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petróleo

19/10/2010

às 17:35 \ Sanatório Geral

Lira do delírio

“No dia 28 ou 29, não pode ser antes, nós vamos pegar um helicóptero e entrar mar adentro, 300 quilômetros, e vamos pousar o helicóptero numa plataforma que está lá no bloco de Tupi e vamos arrancar o primeiro petróleo. A Petrobras tem um esquema de segurança cheio de frescura, porque por mim eu até tomaria banho de petróleo, mas eles acham que não pode. Eu fico imaginando: a gente vai buscar petróleo a quase sete mil metros de profundidade, uma coisa que estava guardada há 160 milhões de anos, ou seja, é uma coisa quase impensável da gente acreditar”.

Lula, depois de um almoço da pesada, mostrando que, depois de ter feito tudo o que nunca antes se  fez neste país, resolveu agora fazer o que nunca foi feito no Universo nos últimos 160 milhões de anos.

19/07/2010

às 23:06 \ Sanatório Geral

Mesmo efeito

“A hora que eu coloquei a mão no petróleo, que eu senti o cheiro e saber que eu estava mexendo numa coisa que foi criada há 160 milhões de anos atrás, e que estava na minha mão, que eu pude trazer um barrilzinho… isso faz parte da história do país. Eu me senti o mais orgulhoso dos brasileiros. O povo tem que compreender que esse é um patrimônio dele, não do governo, não da Petrobras”.

Lula, nesta segunda-feira, durante o programa Café com o presidente, viajando numa discurseira que permite deduzir que, no fim das contas, um barrilzinho de petróleo de 160 milhões de anos faz o mesmo efeito que uma garrafa de uísque de 12.

12/06/2010

às 17:42 \ Sanatório Geral

Madre sabida

“Cada um quer seu pedaço e invoca argumentos, desde a formação redonda dos mares da Terra à necessidade de dar um litro de gasolina a cada brasileiro”.

José Sarney, vulgo Madre Superiora, em artigo na Folha, ao avisar que está de olho no pré-sal, deixando escapar dois exemplos da argumentação malandra que a Fundação José Sarney vive usando para fechar contratos de patrocínio com a Petrobras.

07/05/2010

às 23:16 \ Direto ao Ponto

A candidata quer ser presidente sem sequer saber ser candidata

No ponto final do comentário de Celso Arnaldo sobre a performance de Dilma Rousseff na apresentação conjunta dos candidatos à presidência em Belo Horizonte, pego uma carona para entrar no tema. Fala, Celso Arnaldo:

Coragem, competência e sensibilidade social ─ apregoa o motto de Dilma Rousseff em seu site oficial.

Dos três itens, só a coragem é indiscutível ─ a coragem (que muitos chamariam de cara de pau) de se apresentar como candidata a presidente da República sabendo-se (e não é possível que ela não saiba) tão despreparada.

Coragem sobretudo de se oferecer à comparação com os outros dois candidatos. A esta altura, ninguém tem dúvida, incluindo os mentores de sua própria campanha, que os inevitáveis debates serão a estação mais tormentosa do inferno eleitoral de Dilma.

O 27º Congresso Mineiro de Municípios, realizado ontem em Belo Horizonte, conseguiu a proeza de reunir pela primeira vez, numa mesma tribuna, os três presidenciáveis que dividirão o voto do eleitorado em outubro: sobre o palco, com certeza matemática, estava o futuro presidente da República ─ primazia de um estado que tinha 853 municípios até as 9 da manhã de hoje. À noite, o número pode ser diferente.

Debate? Ainda não. A legislação proíbe, até agosto. Ótimo para Dilma ─ que hoje seria triturada pela viúva do 23 B numa reunião de condomínio.

Mas, de qualquer forma, foi a primeira chance de cotejo. Os três responderam às mesmas perguntas, sem interagir. E o site da Dilma faz hoje uma compilação dos melhores momentos da candidata. Selecionei dois ─ mas poderiam ser 853, um para cada município de Minas.

“Nós jamais olhamos filiação partidária, jamais olhamos a adesão do prefeito ou da prefeita àquele ou àqueloutro partido, aqueloutro proposta de governo”.

Pus as devidas crases por minha conta ─ mas “aqueloutro proposta” é por conta da Dilma. Que os incréus confiram no vídeo: é realmente uma aqueleoutro proposta indecente.

“O Brasil tem duas palavras que tá na ordem do dia. E eu concluo com elas. Uma é transformação: nós fomos capazes de transformá o Brasil. E a outra é esperança: nós vamos continuá transformando o Brasil”.

O slogan que os marqueteiros pediram para ela decorar tem duas palavras ─ essas que “tá na ordem do dia”. Dilma já conseguiu decorar as duas. Mas ainda tem alguma dificuldade em explicar a segunda ─ daí ter explicado a primeira duas vezes.

Voltei para insistir numa evidência: a cruel amputação de esses e erres, o extermínio das sílabas iniciais, o convívio promíscuo do singular e do plural ─ esses e outros distúrbios informam que a candidata do PT é incapaz de completar uma frase sem erros. Essa é a primeira de duas constatações aflitivas. A segunda é mais inquietante: a sucessora que Lula inventou não consegue raciocinar logicamente. Dilma Rousseff não sabe pensar.

Num trecho do vídeo, a locutora previne que a candidata vai dizer o que pensa da divisão dos royalties do petróleo. Com cara de órfã recente, o olhar oscilando entre as anotações no papel e a plateia, braços enrijecidos na tentativa de camuflar tremores, voz à caça de palavras que não vêm, a voz insegura diz o seguinte:

“A grande questão do pré-sal é o fato de que são recursos que nós sabemos onde estão. São de alta qualidade”.

