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PT

19/04/2012

às 15:03 \ Feira Livre

‘Régua e compasso’, por Dora Kramer

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA

 

DELCIDIO AMARAL 142

senador Delcídio Amaral, do PT: "misturá-las só serve para enervar o Supremo" (Foto: Sergio Lima / Folha Imagem)

DORA KRAMER

Se estiver dando para entender direito o que o PMDB anda dizendo sobre a CPI da vez, o partido tem um plano. Posa de bom conselheiro, na certeza de que o PT se enrola todo e acaba deixando o governo em maus lençóis.

Instalada a confusão, usa de sua influência e experiência para salvar a situação abatendo logo dois coelhos: enfraquece o parceiro que identifica como um bom amigo da onça e recupera prestígio no Palácio do Planalto.

Entraria em cena assim como uma espécie de guia genial dos povos.

Na teoria, como sempre, tudo corre bem. O problema dos planos muito bem elaborados é a desobediência da realidade e a insubordinação das consequências.

Em 2005 a oposição projetou o sangramento político do então presidente Luiz Inácio da Silva considerando desnecessário confrontar sua investidura no cargo com a confissão do publicitário Duda Mendonça sobre uso da caixa dois na campanha presidencial.

Em 2010 a mesma oposição planejou com capricho uma vitória e com o mesmo afinco ajudou Lula a construir uma derrota.

Há inúmeros exemplos da distância existente entre a projeção e a execução de empreendimentos.

Até engenheiros considerados muito competentes cometem erros de cálculo. Note-se o ex-presidente Lula agora no papel diverso do acima citado.

Por enquanto seus planos para Fernando Haddad como candidato a prefeito de São Paulo não têm saído conforme o roteiro original, embora essa ainda seja uma obra em aberto e pode haver modificações.

O que não se alteram são os relatos sobre a oposição da presidente Dilma Rousseff à ideia de Lula de incentivar a comissão de inquérito com o propósito de dar o troco em adversários e anuviar o ambiente de julgamento do mensalão.

O senador Delcídio Amaral, do PT, acha o gesto equivocado: “São coisas diferentes, tratadas em foros distintos e, além do mais, misturá-las só serve para enervar o Supremo e complicar em vez de facilitar a situação”.

É a tal história dos planos: assim como ninguém garante que o PMDB possa controlar a situação e ficar de fora do que venha por aí, tampouco é possível assegurar que se houver seriedade nas investigações originadas nas relações do senador Demóstenes Torres com Carlos Augusto Ramos, não se tenham escarafunchadas as relações entre governos (federal inclusive) e empreiteiras.

Com repercussão direta e imprevisível sobre o PAC e demais obras públicas. Não é à toa nem por acaso que há anos se tenta sem sucesso e se evita com grande êxito sentar essas senhoras nos bancos de uma CPI.

 

Cerca Lourenço

De todas as cenas impróprias que a política produz dia sim outro também, entre as recentes a pior é a do deputado João Paulo Cunha, dublê de réu do mensalão e presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, em périplo aos gabinetes dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Deputado João Paulo Cunha

Deputado João Paulo Cunha protagoniza cena imprópria da vez (Foto: Fernando Pilatos / Futurapress)

Por ora pediu audiências a cinco ministros e foi atendido por um, justamente José Antônio Dias Toffoli, assessor jurídico da Casa Civil à época do escândalo e depois advogado-geral da União.

A alegação de que teria ido entregar relatório sobre alterações no Código Penal não faz sentido, pois Cunha além de não ser o relator (era o deputado Sérgio Barradas Carneiro) não tinha delegação para tal.

A motivação óbvia é “sentir o clima” entre os ministros. Uma inconveniência, de parte a parte.

 

Bendita

Ao contrário do que diz o (a partir de hoje ex-presidente do Supremo Tribunal Federal) Cezar Peluso, Eliana Calmon deixará sim um legado importante como corregedora do Conselho Nacional de Justiça.

Ela pode não ter, como disse o ministro, “apresentado resultados concretos” sobre várias denúncias envolvendo magistrados. Até porque não é senhora do tempo da conclusão dos processos.

Mas contribuiu com atitude, pondo vários pontos em muitos “is”. O que não é pouco no ainda obscuro ambiente da Justiça.

