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Rio de Janeiro

10/05/2013

às 19:54 \ O País quer Saber

Depois de dois anos de ocupação no Complexo do Alemão, a bandidagem ainda comanda um naco da favela

Publicada na edição de VEJA de 13 de março, a reportagem de Leslie Leitão revela como estão as Unidades Pacificadoras de Polícia (UPPs) dois anos depois da estreia no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. As conclusões conduzem novamente à associação inevitável: imagina na Copa.

LESLIE LEITÃO

As cenas dos blindados da Marinha espantando a bandidagem de seu maior enclave no Rio de Janeiro – o aglomerado de favelas da Penha e do Alemão, na Zona Norte carioca – correram o mundo e demarcaram um novo capítulo na história do combate ao crime no Brasil. Nunca os marginais haviam perdido poder em um território tão estratégico. Houve desde aí avanços inequívocos nessa área onde residem 200.000 pessoas e que por décadas subsistiu à margem do estado. Mas, dois anos e três meses depois, a batalha do bem contra o mal chegou a uma encruzilhada. A retomada de terreno sob o jugo do crime – ponto nevrálgico da política de instalação de Unidades Pacificadoras de Polícia (UPPs) – vem sendo afrontada.

No Complexo do Alemão, o foco da resistência tem nome e lugar: chama-se Areal, um naco do morro de difícil acesso, emoldurado por um matagal de onde se pode acompanhar o vaivém da favela. Para cruzar a linha imaginária que delimita o lugar, só mesmo com a autorização do bando ali encastelado. Nas poucas vezes em que os policiais atravessaram a fronteira, arrependeram-se. Na última, em dezembro, um PM acabou alvejado com um tiro na cabeça. O bunker abriga o arsenal bélico e uma porção importante da droga que, sim, é vendida por todo o Alemão. É também o escritório do último dos chefões ainda não capturado: Luciano Martiniano da Silva, o Pezão. A polícia sabe que ele vai e volta àquela trincheira.

Nos últimos dois meses, VEJA acompanhou a vida no complexo, ouvindo mais de 150 pessoas, entre moradores, policiais e turistas – estes movidos pela curiosidade de pisar numa grande favela e pela vista deslumbrante que se descortina do alto. Chegam ao cume pelo teleférico que virou cartão-postal da era das UPPs, já baseadas em 31 antigos domínios do crime no Rio. Por seu relevo tomado de ruelas labirínticas, sua extensão e proeminência no crime, é o Alemão que impõe de longe os maiores obstáculos.

As primeiras conquistas são visíveis. O amontoado de lixo e o emaranhado de fios ilegais pendentes vão aos poucos sendo subtraídos da paisagem. A frequência e o rendimento escolar subiram e o morro avança rumo à formalidade: 460 negócios foram recém-legalizados e há até um shopping à vista. Mas a persistência dos criminosos e suas constantes exibições de poder, ainda que sem a velha ostentação de fuzis, continuam a intimidar os cidadãos de bem – e são um lembrete contundente de que é preciso sustentar com mão de ferro a guerra contra a lógica criminosa que sempre reinou. “Nunca tivemos a ilusão de que os bandidos fossem desistir fácil. Resta-nos ainda uma longa missão”, reconhece o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame.

A bandidagem se reorganizou em novas bases, agora mais modestas e discretas, instalando seus Q.G.s em locais sem UPP. Os soldados do tráfico passaram a circular no Alemão em grupos de cinco ou seis, e não mais em “bondes”, às dezenas. Carregam pistolas escondidas e pequenos lotes de drogas, dos quais podem se livrar rapidamente se necessário. Há bocas de fumo nos becos e vielas, e não mais à vista de todos.

