Coluna do

Augusto Nunes

Com palavras e imagens, esta página tenta apressar a chegada do futuro que o Brasil espera deitado em berço esplêndido.
E lembrar aos sem-memória o que não pode ser esquecido.

Posts com a tag ‘Tarso Genro’

SEÇÃO » Sanatório Geral

Rio Grande em perigo

4 de fevereiro de 2010

“A reforma agrária vem sendo feita de maneira ordenada, dentro da Constituição, e eu não vejo nenhum índice de aumento de violência. O que ocorre é a mobilização de movimentos sociais, em determinadas circunstâncias de uma maneira mais arrojada. Quando eles violam a lei e a Constituição, os Estados têm que operar”.

Tarso Genro, candidato a governador do Rio Grande do Sul e a Secretário-Geral do MST, prova ambulante de que no Brasil qualquer um pode ser ministro da Justiça, informando que invasão de terras é reforma agrária, que o direito de propriedade agora é inconstitucional, que a destruição de laranjais, laboratórios e máquinas agrícolas é uma forma de manifestação pacífica, que organização criminosa é movimento social, que furto qualificado é sinal de arrojo e que, quando a coisa desanda, o problema é dos governos estaduais.

SEÇÃO » Sanatório Geral

Buraco negro

4 de fevereiro de 2010

“Num vazio de vida partidária, Lula apresentou a candidatura de Dilma. Acho que ele agiu corretamente porque havia um vazio de capacidade decisória sobre o assunto”.

Tarso Genro, em entrevista à Folha, admitindo que o PT não conseguiria sobreviver se não fosse orientado pelas páginas grávidas de sabedoria do Livro de Pensamentos do Presidente Lula.

SEÇÃO » Sanatório Geral

A arte da tradução

1 de fevereiro de 2010

“A criação de cargos ocorre por conta de reorganizações internas de diversos órgãos do Poder Executivo federal, bem como a criação de estruturas para suporte à expansão e/ou redirecionamento de atividades de diversos setores, de maneira pulverizada”.

Paulo Bernardo, ministro do Planejamento segundo a placa na porta do gabinete, num trecho da nota enviada à Folha para explicar a criação de 4.225 cargos de confiança entre 2007 e 2009, redigida no dialeto resultante do cruzamento de Tarso Genro com Dilma Rousseff, assim interpretado pelo senhor Andrade, tradutor juramentado da coluna: “Ele está querendo dizer que o Programa Desemprego Zero para a Companheirada é um sucesso”.

SEÇÃO » Sanatório Geral

Altivez e independência

27 de janeiro de 2010

“Quando há um conflito, o presidente faz a mediação, ajusta o governo e enquadra todo mundo”.

Tarso Genro, esbanjando a autonomia intelectual, a fidelidade às próprias ideias, a independência e a altivez indispensáveis a um ministro de Estado.

SEÇÃO » Direto ao Ponto

Um ano com os pés longe do chão

18 de janeiro de 2010

Um levantamento do jornal O Globo informa que o ministro Tarso Genro é o novo recordista brasileiro de milhagem em jatinhos da FAB. Em 2009, o gaúcho voador fez 85 viagens financiadas pelos pagadores de impostos. Uma a cada quatro dias. Não é pouca coisa.

Entre uma decolagem e outra, o campeão continuou com os pés longe do chão. Gastou o tempo teoricamente passado em terra jurando que Cesare Battisti é um patrimônio da humanidade, combatendo a ditadura italiana. fundando o Novo Socialismo, refundando o PT, dando palpites na montagem do Guia do Stalinismo Farofeiro ou escrevendo poemas em louvor do prazer solitário.

Tudo somado, está claro que o ministro da Justiça atravessou um ano inteiro nas nuvens ou no mundo da lua. Mas não teme a merecida demissão por abandono de emprego. O chefe também aparece no local de trabalho só de vez em quando.

SEÇÃO » Direto ao Ponto

O Guia do Stalinismo Farofeiro

12 de janeiro de 2010

É claro que o presidente da República assinou sem ler o 3° Programa Nacional de Direitos Humanos. Como faz há sete anos, limitou-se a ouvir o resumo da ópera, recitado por um Alto Companheiro, antes de endossar com garranchos outro hino ao obscurantismo. Se a azia o maltrata até quando confrontado com rótulos de garrafa, é natural que tenha fugido como o diabo da cruz de um papelório com 29.538 palavras.

Mas é claro que sabia o que estava fazendo ─ e fez o que fez com prazer. Nenhuma das principais diretrizes do programa colide com o que o chefe de governo acha, imagina ou pensa. Mais que isso: reduzidas à sua essência, as 71 páginas do documento apenas repetem, sem tantos pontapés no português, conceitos e opiniões que povoam os improvisos de Lula depois do almoço. A diferença está na forma: o que se lê é sempre mais assustador que o que se ouve.

