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Santo André

10/04/2014

às 11:03 \ Direto ao Ponto

Não perca: no vídeo, a deputada Mara Gabrilli interpela Gilberto Carvalho sobre o caso Celso Daniel e acusa ‘o homem do carro preto’ de repassar a José Dirceu o dinheiro extorquido de empresários

“Faz muitos anos que eu queria olhar nos olhos do senhor e fazer essas perguntas”, disse a deputada Mara Gabrilli em meio à interpelação que interrompeu a procissão de platitudes que o ministro Gilberto Carvalho desfiava, no fim da tarde desta quarta-feira, durante a sessão da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado. Por mais de seis minutos, a parlamentar do PSDB paulista acuou o secretário-geral da Presidência com a evocação de perturbadoras agravantes que envolvem o assassinato do prefeito Celso Daniel, ocorrido em janeiro de 2002. Tentando controlar a emoção que em alguns momentos embargou a voz sempre suave, a deputada que um acidente de carro imobilizou na carreira de rodas abriu a ofensiva com a história do pai, dono de uma empresa de ônibus.

Vítima do esquema corrupto montado na prefeitura de Santo André para extorquir empresários do setor, e irrigar com boladas de bom tamanho as campanhas eleitorais do PT, ele era pressionado todos os meses “por uma gangue” ─ liderada, segundo Mara, por Klinger de Souza (subsecretário de Celso Daniel), Ronan Pinto (hoje proprietário do Diário do Grande ABC) e Sérgio Gomes da Silva, o “Sombra”, denunciado pelo Ministério Público como mandante do crime. ”O senhor sempre foi conhecido como o homem do carro preto”, disse a deputada ao ministro. “Era a pessoa que realmente pegava essa coleta de dinheiro extorquido de empresários e levava para o capo, como era conhecido o José Dirceu. Isso eu não li. Isso eu vivenciei”.

Depois de invocar os testemunhos dos irmãos de Celso Daniel e o depoimento de Romeu Tuma Junior, ex-secretário nacional de Justiça, publicado no livro “Assassinato de Reputações”, a deputada seguiu alternando acusações e cobranças. Quis saber se Carvalho também acha que os fins justificam os meios e estranhou o descaso do ministro pelo esclarecimento de um episódio que comoveu e continua intrigando o país inteiro. “Por que o senhor não ajuda a apressar o julgamento do Sombra?”, perguntou, identificando pelo apelido o réu Sérgio Gomes da Silva, processado como mandante do assassinato. “O senhor não se incomoda com isso?”

Desconcertado, Carvalho reprisou o palavrório que recita há mais de dez anos. Alegou que “foi a Polícia Civil de São Paulo comandada pelo PSDB” que reduziu a crime comum uma execução encomendada. Como fez há três meses, prometeu acionar judicialmente Romeu Tuma Junior. E jurou que ninguém sofreu tanto quanto ele com a morte do “amigo e mestre” Celso Daniel. Caprichando na pose de quem acabou de chegar ao velório, declamou mais de uma vez o mantra predileto: “Isso dói”.

Certamente doeu mais a surra verbal que levou de Mara Gabrilli.

06/11/2012

às 22:27 \ Sanatório Geral

Esse conhece

“Tem de respeitar o desespero da pessoa”.

Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, sobre as declarações de Marcos Valério, ensinando o que aprendeu como coordenador da Comissão Especial para a Transformação de Assassinatos Políticos em Crimes Comuns, criada pelo PT depois da morte do prefeito Celso Daniel.

06/11/2012

às 6:01 \ Sanatório Geral

Santa inocência

“Nunca vi Marcos Valério, nunca falei com ele, nem por e-mail, nem por nada. Eu nunca soube dessa história de chantagem em Santo André. Mas tem que respeitar o desespero dessa pessoa”.

Gilberto Carvalho, ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, pronto para dizer que também não conhece Lula, nunca apareceu em Santo André nem ouviu falar em Celso Daniel.

26/09/2012

às 23:07 \ Sanatório Geral

Pode crer

“Nesta cidade, os conservadores chegaram ao absurdo de achar que o PT tinha coisa a ver com a morte do Celso Daniel”.