As poucas apreensões realizadas nas semanas em que VEJA esteve no Alemão mostram que a droga chega já embalada em saquinhos com preço, identificação do conteúdo e um selo em que se lê CV, as iniciais da facção que atua na favela. O pacote pequeno de cocaína (“Suave Veneno”) custa 3 reais, e o maior (“Avenida Brasil”), 10. Os preços são os mesmos cobrados antes da instalação da UPP. Um economista poderia concluir que a força pacificadora não acarretou nenhum aumento no custo marginal da cocaína na favela – trocadilho que nesse caso tem sua dose de realidade.

Os traficantes não arredaram pé dos negócios que tocam na base do terror. Eles continuam a cobrar um pedágio – ou “taxa”, no jargão local – dos vendedores de gás: 5 reais o botijão. No último dia 19 de janeiro, um desobediente, talvez depositando excessiva fé nos novos tempos, fez que se esqueceu da tarifa. Foi morto a tiros em uma das praças centrais do complexo.

Não foi a única barbárie presenciada por VEJA no Alemão.Em 23 de fevereiro, a movimentada Praça do Terço ferveu de gente que foi ao Baile da Paz, iniciativa da UPP para substituir as agora proibidas noitadas promovidas pelos marginais, embaladas a drogas e funks com letras de apologia ao crime. O morador Edival Carvalho Miranda, 39 anos, participou da organização. Os chefes do tráfico sentiram-se ofendidos com a iniciativa. Dois dias depois, veio o castigo. O corpo de Edival foi encontrado com dois buracos de tiro na cabeça, sinais claros de execução. Sinal também da antiga e devastadora certeza da impunidade, o combustível do crime organizado.

Do lado da polícia, a favela também parece ter voltado ao seu passado de trevas. Quem mais sabe das coisas em uma favela carioca são os mototaxistas. VEJA ouviu de uma dezena deles a mesma história. Policiais da banda podre estão extorquindo 30 reais mensais dos mototaxistas, a infame taxa de segurança que eles antes pagavam aos bandidos.

A presença da UPP na favela tem a dinâmica de uma cabeça de ponte, o termo militar para descrever a situação altamente instável em que apenas um pedaço do terreno do inimigo foi conquistado. Em uma situação dessas existem duas possibilidades apenas. O avanço ou o revés total, com a retomada do território pelo inimigo.

O revés total é um fantasma que paira sobre a UPP. O avanço só será possível com uma mudança radical na polícia, a começar pela própria formação dos agentes. O propósito mais nobre da UPP é permitir que as instituições da vida civilizada cheguem à população favelada. Isso significa, antes de mais nada, que os direitos de cidadania das pessoas serão garantidos pelo estado. Nos territórios retomados, os policiais deveriam ser reconhecidos como o braço armado das instituições. Em muitos lugares isso é apenas uma utopia.

No ano passado, 46 policiais que atuavam em UPPs foram flagrados e presos por crimes contra a população local. Esquemas de propina já foram desnudados aos montes em favelas ocupadas – o mais recente no pequeno Fallet/Fo­gueteiro, no centro do Rio, onde bandidos de farda recebiam mesada de 53 000 reais do chefão da área, que continua à solta. A VEJA, a Secretaria de Segurança revelou a entrada em operação de um serviço de inteligência montado exclusivamente para investigar e coibir crimes de policiais de UPPs. É uma boa iniciativa, mas insuficiente para impedir o retrocesso.

Os militares que fazem seu trabalho com honestidade são alvo constante de tiros de fuzil disparados por traficantes contra suas precárias instalações – contêineres de aço adaptados para abrigar pessoas. Num dia de janeiro, em represália a incursões da polícia, os marginais cravaram diversos balaços na parede de uma UPP. Não custa lembrar que a força policial foi colocada nos morros para pacificá-los.

Os frequentes ataques a bala mostram que esse objetivo está longe de ser alcançado. Os tiroteios continuam fazendo parte do cotidiano com a mesma espantosa naturalidade com que um grupo de garotos brincava de guerrear no meio da rua com “armas” feitas com canos de PVC sobre as quais eles fantasiavam: “Essa é uma Desert Eagle. Em casa tenho um FAL e um AK”. Se nada for feito, a inocente brincadeira vai evoluir para cenas reais de crimes no futuro.