Declamadas pelo palanqueiro compulsivo, as agressões à lógica, à sensatez e à Constituição lembram bravatas de inimputável. A aversão ao convívio dos contrários, o desapreço por valores democráticos, a ojeriza pela imprensa independente, a opção preferencial por alianças fora-da-lei, a institucionalização da impunidade, o ódio à divergência ─ esses e outros sintomas de autoritarismo agudo nem sempre são suficientes para  desmascarar o tirano que o portador camufla.

Reunidos num decreto depois de retocados por revolucionários de araque, os mesmos sinais de perigo bastam para anunciar a iminência do naufrágio. O que para Lula é instrumento eleitoreiro vira programa de governo quando transcrito por um Paulo Vannuchi, um Tarso Genro, um Franklin Martins ou qualquer outro devoto de velharias  desaparecidas do mundo civilizado há 30 anos.

Em parceria, o presidente que jamais levou um livro no isopor da praia e a Irmandade dos Órfãos do Muro de Berlim produziram um indispensável esboço ideológico do governo Lula. Sob o codinome Programa Nacional de Direitos Humanos, foi lançada no Natal a primeira edição do Guia do Stalinismo Farofeiro.

SEÇÃO » Homem sem Visão

Dilma recebe o troféu no canteiro de obras do trem-bala e diz que só foi menos homem que o padrinho

22 de dezembro de 2009

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“Fora o presidente Lula, ninguém foi mais homem que eu neste ano!”, disse a campeã Dilma Rousseff no fecho do emocionado discurso da vitória que pronunciou no grande momento da festa de premiação do HSV de 2009. A pedido da Mãe do PAC, a cerimônia foi realizada no terreno baldio da Baixada Fluminense onde será inaugurada, em 2059, a Estação Primeira do Trem-Bala Rio-São Paulo.

Ao chegar para a solenidade, a única mulher inscrita na finalíssima esforçou-se para conter o justificado orgulho. “Quem dizia que eu não entendo de urna vai ter de me engolir”, declarou. “Taí: mais de mil votos. Nem a Madre Superiora conseguiu tanto quando ganhou em junho”. Um assessor confidenciou que Dilma ficou especialmente entusiasmada ao saber que os eleitores do HSV pertencem à categoria dos brasileiros muito bem informados. “A chefe acha que isso vai calar a boca dos que vivem debochando do diploma de doutora que ela inventou”.

A abertura do discurso da vitória foi inspirada no trecho mais famoso do Pronunciamento de Copenhague, que garantiu o triunfo na enquete que atingiu a extraordinária marca de 4.101 votos. ”Ter visão é uma ameaça ao desenvolvimento sustentável de uma candidatura a Homem sem Visão”, complicou a oradora, que em seguida engatou uma terceira e acelerou: ”Como o meu padrinho nos ensinou, o Brasil é um país e, como país, está no nosso planeta”.

Conhecida pelo humor, a Homem sem Visão do Ano divertiu a plateia com chistes e pilhérias envolvendo os parceiros de pódio Celso Amorim e Tarso Genro, que travaram o duelo mais feroz da temporada na disputa da medalha de prata. ”Foi bom que o Tarso perdeu, porque assim ele vai ter mais tempo pra fazer verso no banheiro”, disse em homenagem ao dono da medalha de bronze. Todos riram, menos o Príncipe da Poesia Onanista.

“O problema é que o companheiro Amorim vai querer ser meu vice só porque foi o segundão aqui no HSV”, gracejou em seguida com o conquistador da medalha de prata.  “Mas ele vai ter que primeiro crescer, deixar de usar roupa de criança e só depois aparecer”. Todos riram, menos o Pintassilgo de Pijama.

No improviso de encerramento, animado com o clima de descontração, Lula fingiu ameaçar simultaneamente a turma no pódio e a base alugada.  “Se os companhero do peemedebê não quisé mandá a lista de três nome para candidato a vice da nossa chapa, vô mandá eles lançá o Michel Temer pra presidente e colocá de vice a Dilma, o Tarso ou o Celso Amorim”, começou o presidente. Todos riram, menos os representantes do PMDB presentes à cerimônia e a trinca de campeões.

“Faz de conta que estô falano depois do almoço”, tranquilizou Lula. ”Tô dizeno isso de sacanage com o Sarney e o Renan. O que eu quero é todo mundo me ajudano no Home sem Visão da Década e falando bem do filme da vida que eles acha que eu tive”.

Enquanto era exibido um compacto de “Lula, o filho do Brasil”, Tarso Genro discursou para ninguém em louvor de Cesare Battisti e contra a ditadura italiana. Amorim afastou-se alguns minutos com o celular na mão para atender a uma chamada inesperada.  “Era o companheiro Manuel Zelaya”, revelou ao desligar, com a voz embargada.  “Ele me convidou para ser o chanceler de bolso do governo hondurenho no exílio”.

No último ato da cerimônia, os 12 finalistas subiram ao palco para receber os aplausos dos presentes. Orador da turma, o quarto colocado José Sarney reconheceu, em nome de todos, que o eleitorado fez justiça. “Venceu o pior”, caprichou na frase final. “A partir desta noite, Dilma Rousseff também será tratada como um homem incomum”.