Lula, durante a discurseira no comício em Santo André, informando que, da mesma forma que o mensalão, Gilberto Carvalho, Luiz Eduardo Greenhalgh, Sombra, Miriam Belchior e, talvez, o próprio Celso Daniel nunca existiram.

24/09/2012

às 14:42 \ Sanatório Geral

Todo santo dia

“Quando eu ia discursar na porta da fábrica, eu tomava era uma caninha de manhã. Agora tenho que tomar uma aguinha”.

Lula, na escala do palanque ambulante em Santo André, revelando que, nos últimos 35 anos, não ficou um só dia sem discursar na porta da fábrica.

12/03/2012

às 20:37 \ Direto ao Ponto

Bruno Daniel, irmão de Celso Daniel, conta tudo o que pensa e sabe do caso do prefeito assassinado em janeiro de 2002

Pela primeira vez desde o assassinato do prefeito Celso Daniel, um de seus irmãos teve tempo e tranquilidade para tratar do caso numa gravação em vídeo. Na entrevista ao site de VEJA, dividida em cinco partes, Bruno Daniel disse tudo o que pensa e sabe do crime consumado em janeiro de 2002, que encerrou brutalmente a carreira do político já escolhido para coordenar a campanha eleitoral que transformaria Lula em presidente da República.

Engenheiro e professor de economia, Bruno recorda as estranhas circunstâncias que envolveram o sequestro e a morte precedida de torturas, comenta o esforço dos dirigentes do PT para sepultar as investigações, destaca o papel de Gilberto Carvalho na trama forjada para impedir o esclarecimento da história, revela a sequência de ameaças que o forçaram a exilar-se na França durante cinco anos e promete  continuar lutando pela condenação dos culpados. Ele ainda acredita no triunfo da verdade.

Vejam os vídeos na seção Entrevista.

12/03/2012

às 20:35 \ Vídeos: Entrevista

Bruno Daniel, irmão de Celso Daniel, conta tudo o que pensa e sabe do caso do prefeito de Santo André assassinado há dez anos

PARTE 1

Na primeira parte da conversa, o irmão de Celso Daniel reconstitui o assassinato do prefeito de Santo André e fala sobre a motivação do crime consumado em janeiro de 2002.

 

PARTE 2

Bruno Daniel comenta as investigações sobre o crime, diz que houve mais de um mandante e informa que continua intrigado com tantas mortes vinculadas ao episódio.

 

PARTE 3

Bruno lamenta a fragilidade das instituições brasileiras e descreve o esforço feito por dirigentes do PT para impedir o esclarecimento da execução de Celso Daniel.

 

PARTE 4

O irmão do prefeito assassinado anos destaca o papel de Gilberto Carvalho, hoje secretário-geral da Presidência, na trama montada para forjr a tese do “crime comum”.

 

PARTE 5

No último bloco, Bruno Daniel fala das ameaças que o forçaram a exilar-se na França durante cinco anos e diz o que acha do tratamento dispensado ao caso pela imprensa.

 

17/02/2012

às 16:51 \ O País quer Saber

Reportagem da Record confirma que, dez anos depois da morte, Celso Daniel continua assombrando Gilberto Carvalho

Nesta quinta-feira, o Jornal da Record apresentou uma reportagem de bom tamanho, para os padrões da TV, sobre o assassinato de Celso Daniel. Veja o vídeo de 4 minutos. Dez anos depois da morte, o prefeito de Santo André continua assombrando o bando, chefiado por Gilberto Carvalho, que tentou impedir o esclarecimento do caso. A emissora só recuperou a memória depois dos ataques aos evangélicos feitos pelo secretário-geral da Presidência da República. É outra história sem heróis.

13/02/2012

às 11:39 \ Frases

Rapaz trabalhador

“Ele é um bom rapaz, trabalhador, tinha dois empregos”.

Ana Lucia Assad, advogada de Lindemberg Alves dos Santos, acusado de matar a ex-namorada Eloá Pimentel em 2008.

07/02/2012

às 21:46 \ Direto ao Ponto

Por que Gilberto Carvalho ficou tão feliz com o desempenho da viúva militante, que reservou a Sombra a compaixão e a ternura negadas ao marido assassinado?