07/05/2013

às 19:49 \ O País quer Saber

O apagão de 14 horas e a cratera em frente do estádio do Maracanã levam à associação inevitável: imagina na Copa

Rio de Janeiro, 5 de maio: “A recomendação aos motoristas é evitar a Radial Oeste nesta segunda-feira”, avisou Carlos Roberto Osorio, secretário municipal de Transportes, depois do rompimento de uma tubulação de água da Cedae que escavou uma cratera de quatro metros de diâmetro e quatro de profundidade numa das principais avenidas da capital fluminense, bem em frente do estádio do Maracanã. “Ainda temos de esperar o andamento dos trabalhos de recuperação da via, mas, mesmo no melhor cenário, teremos problemas”, preveniu o secretário.

Rio de Janeiro, 6 de maio: “Os ventos fortes duraram das cinco às nove da manhã, com queda de árvores muito grandes”, recitou José Humberto Costa, diretor de distribuição da Light, depois que 17 bairros cariocas ficaram sem energia elétrica por até 14 horas. “Foi uma situação atípica. Demoramos mais pelas características do temporal”.

Diante de situações tão desoladoras, a associação é inevitável: imagina na Copa.

17/04/2013

às 19:33 \ Feira Livre

‘Os importantes’, por J. R. Guzzo

PUBLICADO NA EDIÇÃO IMPRESSA DE VEJA

J. R. GUZZO

O cidadão brasileiro Eike Batista, controlador de um conjunto de empresas com sede no Rio de Janeiro, faz parte de um certo tipo de gente que acaba classificada como “importante”. Eis aí uma palavra de significado duvidoso. Pode ser uma descrição positiva para algo ou para alguém. Pode ser também, e aí a coisa já complica, uma boia de salvação para valorizar pessoas, obras ou acontecimentos quando não existe, no mundo dos fatos reais, um mínimo de fundamento capaz de justificar essa valorização. Não importa se uma pessoa tem ou não tem virtudes. Não importa, na verdade, o que tenha feito ou deixado de fazer. Basta conseguir que a chamem de “importante” – vai passar a vida inteira sendo elogiada, sem que ninguém nunca saiba exatamente por quê, e sem que precise mostrar serviço.

É um fenômeno muito comum na cultura. Há o “escritor importante” – mas ninguém se lembra de um único livro realmente bom que tenha escrito. Há, na mesma linha, o músico, o pintor, o diretor de cinema, o filósofo, o crítico que ganham a comenda de “importante” – e até mesmo, nos casos de bobagem em estado terminal, os que são considerados os “mais importantes de sua geração”. Não é difícil, nisso tudo, separar o artigo legítimo do cavalo paraguaio. Nunca passa pela cabeça de ninguém, digamos, dizer que Camões é um “escritor importante” – ele é, apenas, Camões. Não precisa ser chamado de “importante”; tem a fama porque tem a obra. Já no caso das eminências com méritos desconhecidos, é o contrário: não têm a obra, só têm a fama.

A causa disso está nos jornalistas, uma espécie que, pelas condições naturais do seu habitat, desenvolve um forte instinto de manada; se um deles, ou um grupo, começa a falar de um assunto, a maioria sai correndo atrás para falar da mesma coisa, o tempo todo. É o que aconteceu com Eike Batista. Alguns anos atrás, ele começou a aparecer na mídia; logo ganhou dos jornalistas o certificado de “empresário importante”, e desde então é raro que se passem três dias seguidos sem que o seu nome seja citado em algum lugar. Ajudaram-no, sem dúvida, o fato de ter aparecido nessas listas de homens “mais ricos do mundo”, cuja veracidade é algo que jamais foi possível provar de maneira satisfatória, e sua disciplina em manter-se à disposição da imprensa 24 horas por dia. Mas onde estão, precisamente, seus feitos concretos como empresário?

