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tecnologia

25/08/2014

às 17:14 \ Sanatório Geral

Neurônio sobrecarregado

“Estamos numa época bendita: a tecnologia permite que eu acompanhe tudo o que eu quiser em tempo real. Você passa a ser múltipla: ao mesmo tempo em que você está fazendo uma coisa, você está fazendo outra”.

Dilma Rousseff, ao tentar explicar como concilia a agenda de presidente com a programação da candidata, revelando que não consegue fazer direito as muitas coisas que faz porque nenhum neurônio consegue ser solitário e múltiplo ao mesmo tempo.

28/06/2013

às 15:47 \ Sanatório Geral

Não custa lembrar

“Nós não devemos subestimar a capacidade dos eleitores e do povo e nem da nossa tecnologia”.

Eduardo Braga, líder do governo no Senado, sobre a complexidade da reforma política, fingindo esquecer que também não se deve subestimar a incompetência dos nossos políticos.

 

30/11/2011

às 19:23 \ Vídeos: Entrevista

Marcelo Smith de Vasconcellos, empresário da área de aparelhos auditivos: ‘Mais de 8 milhões de brasileiros têm deficiência’

Formado em administração de empresas pelo Mackenzie, Marcelo Smith de Vasconcellos abandonou em 1998 o mercado financeiro para associar-se à Widex Brasil, gigante dinamarquês especializado em aparelhos auditivos. Hoje diretor-comercial do braço brasileiro da empresa que figura entre as cinco maiores do mundo no setor, Marcelo mostra nesta entrevista, dividida em duas partes, que o destino o colocou no lugar certo. Ele trata com especial entusiasmo dos avanços tecnológicos que podem melhorar a vida dos mais de 8 milhões de brasileiros afetados por algum tipo de deficiência auditiva.

Terminada a gravação, Marcelo Smith de Vasconcellos respondeu a mais duas perguntas formuladas pelo site de VEJA.

O que é implante coclear?

É o único órgão artificial biônico implantado no corpo humano em larga escala até hoje. É um dispositivo que substitui a cóclea, parte do sistema auditivo sem a qual não é possível escutar. A meningite, por exemplo, destrói a cóclea, assim com outras doenças. Acidentes e lesões também podem comprometê-la. Este implante substitui a cóclea por uma biônica dentro do ouvido, e permite escutar normalmente. A solução também é indicada para quem tem problemas na cóclea desde o nascimento, e pode ser implantada inclusive em recém-nascidos. Não é uma cirurgia complicada ou de risco, mas é muito delicada e exige enorme precisão. Também é feito um acompanhamento pós-operatório até a ativação do implante, que ocorre cerca de um mês depois da cirurgia. Um dos problemas é que o implante coclear é visível. O transmissor fica preso com um imã do lado de fora da cabeça, conectado com implante dentro. Mas essa peça é removível. O benefício para quem usa é enorme. Depois da cirurgia, é possível levar uma vida normal, praticar esportes, fazer tudo.

Quanto custa um implante coclear?

Hoje, somente o implante custa R$ 70 mil. Essa quantia não inclui a cirurgia. Cada vez mais os planos de saúde cobrem tudo. Também é possível conseguir realizar o implante através do Sistema Único de Saúde. Muitos hospitais públicos estão credenciados para realizar o procedimento. Já foram feitos mais de 30 mil implantes deste tipo no Brasil. Só neste ano foram 750. A técnica começou a ser difundida por aqui há cerca de dez anos, mas a tecnologia vem sendo aperfeiçoada há mais de 20.

09/11/2011

às 4:11 \ Sanatório Geral

Papel é melhor

” Se vocês não conseguem resolver com tecnologia, façam no papel.”

Ideli Salvatti, ministra de Relações Institucionais, sobre o atraso na liberação das emendas ao Orçamento, insinuando que textos digitados deixam mais pistas que recados manuscritos.

