem sem Visão de Maio, feliz com o diálogo que hoje existe para discutir a confusão que não existia, e por isso mesmo não precisava existir diálogo nenhum, antes da instalação de Zelaya na Pensão do Lula, autorizando os hondurenhos a resolverem o problema criado pelo Brasil.

30/09/2009

às 18:58 \ Direto ao Ponto

Líder é o codinome dos ditadores

Entusiasmados com as cenas de abertura do pastelão cucaracha produzido por Hugo Chávez, protagonizado por Manuel Zelaya e encenado num estúdio do Itamaraty em Tegucigalpa, os editores da seção internacional da Folha e do Estadão inventaram o jornalismo de altíssima definição e precisão duvidosa. Zelaya, por exemplo, virou ”presidente deposto”, ”presidente democraticamente eleito” ou “presidente constitucional”. Roberto Micheletti, transferido da presidência do Congresso para a chefia do governo por determinação constitucional, foi rebaixado a “presidente golpista” ou  ”presidente de facto” (com c, de conspiração).

Se ninguém mais é apenas chefe de governo, chefe de Estado ou presidente, que tal estender ao resto do mundo os qualificativos que iluminam a crise em Honduras? Pelas normas que têm orientado a cobertura, Mahmoud Ahmadinejad, por exemplo, deve ser apresentado como  “presidente eleito sob suspeita de fraude”. E o cartão de visitas de Hugo Chávez tem de identificá-lo como ”presidente ex-golpista”.

A varredura das ambiguidades e dos eufemismos exige a imediata demissão de todos os “líderes”. Líder todo chefe político é. Se estiver na oposição, continua líder. Muda de nome ao instalar-se na chefia do governo. Se chegou ao poder pelo voto, é ”presidente constitucional”. Se contornou o caminho das urnas e assumiu o comando a bordo de um golpe militar, uma safadeza civil ou um movimento revolucionário, é ditador. Não pode fantasiar-se sequer de ”presidente golpista”, “presidente inconstitucional”, ”presidente autoritário”. E fica terminantemente proibido o uso do disfarce de líder.

O líbio Muammar Khadafi foi líder só até o golpe vitorioso. Há 40 anos é ditador. Fidel Castro foi líder até 1° de janeiro de 1959. Proibiu-se de ser presidente ao implantar a ditadura comunista. Tornou-se ditador. Como Fidel por quase 50 anos, o caçula octogenário continua aparecendo nos jornais com o crachá de “líder”, ou com a carteirinha de “presidente”. Os jornalistas fazem de conta que é verdade.

Como todos os tiranos, ambos serão sempre ditadores aos olhos dos homens sensatos. Onde combatentes das redações enxergam líderes continuarão a existir assassinos da liberdade, da democracia e de gente.

29/09/2009

às 15:12 \ Sanatório Geral

Estúdio-dormitório

“Eu não apoio o Mel, estou contra o golpe”.

Luis Galdamez, locutor da Rádio Globo de Tegucigalpa, que vinha dedicando 100% da programação a entrevistas com Zelaya e seus assessores, indignado com o fim da discurseira transmitida do estúdio-dormitório instalado na seção de arquivos da embaixada brasileira em Honduras, com o sorriso inconfundível de quem acabou de entrar de férias.

28/09/2009

às 20:43 \ Sanatório Geral

Modelo Tegucigalpa

“Você vai ter apoio no governo. Não vai faltar apoio nem da Dilma, que você não elogiou, e portanto vai saber o peso da Casa Civil. O Paulo Bernardo que é o homem do orçamento, que você precisa para liberar o dinheiro, você também não elogiou ele. E isso vai contar muito daqui para frente”.

Lula, na posse do novo ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, explicando com clareza e sobriedade que o Planalto funciona mais ou menos como a embaixada-cortiço em Tegucigalpa sob nova administração.

28/09/2009

às 14:56 \ Direto ao Ponto

A conspiração bolivariana exige o bloqueio do caminho eleitoral

Ao instalar na embaixada em Tegucigalpa o ex-presidente Manuel Zelaya, deposto por tentativa de estupro contra a Constituição, o Brasil colocou Honduras a um passo da guerra civil, registrou o artigo “A política externa da canalhice”, postado no dia em que a representação diplomática em Honduras foi reduzida a cortiço central do amigo bolivariano. Urdido por Hugo Chávez e executado pelos lacaios da vizinhança, o plano sórdido começava pelo bloqueio do calendário eleitoral. Era essencial impedir a realização das eleições presidenciais de novembro, o caminho mais curto e mais seguro para a plena normalidade democrática.

Até então, a vida em Honduras seguia seu curso. A imprensa publicava o que queria, ninguém fora preso, os partidos e seus candidatos concentravam-se na campanha eleitoral. As primeiras provocações de Zelaya levaram ao toque de recolher. Seus desdobramentos obrigaram o governo interino a decretar o estado de sítio. Esse instrumento constitucional é o recomendado para situações semelhantes. Transformou-se em coisa de ditadura nos textos de jornalistas subordinados à idiotia ou à companheirada.    

O mandato que Zelaya não soube honrar terminará em janeiro. Se não houver um presidente eleito, haverá a partir daí um governo ilegítimo, seja qual for o inquilino do palácio presidencial. Nessa hipótese, a política externa da canalhice terá incorporado a seu prontuário o assassinato da democracia hondurenha. Hugo Chávez vai ficar muito feliz.

27/09/2009

às 19:41 \ Sanatório Geral

Lula hondurenho

“O gás que usaram contra mim é parecido com as temíveis duchas nazistas dos campos da Segunda Guerra”.

Manuel Zelaya, gerente do maior cortiço de Tegucigalpa, reforçando a suspeita de que não vai dividir com ninguém a carga de rum paraguaio doada pelo companheiro reprodutor Fernando Lugo.


 

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