Eike, no noticiário, está num eterno “vai” – vai fazer, investir, negociar, estudar, comprar, vender, associar-se. Não se fala, depois, no resultado dessas intenções. Nem mesmo a mera reforma do histórico Hotel Glória, no Rio de Janeiro – que deveria ser coisa modestíssima para a imensidão de sua fortuna –, parece dar sinais de vida. Eike comprou o hotel cinco anos atrás. Nesse tempo todo, além da tela de malha sintética que cobre a sua fachada, tudo o que os cariocas puderam ver da reforma é que ela não vai ficar pronta para a Copa de 2014, como prometido, e que o BNDES já deu 200 milhões de reais para financiar a obra. Um dos seus poços de petróleo em alto-mar, que deveria produzir “20.000” barris por dia, viu-se discretamente reavaliado, depois, para 10.000, em seguida para 5.000; não se fala mais do assunto. Na verdade, o que mais se noticia hoje são as perdas de Eike: é o mesmo efeito manada, agora na contramão.

Problema dele? Não; infelizmente é problema nosso. Em sua última edição, VEJA mostrou, com fatos e fotos, Eike, o ex-presidente Lula e o lobista Amaury Pires Neto numa visita feita em janeiro ao Porto do Açu, no estado do Rio, uma das mais louvadas realizações do empresário importante – e que, como tantas outras, não decolam. (Esse Pires é homem de procedência garantida: demitido em 2011 do Fundo da Marinha Mercante, no meio da frenética roubalheira flagrada então no Ministério dos Transportes, tem linha direta com o deputado Valdemar Costa Neto, condenado a sete anos e dez meses de cadeia no mensalão.) Lula, aí, estava na mesma atividade de Pires – fazendo lobby em favor de Eike.

O objetivo era obter do governo a transferência para o Açu de um investimento estrangeiro de 500 milhões de reais. Lula foi à luta: pediu à presidente Dilma Rousseff que recebesse Eike, botou dois ministros a trabalhar para o empresário e envolveu até o Itamaraty nesse rolo. Isso não deu em nada, até agora, por falhas operacionais da trama. Mas provou que, além daqueles duzentinhos do BNDES, há uma proximidade perigosa entre Eike Batista e o Tesouro Nacional – perigosa não para ele, claro, mas para quem paga as contas do Brasil para Todos.

16/04/2013

às 10:03 \ Feira Livre

Diário da Dilma: Quem não tem colírio que use óculos escuros

PUBLICADO NA EDIÇÃO DE ABRIL DA REVISTA PIAUÍ

1º DE MARÇO_Não tinha reparado como o Mercadante é parecido com o Tom Selleck. Acho que fiquei muito focada no Lobão e a coisa me escapou. E não é que existe mais vida no Ministério do que supunha minha vã filosofia? Basta classificar o bigode na categoria vintage que tudo se esclarece.

2 DE MARÇO_Fui abrir o MAR, aquele museu em dois prédios lá no Rio. Me senti como Moisés. Foi uma pajelança com Paes, Cabral e aquela trupe toda. Ô, povo animado. Sentamos o Pezão ao lado de um dos Robertos da Globo para ir firmando a presença dele na grande imprensa burguesa.

3 DE MARÇO_Deus é pai, não é padrasto! Me livrei do Chalita sem precisar fazer nada! Quem manda não pagar as comissões direito? Tá o maior bafafá com a história do assessor não-sei-das-quantas que mandava na Secretaria. Diz que o Chalita chamava os pacotes de dinheiro de Vanderlei. Que coisa!

5 DE MARÇO_Perdemos Prestes, Lamarca e agora o Hugo Chávez. Fica o exemplo para o PMDB: não é possível permanecer eternamente no poder.

6 DE MARÇO_E não é que o Congresso ousou vetar meu veto à nova Lei dos Royalties? Como faço para vetar novos vetos aos meus vetos? Enquanto a Ideli não descobre, roguei uma praga que eles vão ver só!