17/04/2012

às 23:19 \ Direto ao Ponto

Se o mensalão foi uma farsa, por que Lula e Dilma não reconduziram ao ministério o acusado de comandar a quadrilha?

Se o mensalão foi uma farsa, como ensina o Grande Pastor e repete o rebanho, então também não existiu nenhuma quadrilha. Se não existiu quadrilha, então também não houve chefe de quadrilha. Se não houve chefe de quadrilha, então não existiram motivos para que José Dirceu atendesse prontamente à ordem de Roberto Jefferson ─ “Sai daí rápido, Zé!” ─ e caísse fora da Casa Civil. Se o pai de todos os escândalos não passou de invencionice da oposição e da imprensa golpista, então a Procuradoria Geral da República embarcou num embuste. Se tratam como caso sério o que é só uma farsa, então os ministros do Supremo Tribunal Federal são farsantes também.

Encadeadas, tais deduções berram que Lula e seus devotos nunca tiveram motivos para  condicionar ao desfecho do processo dos mensaleiros a reparação devida ao mais injustiçado dos companheiros. Essa constatação convida a duas perguntas. Por que Lula, que jura ter enxergado a pérfida trama dos inimigos ainda em 2005, não reconduziu Dirceu ao ministério? E por que Dilma Rousseff teima em manter o camarada de armas longe do grupo de “articuladores políticos” que aceita até um Gilberto Carvalho ou uma Ideli Salvatti? Uma só resposta liquida a dupla interrogação: porque nem os chefes supremos acreditam na versão que apaga da história a ladroagem colossal.

Os fabricantes da teoria da farsa sabem que os farsantes são eles.

17/04/2012

às 17:39 \ Feira Livre

‘A verdadeira operação abafa’, editorial publicado no Estadão

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA TERÇA-FEIRA

A tática dos lulopetistas de acusar os adversários políticos de praticar as malfeitorias que eles próprios cometem é sobejamente conhecida, mas chega a ser desconcertante o caradurismo da operação abafa que suas lideranças estão tentando instaurar diante da iminência do julgamento do processo do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Temerosa de que a Suprema Corte venha a confirmar a existência do maior escândalo de corrupção da história da República, a cúpula petista tenta por todos os meios ─ inclusive a pressão sobre os ministros do STF ─ desqualificar as acusações que pesam sobre os 38 réus do processo e, por meio das mais deslavadas chicanas, provocar a postergação do julgamento para 2013. Com isso estariam os petistas, no mínimo, se poupando de maior desgaste político em ano eleitoral e permitindo a prescrição de muitas das denúncias.

A operação abafa lulopetista se desenvolve em dois planos: o político, com a tentativa de desqualificar perante a opinião pública as acusações que pesam sobre os mensaleiros, sob o argumento cínico de que eles fizeram o que “todo mundo faz”; e o jurídico, técnico, no qual procuram demonstrar tanto a existência de vícios processuais que precisam ser corrigidos quanto a inexistência de provas suficientes contra réus como o notório José Dirceu.

Para demonstrar o que todo mundo sabe ─ que corruptos existem em todo canto ─ os petistas assumiram até mesmo o risco de apoiar a CPI do Cachoeira, que está sendo constituída para investigar o envolvimento do contraventor goiano Carlinhos Cachoeira com governantes e políticos. Pretendem, é claro, atingir o governador tucano de Goiás, Marconi Perillo, e fazer barulho em torno do envolvimento do senador oposicionista Demóstenes Torres com os negócios do bicheiro. E não se pejam de alegar que os principais veículos de comunicação do País estão envolvidos ─ ora vejam ─ numa operação abafa destinada a acobertar os malfeitos do desmoralizado senador goiano.

A direção do partido foi muito longe, muito depressa. Tanto que a presidente Dilma Rousseff, na sexta-feira, queixou-se da precipitação e dos termos da nota oficial do PT e chegou a pedir a Lula que não jogue mais lenha na fogueira. Como se sabe, Lula não vê a hora de destruir politicamente o seu desafeto Marconi Perillo. Dilma, no entanto, se preocupa com os respingos de lama que a CPI certamente jogará no governo que preside.

