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Ricardo Lewandowski

15/07/2015

às 14:15 \ Opinião

José Nêumanne: Dilma contra Montesquieu

PUBLICADO NO ESTADÃO

Primeiro, Dilma Rousseff meteu os pés pelas mãos e perdeu totalmente a popularidade que nunca teve antes na História deste país, mas ganhou como mimo do padrinho. Depois, abusou tanto das mentiras que terminou por ficar também sem credibilidade. Agora, ela tem dado sinais de que começa a deixar pelo caminho toda a compostura. É possível chegar a essa conclusão sem levar em conta as descomposturas que costuma dar em seus subordinados quando contrariada e nas quais abusa na intimidade do palavreado chulo, da mesma forma como expõe seu raciocínio confuso quando fala em público, lendo ou de improviso.

O episódio narrado por Natuza Nery e Marina Dias na Folha de S.Paulo de domingo, contudo, perturba muito menos pelo destempero do uso exagerado de um linguajar rasteiro e desrespeitoso, tratando o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, como lacaio, que ele não é, mas um servidor público com tarefas importantes a cumprir para preservar a natureza republicana das coisas. O episódio descrito na notícia é repulsivo, mas deixa de ser relevante, já que a presumida vítima poderia ter reagido por honra ou vergonha, e não o fez.

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12/07/2015

às 3:03 \ Opinião

‘Palavras o vento leva’ e outras quatro notas de Carlos Brickmann

CARLOS BRICKMANN

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

Em política, palavra não tem lá muito valor: fala-se o que dá voto, raramente o que se pensa. Mas a linguagem dos sinais é precisa. Diz que a crise é brava.

1 – A senadora Gleisi Hoffmann, do PT paranaense, ex-ministra de Dilma (e esposa de ex-ministro), estava no Senado no dia 8, na hora da votação que elevou o reajuste dos aposentados. Dilma precisava derrotar o reajuste. Gleisi sumiu, não votou. Também não votaram governistas radicais que estavam lá, como Angela Portela, PT de Roraima, e Vanessa Grazziotin, PCdoB do Amazonas. Sandra Braga, do PMDB do Amazonas, é governista e mulher do ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga; cadê? Eunício Oliveira é líder do PMDB, maior partido da base aliada. Não votou. Peemedebistas bem atendidos pelo Governo, como Dario Berger, José Maranhão, Simone Tebet e Waldemir Moka, estavam no Senado, mas não na votação. Do PMDB, 11 senadores votaram, sete contra Dilma. Dois petistas, o gaúcho Paulo Paim e o baiano Walter Pinheiro, votaram contra o Governo. Zezé Perrela, governista do PDT mineiro, também.

2 – A CPI da Petrobras convocou para depor o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A lista das convocações é de autoria do relator, Luiz Sérgio, PT.

Traduzindo a linguagem dos sinais: o apoio político a Dilma se esvaiu. Petista votando contra o PT? Ou fugindo da raia na hora de votar para não se comprometer? Peemedebista bem atendido mordendo a mão que o alimenta? Como diria o padre Quevedo, “esso non ekziste”.

Ou só existe quando a crise é terminal.

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05/07/2015

às 12:12 \ Opinião

‘Alguém tem de apagar a luz’ e outras seis notas de Carlos Brickmann

CARLOS BRICKMANN

Publicado na coluna de Carlos Brickmann

Quem chega primeiro a 5: o litro de gasolina, o dólar, o número de ministros que aguentam ficar no governo ou a popularidade da presidente Dilma?

A ideia de ter até 2018 uma presidente cuja base política se esfacelou (e que perde uma votação importante no Senado por 62×0, com os votos de seu próprio partido) desagrada muita gente. O PSDB está pedindo a renúncia de Dilma; e um militante esquerdista como Celso Lungaretti, que lutou na guerrilha e hoje escreve blogs anticapitalistas, diz que, se o PT não estivesse tão aferrado ao poder pelo poder, seria a hora de pensar seriamente na renúncia da presidente.