7 DE MARÇO_Rá! Batatolina! Não sabia que praga de presidenta pegava tão rápido. Quero ver engolirem esse pastor que alisa o cabelo.

Uma grande maldade o Barbosa negar passaporte para que o Dirceu fosse ao enterro do Chávez. É bem verdade que corríamos algum risco. Se conheço bem a peça, devia passar pela cabeça dele assumir a vaga do Comandante, pegar em armas, invadir o Brasil e salgar as terras do stf.

8 DE MARÇO_Dia Internacional da Dilminha. Para comemorar, distribuí broncas no Moreira Franco, Padilha e Crivella.

Parece que o Serra tomou tenência. Enviou para cá um mimo que achei fofo: uma caixona com vários suquinhos da marca Ades. Nunca achei que o homem fosse capaz de um gesto simpático. Queimei a língua.

9 DE MARÇO_A briga na Cúria é pinto perto do pega pra capar na base aliada. Se eu pensasse em renunciar cada vez que o PMDB pede aquela penca de cargos… Tem que ser sertaneja para aguentar isso! O papa, muito sabido, muito lido, muito santo, não deu conta…

10 DE MARÇO_Mamãe arrumou o DVD Amor, do Michael Haneke. Chorei que nem manteiga derretida. Fico ocupada com essa reforma ministerial, em acabar com a pobreza, em manter a arquitetura do topete e me esqueço de procurar alguém para segurar minha mão quando estiver velhinha.

11 DE MARÇO_Achei que titia falava muita besteira. Até que apareceu esse Marco Feliciano e mudou os paradigmas.

12 DE MARÇO_Firmei um acordo para ampliar os voos entre o Brasil e a Nova Zelândia. Quero ver continuarem a falar em apagão logístico. Animada, pisei fundo nas negociações bilaterais e incluí um dispositivo pelo qual uma cidade de lá se compromete a treinar a nossa seleção de rúgbi. Terminada a cerimônia, disse na lata: “Para nós, é muito importante para as áreas dos esportes a área do rúgbi. A Olimpíada aqui no Brasil pela primeira vez vai incorporar isso, então essa é uma parceria muito importante.” Tudo bem, a sintaxe podia ser melhor, mas ninguém negará que são palavras históricas.

13 DE MARÇO_É argentino! Argentino! Senhor, por que nos abandonaste?

14 DE MARÇO_Liguei imediatamente para o Patriota: “Partiu Roma! Arruma um jeito de colocar o Mercadante na comitiva.”

Bem feito: aquele chato do dom Odilo caiu no conto do vigário. Literalmente: dom João Braz de Aviz o atiçou a defender o Banco do Vaticano, e pronto. Morreu pela boca, para alegria do cardinalato brasileiro. Se dom Odilo tivesse passado dois dias com Dirceu e Tarso, ou com Serra e Aécio, saberia como essas coisas funcionam. De nada adianta o vento estar a favor se não se sabe para onde virar o leme.

15 DE MARÇO_Por onde anda o Benito di Paula? Será que está vivo? A Ideli deve saber.

16 DE MARÇO_Amanhã, Roma. Ufa. Depois da Guiné, eu bem que merecia um IDH alto. Dei um jeito de adiantar a viagem para ter um tempinho livre. O Patriota já me arrumou um encontro com um cara da Eslovênia, só para me contrariar. Fui olhar na Wikipédia e a Eslovênia tem 2 milhões de habitantes. Me poupe, Patriota!

17 DE MARÇO_Roma, cidade dos grandes amores. Champagne per brindare aun incontro. Sonhei que estava na Fontana di Trevi com água pela cintura. Num relance, notei que um carro conversível acabava de parar. De dentro me saiu um homem misterioso, de chapéu panamá e terno risca de giz. Meus olhos embaçados pela emoção e pelo esguicho de Netuno me impediam de identificar quem era. Ao oferecer-me a mão, reconheci os fartos cabelos negros de um, e também os bastos bigodes do outro. Acordei cheia de tribulações. Ah, destino, não vês que sou frágil? Por que me desafias assim?