18/10/2011

às 19:18 \ Vídeos: Entrevista

João Carlos Di Genio, diretor do Colégio Objetivo e reitor da Unip: Nada é mais importante que a capacitação do professor

Diretor do Colégio Objetivo e reitor da Unip, João Carlos Di Genio acumula mais de quarenta anos de experiências ─ todas bem sucedidas ─ à frente de instituições de ensino. Há dias, por exemplo, o Ministério da Educação revisou os resultados do Enem-2010 e informou que o Objetivo é o melhor colégio de São Paulo. Ótimo sinal, sorri o vencedor da disputa entre as mais competentes escolas privadas. “As questões do Enem também levam em conta a compreensão dos textos das perguntas”, ressalta Di Genio. Ele acredita que os resultados deveriam ser adotados como critério de seleção para o vestibular pela USP e pela Unicamp. “O Enem poderia ser transformado na primeira fase”,  sugere Di Genio, convencido de que só a adesão das duas maiores universidades do estado vai acabar com o desinteresse de muitos alunos paulistas pelo exame instituído pelo Ministério da Educação.

Na segunda parte da entrevista, Di Genio critica o peso atribuído à prova de redação no ranking do Enem. “Em nenhum lugar do mundo a redação chega a valer metade da prova”, argumenta. Sejam quais forem os critérios utilizados, contudo, ele acredita que o Objetivo estará no topo do ranking. “Nós focalizamos as competências e habilidades e temos 50 anos”, lembra.

Na terceira parte da conversa, o entrevistado comenta a superioridade do ensino particular sobre a rede pública. O que faz a diferença é a capacitação do professor, resume. No Colégio Objetivo, por exemplo, existe uma Comissão de Qualificação de Aprendizagem, encarregada de avaliar regularmente o desempenho dos professores.

Na última parte da entrevista, João Carlos Di Genio afirma que a tecnologia é uma grande aliada da educação e registra com orgulho algumas ações pioneiras. Ele foi o primeiro a instalar e utilizar computadores em salas de aula. “É um instrumento de informação”, constata. “E é importante mostrar para o professor que a tecnologia não vai substituí-lo.”

09/10/2011

às 12:05 \ Feira Livre

Vida volátil

ARTIGO PUBLICADO NO ESTADÃO DESTE DOMINGO

João Ubaldo Ribeiro

Fico escrevendo aqui umas coisas meio paranoicas sobre a evolução tecnológica e aí concluo que me explico mal, porque tem gente que pensa que sou um tecnófobo reacionário, que gostaria de escrever com pena de ganso. Grave injustiça. Fui dos primeiros escritores brasileiros a usar computador para escrever, tripulando um clone nacional (e ordinário) de um Apple II, sem disco rígido e com 148 KB de memória, dos quais o editor de texto comia 120. Com sua tremenda impressora matricial, fazia sucesso e eu recebia visitas turísticas a meu escritório. Sempre gostei de novidades tecnológicas e claro que não sou, nem adianta ser, contra essas novidades.

Meu problema não é com tecnologia, é com certos usos que podem fazer dela. Considerando a geral natureza do ser humano, que, agora mesmo, está se matando ferozmente em várias partes do mundo, esses usos, como alguns que já mencionei aqui, às vezes me metem medo. E, se a tecnologia nos beneficia de incontáveis formas, não devemos esquecer como ela é também usada para o mal e para objetivos odiosos e como pode afetar nossa vida para pior, em termos humanos e sociais.

Além disso, nesta longa estrada cibernética que percorri e continuo a percorrer, tenho tido de me adaptar a mudanças cada vez mais rápidas, que cansam até mesmo alguns viciados em comprar todas as versões do iPad. Nos Estados Unidos, quando computador aqui ainda se chamava “cérebro eletrônico”, cheguei a estudar a linguagem Fortran e trabalhar com um computador que, num ambiente refrigeradíssimo, ocupava todo um andar de um prédio da universidade e era infinitamente menos poderoso que meu notebook de um quilo e pouco.

De lá pra cá, até dá para começar a enumerar as novidades que foram aparecendo, mas hoje ninguém mais pode fazer isso sem recorrer ao Google. A mudança é o tempo todo. E está certo que tudo neste mundo é passageiro, inclusive ele próprio, mas acho que o homem gosta de ter algum senso de permanência, de duração. Antigamente era possível reservar tempo para nos acostumarmos às mudanças, mas hoje esse tempo não existe mais e já é piada conhecida dizer-se que o tempo que economizamos com os novos gadgets é necessário para que possamos aprender a usar os novíssimos.