Os petistas apressados tentam confundir delitos diferentes cometidos por gente da mesma espécie. O caso Demóstenes é uma coisa ─ e os culpados precisam ser punidos -, enquanto o mensalão é outra coisa ─ e os culpados precisam ser igualmente punidos. Os dois casos têm origem na mesma cultura que leva à apropriação indébita dos bens públicos e à desmoralização das instituições. Mas são delitos que precisam ser examinados e julgados, cada um a seu turno.

No que diz respeito ao STF, os petistas confiam, sempre movidos por seu enraizado sentimento de patota, no fato de que a maioria dos atuais ministros foi nomeada por Lula e Dilma. É uma expectativa que não honra a tradição de absoluta isenção partidária com que os juízes da Suprema Corte historicamente se comportam no desempenho de suas altas responsabilidades. Mas, a julgar pelo que circula na área do partido do governo, o próprio Lula estaria empenhado em fazer pressão sobre os ministros, já que é o maior interessado em evitar que a existência do maior escândalo de corrupção de seu governo seja confirmada pela Suprema Corte.

De qualquer modo, se já não bastassem os reiterados exemplos de rigor lógico e técnico em seus julgamentos ─ como destacamos recentemente em editorial sobre a decisão de que não constitui crime o aborto de fetos anencéfalos -, tudo indica que o STF está convencido de que é mais do que chegada a hora de se pronunciar sobre o escândalo do mensalão, conforme revelou o ministro Carlos Ayres Britto, que na próxima quinta-feira assume a presidência do STF. “É preciso julgar com brevidade, porque há o risco de prescrição”, disse ele. Para tanto, o processo precisa ser julgado até o dia 6 de julho, para evitar que a decisão final da Corte só venha a ser proferida no próximo ano.

17/04/2012

às 8:33 \ Direto ao Ponto

A ópera dos malandros mensaleiros foi aberta por Lula em novembro de 2009

Desde julho de 2005, registrei no post reproduzido na seção Vale Reprise, Lula já pediu desculpas por não ter enxergado o mensalão, já se declarou traído sabe-se lá por quem, já procurou transformar assalto ao dinheiro público em caixa 2, já tentou reduzir crimes hediondos a pecados veniais, já jurou que o mensalão não existiu. Em novembro de 2009, enfim, aproveitou a entrevista concedida a Kennedy Alencar, da RedeTV!, para anunciar que tudo não passou de uma invencionice forjada pela oposição para derrubar o governo ─ e prometeu apurar a trama assim que deixasse a Presidência.

A entrevista, como se pode constatar na seção História em Imagens, foi o prólogo da ópera dos malandros encenada para convencer a plateia brasileira de que o pai de todos os escândalos não passou de “uma farsa” engendrada por inimigos do povo. Aos 2min40 da conversa, Lula avisa que “essa história do mensalão ainda vai ser esclarecida”. Caprichando na pose de melhor aluno da escolinha de sherloques do doutor Prótogenes, o então presidente promete desvendar o “mistério” assim que deixar o Planalto.

“Vou querer me inteirar um pouco mais disso”, diz. Sempre ressalvando que prefere esperar a decisão da Justiça para opinar sobre o caso, despeja sobre os telespectadores um balde de espertezas diversionistas. Acha muito estranho que a CPI dos Correios se tenha transformado “numa CPI do PT, na CPI do mensalão”. Discorre sobre “a maior armação já feita contra um governo”. E dá voz de prisão aos culpados de sempre: os integrantes da “elite política empodrecida”. Isso mesmo: “empodrecida”.

Se alguma coisa aconteceu, previne-se, não soube de nada. Quando um pai está na cozinha, ensina, não sabe o que faz o filho no quarto. A menos que o garotão conte ao chefe da família tudo o que faz, deveria ter retrucado o entrevistador. No caso do mensalão, o filho é José Dirceu, comandante da organização criminosa. Ele repete há sete anos que jamais fez qualquer coisa sem que o pai de todos soubesse.

17/04/2012

às 6:04 \ Sanatório Geral

Tudo explicado (487)

“Não vamos mais aceitar a mediocridade”.

Marta Suplicy, senadora pelo PT de São Paulo, durante o comício em São Bernardo do Campo, revelando por que desistiu de perder mais uma eleição para a prefeitura.