20 DE MARÇO_O tal Francisco veio me dizer que papa não tem nacionalidade. Num chiste delicioso, emendou que prova disso é que deixaria de ser argentino para se tornar humilde. De qualquer modo, pedi que benzesse o nosso Pibinho. O Santo Padre confirmou que vem para a Jornada Mundial da Juventude, para a Copa, Olimpíadas e Rock in Rio.

Pelas chagas do Divino Coração de Jesus! Como esse negócio de missa é chato. Não é à toa que está todo mundo virando evangélico. Ainda bem que o Gilbertinho sentou por perto e me explicou a liturgia. Achei bonito aquele momento em que todo mundo se dá a mão. Só não é muito higiênico.

21 DE MARÇO_Tentei falar com a Cris Kirchner. Ela fez uma cara de entojo e pediu para eu lhe reavivar a memória, pois não estava ligando meu nome à pessoa. Está se achando a própria Lucrécia Borgia quando o pai lhe entregou o papado.

22 DE MARÇO_Babadíssimo! A Cris K. está de namorico com o Baltasar Garzón, aquele juiz espanhol que vive prendendo o Pinochet e é um pão! ÓDIO! O que ele viu naquela Mortícia Addams, não sei…

23 DE MARÇO_O Lula me ligou outro dia para me azucrinar um pouco. Estava sem serviço e queria bater um papo sobre a reforma ministerial. Uma chatice. Parece que está sem ambiente em casa…

24 DE MARÇO_Desisto. Cansei de chamar o Guido na chincha! O que eu vou dizer do Pibinho? Minha inspiração acabou! Tá pequeno porque tá pequeno, ponto! Porque a economia não cresceu. E lambam os beiços. Quem não tem colírio que use óculos escuros.

25 DE MARÇO_Mandei incluir umas pimentas bem ardidas na comida aqui de casa. Li que pimenta acelera o metabolismo e queima umas 100 calorias por semana. No primeiro dia titia quase teve um troço. Ficou à base de canja por três dias e está sem falar comigo.

26 DE MARÇO_Dilminha pop star! Meus índices de aprovação são mais altos do que os de Chico Buarque, dom Paulo Evaristo Arns, Gaby Amarantos e aquela música do Byafra. Que, aliás, foi feita para mim: Voar, voar/ Subir, subir/ Ir por onde for… Talk to the hand, Luiz Inácio!

27 DE MARÇO_A Abin veio me dizer que o Suplicy vem lendo receitas de miojo na tribuna desde 2008. Ninguém notou.

09/04/2013

às 15:31 \ Sanatório Geral

A Dilma do Serginho

“Aliança pressupõe reciprocidade. O Lula teve nosso apoio para lançar sua sucessora. Será que eu não tenho legitimidade para lançar o meu sucessor?”

Sérgio Cabral, governador do Rio de Janeiro e cardeal do PMDB, irritado com a insistência do senador Lindbergh Farias em disputar a sucessão estadual, confessando que o vice Luiz Fernando Pezão é a Dilma da Turma do Guardanapo.

06/04/2013

às 16:21 \ Sanatório Geral

Guardanapo na cabeça

“Quem cometeu esse crime será punido exemplarmente. O Executivo e o Judiciário devem dar esse exemplo”.

Sérgio Cabral, governador do Rio nas horas de folga, sobre o caso dos estudantes estrangeiros seviciados por bandidos numa van que transportava passageiros, sem explicar por que a polícia, o Ministério Público e o Poder Legislativo não têm nada com isso.

03/04/2013

às 19:14 \ Direto ao Ponto

Os jovens estrangeiros que embarcaram na tapeação do coro dos contentes foram transformados em passageiros do horror

Entre uma gastança em Roma e uma promessa que não vai cumprir no Brasil, a presidente Dilma Rousseff vive declamando que a solução para a insegurança pública existe, mora no Rio de Janeiro e atende pelo nome de Unidade de Polícia Pacificadora. Entre um jantar em Paris e um jogo de basquete em Nova York, o governador Sérgio Cabral trata de endossar o parecer da chefe: basta que todos os municípios copiem a modernidade inaugurada no Morro do Alemão para que o país que acabou com a miséria festeje também a erradicação de todas as formas de violência.