O Ibope é terrível para Dilma: índice de aprovação, 9% ─ maior apenas que o de Sarney no finalzinho de seu Governo, quando nenhum candidato à sucessão aceitou seu apoio; índice de reprovação do governo, 68%; a maneira de governar da presidente é rejeitada por 83%. E esses números são confirmados pelas estranhas atitudes de profissionais de área pública que, de repente, estão loucos para abandonar os cargos pelos quais tanto lutaram. Michel Temer ameaça deixar a coordenação institucional do governo, José Eduardo Cardozo se diz cansado de ser ministro, Eduardo Cunha quer que o PMDB rompa com Dilma. Quem conhece, sabe: o PMDB largar cargos promissores é coisa que não existe. Esse tipo de político só larga posição de poder quando poder já não há.

Perspectivas de recuperação? Nada é impossível. Mas a mesma pesquisa mostra que, para 61% do eleitorado, os próximos anos do governo Dilma serão ruins ou péssimos. Apenas 11% veem perspectiva de melhora.

Feliz 2019!

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24/05/2015

às 18:21 \ Sanatório Geral

Dinheiro é coisa séria

“Como cidadão, compreendo as dificuldades pelas quais passa o país. Como chefe do Judiciário, tenho que cuidar dos servidores que estão com vencimentos atrasados”.

Ricardo Lewandowski, presidente do Supremo Tribunal Federal e líder da bancada dos ministros da defesa dos culpados de estimação, ao reiterar a exigência de receber em dia os salários contemplados há quatro meses com um aumento de bom tamanho, mostrando que só atrasos no pagamento mensal conseguem fazer com que deixe de ser obediente ao Planalto.

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02/06/2014

às 19:07 \ Homem sem Visão

Teori Zavascki vence a eleição de maio e dedica o troféu a Ricardo Lewandowski

HSV - maio VALE

“Dedico o troféu ao nosso presidente Ricardo Lewandowski, que é a cara do novol STF”, emocionou-se Teori Zavascki ao ser oficialmente informado da conquista do título de Homem sem Visão de Maio. “Também gostaria de homenagear o excelentíssimo e douto colega Luís Roberto Barroso, companheiro de lutas, HSV de Março e exímio praticante da arte de mostrar que nenhum ponto deve estar fora da curva”.

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08/01/2014

às 9:00 \ Direto ao Ponto

Em vez de socorrer o Estado de Direito, o mais antigo ministro do Supremo Tribunal Federal estendeu a mão aos quadrilheiros

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PUBLICADO EM 18 DE SETEMBRO

“Da maneira que está sendo veiculado, dá a impressão que o acolhimento vai representar absolvição ou redução de pena automaticamente, e não é absolutamente nada disso”, queixou-se Celso de Mello no domingo ao repórter Severino Motta, da Folha, com quem conversou enquanto tomava café com a filha numa livraria de Brasília. Nesta quarta-feira, ao votar pelo acolhimento dos votos infringentes, o decano do Supremo Tribunal Federal caprichou por mais de duas horas na pose de quem não estava inocentando ninguém. Terminada a maratona retórica, tornara  inevitável a absolvição, daqui a alguns meses, de todos os condenados por formação de quadrilha no julgamento do mensalão.

Nas sessões do ano passado, os ministros Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Rosa Weber não conseguiram enxergar uma quadrilha onde Celso de Mello, em agosto de 2012, viu com nitidez o mais descarado ajuntamento de quadrilheiros que já contemplara em 43 anos nos tribunais. Mas o mesmo Celso de Mello, constatou-se nesta tarde, não consegue ver nada de mais em achar que todo réu inocentado por quatro ministros do STF pode valer-se do embargo infringente para ser julgado de novo.

Julgado e, no caso, absolvido por um Supremo espertamente modificado pela infiltração de duas togas escaladas para socorrer companheiros em apuros. Com a chegada de Teori Zavaschi e Roberto Barroso, os quatro viraram seis e a minoria virou maioria. Assim, é mera questão de tempo o parto oficial do mais recente monstrengo jurídico do Brasil lulopetista: os quadrilheiros que, embora ajam em conjunto e continuadamente, não formam uma quadrilha. Os mensaleiros, portanto, são bandoleiros sem bando.