Lembro-me de um velho porta-retratos na casa de meus pais, com uma foto em preto e branco de meu avô paterno, que ficou lá por mais de cinquenta anos. Havia algo de permanência naquela antiga moldura de madeira e no sorriso do velho, havia um certo sossego, coisas que duravam e eram guardadas “para sempre”. No futuro, acho que não se conhecerá mais essa sensação. Os porta-retratos agora são eletrônicos e programáveis para fazer exibição de slides, mudar a foto periodicamente, tocar música e mais outras coisas. As fotos, que hoje se produzem com uma abundância inadministrável, também não são mais para ficar, nada mais é para ficar.

A maior parte das novidades dura apenas dias e ninguém se lembra delas depois. Aliás, ninguém se lembra de mais nada e a fama às vezes já nem alcança os 15 minutos de Andy Warhol, vai embora literalmente em menos tempo, como acontece com muita gente enfocada em reportagens de televisão. Nossa efemeridade, sempre um pouquinho desagradável de lembrar, não tem mais sua sensação aliviada de quando em vez, ela agora se mostra em toda parte e todo o tempo, nada dura nada e os registros são voláteis. Toda a civilização digitalizada é volátil – e, aliás, governos como o americano conservam seus dados preciosos em papel, método de armazenamento mais confiável que circuitos integrados ou memórias eletrônicas de qualquer natureza.

Todo mundo saberá ler e escrever, num mundo de mensagens instantâneas? Talvez não. Não me refiro a escrever à mão, com lápis ou caneta. Hoje já tem quem escreva uma página digitando com os polegares e não rabisque três linhas com uma caneta. Mas estou pensando em leitura e escrita sem o uso do alfabeto. De vez em quando, sou tentado a crer que as futuras mensagens instantâneas, torpedos e similares, serão grafados mais ou menos com ideogramas simples – imagens como aquelas carinhas Smiley que aparecem em milhares de aplicativos, acrescidas talvez de uma ou outra palavra abreviada em letras. De escrever e ler usando alfabeto e sintaxe, como hoje ainda fazemos, não haverá necessidade para grande parte dos usuários de aplicativos de mensagens. Passaremos mais ou menos para hieróglifos simples, que deverão ser perfeitamente adequados ao vocabulário e ao universo de interesses desses usuários. E talvez os que saibam ler e escrever usando o alfabeto venham a constituir uma categoria especial na sociedade, como eram os escribas da Antiguidade.

Fazer conta, então, nem pensar. Não acredito que na escola ainda se aprenda a tirar raiz cúbica na munheca, como no meu tempo (eu nunca aprendi). Aliás, não acredito na sobrevivência da tabuada – e não me refiro àquelas tipo 7 vezes 8, de que a gente não lembrava na época e até hoje não lembra. Quem, num futuro não muito distante, responder quantas são 6 vezes 9 sem consultar a calculadora será levado para estudos num instituto de neurologia e proporão que se conserve seu cérebro depois da morte. É nesse tipo de coisa que penso, quando falo em tecnologia, não é contra a tecnologia. Será bom para nós não sabermos mais escrever nem fazer contas e deixar fantásticas aptidões naturais, como a memória, irem se perdendo por falta de uso e exercício? Será realmente bom que tudo seja descartável e não dure mais que poucas semanas, nesta vida cada vez mais volátil?