16/04/2012

às 23:00 \ Sanatório Geral

Péssima ideia

“Se mandarem os documentos e avaliarmos que o que a CPI vai apurar é o que está apurado, aí podemos rediscutir a CPI”.

Walter Pinheiro, líder do PT no Senado, um dos mais animados partidários da instauração da CPI até descobrir que, se as investigações forem conduzidas corretamente, só vai rever os amigos nas visitas dominicais ao presídio.

16/04/2012

às 16:34 \ Feira Livre

‘Palavra de Lula’, por Ricardo Noblat

PUBLICADO NO GLOBO DESTA SEGUNDA-FEIRA

RICARDO NOBLAT

Pobre Dilma. Vista de longe parece que manda com mão de ferro nos seus ministros, no partido que poderia chamar de seu e nos outros que a apoiam. Vista de perto não é assim. Tem uma pessoa que, bem ou mal de saúde, manda mais do que ela. Pior: que lhe dá ordens quando quer. E a quem Dilma obedece por lhe dever favores. Você sabe quem é…

Aprovada por 77% dos brasileiros, tudo estava ótimo para Dilma até aqui. Desde que a economia não desandasse… Os partidos reclamavam dos seus maus modos, mas não tinham o que fazer. Ministros tremiam à sua passagem, mas tocavam a vida. O Congresso estava relativamente em paz ─ salvo uma marolinha ou outra, o que é natural. Até que…

Até que Lula se recuperou do câncer na laringe e resolveu mostrar uma vez mais quem é que manda de fato. Reunido há duas semanas em São Paulo com José Dirceu, Lula estava mais furioso com o noticiário político do que o seu ex-ministro da Casa Civil e coordenador da campanha que o levou em 2002 a se eleger presidente da República pela primeira vez.

Foi durante a reunião que nasceu a ideia de se criar uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar as bandidagens cometidas pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) e quem mais tenha se relacionado com eles. Lula resgatava ali compromisso assumido com Dirceu em novembro de 2010: ao deixar o governo, batalharia para desmontar “a farsa do mensalão”.

Rui Falcão, presidente do PT, foi orientado a reunir os ministros do partido para ouvi-los a respeito da CPI. Dilma estava viajando. Os ministros aprovaram a ideia da CPI. A Polícia Federal colecionava material contra a gang de Cachoeira desde 2009. A parte do material que envolvia Demóstenes foi parar no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Ricardo Lewandowski, indicado para relator do caso, negou-se a repassá-la ao Conselho de Ética do Senado, onde Demóstenes será julgado por quebra de decoro. Uma CPI tem poderes para requisitar o material.

Lula e Dirceu viram na CPI do Cachoeira a oportunidade de extrair uma série de vantagens políticas. A principal: o barulho político provocado por ela deverá impedir o julgamento do Caso do Mensalão pelo STF ainda neste semestre. Se de fato o julgamento dos 38 acusados ficar para o segundo semestre, dê como certo que ele só ocorrerá no final de 2013.

Em dezembro último, o ministro Joaquim Barbosa entregou 122 páginas com um resumo do processo do mensalão ao colega Lewandowski, encarregado de revisá-lo. Sem que Lewandowski dê a revisão por terminada, não haverá julgamento. Há 20 dias, em conversa com um amigo, o ministro antecipou que dificilmente concluirá seu trabalho antes do recesso da Justiça, em julho.

No segundo semestre, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) terá sessões diárias por conta das eleições de outubro próximo. Seis dos 11 ministros do STF fazem parte do TSE ─ três como titulares e três como suplentes. Estarão sobrecarregados. Cezar Peluso se aposentará compulsoriamente em três de setembro ao completar 70 anos de idade. Em novembro será a vez de Carlos Ayres Brito, presidente do STF a partir desta semana.

Digamos que Dilma leve de quatro a cinco meses para preencher as vagas de Peluzo e de Ayres Brito. Nada mais razoável que os novos ministros precisarem também de quatro a cinco meses para estudar os 233 volumes do processo e mais os 495 anexos, num total de 50.118 páginas. Calcularam? Estamos no segundo semestre do próximo ano. Alguns crimes, a depender das penas, estarão prescritos.