Se não houve quadrilha, tampouco pode existir um chefe de quadrilha. Assim, José Dirceu será oficialmente exonerado do cargo que exerceu enquanto chefiava a Casa Civil do governo Lula. Embora condenado por corrupção ativa (e sem direito a embargo infringente), o guerrilheiro de festim jamais se livrará do estigma perpétuo. Mas é um consolo e tanto saber que acabou de livrar-se da prisão em regime fechado. Na hipótese menos branda, passará alguns meses dormindo na cadeia (e pecando em paz durante o dia). Ao prorrogar a velharia com nome de produto de limpeza, Celso de Mello decidiu que os votos dos quatro ministros da defesa valem mais que a opinião vencedora dos seis que condenaram os quadrilheiros (e permitiram que 70% dos brasileiros sonhassem com o começo do fim da corrupção impune).

Para proteger um zumbi regimental, o mais antigo dos juízes  deixou a nação exposta aos inimigos do Estado de Direito. Se tivesse socorrido a democracia ameaçada, Celso de Mello mereceria ter o nome eternizado em praças e avenidas. Por ter estendido a mão aos criminosos, talvez tenha perdido até a chance de ser nome de rua em Tatuí, a cidade paulista onde nasceu, cresceu e vai desfrutar da melancólica aposentadoria reservada a todo aquele que poderia ter sido e não foi.

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01/12/2013

às 18:50 \ Homem sem Visão

Cardozo vence a eleição de novembro e dedica o troféu aos sherloques da Abin

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“Dedico o troféu aos valorosos sherloques da nossa Agência Brasileira de inteligência”, emocionou-se José Eduardo Cardozo ao ser oficialmente informado da conquista do título de Homem sem Visão de Novembro. “Fui o descobridor da contraespionagem preventiva”, gabou-se o ministro da Justiça que também exerce o ofício de distribuidor de dossiês sem assinatura destinados a provar que os outros partidos ameaçam a liderança do PT no Campeonato Nacional da Gatunagem.

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25/11/2013

às 20:22 \ Homem sem Visão

Eike Batista, Fernando Haddad, José Eduardo Cardozo, Pedro Machado, Renan Calheiros e Ricardo Lewandowski brigam na enquete pelo troféu de novembro

Começou a votação na enquete que apontará o ganhador do título de Homem sem Visão de Novembro. Inscritos voluntariamente ou por determinação dos leitores-eleitores, seis campeões estão na briga por uma vaga na finalíssima de dezembro.

hsv eike

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14/11/2013

às 14:21 \ Sanatório Geral

Ministro da Defesa

“Em homenagem aos princípios constitucionais, peço que se abra vista e que a defesa se manifeste”.

Ricardo Lewandowski, ministro do STF, ao defender que os mensaleiros que entraram com embargos infringentes não sejam presos, chamando os advogados dos réus para fazerem o papel que ele tem desempenhado desde o começo do julgamento.

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03/10/2013

às 9:48 \ Direto ao Ponto

O pecador que se nomeou Juiz dos Juízes escapou por pouco de enfrentar a primavera pendurado em embargos infringentes

ATUALIZADO ÀS 9H48

Na festa promovida pela OAB para celebrar o 25º aniversário da Constituição de 1988, que o PT se recusou a assinar no dia da promulgação, o ex-presidente Lula confirmou que, se descobrissem que o governo simpatizava com o calendário gregoriano, os ferozes oposicionistas do século passado proporiam a adoção do calendário chinês. “O PT foi o único partido que, no dia da instalação da Constituinte, entregou um projeto de Constituição”, lembrou o palanque ambulante. “Só tínhamos 16 deputados, mas éramos desaforados como se fôssemos 500″. (Desaforado, como ensina o glossário da novílingua lulopetista, é o adjetivo que se deve aplicar a companheiros carentes de juízo e neurônios, que não resistem à tentação da molecagem irresponsável quando deliberam sobre assuntos relevantes).

