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política externa

07/05/2010

às 2:37 \ Sanatório Geral

Dono da bola

“Vocês sabem que eu estou meio triste porque o Flamengo ganhou. O Flamengo marcou um gol mixuruca no Corinthians. Eu não sei que campeonato é esse que o time marca dois gols e o outro time faz um e leva vantagem. De qualquer forma, como bom esportista, estou aqui já pensando na próxima vitória”.

Lula, animado com o atropelamento diário das leis eleitorais, agora querendo aprovar uma nova regra do futebol segundo a qual, seja qual for o resultado do jogo, o Corinthians será considerado vencedor.

05/05/2010

às 22:41 \ Direto ao Ponto

A ultrapassagem das últimas fronteiras da canalhice

Parida por stalinistas farofeiros, avalizada por um presidente ignorante também em geopolítica e executada por um chanceler poltrão, a política externa do governo brasileiro ultrapassou uma das últimas fronteiras da canalhice ao retomar a sequência de agressões a Honduras. Pronto para a viagem ao Irã, em fase de aquecimento para a tarefa de distrair aiatolás atômicos com afagos subalternos e anedotas vulgares, Lula voltou a absolver um governo infame enquanto reiterava a excomunhão de um presidente democraticamente eleito.

O bando de Mahmoud Ahmadinejad fraudou as eleições, reprimiu com ferocidade todas as manifestações de protesto e há meses vem assassinando dissidentes. O presidente Porfirio Lobo candidatou-se por um partido de oposição, foi escolhido pelo voto direto e governa um país sem presos políticos. Mas só merecerá alguma atenção do Brasil quando o ex-presidente Manuel Zelaya voltar a conspirar em Honduras. Só depois disso Lula decidirá se a pequena nação centro-americana terá o privilégio de ver estendida a mão misericordiosa da potência de araque.

O Itamaraty já não se orienta por normais morais. Não existem mais diretrizes regidas por princípios éticos. Existem  manobras e jogadas urdidas por sacerdotes da esquerda psicótica, todas engolidas sem engasgos pelo chanceler sabujo. O país que se nega a reatar relações diplomáticas com Honduras é o mesmo que há seis meses festejou a abertura da embaixada na Coreia do Norte.

O governo que enxerga uma tirania em Tegucigalpa é o mesmo que protege o genocida sudanês Omar al-Bashir. O presidente que hostiliza um chefe de governo livremente escolhido pelo povo é o mesmo que chama de “irmão” o sociopata líbio Muammar Khadaffi, ou culpa presos políticos cubanos pela própria morte para inocentar a ditadura mais antiga do mundo.

Não há mais uma política externa brasileira.  O Itamaraty deixou de servir aos interesses da nação. Hoje é só um braço do PT no exterior.

23/04/2010

às 23:10 \ Sanatório Geral

Bomba da paz (2)

“O risco maior que eu poderia ter é me omitir, achando que só alguns países podem cuidar da paz”.

Lula, explicando que o caminho mais curto para a paz passa pela aliança com os aiatolás atômicos do Irã.

17/04/2010

às 19:03 \ Direto ao Ponto

A opção por parcerias repulsivas

A retrospectiva da sequência de espantos desencadeada em 2003 informa que existe lógica na loucura aparente da política externa. Em pouco mais de sete anos, o governo brasileiro foi confrontado com numerosas escolhas: a Venezuela bolivariana ou os Estados Unidos, os narcoterroristas das FARC ou o presidente reeleito Alvaro Uribe, o psicopata  Muammar Khadaffi ou o Tribunal Internacional de Haia, a ditadura dos irmãos Castro ou os presos de consciência, o  terrorista italiano Cesare Battisti ou os pugilistas cubanos Erislandy Lara e Guillermo Rigondeaux, o golpista Manuel Zelaya ou a Constituição hondurenha, o genocida Omar al-Bashir ou o Darfur dilacerado. Coerentemente, errou todas. Errou outras. E vai continuar errando, avisa a infame aliança com o Irá.

A opção preferencial por parcerias repulsivas torna a associação com os aiatolás atômicos tão inevitável quanto um drible de Garrincha. Entre o primitivismo e a civilização, entre Mahmoud Ahmadinejad e Barack Obama, a escolha feita por um Itamaraty redesenhado pela Era da Mediocridade só reafirmou que de onde menos se espera é que não vem nada mesmo. Formulada por nostálgicos do stalinismo sem compromisso com valores democráticos, avalizada por um presidente sem compromisso com valores morais, a política externa atende à vaidade de um governante na fronteira da mitomania, serve aos desígnios do PT e não tem compromisso com o Brasil.

Lula convive em fraternal promiscuidade com gente que o insultou, como Fernando Collor, ou que ofendeu gravemente, como José Sarney. Não há por que sentir-se constrangido na lida com abjeções que a esquerda psicótica reverencia. Como não sabe sequer se Karl Marx é um daqueles irmãos do cinema, como não leu uma única orelha de livro sobre geopolítica, contraterniza com todas as peças ─ principalmente revolucionários de galinheiro ─ do populoso museu dos desprezíveis administrado por Marco Aurélio Garcia, Celso Amorim, Samuel Pinheiro Guimarães e outros comissários que garantem o crachá de conselheiro internacional com declarações de guerra ao imperialismo ianque.