O que significa isso? Por que os recursos são a “grande questão”? “Onde estão” o quê? “São de alta qualidade o quê? Os recursos ou as jazidas de petróleo? O enigma se torna mais espesso na frase seguinte, que promete explicar como será a partilha do petróleo:

“Ele é parcialmente de quem descobriu e a maior parte fica com o povo brasileiro e a nação”.

“Ele” é o petróleo, pode-se deduzir. Mas e o resto?  Uma parte pertence a quem descobriu o quê? O pré-sal já não foi descoberto? O que está por descobrir não ficará por conta da Petrobras? E qual é o tamanho da “maior parte”? E como será dividida entre “o povo e a nação”. E qual é a diferença entre povo e nação?

Como não se tratava de um debate, José Serra e Marina Silva foram dispensados de perguntas, cobranças e reparos. Terão de fazê-los, com energia e sem acanhamento, nos confrontos de verdade. Candidatos à presidência podem e devem tratar-se com civilidade, mas não se ganha uma eleição tratando gentilmente um adversário como o PT.

No ensaio em Belo Horizonte, comprovou-se que nunca antes neste país houve um candidato à presidência tão vulnerável,despreparado, inconsistente e desprovido de neurônios quanto Dilma Rousseff. Um Jânio Quadros liquidaria o combate por nocaute no primeiro bloco. Marina é suave demais, e a estratégia adotada por Serra talvez recomende uma linha de combate menos agressivo. Seja ela qual for, terá de mostrar com todas as letras, e já no começo do duelo, que uma candidata quer ser presidente sem sequer saber ser candidata.

26/03/2010

às 18:40 \ Sanatório Geral

Novilíngua alugada

“Tem muito petróleo para passar pelo tubo antes de fecharmos um acordo sobre os royalties”.

Romero Jucá, lider do governo no Senado, chamando dinheiro de “petróleo”, acerto de “tubo” e contrato de “acordo”.

10/03/2010

às 20:30 \ Sanatório Geral

Petroleiro pirado

“Somente em Tupi, temos petróleo e reservas iguais à quantidade que a gente tinha antes, 14 bilhões de barris com apenas Tupi”.

Lula, que nunca foi a uma aula de aritmética ou de português, atropelando o idioma e os cálculos da Petrobrás que estimam a existência de 5 a 8 bilhões de barris de óleo no poço de Tupi.

06/02/2010

às 1:30 \ Sanatório Geral

Neurônio alucinado

“O petróleo é uma riqueza mineral. Ele só se transforma em riqueza social e humana aplicano vontade política nele. Criando um modelo novo de exploração que não aliene as nossas riquezas, que garanta a maior parte desse petróleo para a nação e o povo brasileiros. A tecnologia da informação é igual o petróleo. Ela precisa, necessariamente, de vontade política para resultar também em crescimento econômico, em vantagens do Brasil no que se refere a toda sua colocação no mercado internacional. Porque nós vamos ter de ser exportadores de inteligência, ou seja, nós temos de aplicar a nossa inteligência nos produtos e exportar esses produtos”.

Dilma Rousseff, liberando o neurônio solitário para uma decolagem tão espetacular que a direção do Sanatório resolveu divulgar a prova gravada em vídeo.

03/12/2009

às 19:32 \ Vídeos: Entrevista

Ildo Sauer, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP

Nas três primeiras partes da entrevista, Ildo Sauer, professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da USP, dá uma aula sobre o pré-sal, explicando o que é a imensidão de petróleo descoberta há mais de 30 anos no litoral brasileiro. Entre outras críticas ao modelo de exploração proposto pelo atual governo, censura as pressões para que o Congresso aprove em três meses “uma das decisões mais importantes da história do país”. Sauer defende a realização de um plebiscito para que a população decida o que fazer com essa riqueza. Sugere que se vincule a produção ao dinheiro necessário para os investimentos em saúde, educação, transporte e infraestrutura. O restante deveria permanecer sob as águas. Nas duas últimas partes da conversa, o assunto é o apagão que atingiu 18 estados brasileiros e permanece sem explicação. Perplexo com as justificativas oferecidas por Edison Lobão, que culpou a chuva e os raios, Sauer afirma que a única explicação plausível está ligada a problemas de gestão e de organização, além da inexistência de monitoramento por parte da Aneel. Enquanto o mistério não é desvendado, o povo brasileiro – “que paga uma das tarifas mais caras do mundo pela energia que consome” – continuará refém de um sistema falho.

Parte 1

Parte 2

Parte 3

Parte 4

Parte 5

16/09/2009

às 18:55 \ Sanatório Geral

Nacionalismo de botequim

“Agora temos a maior riqueza depois do povo brasileiro a 7 mil metros de profundidade e a 300 quilômetros da costa do Brasil, que nós precisamos cuidar com muito carinho. Porque senão começa a desaparecer o nosso petróleo e a gente não sabe quem está levando embora. Depois temos a Amazônia que está ganhando cada vez mais importância no mundo”.

Lula, justificando a compra dos caças com um palavrório que mais adiante festejará a pororoca, o Encontro das Águas, o litoral da Bahia, a Serra Gaúcha e, claro, o carnaval da Sapucaí.

11/09/2009

às 17:04 \ Sanatório Geral

Esse enxerga longe (2)

“A redução dos preços dos combustíveis seria muito prejudicial ao meio ambiente. Todo mundo vai querer andar de carro. Teremos de construir mais estradas, e isso causa desmatamento. Temos de pensar no futuro dos nossos netos.”

Edison Lobão, que já garantiu o futuro do filho com a boca no Senado, o dos netos com os empregos pendurados no gabinete do compadre Epitácio e o da família com as licitações do pré-sal, explicando que a transferência do controle do pré-sal para o povo brasileiro, anunciada por Lula, não inclui petróleo.


 

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