Às 23 horas de 17 de janeiro de 2002, depois de assistirem a um filme na TV, Ivone Santana e Celso Daniel foram dormir juntos pela última vez. Na noite seguinte, a socióloga de 38 anos soube que o homem a quem estava ligada afetivamente desde 1996 fora sequestrado ao voltar de um restaurante em São Paulo na Pajero blindada dirigida por Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, ex-segurança, ex-assessor e empresário. Ela jura que passou o dia 19 à espera do pedido de resgate. Em 20 de janeiro, o cadáver do prefeito de Santo André foi encontrado numa estrada de terra. Além de 11 perfurações a bala, a autópsia encontrou numerosas evidências de que, antes de executá-lo, os assassinos haviam submetido Celso Daniel a sessões de tortura.

Surpreendida por tamanha tragédia, uma viúva de Nelson Rodrigues atravessaria o velório assombrando os presentes com  saltos ornamentais sobre o caixão, berreiros de acordar qualquer defunto, imprecações tremendas contra culpados ou inocentes  ─ e colecionaria desmaios sucessivos até a missa de 30° dia. Mesmo a mais contida das mulheres não demoraria menos de um mês para recordar o que ocorrera sem que a emoção interrompesse o relato de cinco em cinco minutos. O caso Celso Daniel precipitou a aparição de outra maravilha da fauna do PT: a viúva militante. Essa mutação não sabe o que é luto. Discorre sobre uma perda recentíssima com a placidez de quem narra um torneio de golfe. E precisa de  apenas uma semana para preencher uma página de jornal com palavrórios abjetos na forma e suspeitíssimos no conteúdo.

Ela chorou duas vezes, garante o repórter que assina a entrevista publicada pela Folha de S. Paulo em 28 de janeiro de 2002. Pode ter sido algum cisco no olho, sugerem as respostas. O crime poderia ter tido motivações políticas?, começa a conversa. “O Celso não possuía inimigos políticos que pudessem chegar ao ponto de sequestrá-lo e matá-lo”, encerra o assunto a depoente sem dúvidas. “Foi um crime urbano”.  Nessa hipótese, por que Sombra foi poupado pelos bandidos?  “O Sérgio é moreno”, ensina, deixando claro que prefere o prenome ao apelido revelador.  E decola rumo à estratosfera: “Nosso racismo cordial deve ter falado mais alto, e os caras acharam melhor pegar o Celso”.  Tradução: o erro do prefeito foi ter nascido branco.

Por que os sequestradores não pediram resgate? “Os caras foram atrás porque acharam que era um empresário com grana. Mas aí descobriram que pegaram o sujeito errado. Com todo aquele cerco, aquele barulho da imprensa, os caras devem ter se apavorado e achado que não podiam ficar com ele, que tinham de se livrar dele”. Não viu nada de estranho no comportamento de Sombra, primeiro colocado no ranking dos suspeitos? “Delírio puro”, irrita-se Ivone. “Celso saiu para jantar com um amigo, que é da família. Não foi o prefeito que saiu para jantar com um empresário. Será que as pessoas não entendem a diferença? Conheço Sérgio desde 1988. É um amigo”. O entrevistador lembra que peritos haviam desmontado a versão de que a Pajero fora imobilizada por defeitos mecânicos. “Se o carro é da Mitsubishi e chamam um sujeito da Mitsubishi para dar pareceres…”, retruca Ivone. “Tenha dó, não é?”

A doçura do tratamento dispensado ao possível mandante do crime contrasta com a ausência de alusões carinhosas ao assassinado.  Como Miriam Belchior, que viveu 10 anos com Celso Daniel, Ivone Santana negou-lhe até mesmo palavras compassivas. O prefeito que ocuparia na campanha de Lula o posto que acabou confiado a Antonio Palocci não foi chorado pelas duas companheiras. Somadas, as lágrimas da dupla de viúvas não bastam para encher três tampinhas de garrafa de cerveja.