“Não conheço nenhum presidente que não tenha apertado a mão de um ditador”, alega o chanceler de bolso. Conversa fiada de um diplomata deformado pela alma subalterna, pela compulsão para a vassalagem, pelo servilismo que protege o emprego. É verdade que todo presidente vive exposto a shake hands constrangedores. Mas Amorim sabe desde sempre que Lula ultrapassa com muito prazer o aperto de mão protocolar. Nenhum governante que se declara democrata troca cumprimentos efusivos com apóstolos da infâmia como Khadaffi ou Fidel Castro. Só Lula.

Só Lula nega a presidentes eleitos democraticamente, como o hondurenho Porfirio Lobo e o chileno Sebastián Piñera, o abraço que conforta o golpista Manuel Zelaya ou anima o ditador aprendiz Hugo Chávez. Só Lula incumbiu um ministro de Estado de entregar a Ahmadinejad, ambos com sorriso de comparsa, a camisa da Seleção Brasileira. Só Lula ousou rebaixar os oposicionistas iranianos que protestavam contra a imensa fraude eleitoral a torcedores inconformados com a derrota do time. Só Lula comparou presos políticos aos bandidos das cadeias de São Paulo.

O presidente Fernando Henrique Cardoso foi o condutor das negociações que encerraram o sangrento conflito fronteiriço entre o Peru e o Equador, e nem por isso posou de especialista em impasses internacionais. Lula não deu um pio para ao menos abrandar a crise gerada pela construção de fábricas de celulose uruguaias na divisa com a Argentina. Mas resolveu nomear-se consultor-geral do mundo e liquidar com quatro conversas, três improvisos e duas piadas os becos sem saída do Oriente Médio.

A política externa de um país democrático atende aos interesses nacionais. Se atende aos interesses do chefe de governo ou de um partido, então não há democracia. Essa regra encontrou no Brasil uma perturbadora exceção. Por enquanto, não existe um tirano, nem foi instituído o regime de partido único. Mas há mais de sete anos o Itamaraty só faz o que o PT propõe e Lula endossa.

As ações internacionais escancaram a alma do presidente e a cabeça do partido. Lula é um animador de auditório, deslumbrado com plateias de áulicos, auditórios amestrados ou encontros de governantes que não compreendem português. O PT é a cara dos parceiros que escolhe. Todos infelicitam países que são hoje o que a companheirada quer que o Brasil seja amanhã.

05/12/2009

às 20:00 \ Sanatório Geral

Um neurônio

“Nessas viagens eu sou, vamos dizer, uma testemunha ocular especial. Eu assisti nos últimos dias a conversa do presidente com o Gordon Brown, com o presidente Sarkozy, com o Hu Jintao, as duas primeiras com o Obama, quase todas as com o Bush. Então, de uma certa forma, a política externa brasileira é do meu conhecimento. Não tenho nenhuma dificuldade para lidar com ela, não”.

Dilma Rousseff, no Discurso sobre o Nada em Berlim, ao explicar com a classe e a clareza de sempre o que fazia a 15 mil quilômetros do local de trabalho, admitindo que é só testemunha ocular porque não consegue ouvir os sussurros dos intérpretes.

20/11/2009

às 17:58 \ O País quer Saber

Entrevista com FHC: a última etapa do passeio pela história real de um Brasil desmemoriado

Na América do Sul, governos que se qualificam de esquerdistas usam o Estado como instrumento de dominação e procuram consolidar o populismo autoritário, constatou Fernando Henrique Cardoso no terceiro e último bloco da entrevista concedida a VEJA.com. Uma semana depois, no artigo publicado pelo Estadão com o título Para onde vamos?, o ex-presidente se apoiaria nessa frase para desenvolver a tese segundo a qual a democracia brasileira se arrisca a desembocar num “subperonismo”.

Nesse e em vários outros momentos ─ ao rever os conceitos de “esquerda” e “direita”, por exemplo ─ fundiram-se no entrevistado o político FHC e o sociólogo que reivindica com naturalidade a condição de intelectual. “Intelectual é alguém que formula imagens da sociedade e, nesse sentido, é claro que sou”, resume, contendo o espanto que lhe causa a conotação negativa atribuídas ultimamente a palavras como intelectual ou elite. Mas continuará nadando contra a corrente com prazer ─ e alguma ironia, sugere o título do próximo livro: “Lembrando o que escrevi”.

O ex-presidente completou o passeio de quase duas horas pela história real do Brasil com escalas em numerosas estações, todas relevantes. Recordou os programas sociais localizados na gênese do Bolsa Família, analisou o sistema de saúde e questões ligadas à educação, alertou para a obesidade da máquina administrativa, discorreu sobre as diferenças entre a política externa adotada por seu governo e a instituída desde janeiro de 2003.