Encerrada a festa, a Comissão Organizadora se reuniu para concluir o regulamento da eleição que apontará o Homem sem Visão da Década. “Patriotas não têm férias!”, bradou o porta-voz da comissão no meio da entrevista coletiva convocada para as 3 da madrugada. ”Aqui a fila anda! Depois do Brasil, o mundo! Os craques internacionais já estão em campanha! O pior do ano venceu! Que vença agora o pior dos primeiros anos do século!”

A luta continua!

SEÇÃO » Sanatório Geral

Duelo de titãs

22 de dezembro de 2009

“O presidente de Honduras foi escolhido numa eleição organizada pelo governo golpista”.

Celso Amorim, voltando a desfraldar a principal bandeira de campanha para vencer Tarso Genro na luta pela medalha de prata do HSV do Ano.

“Cesare Battisti foi condenado numa Itália que não vivia a plenitude do Estado de Direito”.

Tarso Genro, voltando a desfraldar a principal bandeira de campanha para vencer Celso Amorim na luta pela medalha de prata do HSV do Ano.

SEÇÃO » Homem sem Visão

Dilma manda passar o terninho. Amorim e Tarso disputam voto a voto a medalha de prata

21 de dezembro de 2009

A poucas horas da festa de premiação do maior evento cívico d3 2009, a Comissão Organizadora do Homem sem Visão do Ano compilou algumas singularidades da disputa que já tem campeã ─ Dilma Rousseff, a Pacheco de Terninho ─ mas ainda não definiu o nome do vice. No momento, com a votação avançando para a histórica marca dos 4.000 votos, Tarso Genro luta para eliminar a reduzida diferença que o separa de Celso Amorim e conquistar a medalha de prata. Para diminuir a tensão dos leitores-eleitores e dos concorrentes, a coluna divulga a lista montada pela Comissão Organizadora.

O berço dos HSVs - Dos seis Estados representados na eleição, três emplacaram trincas de campeões: Rio Grande do Sul (Marco Aurélio Garcia, Tarso Genro e João Pedro Stedile), Minas Gerais (Dilma Rousseff, Edmar Moreira e Joaquim Barbosa) e São Paulo (Celso Amorim, Aloísio Mercadante e José Antonio Toffoli). Os candidatos restantes são filhos de Sergipe (Ayres Britto), de Pernambuco ( Dom José Cardoso Sobrinho) e do Maranhão (José Sarney).

Berço de feras - Dos três paulistas, dois brincaram na mesma rua, frequentaram a mesma praia, tomaram sorvete na mesma sorveteria e faltaram às aulas nas mesma escolas. Ambos nascidos em Santos, Celso Amorim e Aloízio Mercadante não foram amigos de infância pela diferença de idade, mas os caprichos do destino acabaram por reuni-los no mesmo governo, no mesmo partido e na mesma finalíssima. Bonito, isso.
Não para a terra natal, acha a Câmara de Vereadores de Santos: num manifesto aprovado por unanimidade, o legislativo municipal comunicou nesta tarde que a boa gente da aprazível cidade litorânea não tem nada a ver com isso.

O decano e o caçula - Com 79 anos, Sarney é o mais idoso dos concorrentes. O mais novo é Toffol, com 42. Dono da maior votação individual do ano (973 votos em junho), Madre Superiora é um dos três representantes do Poder Legislativo.

Grupo de elite - Computados mais de 3.600 votos, os três primeiros colocados, todos produzidos pela montadora do Executivo, somavam 60% do total.  O índice sobe para 90% se forem incluídos os três seguintes.

Mulher é o Homem - Única mulher a conquistar uma vaga na finalíssima, Dilma Rousseff estreou nas urnas com o pé direito: a caminho dos 1.000 votos, já garantiu o troféu de 2009.  Ao ganhar a disputa de agosto, a filhote do Lula exigiu que o título não fosse adaptado às circunstâncias. ”Não quero ser a Mulher sem Visão do Ano”, explicou. ”Quero ser o Homem sem Visão do Ano, porque isso vai mostrar que uma mulher pode ser presidenta das brasileiras e também dos brasileiros”. Um assessor confidenciou que a versão feminina de Pacheco já mandou passar o terninho de gala que usará na cerimônia de premiação.

A luta está chegando ao fim, mas continua! A enquete só tem fera! Que os três piores subam ao pódio! E que vença o pior!

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Chilique de candidato

18 de dezembro de 2009

“O Supremo Tribunal Federal não é loja de conveniência para ficar mudando de decisão na calada da noite!”

Tarso Genro, Homem sem Visão de Setembro em campanha pelo título de Homem sem Visão do Ano, Príncipe da Poesia Onanista, bravo com a decisão do STF, tomada durante a tarde, de lembrar ao presidente Lula que, como determina o tratado de extradição com a Itália, o amigo Cesare Battisti deve ser devolvido ao país natal.