Lula quer a cabeça de Marconi Perillo (PSDB), governador de Goiás, suspeito de tenebrosas transações com Cachoeira. Em 2005, Marconi revelou que alertara Lula para o esquema do mensalão. Lula não perdoa Marconi por isso. Em troca, e sem verter uma lágrima, entregará a cabeça de Agnelo Queiroz (PT), governador do Distrito Federal, enrolado com Cachoeira e problemas domésticos. Está pouco se lixando para a Delta, empreiteira das obras do Programa de Aceleração do Crescimento, que anda devagar. E de obras em nove de dez Estados. Se a Delta for para o vinagre, que vá pelo que fez ou deixou de fazer nos Estados – principalmente no Rio de Janeiro.

Oposição ama CPIs ─ governos, não. Dilma está empenhada em abortar a CPI de Lula. Com delicadeza. O deputado baiano ACM Neto, do DEM, foi visto na semana passada desfilando sorridente no Congresso. Media quase dois metros.

15/04/2012

às 1:00 \ Feira Livre

As falsas vestais do PT seriam recusadas até pelos bordéis de quinta categoria

MAURO PEREIRA

No plano político, os petistas usam até hoje a mesma máscara de paladinos da justiça que sempre encobriu o caráter torpe que caracteriza a personalidade desvirtuada de seus maquiavéis autodidatas. São especialistas na montagem de planos mirabolantes para a destruição de seus adversários, mas pateticamente incapazes de se sustentarem no poder sem abusar da mentira como forma convencimento, e da miséria que atormenta milhões de brasileiros como método de persuasão.

No plano administrativo, os petistas não conseguem ao menos abrandar o caos que assola a saúde, a educação, a segurança, o saneamento básico. E lhe falta qualificação para estancar a corrupção que, se numa ponta os enriquece, na outra ponta tripudia sobre a dignidade humana ao negar de maneira cruel o acesso de uma multidão de crianças, adultos, jovens e idosos às mais comezinhas condições de sobrevivência.

Na esfera policial, de tanto conviverem com os corruptos ─ companheiros ou aliados ─ e com a corrupção, aprenderam a contornar a imensa fossa que os sufoca distribuindo afagos aos seus bandidos de estimação, absolvendo-os de seus crimes mesmo antes que sejam julgados pela Justiça. Os exemplos abundam e demandaria um espaço extraordinário para elencá-los.

O escândalo envolvendo o senador Demóstenes Torres e o bicheiro Carlinhos Cachoeira, que acabou atingindo os governadores Marconi Perillo (PSDB), de Goiás, e Agnelo Queiroz (PT), de Brasília, dimensiona com exatidão o modo canhestro que orienta a ação dos petistas. O perigo de tornar-se realidade a CPI que tentaram encenar os desorientou, o que exigiu a imediata intervenção de sua estrela maior.

A cínica declaração do ex-presidente Lula criticando o governador tucano e poupando seu companheiro petista prenuncia uma CPI conspurcada na sua essência, cuja missão principal será enquadrar somente os corruptos opositores e, de lambuja, demolir a oposição. Os corruptos de estimação de Lula se sentirão a salvo enquanto a certeza da impunidade predominar.

Experientes na arte da empulhação, tratarão de fantasiar-se de parlamentares indignados. Procurarão vender à sociedade a imagem de donzelas indignadas, embora esteja evidente que dificuldades para se empregarem até mesmo como cortesãs de bordéis de quinta categoria. “Joguem merda no Demóstenes, maldito Demóstenes!”, berrarão coléricos. De positivo, fica a certeza de que o mau cheiro que exala de tanta podridão inexoravelmente os igualará.

No universo petista, não faltarão testemunhas para garantir a conduta ilibada do companheiro Agnelo. José Dirceu, Erenice Guerra, Antonio Palocci, José Genoino, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e muito outros nomes de peso estarão à disposição. É só escolher.

13/04/2012

às 23:36 \ Feira Livre

Em 14 tópicos, Reynaldo-BH reduz a frangalhos o embusteiro canastrão

VAMOS ACRESCENTAR?

por REYNALDO-BH

1 ─ Se o mensalão SEQUER existiu, de que material eram feitos os pacotes de dinheiro entregues a Roberto Jefferson?

2 ─ Se o mensalão não existiu, onde foram parar os milhões que seriam legitimamente de propriedade de quem nele colocasse as mãos?