Se não tivesse batido em retirada, Gilberto Carvalho teria de caçar explicações, na segunda metade da entrevista, tanto para o espetáculo da frieza protagonizado por Miriam e Ivone quanto para outras interrogações agrupadas nos tópicos seguintes:

1. Numa das conversas registradas em 42 fitas, um interlocutor não identificado cumprimenta Ivone Santana pela entrevista concedida à Folha e a estimula a aceitar o convite para brilhar no programa de Hebe Camargo. Por que parecia conveniente ao grupo a exposição de uma mulher afetada por um drama recentíssimo? Em outro diálogo por telefone com Ivone, Gilberto Carvalho diz que a entrevista  “pode mudar o rumo das investigações”. Ivone foi festejada pelo que disse, pelo que deixou de dizer ou por ambas as coisas? Sobre as investigações, que rumo deveria ser alterado? Que direção deveria tomar o inquérito?

2. Numa das fitas que desapareceram, Luiz Eduardo Greenhalgh, em tom zombeteiro, elogia a competência de Miriam Belchior no papel de viúva. Se havia papéis, houve um script. Qual era? E que desfecho previa?

3. Em nenhuma gravação as viúvas ouvem palavras de consolo ou solidariedade. Não ficaram abaladas com o episódio? Por que nenhum dos participantes das conversas se mostra indignado com o assassinato? Por que ninguém exige a identificação e a condenação dos responsáveis? Por que ninguém lamenta a perda do companheiro já escolhido para ocupar, na campanha de Lula, o posto que acabou confiado a Antonio Palocci?

4. Gilberto Carvalho assumiu a secretaria de Comunicação da prefeitura de Santo André em 1997 e era secretário de Governo em janeiro de 2001. Nunca ouviu comentários sobre a existência de um esquema de arrecadação de dinheiro sujo para financiar campanhas do PT?

5. Em março de 2003, em São Bernardo, Lula ouviu de Mara Gabrilli, filha de um empresário do setor de transportes, um relato circunstanciado sobre as pressões movidas contra a Expresso Guarará pelo grupo de que faziam parte o secretário de Serviços Municipais, Klinger de Oliveira, o empresário Ronan Maria Pinto, hoje dono do Diário do Grande ABC,  e por Sombra. No dia do encontro entre Lula e Mara, Gilberto Carvalho já era secretário-particular de Lula. O que o chefe lhe contou? Acreditou no que ouvira? Tentou confirmar as denúncias?

6. Em 2005, Rosângela Gabrilli, irmã de Mara, reiterou as acusações na CPI dos Bingos e provou, com documentos, que a empresa de seu pai foi obrigada meses a fio a entregar à quadrilha R$ 40 mil mensais, em dinheiro vivo, repassados imediatamente ao caixa 2 do PT. Por que Gilberto Carvalho jamais se manifestou sobre o depoimento de Rosângela?

7. Em 2010, Marcos Bispo dos Santos, acusado pelo Ministério Público de integrar o grupo de oito executores, foi condenado a 18 anos de prisão. Durante o julgamento, o promotor Francisco Cembranelli endossou a tese do crime político. Gilberto Carvalho achou incorreta a argumentação do promotor? Considerou injusta a decisão do tribunal do júri?

8. Sérgio Gomes da Silva, que ficou preso oito meses, será julgado ainda neste ano por um corpo de jurados. Gilberto Carvalho está disposto a depor como testemunha de defesa?

É improvável que se arrisque a tanto. Desde a descoberta das gravações, o sacristão de cordão carnavalesco guarda distância também dos antigos parceiros de Santo André. Acampado no Planalto, terá de reaprender orações esquecidas e rezar para que Sombra, caso se sinta em perigo, não resolva afundar atirando. Se optar pelo abraço do afogado, o réu contará o caso como o caso foi. Na segunda metade dos anos 90, empresários da área de transportes e pelo menos um secretário municipal, todos vinculados ao PT, forjaram na prefeitura de Santo André o embrião do esquema do mensalão. Recorrendo a extorsões, a quadrilha infiltrada na administração municipal ajudou a patrocinar a gastança eleitoral do partido. Ao saber que parte das boladas começara a ser desviada para os contas bancárias dos delinquentes, Celso Daniel resolveu impedir que os ladrões lesassem o PT. Foi punido com a morte.

Na entrevista que não houve, ficaria claro que Gilberto Carvalho e seus comparsas conspiraram para impedir o prosseguimento de investigações que inevitavelmente levariam às catacumbas da roubalheira. Decididos a manter o partido vivo, consumaram a segunda morte de Celso Daniel. Tentam assassinar a verdade desde 2002. Não conseguirão.

 

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