Depois da invençao da UPP, a Cidade Maravilhosa ficou mais segura que o Vaticano, confirma o prefeito Eduardo Paes entre uma ginga de passista aposentado e outra discurseira triunfalista. Exemplarmente afinado, o coro dos contentes não perde nenhuma chance de queixar-se dos pessimistas profissionais, das cassandras da imprensa e das demais subespécies de inimigos da pátria sempre decididos a denegrir a imagem da sede dos Jogos Olímpicos de 2016. Só gente assim não admite que o Rio nunca esteve tão bonito, tão bem cuidado e tão protegido pelos homens da lei.

Por terem embarcado na tapeação, um jovem francês e sua namorada americana subiram a bordo de uma van que passava pela Praia de Copacabana na madrugada deste 31 de março. Logo descobriram que haviam desembarcado no Rio de verdade. O veículo era dirigido por um bandido, que recolheu dois comparsas algumas quadras adiante. O confisco do dinheiro e dos cartões de crédito foi só o começo da viagem imposta pelos sequestradores aos passageiros do horror. Ele foi submetido a espancamentos selvagens. Ela foi estuprada sucessivas vezes.

Tão logo se anunciou a prisão dos criminosos, as autoridades policiais retomaram a lengalenga do “caso isolado”. Isolado coisa nenhuma, desmentiu a aparição de outras duas vítimas do mesmo bando, ambas brasileiras. Embora ligeiramente reduzidos, os números da violência na capital fluminense continuam assustadores. Na melhor das hipóteses, a UPP talvez seja uma boa ideia ainda engatinhando. Essencialmente, nada mudou. Não há notícia de um único e escasso meliante que tenha desertado da quadrilha, abandonado o ofício ou antecipado a aposentadoria por medo de polícia.

A cidade mais tranquila que margem de lago suíço só existe na cabeça dos embusteiros. Também por isso, como registra o comentário de 1 minuto para o site de VEJA, os cartolas da potência emergente deveriam exigir a imediata inclusão na lista de modalidades olímpicas de um esporte cada vez mais praticado pelos governantes nativos: revezamento de cínicos. O Brasil garantiria medalhas de ouro, prata e bronze a cada quatro anos. Dilma, Cabral e Paes são apenas três na multidão dos enganadores. É muito farsante para pouco pódio.

02/04/2013

às 20:21 \ Sanatório Geral

Boa dupla

“O Rio é o único estado em que a presidente vai vir passear , o governador e o prefeito vão esperar por ela sorridentes”.

Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, formalizando a candidatura ao Troféu Vassalo do Ano em dobradinha com Sérgio Cabral.

25/03/2013

às 18:04 \ Sanatório Geral

Novo velho

“Quem faz guerra de dossiês e jogo sujo é o PMDB. Essa é a política velha que queremos derrotar”.

Lindbergh Farias, senador do PT fluminense e candidato ao governo do Rio de Janeiro, ao acusar o PMDB de estar por trás das denúncias que tem enfrentado nos últimos dias, ensinando que política nova é a que transformou o antigo líder dos caras-pintadas em melhor amigo de Fernando Collor.

19/03/2013

às 15:00 \ Direto ao Ponto

Reynaldo-BH: As mortes na Região Serrana do Rio são tão rotineiras quanto as viagens do governador a Paris

Trecho: Quem já perdeu um amigo ou parente sabe o que as famílias estão sentindo com os efeitos do descaso. Mas são somente 17. Uma grande economia para a prefeitura, que não vai ter que providenciar centenas de caixões. E um número que será usado como sinal de sucesso.

Leia a íntegra na seção Feira Livre.

 

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