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prefeitura

20/06/2013

às 13:23 \ Feira Livre

“‘Sem violência’ e sem controle”, editorial do Estadão

PUBLICADO NO ESTADÃO DESTA QUINTA-FEIRA

Bem que o secretário-geral da Presidência, ministro Gilberto Carvalho, invocou os velhos tempos em que os protestos de rua tinham carros de som para guiar as ações dos participantes e lideranças claramente identificadas que as autoridades poderiam chamar para uma conversa. Nos velhos tempos, aqui e no exterior, tampouco havia marchas organizadas pelo Partido Comunista (PC) ou por centrais sindicais sob o seu mando que não exibissem, além da clássica comissão de frente com os braços entrelaçados, um adestrado aparato de segurança pronto a reprimir, não raro a porretadas, os companheiros de viagem que, por palavras ou atos, se desgarrassem do roteiro político traçado para a ocasião pela autodeclarada vanguarda do proletariado. Os meganhas do PC também expulsavam do cortejo os militantes expurgados que, ainda assim, se achavam no direito de desfilar em meio à massa.

Os velhos tempos já se foram tarde. E a última coisa a esperar de passeatas “horizontais”, sem estrutura hierárquica preestabelecida, como as que se propagam pelo País – e que outrora a ortodoxia do Partidão rotularia com desdém de “espontaneístas” -, seria uma falange capaz de impor o respeito às cláusulas pétreas do movimento: nada de partidos, nada de violência. No primeiro caso, o controle tem funcionado. Sumiram por bem, pelo menos em São Paulo, as bandeiras das agremiações ultrarradicais, como PSTU e PCO. Ou sumiram por mal, quando, numa cena sem precedentes, um manifestante na Praça da Sé, cansado de argumentar, arrancou de seu portador – e pisoteou – a rubra bandeira engalanada com a foice e o martelo do Partido Comunista Revolucionário (PCR), que ainda reverencia o camarada Stalin. A multidão encorajou o revolucionário a deixar o local.

Já o caráter pacífico dos protestos não havia como defender. Assim como tinha ocorrido na véspera, no ataque à Assembleia Legislativa do Rio, na terça-feira a exortação “sem violência” foi impotente para impedir a tentativa de invasão e a depredação da entrada da Prefeitura paulistana e a queima de um posto da PM e de uma van da Rede Record, a pouca distância dali. Os arruaceiros berravam “sem moralismo”, e “sem burguesia”. A ampla maioria civilizada não conseguiria, tampouco, enfrentar os grupos que se puseram a vandalizar ou a saquear as lojas de departamentos das proximidades. A polícia, que na segunda-feira atirou em quem não devia, porque não fizera nada de errado ou nem sequer participava do protesto, dessa vez só apareceu com três horas de atraso, quando o pior já ocorrera. Se antes faltou policiar os PMs, depois sobrou desorientação – a começar do governador Geraldo Alckmin.

Pelo menos ele não deixou às pressas o Palácio dos Bandeirantes para pedir socorro a alguém presumivelmente mais apto a lidar com a incomum situação destes dias. Foi o que fez, apequenando-se perante aliados, adversários e a opinião pública, a presidente Dilma Rousseff. Ela, que tanto intimida a sua equipe com seus modos autoritários e a certeza de ser a dona da verdade, tornou a demonstrar que, na hora H, não é ninguém sem dois conselheiros. Um é o marqueteiro-residente do Planalto, João Santana. O outro, claro, é o seu progenitor político Luiz Inácio Lula da Silva. Foi Santana quem a instou finalmente a se pronunciar, após mais de uma semana em que os jovens, às dezenas de milhares, tomaram as ruas do País. Na terça-feira, antes de um bate-volta a São Paulo para perguntar ao seu mentor o que fazer agora, ela encaixou elogios à moçada numa fala sobre mineração.

Quem os escreveu é do ramo. Quem os leu, se também fosse, saberia infundir de sentimento pelo menos este enunciado: “A grandeza das manifestações comprova a energia da nossa democracia, a força da voz da rua e o civismo de nossa população”. Mas, ao vivo, nada consegue derreter a frieza da presidente e a sua robótica entonação. A campanha de 2010 colou nela o depreciativo “poste”, que o próprio Lula viria a repetir para se gabar de sua eleição. (Fez o mesmo quando Fernando Haddad se elegeu em São Paulo.) O pior é que Dilma, depois de 2 anos e meio no Planalto, continua a precisar dele para ligar a luz.

31/12/2012

às 8:00 \ Direto ao Ponto

Sarney merecia ser padrinho do casamento celebrado na visita de Lula à casa de Maluf

PUBLICADO EM 18 DE JUNHO

Em setembro de 1987, num discurso em Aracaju, o deputado federal Luiz Inácio Lula da Silva, fundador e dono do PT, juntou no mesmo balaio da gatunagem o então presidente José Sarney e os ex-governadores paulistas Adhemar de Barros e Paulo Maluf. Trecho:

“E a Nova República é pior do que a velha, porque antigamente na Velha República era o militar que vinha na televisão e falava, e hoje o militar não precisa mais falar porque o Sarney fala pelos militares ou os militares falam pelo Sarney. Nós sabemos que antigamente ─ os mais jovens não conhecem ─, mas antigamente se dizia que o Ademar de Barros era ladrão, que o Maluf era ladrão; pois bem: Ademar de Barros e Maluf poderiam ser ladrão, mas eles são trombadinhas perto do grande ladrão que é o governante da nova República, perto dos assaltos que se faz”.