25/06/2010

às 20:10 \ Vídeos: Entrevista

Alexandre Sayad, jornalista e educador

O debate entre candidatos a prefeito, a rotina de feirantes, a Floresta Amazônica, o desenho de um hipopótamo. Não importa. Nas mãos de estudantes, qualquer assunto pode se transformar em ferramenta para o aprendizado. E aproveitar os diferentes meios de comunicação para promover a educação pode ser o caminho. O jornalista Alexandre Sayad, que há 10 anos trabalha em escolas públicas e privadas de São Paulo, utiliza a produção de mídia por jovens (TV, rádio, jornal, blog, fotografia) como “ferramenta para a construção da cidadania e para a resignificação do papel da escola”. Secretário executivo da Rede de Experiências em Comunicação, Educação e Participação (CEP), Sayad explica nesta entrevista por que estimular a produção de conteúdos para veículos midiáticos é uma alternativa aos estudantes desinteressados no modelo tradicional de ensino e como isso pode diminuir a evasão escolar, que chega a 30% no país.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

10/05/2010

às 19:35 \ Feira Livre

Ninguém tem o direito de estar em São Paulo sem ver esse museu

Domitila Becker

Quem já passou por São Paulo e não foi ao Museu da Língua Portuguesa? Não levante a mão. É melhor fazer de conta que já desfrutou de um dos melhores programas culturais da cidade e não perder a próxima chance. O museu, inaugurado em março de 2006, é o único do mundo integralmente dedicado a um idioma. E já serviu de modelo para projetos em desenvolvimento em países como Portugal e Israel.

Para seduzir o público, o museu aposta na interatividade e na tecnologia.  Uma das salas, por exemplo, tem uma mesa eletrônica em que sufixos e prefixos se movimentam aleatoriamente. O visitante tem de juntá-los com as mãos para formar uma palavra e descobrir a etimologia de cada termo. Há também uma tela com 106 metros de extensão. Nela são projetados 11 filmes simultaneamente, ou representações únicas que parecem percorrer toda a extensão do painel. Uma dessas imagens exibe a chegada de um trem, dando a impressão de que é possível ver o que acontece, através da parede, na Estação da Luz.

As inovações, aliadas ao atendimento de qualidade e ao baixo valor do ingresso, ajudaram a fazer do Museu da Língua Portuguesa um sucesso de público e crítica. Nos fins de semana, são cerca de 4.500 visitantes. Segundo um levantamento da Secretaria de Estado da Cultura, passaram de 400 mil em 2009 ─ pouco menos que a Pinacoteca do Estado.

No primeiro andar do prédio, ficam as mostras temporárias. O lugar, que já abrigou exposições sobre Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Gilberto Freyre, abriu espaço em 15 de março para a linguagem popular com a mostra Menas: o certo do errado, o errado do certo. As instalações, expostas até o dia 27 de junho, tratam dos erros linguísticos mais comuns na vida cotidiana. O objetivo é entender a razão desses deslizes e tentar descobrir  até onde vai a amplitude do idioma.

O grande destaque do museu é a Praça da Língua. Um anfiteatro escuro, com o pé direito alto, onde figuras e palavras são projetadas em 360º nas paredes, no teto e no chão. As imagens representam obras de autores consagrados da literatura. Entre os quais Oswald de Andrade, Fernando Pessoa, Guimarães Rosa, Euclides da Cunha, Noel Rosa e Vinícius de Moraes. Os textos são interpretados por vozes familiares ─ como as de Chico Buarque, Arnaldo Antunes e Matheus Nachtergaele ─ num planetário de palavras.

Só falta ao museu um café ou uma lanchonete, já que o passeio é longo – dura no mínimo uma hora e meia. Para conhecer um pouco dos encantos do museu, entre no elevador do simpático Fábio Clementino e aproveite:

Serviço :
Museu da Língua Portuguesa – Praça da Luz, s/nº, Centro, São Paulo. Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h. Na última terça-feira do mês, o museu fica aberto até as 22h. A bilheteria fecha uma hora antes do fim da visitação. Preço: R$ 6,00 / R$ 3,00 para estudantes com carteirinha. Aos sábados, a visitação é gratuita.

10/09/2009

às 22:59 \ Sanatório Geral

Brasileiro esperto

“Os americanos prometem transferir a tecnologia necessária. Mas eu pergunto: necessária para eles ou para o Brasil?

Nelson Jobim, fazendo de conta que é meio idiota para enganar os americanos já enganados pelo acerto entre Lula e Sarkozy sobre a compra de caças que antecipou para setembro um negócio a ser fechado em dezembro.

 

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