No mesmo tom de voz, registrou o crescente prestígio internacional do Brasil, lastimou os equívocos cometidos na crise em Honduras e, sempre bem humorado, atribuiu a agressividade crescente de Hugo Chávez ao preço do petróleo. “O Chávez que conheci foi o do barril a 15 dólares”, comparou. Longe da aposentadoria, como reitera diariamente a agenda movimentadíssima, nem sequer examina a possibilidade de voltar a ocupar cargos públicos. “Cada um é bom para determinado momento”, repete. “E o Brasil fica melhor a cada governo, até porque não para de crescer”.

A entrevista com Fernando Henrique Cardoso confirma que, nem faz tanto tempo assim, existiu vida inteligente no centro do poder. Também ensina que é possível fazer política sem revogar o convívio dos contrários e sem recorrer à lei da selva para ganhar a eleição.

Parte 11

Parte 12

Parte 13

Parte 14

Parte 15

18/11/2009

às 0:01 \ Direto ao Ponto

A visita do crápula iraniano é um insulto ao Brasil que presta

Nações não têm amigos, têm interesses, ensina o verbete do manual do cinismo que justifica a existência de relações diplomáticas e comerciais entre países democráticos e paragens comandadas por liberticidas de nascença, assassinos patológicos e outras aberrações da espécie. Não é uma norma edificante. Pois a inversão dos predicados pode tornar as coisas ainda mais abjetas, ensina a política externa da Era Lula. Desde 2003, O Brasil tem amigos, escolhidos por um presidente cujos interesses não têm parentesco com o que interessa à nação.

Com a desenvoltura arrogante que só a certeza da impunidade dá, Evo Morales expropriou bens da Petrobras na Bolívia, Rafael Correa prendeu engenheiros da Odebrecht no Equador, Hugo Chávez tranformou em estalagem o prédio da embaixada em Honduras, Fernando Lugo exige a remoção dos alicerces do Tratado de Itaipu. Lula reagiu a tais agressões à soberania que jurou defender com tapinhas nas costas e falatórios de comparsa. Amigos merecem cuidados especiais e muito carinho.

Pelos padrões civilizados, o iraniano Mahmoud Ahmadinejad é um fanático perigoso, acampado na chefia de um regime primitivo, que reprime opositores com ferocidade, frauda eleições,  condena homossexuais à morte, nega às mulheres direitos elementares, sonha com o regresso às cavernas. Para Lula, é um amigo ─ dele e, por consequência, do Brasil. E assim será recebido nesta segunda-feira, em Brasília, pelo anfitrião que, dramaticamente ignorante em geopolítica, de novo escolheu o lado errado.

“Eu disse ao Obama, ao Sarkozy e à Angela Merkel que a gente não vai trazer o Irã para boas causas se a gente ficar encurralando ele na parede”, gabou-se Lula nesta semana. “É preciso criar espaços para conversar”. O monoglota que precisa de um tradutor até para conversas em português acha que lhe bastam 15 minutos para que Ahmadinejad cancele o programa nuclear, apaixone-se por Israel, debulhe-se em lágrimas pelos 6 milhões de judeus assassinados pelo Holocausto que até agora nega ter existido e vire torcedor do Corinthians.

Chegou a hora de retribuir às muitas gentilezas que lhe fez, imagina o amigo brasileiro. Multidões de manifestantes protestavam no Irá contra as evidências de fraude eleitoral, a contagem dos votos não terminara e a dos mortos mal começara quando Lula resolveu intrometer-se na crise do outro lado do mundo.  ”Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã”, pontificou o cara. ”Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas uma coisa entre flamenguistas e vascaínos”.

Ao reducionismo de jardim da infância, adicionou o raciocínio de colegial repetente:  ”O presidente Ahmadinejad teve uma votação de 62,7%. É um número muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude”. No Brasil, comparou, suspeitas de fraude geralmente ocorrem quando a diferença de votos entre os candidatos é de 1% ou 2%. Ele certamente ignora que Saddam Hussein não admitia ser reconduzido à presidência do Iraque com menos de 100% do eleitorado.

A notícia de que a repressão policial já causara 69 mortes não inibiu o improvisador incontrolável. ”Há uma oposição que não se conforma”, explicou. ”O resultado desse conflito são inocentes morrendo, o que é lamentável e inaceitável por parte de qualquer democrata do mundo”. Estaria Lula incluindo o Irã no universo das democracias? “Cada país estabelece o regime democrático que convém ao seu povo”, desconversou. ”É uma decisão soberana de cada nação”. Só não vale para Honduras.

A visita de Ahmadinejad é um insulto ao Brasil que presta e, sobretudo, uma afronta aos incontáveis judeus que escaparam do horror e julgaram encontrar aqui o abrigo seguro. “Não estou preocupado com judeus e árabes”, desdenha Lula.  ”Estou preocupado com a relação do Estado brasileiro com o Estado iraniano”. O presidente acha que está recebendo um amigo árabe. Não sabe sequer que os nativos do Irã são persas.

Persa ou árabe, o visitante jamais seria bem-vindo. Porque Ahmadinejad é, antes de tudo, um crápula.


 

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