Nesta segunda-feira, Lula levou Fernando Haddad à mansão de Maluf para a pajelança que celebrou a troca de alianças entre o PT e o PP controlado pelo homem que considerava um ícone da ladroagem. “Não há contradição”, gaguejou Haddad. “A cidade de São Paulo deve ficar acima de possíveis divergências ideológicas entre as duas siglas”.

Feliz com os salamaleques dos visitantes, o anfitrião fez de conta que também achou muito natural a barganha que juntou o “homem novo” (segundo o Lula de 2012) e o velho inimigo que o Lula de 1987 chamava de ladrão. “Não adianta olhar pelo retrovisor”, ensinou Maluf. “Temos que olhar para o para-brisa”. Previsivelmente, Lula não quis fazer declarações. Ordem médica, alegou. Conversa fiada. Ele não tem o que dizer. Falaram por ele os sorrisos e o aperto de mãos que trocou com o dono da casa que visitou pela primeira vez.

De 1987 para cá, Maluf incorporou ao prontuário façanhas tão extraordinárias que acabou entrando no ranking dos mais procurados pela Interpol. Como o encontro revogou oficialmente a discurseira do passado, o ex-presidente perdeu uma boa chance de redimir-se por inteiro dos pecados de Aracaju. José Sarney merecia ser padrinho do casamento obsceno. Ao lado de Maluf, hoje é ele quem parece trombadinha.

 

28/12/2012

às 9:00 \ Sanatório Geral

Teoria da efficacité

PUBLICADO EM 19 DE JUNHO

“Não tem mais no mundo esquerda e direita. O que tem hoje é ‘efficacité’ ─ eficácia, em francês. Eu fiz a minha opção por uma parceria estratégica com o governo federal”.

Paulo Maluf, sobre a troca do cofre do Ministério das Cidades pelo apoio à candidatura de Fernando Haddad, explicando que, como a esquerda e a direita acabaram, usou o critério da efficacité para constatar que parcerias com o governo federal, daquelas que na França dão cadeia, aqui dão muito mais dinheiro que qualquer outra.

17/09/2012

às 22:06 \ Sanatório Geral

Cabeça em parafuso

“O Lula não escolheu a Marta para não acontecer no Senado o que aconteceu com São Paulo”.

Fernando Haddad, há poucos minutos, durante o debate transmitido pela TV Cultura, afirmando que, para não repetir o exemplo de José Serra, que deixou a prefeitura para candidatar-se a governador, Marta Suplicy vai continuar no Senado, de onde já saiu para assumir o ministério que ganhou de presente como prêmio de consolação por ter sido aposentada pelo chefe da seita por limite de idade.

30/06/2012

às 16:39 \ Sanatório Geral

Bateu, levou

“Vê se não bate muito em mim”.

Fernando Haddad, do PT, para Soninha Francine, do PPS, durante um debate entre candidatos à prefeitura de São Paulo.

“É mais forte do que eu! Já bati em tempo real. Você falar em meta parcialmente cumprida? E o PAC?”

Soninha Francine, para Fernando Haddad, quando o adversário já atacara meio mundo e começava a acreditar que, por ser afilhado de Lula, pode bater em todos sem apanhar de ninguém.

28/06/2012

às 2:02 \ Sanatório Geral

Mato e capoeira

“Dilma é uma mulher sábia”.

Rodrigo Maia, candidato do DEM à prefeitura do Rio, mostrando o que tem em comum com o adversário Eduardo Paes.

27/06/2012

às 23:57 \ Sanatório Geral

Parceiro perfeito

“Ela ficou enciumada porque o Lula não foi na convenção dela, mas foi à minha casa”.

Paulo Maluf, sobre a saída de Luiza Erundina da chapa de Fernando Haddad, gabando-se de ter garantido, com a troca de alianças no jardim da mansão, o casamento consanguíneo entre o PT e o PCdoB que vai ajudar a manter o candidato a prefeito abaixo dos dois dígitos nas pesquisas do Datafolha.

27/06/2012

às 14:43 \ Sanatório Geral

Bomba no pé

“O Serra está patinando. Acho que jogaram óleo na pista de patins dele, e ele vai perceber que foi um equívoco ser candidato”.

Lula, um dia antes de saber pela pesquisa Datafolha que o casamento no jardim foi condenado por 62% do eleitorado paulistano e por 64% dos petistas, que Fernando Haddad caiu 2 pontos percentuais e que o número de entrevistados inclinados a votar em quem o palanque ambulante indicar é exatamente igual ao número dos que sempre votaram no PT.

26/06/2012

às 16:37 \ Sanatório Geral

Coração perigoso

“Não dá pra esconder que o coração do negão está ferido”.

Netinho de Paula, vereador pelo PCdoB de São Paulo, depois de desistir de candidatar-se a prefeito para apoiar Fernando Haddad, mostrando que no peito de um atropelador compulsivo da Lei Maria da Penha também bate um coração.

26/06/2012

às 12:36 \ Sanatório Geral

Tremendo exemplo

“Logo estarei batendo falta e fazendo gol. Se for necessário, morderei a canela dos adversários para que Fernando Haddad possa ser prefeito de São Paulo”.

Lula, cumprindo a promessa, feita no começo de 2010, de começar a mostrar ao país em geral e a FHC em particular, assim que deixasse o Planalto, como é que se comporta um ex-presidente interessado exclusivamente no bem-estar da nação.

 

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