“Se a Constituição que a gente apresentou fosse aprovada”, admitiu com o sorriso jocoso de quem retransmite uma previsão de Guido Mantega, “certamente seria ingovernável, porque éramos muito duros na queda”. No glossário da novilíngua, duro na queda é a expressão que designa quem confunde teimosia com coerência, é incapaz de refletir sobre ideias divergentes, rejeita o convívio dos contrários, sonha com o partido único e persegue o poder perpétuo. Há dez anos no controle do governo federal, os devotos continuam tão “duros na queda” quanto nos velhos tempos. O mestre mudou para pior.

Nesta terça-feira, por exemplo, aproveitou o sarau na OAB para proclamar-se Patrono do Judiciário e Controlador-Geral do Supremo Tribunal Federal. Caprichando na pose de Juiz dos Juízes, informou ter descoberto que os ministros devem usar a toga por menos tempo. “Se tudo no país pode ser renovado, por que um juiz tem que ficar a vida inteira?”, comparou. “Eu acho que tem que ter mandato em tudo quanto é lugar, porque senão as pessoas ficam 35, 40 anos”. Ele garante que a nova fórmula “teria outra vantagem: a alternância”. Mas ainda não decidiu se a idade limite para a aposentadoria “vai ser 75 anos ou vai ficar como está”.

O fundador do Brasil Maravilha reiterou que, se pudesse voltar no tempo, corrigiria um dos raríssimos erros que cometeu. “Eu teria mais critério para nomear ministros do Supremo”, penitenciou-se com sotaque de pecador no confessionário. Mais critério, no caso, quer dizer mais desfaçatez, ou nenhuma vergonha. Lula nunca levou em conta os dois pré-requisitos constitucionais que antigamente orientavam o preenchimento de vagas no STF: eram indicados pelo chefe do Executivo e sabatinados pelo Senado apenas juristas dotados de notório saber e reputação ilibada.

Lula sempre indicou (e os senadores engoliram sem engasgos) doutores que lhe pareceram prontos para pagar a toga com a absolvição de bandidos companheiros e cumprir disciplinadamente as determinações do presidente que lhes garantiu o empregão. Com o julgamento do mensalão, descobriu que existem juízes independentes e sem medo. A decepção e o ressentimento induziram o estadista de galinheiro a parir a aberração com que sempre sonharam os bacharéis de porta de cadeia: a Teoria do Mais Critério.

Dos ministros nomeados por Lula, permanecem no STF Joaquim Barbosa, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski e Dias Toffoli. Os dois primeiros não chegariam lá se o chefe do Executivo tivesse seguido a teoria que inventou. O nome de Lewandowski foi soprado por Marisa Letícia, que vivia ouvindo da vizinha elogios superlativos ao filho desembargador. A indicação acabou dando certo, mas o primeiro dos selecionados com mais critério foi Dias Toffoli. Duas vezes reprovado no exame para o ingresso na magistratura, ex-advogado do PT, ex-assessor de José Dirceu na Casa Civil, ex-chefe da Advocacia-Geral da União, tinha tudo para brilhar como ministro da defesa dos quadrilheiros do mensalão. Bingo.

Lula deveria ser mais amável com juízes que qualifica de “ingratos”, caso do já aposentado Ayres Britto e, sobretudo, de Joaquim Barbosa. Se fossem menos clementes, ambos teriam argumentos de sobra para defender a instalação do ex-presidente no banco dos réus. Os ministros fingiram acreditar que Lula nunca soube de nada que ocorria nas salas ao lado, acima e logo abaixo do gabinete presidencial. Também fingiram nunca ter ouvido o que disse José Dirceu mais de uma vez: “Nunca fiz nada sem a autorização do presidente Lula”.

Se os julgadores optassem por um tratamento menos compassivo, este começo de primavera encontraria o Juiz dos Juízes pendurado em meia dúzia de embargos infringentes. E Dirceu teria muito mais chances de repassar a patente de chefe de quadrilha.

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