3 ─ Na mesma linha, como o STF tem entre seus juízes (no mais alto posto do Judiciário) um completo pateta como Joaquim Barbosa, visto que o mesmo está há anos debruçado sobre esta que seria a maior das ficções já produzidas no Brasil?

4 ─ Como o mensalão foi somente uma farsa, o que quereria dizer Lula quando afirmou ter sido “traído” no episódio que nunca existiu? Excesso de álcool ou falta de vergonha?

5 ─ Já que nunca houve mensalão, por que Delúbio Soares afirmou que este era somente outro nome de caixa 2?

6 ─ Como foi tudo fruto de fantasia coletiva, por que Tarso Genro chegou a propor a refundação do PT?

7 ─ Se a oposição brasileira é tão forte a ponto de criar esta farsa, como conseguiu perder as eleições?

8 ─ Como o mensalão foi uma farsa, o “Lulinha Paz e Amor” também foi? Afinal, Duda Mendonça – marqueteiro oficial do PT – atesta a existência dos dois. Em depoimento.

9 ─ Se o mensalão do PT foi uma farsa, por que os petistas exigiram que a outra “farsa” (a de Arruda) fosse punida com a cassação do bandido do DEM?

10 ─ Como farsa montada, qual o papel do carequinha Marcos Valério? Foi cooptado pelas oposições ou era um personagem de comédia em meio a uma farsa?

11 ─ Já que tudo não passou de uma fantasia, certamente houve veiculação de propagandas do BB nas TVs e jornais, embora ninguém as tenha visto. (Outro caso exemplar de delírio coletivo: a propaganda que foi feita, paga, mas nunca foi veiculada.)

12 ─ Segundo a ave de rapina Falcão, a farsa montada deturpou o fato de João Paulo ter ido a um shopping de Brasília pagar uma reles conta de TV a Cabo. Como pagou cash, teve troco de R$ 50.000,00.

13 ─ Como o mensalão é uma farsa, o início da mesma foi a montagem de um vídeo com o injustiçado Waldomiro acertando uma partidinha de futebol com o Cachoeira. A fita teve montagem posterior com inserção de áudio para justificar a farsa. Seguido de outra filmagem, de um pobre e dedicado servidor dos Correios que pegou uma “petequinha”, transformada nesta farsa, em um suborno em dinheiro.

14 ─ Como farsa, o ex-senador e atual deputado Eduardo Azeredo (PSDB) foi também mais uma vítima de algo que foi montado pelo PSDB para atingir o PT… peraí, me perdi… Ou perdi um pedaço da história…

Entendo Rui Falcão. Homem culto, letrado, ex-jornalista. Conhecedor das artes. Entre as mesmas, o teatro. Que define FARSA como: “gênero dramático predominantemente baixo cômico, de ação trivial, com tendência para o burlesco (cômico; ridículo). Inspira-se no cotidiano e no cenário familiar e é o mais irresponsável de todos os tipos de drama. Caracteriza-se por seus personagens e situações caricatas. Distingue-se da comédia e da sátira por não preocupar-se com a verossimilhança nem pretender o questionamento de valores. Busca apenas o humor e, para isso, vale-se de todos os recursos; assuntos introduzidos rapidamente, evitando-se qualquer interrupção no fio da ação ou análises psicológicas mais profundas; ações exageradas e situações inverossímeis. Sua estrutura e trama são baseadas em situações em que as personagens se comportam de maneira extravagante, ainda que pelo geral mantenha uma quota de credibilidade. Seus temas e personagens podem ser fantásticos, mas podem ser críveis e verossímeis.”

O problema é que nas FARSAS os palhaços estão no palco.

Nunca na plateia. Menos ainda nos assentos de juízes.

13/04/2012

às 20:02 \ Sanatório Geral

Liberdade é isso

“Agora mesmo, ficou evidente a associação de um setor da mídia com a organização criminosa da dupla Cachoeira-Demóstenes, a comprovar a urgência de uma regulação que, preservada a liberdade de imprensa e a livre expressão de pensamento, amplie o direito social à informação”.

Nota da Executiva Nacional do PT, divulgada nesta quinta-feira, informando que o partido presidido por Rui “30 Piscadas por Minuto” Falcão considera urgente a implantação da censura à imprensa para fortalecer a liberdade de imprensa.


 

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